segunda-feira, 23 de março de 2015

PROPENSÃO AO DESVIO
Geese
 as tentações para o desvio surgem com esmagadora percentagem sobre as sugestões de prosseguimento no caminho reto, dentro da ascensão espiritual. Vinha de Luz, cap. 30, Emmanuel/ Francisco Cândido Xavier
Nas ações humanas, podemos ver como as pessoas quando começam a realizar um projeto, após certo tempo, sem uma razão perceptível diminuem os esforços, realizam mais lentamente o trabalho, e se não for realizado algum esforço especial, num determinado momento, a linha de desenvolvimento do projeto muda sua direção. A mudança é pequena, porém real, na força interior. Passado algum tempo, há novo afrouxamento. Novamente, se não houver um esforço especial, a direção mudará. Com o passar do tempo, pode mudar completamente e seguir direção diametralmente oposta da direção inicial, parecendo ser a mesma coisa.
Observa-se que ocorrem dois intervalos ou claros que chamaremos propensão ao desvio. O primeiro ocorre entre 1/3 e 1/2 do tempo a ser utilizado no projeto e o segundo quase no final do período a ser despendido.
Essa observação tem força de lei, porque é a tendência natural nas ações humanas.
Nada continua em linha reta em nossas atividades, pois, tendo começado a fazer uma coisa, fazemos em seguida outra diferente, sem notar, pensando que seguimos no mesmo rumo.
Esses fatos só podem ser explicados por uma clara compreensão dos intervalos, que tendem constantemente a modificar a direção da linha de desenvolvimento das forças, a quebrá-la, a encurvá-la, até mesmo a mudar o sentido de direção.
Depois de certo período de atividade enérgica, de emoção intensa ou de compreensão justa, intervém uma reação, o trabalho torna-se aborrecido e cansativo, momentos de fadiga e indiferença aparecem no campo dos sentimentos. Em vez de pensar retamente, começa-se a buscar concessões; suprimem-se ou afastam-se os problemas difíceis. Isto é o intervalo (propensão ao desvio).
A linha continua a se desenvolver, embora não mais na direção inicial. O trabalho torna-se mecânico, o sentimento, cada vez mais fraco. Tudo se desenrola assim, durante certo tempo, depois há um novo desvio. O projeto pode ainda prosseguir, mas o trabalho, que iniciou com ardor e entusiasmo, torna-se formalidade obrigatória e inútil; elementos estranhos entram no sentimento: consideração pelas aparências, aborrecimento, irritação, hostilidade; o pensamento gira em círculos, torna-se repetitivo e não criativo e nos perdemos cada vez mais.
Em resumo, as atividades começam e, de maneira imperceptível, alteram-se seus propósitos. Se tais propensões aos desvios forem conhecidas, e se utilizarmos um meio de criar algum esforço especial, será possível evitar essas mudanças de direção.
Na literatura, ciência, arte, filosofia, religião, vida individual e, acima de tudo, na vida social e política, podemos observar os desvios das ações humanas que, ao cabo de certo tempo, podem até mudar para o sentido oposto, embora conservando seu primeiro nome.
Um estudo histórico empreendido deste ponto de vista ressalta os fatos mais espantosos, mas o homem os ignora solenemente. Exemplos impressionantes podem ser encontrados na história das religiões, particularmente na história da religião cristã, se a estudarmos sem paixão. Quantas voltas sofreu a linha de desenvolvimento das forças, para ir das prédicas de amor do Evangelho primitivo até as Cruzadas ou até a Inquisição!
Lembremos de um exemplo de superação de desvio: o mesmo cristianismo primitivo venceu a tendência de desvio nos trabalhos da Casa do Caminho. Os discípulos perceberam que, em vez de difundir o Evangelho do Mestre (linha de trabalho original), passaram a dedicar-se, quase exclusivamente, `a assistência material dos carentes (desvio). Souberam superar a propensão ao desvio conservando a linha original, criando uma nova linha de trabalho: instituição dos diáconos (vide aula 57 da EAE).
Integrantes de escolas de sabedoria do passado conheciam essa tendência e adotavam métodos de superação. Para ultrapassar esses claros, sem mudar o caráter e a linha do trabalho, é necessário saber como preenchê-los. Para assegurar a direção do trabalho em linha reta, deve-se trabalhar simultaneamente em três linhas. Se trabalharmos apenas em uma ou duas, a direção tende a mudar.
Se trabalharmos em três linhas, uma ajudará a outra a atravessar o intervalo, devido ao aumento dos esforços.
As três linhas de trabalho são arranjos especiais para preservar a direção justa do trabalho e torná-lo bem sucedido. Choques ou certos esforços nos permitem preencher os intervalos e manter a direção de atividades do trabalho de escola.
No próximo artigo, abordaremos as três linhas de trabalho.

O TREVO - FEVEREIRO 2010
ESCOLA DE APRENDIZES

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