sexta-feira, 25 de outubro de 2013

INTERVENÇÃO DA ESPIRITUALIDADE

JUVENTUDE
  
“Está chovendo aqui em Viçosa há uns dois dias e, na madrugada de ontem, um barraco foi soterrado, quando o dono saía para ver se havia riscos. Dentro da casa ficaram a esposa, grávida de sete meses e duas filhinhas. Todas morreram.
Estou triste e chocada e não paro de pensar se há explicação para tais tipos de fatos. Não seriam os Espíritos de Luz ou Anjos da Guarda desses inocentes
capazes de protegê-los?” (JULIANA, VIÇOSA-AL)

Como você se diz espírita, não é difícil responder a sua questão. Quando nos deparamos com um acontecimento, como esse que você citou, devemos procurar avaliá-lo não apenas e tão somente do ponto de vista de seu resultado imediato – para nós, uma lamentável tragédia. A Doutrina Espírita nos convida a buscar explicação mais ampla nas Leis Naturais que regem a vida e que concorrem efetivamente para a nossa felicidade futura. O sofrimento de hoje pode se tornar num grande benefício amanhã. O que vemos, diante de nós, são fatos isolados de um contexto mais amplo das experiências reencarnatórias dessa mãe e de seus filhos.

Não sabemos, no entanto, que realidade existe atrás de tudo isso e que significado esse amargo acontecimento tem na evolução desses Espíritos. Muitas vezes, se soubéssemos as vantagens que se escondem atrás de uma aparente derrota, não quereríamos sequer experimentar o gosto da pretensa vitória. Assim, é possível que esse trágico acontecimento represente um resgate para os Espíritos envolvidos ou mesmo um salto evolutivo na sua jornada reencarnatória.
Quanto aos seus Espíritos Protetores, eles têm um papel importante, mas sua capacidade de ação está limitada a leis maiores, essas mesmas que regem a vida de seus protegidos. Em razão disso e diante de determinadas situações, muitas vezes eles não podem mudar o rumo dos acontecimentos e, de outras, eles permitem que tudo aconteça porque sabem que as conseqüências serão benéficas para seus tutelados no futuro, assim como um pai permite que o filho sofra para aprender a viver melhor. Ademais, estudando a Doutrina Espírita, sabemos perfeitamente que a vida é constituída de obstáculos, problemas e desafios a serem experenciados por cada um de nós, ao longo de nossa jornada.
Considerar que os “maus acontecimentos” só nos prejudicam seria fazer uma idéia negativa de Deus e achar que Ele se diverte às nossas custas. Leia e reflita sobre as questões 963 e 964 de O LIVRO DOS ESPÍRITOS.


“INFORMAÇÃO”:
REVISTA ESPÍRITA MENSAL
ANO XXX Nº351
janeiro de 2002.
Publicada pelo Grupo Espírita “Casa do Caminho” -
Redação:
Rua Souza Caldas, 343 - Fone: (11) 2764-5700
Correspondência:
Cx. Postal: 45.307 - Ag. Vl. Mariana/São Paulo (SP)




ESPÍRITO DE VERDADE

JUVENTUDE

Assinante desta conceituada revista, solicitaria especial obséquio de me informarem qual é o certo: “Espírito da Verdade”, “Espírito de Verdade” ou “Espírito Verdade”. (JOSÉ ESTEVES FERNANDES JUNIOR, CAMPINAS-SP)

Não percebemos haja um consenso em relação ao nome exato do Espírito que, desde o início da Codificação, se manifestou a Kardec. Alguns chegam a afirmar que não se trata apenas de um Espírito, mas de uma falange de Espíritos, mas não é isso que vemos em OBRAS PÓSTUMAS. Traduções brasileiras antigas das obras kardequianas, como O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO, de Torrieri Guimarães, revista por Carlos Imbassahy, Editora LAKE, utilizam “Espírito da Verdade”. Herculano Pires, Roque Jacintho, Salvador Gentile preferem “Espírito de Verdade”. E é com esta mesma grafia que encontramos as traduções da FEB.

Aliás, há uma versão dessa obra, editada pela FEB (“L´EVANGILE SELON LE SPIRITISME”, 3ª edição, revista, corrigida e  alterada) do original francês de 1866 (Dentu, Fred. Henri, librairies, au Palais-Royal), com a subscrição na mensagem inicial “L´Esprit de Verité” (Espírito de Verdade). Enquanto isso, Canuto de Abreu optou por “Espírito Verdade”, conforme apresenta na edição comemorativa do centenário de O LIVRO DOS ESPÍRITOS, texto bilíngüe (francês/português) editado pela Companhia Editora Ismael; Canuto chega a traduzir a palavra “verité”, utilizada nos textos por Kardec, por “Espírito Verdade”, considerando que o Codificador, em OBRAS PÓSTUMAS, chamou de “Verdade” o Espírito orientador que, em 21/03/1856, se comunicou pela médium, Srta. Baudin, dando-lhe oportunas instruções; entretanto, mais adiante, o próprio Kardec, na mesma obra, a ele se refere como “Espírito de Verdade”, que nos parece ser a denominação mais utilizada.


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MUNDOS SUPERIORES

JUVENTUDE

Às vezes, não acredito que estou vivendo num mundo tão violento como o nosso, onde o egoísmo predomina, fazendo vítimas. Gostaria de viver num mundo superior, onde o homem não tivesse mais necessidade de mentir, de corromper e de agredir violentamente seu semelhante por causa de dinheiro. ( NEUZA MARISA GENTIL MAE, BAURU-SP)

Acontece, prezada leitora, que não pertencemos à Humanidade por acaso. Este mundo em que vivemos, da forma como se nos apresenta, com todas suas contradições e absurdos, desonestidade e violência, é o mundo que temos construído para nós, ao longo dos milênios. Já não estamos mais num mundo primitivo, porque superamos essa fase inicial da experiência humana, e tampouco nos encontramos num mundo superior, porque ainda não reunimos condições para tanto. O ambiente cultural da Terra retrata exatamente o nível de evolução de seus habitantes, que somos nós.

Espíritos superiores, quando reencarnam em nosso Planeta, não são aceitos pelos homens e quase sempre se tornam vítimas de sua incompreensão, justamente porque procedem de um mundo onde o nível moral é bem superior ao da Terra. Por outro lado, nós, que aqui vivemos – hoje, no início do século XXI - ainda não estamos preparados para viver num mundo sem violência e dominação; nossas atitudes e comportamentos feririam logo seus princípios, causariam perturbação e desequilíbrio e nós, não os compreendendo, seríamos desajustados em seu ambiente, do mesmo modo que um troglodita, pela sua condição de homem primitivo, se sentiria perdido e confuso se tivesse que conviver numa família civilizada de nosso tempo.


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terça-feira, 8 de outubro de 2013

SÉRIE ENCONTRO COM CHICO E DIVALDO

COMUNICAÇÃO

III – MÉDIUM

Ainda o médium. São tantas as dúvidas existentes sobre o tema que resolvemos ampliar a abordagem do mesmo.
Dentro desta série, os leitores vão se inteirar das opiniões de Francisco Cândido Xavier e Divaldo Pereira Franco a respeito de ângulos diversos da questão.
Com a palavra, portanto, os dois valorosos líderes.
O que é desenvolver mediunidade no conceito de Emmanuel?
Chico Xavier - Ele crê que desenvolvimento mediúnico deveria ser a nossa dedicação ao aperfeiçoamento pessoal para servirmos de intérpretes àqueles que habitam a vida espiritual e, ao mesmo tempo, começar muito cedo o trabalho na pauta da obediência e da fé de que todos carecemos perante as Leis de Deus.
A disritmia é problema mediúnico?
Divaldo - Para nós, espíritas, na questão das enfermidades de qualquer porte, o problema é sempre o Espírito encarnado. No processo da fecundação, quando o Espírito começa a moldar o corpo de que tem necessidade para evoluir — porque o corpo é moldado conforme o mérito ou demérito de cada um — encontram-se em gérmen as futuras necessidades do seu processo de crescimento. Na problemática das disritmias cerebrais, a atuação do psiquismo do Espírito reencarnante sobre a matéria em formação cria o desajuste que mais tarde se apresentará em forma de lesões ou descompensações vibratórias. Como todos temos um passado, estamos, por isso mesmo, vinculados aos nossos atos pretéritos.
Aqueles a quem prejudicamos, encontram em nós as matrizes do débito, a fim de que estejam vinculados à nossa necessidade de ressarcimento, atraindo-os, inevitavelmente, à cobrança, quando evolutivamente são iguais a nós. Se forem melhores do que nós, não nos cobrarão nada. Pelo perdão que nos doam, libertam-se, deixando que resgatemos nossa dívida por outros meios. O problema é normalmente psiquiátrico, mas também sofre carga obsessiva. Pode ser psiquiátrico ou neurológico, porque de ordem cerebral, necessitando de uma terapêutica própria. E obsessivo ou mediúnico porque, havendo a dívida e o cobrador por perto, estabelece-se um clima de obsessão. Se a pessoa recebe a terapia espírita, e dispõe-se à prática do Bem, à auto-terapia, libertar-se-á do processo disrítmico, porque iluminará o seu perseguidor — sua vítima de ontem — e resgatará as suas dívidas perante a Consciência Cósmica. A Lei não é de cobrança; é de retificação dos erros. Se eu pratiquei um mal e começo a fazer um grande Bem, o Bem que eu faço anula o mal que eu fiz, deixando-me quite. Existe, portanto, uma injunção de natureza físico-psicológica, quanto de natureza mediúnica, no problema das disritmias, necessitando de tratamento médico especializado e espiritual cuidadoso.
O que acontece para uma pessoa que se recusa a desenvolver sua mediunidade, já que esta mediunidade pode ajudar muitas pessoas? Haverá algum castigo ou cobrança?
Chico Xavier - Energias que não doamos podem ser fator de desequilíbrio em nossas vidas. Nossa consciência, em geral, nos cobra uma atitude perante as tarefas que nos cabem. Praticando o Bem em qualquer parte, estaremos colocando nossa mediunidade a serviço de todos. André Luiz afirma: “Todo bem que não se faz é um mal que se pratica.”
Diz-se, no Espiritismo, que todos temos mediunidade e medo disso. Por quê?
Divaldo - Por ignorar o que é a mediunidade, por um mecanismo de defesa, através do qual o indivíduo, embora cientificado das possibilidades mediúnicas, bloqueia as fontes daqueles registros psíquicos para acomodar-se ao imediatismo.
Quais são os principais sintomas, tanto físicos quanto psicológicos, que a pessoa apresenta para que diagnostique-se mediunidade acentuada?
Chico Xavier - Os sintomas podem ser variados, de acordo com o tipo de mediunidade.
Irritabilidade, sonolência sem motivo, dores sem diagnóstico definido, mau humor e choro inexplicável podem indicar necessidade de esclarecimento e estudo.
Divaldo, quando um médium pode saber se realmente tem um compromisso mediúnico e que compromisso lhe traz essa mediunidade?
Divaldo - Através de sua predisposição. A mediunidade induz o indivíduo a uma posição consciente perante a vida, desde que esta seja pautada em linhas de equilíbrio moral.
Então ele passa a receber intuições vigorosas que o impelem a atitudes positivas em relação ao próximo. Aparece de início, como lampejo de um ideal, como reminiscência de tarefas que ficaram interrompidas ou como uma verdadeira impulsão para realizar determinados compromissos a benefício da criatura humana. À medida que mergulha no mundo interior, desdobram-se-lhe as possibilidades e os Espíritos o conduzem a que execute a tarefa que, a pouco e pouco, lhe vai sendo inspirada e conduzida. A mediunidade é uma faculdade paranormal, e todos podemos experimentar fenômenos que não são habituais, não comuns. Quando estes fenômenos especiais transcendem ao habitual refletem características de mediunidade, tais: percepção de presenças, visões e audições psíquicas, que seriam denominados como alucinações psicológicas por psiquiatras desconhecedores da mediunidade...
Como saber distinguir efeitos mediúnicos de doença física? Por exemplo: as dores de cabeça e de estômago.
Chico Xavier - A segurança em distinguir efeitos da mediunidade de sintomas de doenças físicas, só pode ser alcançada com a educação da própria mediunidade. O ideal é que inicialmente se procure um médico para certificar-se que o mal não é físico e, uma vez confirmada a inexistência de doença, deve-se procurar a orientação espiritual.
Fale-nos, se possível, acerca dos débitos do médium que vende sua mediunidade.
Divaldo - A tradição concebeu uma palavra, “simonia”, como sendo a da venda das coisas sagradas. Na mediunidade, particularmente entre nós, na Terra do Cruzeiro, seguindo a recomendação de dar de graça o que de graça recebemos, o exercício da mediunidade não pode ter outra conotação senão a da gratuidade. Convém consignar aqui que a venda de recursos mediúnicos não se consuma exclusivamente por dinheiro, porque se pode trocá-la por presentes, por concessões, pelo envaidecimento e por várias outras modalidades mais ou menos sob disfarce. Nós, médiuns, devemos acautelar-nos constantemente contra os perigos da simonia indireta, inclusive para com aqueles que fazem parte do nosso círculo íntimo, ou os que nos propiciam conforto e facilidades. “Lembro-me aqui de um querido confrade, médium seguro, que exerceu a mediunidade caritativa por largos anos numa modesta construção no fundo do quintal de sua casa. Este homem de vida santificada carregava uma prova dolorosa, a esposa era alienada mental, a filha sofria de ataques epiléticos e o filho vivia atormentado por Espíritos vingativos. Granjeava recursos para a ‘manutenção daquele lar com a execução de modestos serviços em profissão humilde, que ele executava em sua casa mesmo. Um dia, após atender pessoa portadora de um problema muito grave, notou que tal pessoa deixara boa soma de dinheiro num envelope aberto em cima da mesa, retirando-se em seguida. Levantou-se às carreiras e foi ter com a pessoa: “- Senhor, acho que esqueceu este dinheiro na mesa em que trabalho”. Resposta do doador: “ - Não, não esqueci. Percebi que o senhor tem problemas financeiros e de saúde de seus familiares, e como disponho de muitos recursos quis ajudá-lo a amenizar as dificuldades com que se defronta”.
“‘— Não, bondoso amigo, não posso aceitar.
"— Mas por que não pode, o senhor não me pediu nada, estou dando é para sua família, sua esposa doente e os filhos enfermos. Com este dinheiro o senhor pode minorar o sofrimento deles”.
“— Perdoe-me se não consigo fazer-me entender. Se minha mulher e meus filhos estão ao meu lado passando provações e vicissitudes, é porque deviam às justas Leis Divinas que nos levam ao resgate para nosso benefício. Por favor, não insista, não destrua num segundo o que levei 30 anos para edificar”.
Dito isto passou o envelope para as mãos do doador e voltou ao barraco onde exercia a mediunidade com verdadeiro amor e santidade.

FONTE
Silveira, Adelino; KARDEC PROSSEGUE, ed.UNIÃO, questão 1
Baccelli, C.A; DIVALDO. FRANCO em UBERABA, ed. ALVORADA; questão 2
Xavier, F.C e Emmanuel (Espírito), PLANTÃO DE RESPOSTAS, ed. UNIÃO, questões 3,5,7
Franco, Divaldo P; ELUCIDAÇÕES ESPIRITAS, ed. ALVORADA, questão 4
Franco Divaldo P. VIAGENS E ENTREVISTAS; ed.ALVORADA; questão 6
Franco Divaldo P, e Fernando Worm; MOLDANDO O TERCEIRO MILÊNIO, ed. ALVORADA, questão 8


EMMANUEL E A COMUNICAÇÃO

“Enquanto houver um gemido na paisagem em que nos movimentamos, não será ilícito cogitar da felicidade isolada para nós mesmos”.
“O programa do feminismo não é o da exclusão da dependência da mulher: deve ser o da compreensão dos seus grandes deveres.
Dentro da natureza, as linhas determinadas pelos desígnios insondáveis de Deus não se mudam, sob a influência do ilimitado arbítrio humano; e a mulher não pode transformar o complexo estrutural de seu organismo“.


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Janeiro 2006
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sábado, 5 de outubro de 2013

FAMÍLIA - VISÃO PSICOLÓGICA

EDUCAÇÃO

Elaine Curti Ramazzini

 Muito se tem falado sobre a influência da televisão no desenvolvimento sócio-emocional das crianças. Também cada vez mais cedo as crianças fazem uso do computador, com grande estímulo dos familiares. Também não se pode negar que o desenvolvimento tecnológico tem oferecido esses instrumentos como opções de aprendizado e lazer.
De tempo em tempo aparece alguma notícia alertando quanto ao cuidado que se deve ter ao permitir que crianças tenham acesso a estas facilidades, todas consideram que não há como proibir sem causar desconforto e fazer a criança sentir-se diferente das demais crianças.
Do ponto de vista da Psicologia, a família pode ser definida como um “sistema de laços emocionais”, diretamente responsável pela formação da estrutura psíquica de cada indivíduo.
É através das figuras parentais (mãe e pai) ou de seus substitutos que se verifica a transmissão à criança de padrões diretamente relacionados com o modus vivendi (comunicação, afeto, disciplina). É através dessas relações que vai nascendo na criança a percepção de si mesma e dos outros, assim como a maneira e a capacidade de interagir no mundo social.
Tornamo-nos humanos através das interações, na infância, com as primeiras pessoas que amamos (o “outro significante”, como bem define Peter I. Berger). É na família que cada Ser adquire as bases do comportamento, da identidade sexual, das noções de direitos e deveres e ainda dos modos pelos quais lida com afetos e emoções (amor, ódio, desprendimento, egoísmo...).
Outra função básica da família é a de preencher as necessidades amorosas e de ajuda mútua entre adultos. Daí a importância do casamento, da união, que por mais dificuldades apresente na vida em comum dos cônjuges nunca pessoa alguma conseguiu descobrir melhor substituto para ele.
Não podemos falar de família, numa perspectiva psicológica, se não falarmos de mitos familiares. A idéia que se faz de mito familiar advém do fato de que mito é uma história concebida por um povo, que não possui lógica ou regra, constituindo, por assim dizer, aquilo que as pessoas trazem consigo e que se perpetua de geração em geração.
Tais mitos consistem na formação de idéias que se atribuem à família e que nada mais são do que uma percepção enviesada de como ela é, como se organiza e como funciona. Tais concepções ganham deformações maiores, pois se apresentam conjugadas com uma série de mecanismos de defesa.
Muitos mitos surgiram a respeito de problemas aparentes, numa versão um tanto quanto mágica e sobre quem — algum membro da família — é portador de algum problema.
Exemplificando: considerar que o problema de uma família é um filho rebelde ou doente ou, ainda, um pai ausente, constitui uma versão bem superficial das dificuldades emocionais da família, que enfoca a problemática toda num determinado membro, escondendo conflitos sérios que se localizam no próprio contexto familiar.
Quando, numa família, há o chamado “filho-problema”, torna-se ele o responsável pelos dramas que ocorrem no lar, envolvendo todos os membros da constelação familiar. Assim, o resto da família vive uma sensação ilusória de que, na medida em que o elemento doente melhore, o problema de todos, conseqüentemente, se resolve, e que não exigirá que os demais se esforcem para administrar os conflitos em casa. Com isso, a família precisa manter vivo o “bode expiatório”, imaginando que, ao livrar-se dele, liberta-se também dos conteúdos indesejáveis de si própria que nele projeta. Assim, portanto, embora a ansiedade seja compartilhada por toda a família, de modo geral, com freqüência esse membro passa a incorporar o problema como se fosse somente seu, poupando os demais participantes da família da incômoda tarefa de administrar os próprios conteúdos.
Muitas vezes, também, ocorrem outros mecanismos de defesa, como a negação, por exemplo, observada em pais que, não aceitando a idéia de terem gerado um filho com deficiências físicas ou intelectuais, “enganam-se” tentando ocultar essas características, ao invés de proporcionar-lhe um atendimento adequado.
No que se relaciona à escolha e ao contrato de casamento, são várias as motivações que levam as pessoas a se unirem.
Segundo a Psicologia, a escolha de um parceiro ou de uma parceira diz respeito ao desenvolvimento de certos valores que se lhes foram inculcados ao longo do tempo. Ocorre, no entanto, que nem um nem outro cônjuge possui características idênticas. Tais características, que dizem respeito, muitas vezes, às experiências de cada um, e à escala de valores que cada qual desenvolveu ao longo de sua vida particular, pode não ser a mesma para os dois membros do casal. E isto provoca, via de regra, muitos desajustes entre marido e mulher, gerando sérios conflitos no âmbito familiar.
Também na relação conjugal, os seres desenvolvem e vivem em torno de mitos que dizem respeito ao viés da cultura e dos valores muitas vezes ultrapassados. Arnold A. Lazarus, psicoterapeuta de casal, esclarece que muitos casais se separam porque buscaram atender a certos mitos conjugais, como, por exemplo: “o matrimônio pode realizar todos os nossos sonhos”; ou “os bons maridos consertam tudo em casa e as boas esposas fazem a limpeza”; ou “ter um filho, melhora o mau matrimônio”; ou “os que amam de verdade, adivinham os pensamentos e sentimentos do outro”; ou “a competição entre marido e esposa estimula o casamento” e assim por diante...
Há casos de cônjuges que procuram no outro aspectos que não desenvolveram em si mesmos. Por exemplo, uma mulher que não se sente muito “brilhante” em termos de inteligência, exalta a argúcia ou o brilhantismo do marido, como se somente ele os possuísse. Essa maneira de proceder diz respeito à necessidade que possui de sentir-se engrandecida através da figura do companheiro, emprestando dele a inteligência de que se sente desprovida.
Essa determinação de que os problemas estão localizados apenas no outro viabiliza-se graças ao mecanismo de projeção, onde idéias e sentimentos do indivíduo são atribuídos objetivamente a pessoas e objetos.
Assim, um homem que tenha muita dificuldade em manifestar raiva pode casar-se com uma mulher “raivosa”, que consegue expressar tal sentimento em seu lugar. Ela então expressa pelos dois aquele sentimento.
Tal carga dupla, representada por um aspecto vivido por um dos elementos do casal e aparentemente ausente no outro, acaba pesando na experiência de ambos. Há uma ansiedade que faz com que seja importante conservar esses aspectos, mais no companheiro ou na companheira.
No ato da escolha, de uma forma ou de outra, um captou que poderia auxiliar seu par a continuar o aperfeiçoamento na própria personalidade e que sozinho não conseguiria.
De maneira geral, esse movimento de complementação se dá no sentido do crescimento, mas pode também constituir um pacto destrutivo que contribui para adoecer ambos os cônjuges na relação que fica cada vez mais desgastada.
É claro que os filhos podem também sofrer as projeções de aspectos das personalidades dos pais. Freqüentemente, carregam eles aspectos mal resolvidos de todos como se fossem problemas pessoais seus. Permanecendo, pois, nesta situação, exercem uma função reguladora no seio familiar, na medida em que aliviam de tal carga o resto da família.
Uma criança pode ser utilizada desde o nascimento como extensão dos problemas dos pais, recebendo papéis que se ajustam às fantasias deles, mas não à personalidade e necessidades dessa criança. Isto acabará por certo dificultando em muito o desenvolvimento de sua personalidade, tornando-a desajustada, não só em relação ao contexto familiar, mas no desempenho dos papéis sociais de forma geral.
Estudos relativos ao desenvolvimento psicológico infantil mostram que o bem-estar mental da criança depende em grande parte de sua segurança afetiva, isto é, de quanto ela se percebe amada e do quanto as pessoas ao seu redor podem ajudá-la, quando e se ela necessitar de amparo e proteção. A sensibilidade, a receptividade do adulto diante dessas expectativas infantis estão diretamente relacionadas com as experiências que esse adulto teve durante a sua infância. E de supor-se que quem foi bem cuidado e sentiu-se amado pelos pais tenha maior facilidade de dedicar-se de maneira eficiente aos filhos.

No entanto, nem toda criança infeliz e mal-amada está destinada a ser mau pai ou péssima mãe. Se o indivíduo refletir sobre seus sofrimentos, entendê-los e reelaborá-los de maneira positiva, estará mais apto a não passar adiante suas experiências menos felizes.
A distância entre as gerações e a interferência da televisão, que funciona como babá para a criança e como calmante para o adulto, agrava ainda mais os problemas em casa. Observa-se que, no mundo moderno, encontrar um tempo para sentar e conversar com o filho, ou com os pais, não é fácil. Deste modo, compartilhar experiências, falar sobre sentimentos e trocar idéias são privilégios de poucas famílias. Neste contexto, a comunicação se mantém precária e limitada aos aspectos superficiais do quotidiano.
Vale frisar que não se trata de medir a harmonia de uma família pelo tempo em que seus membros estão juntos, mas de verificar a qualidade dessa vivência em comum.
Acompanhando a evolução da família através dos tempos, observa-se que houve uma subversão da história anterior. Fundada no pátrio poder, em que o homem era o centro econômico e dele provinha o sustento da casa, dos filhos, cabia tão-somente à companheira a transmissão dos valores que seriam reproduzidos sem alterar o quadro.
Ingressando, porém, a mulher no mercado de trabalho, passa ela a repartir o poder, a intervir nas decisões sob uma visão nova, feminina.
Isto, literalmente, transforma todas as relações afetivas, desorganiza uma ordem estabelecida há muito tempo. Inicia-se um “processo de reacomodação”, como dizem alguns psicólogos, processo de reacomodação este que atinge cada um dos integrantes do núcleo familiar.
Antes alijada, a mulher, agora, sabe das dificuldades fora de casa e vivencia a disputa no mercado de trabalho. Da mesma forma, o homem se sente compelido a intervir na educação dos filhos, tornando-se também um transmissor de ideologia.
A família, com todas estas transformações, tem buscado tornar-se mais nutridora, oferecendo ao bebê condições de transformar-se num homem maduro. Para tanto, pais e mães têm procurado cada vez mais terapeutas e conselheiros para que estes profissionais os auxiliem na resolução dos conflitos e desajustes verificados na esfera doméstica.
A Psicologia tem, pois, contribuído de maneira profícua no sentido de ajudar os membros da constelação familiar a reconfigurarem melhor a sua condição existencial. Sinalizando-lhes a importância de aprender a lidar com os “nãos” da vida e com verdades possíveis, abre-se-lhes um leque de opções para que cada um trabalhe seus próprios limites, dentro de um contexto mais amplo — o familiar — respeitando a própria individualidade, apanágio do Ser em constante transformação. Procura ainda auxiliar a cada um em particular e a todos de forma geral, fazendo-os reconhecer que os comportamentos são influenciados e influenciam outros e que as alegrias e tristezas que compõem o repertório pessoal das experiências será acionado no momento em que as criaturas se relacionarem com outras pessoas e decidirem constituir uma nova família.
Com a visão esclarecedora acerca dos mecanismos comportamentais, a Psicologia dilata para o homem a sua percepção de “ser no mundo com os outros”, como bem assinalou o filósofo existencialista Martin Heidegger. Ao descortinar à criatura possibilidades no sentido de que ela encete e promova o seu autoconhecimento, favorece-lhe o crescimento interior e sensibiliza-a para o cultivo de uma vida mais sadia e harmoniosa no seio familiar. O Espiritismo, por seu turno, esclarece que os Espíritos são herdeiros de si próprios e que a tarefa dos pais é a de orientar os filhos, dando-lhes apoio e sustentação para que, quando adultos, consigam se auto-apoiar e caminhar confiantes em busca da perfeição. Exigir de seus tutelados mais do que podem dar é não compreender-lhes o estágio evolutivo em que se encontram na presente reencarnação e esquecer-se de que as experiências pelas quais devem passar serão aquelas mesmas necessárias ao seu aprendizado na condição de Espírito eterno, com vistas à ascensão espiritual a que todos estamos fadados.
Atualizando a lição de Jesus, descortina na família esclarecida espiritualmente a Humanidade feliz de um futuro repleto de alegrias e benesses imorredouras.

Sustentando-a nos ensinamentos do Cristo e no seu Código de reta conduta, pontua a todos e a cada um em especial a necessidade de preservar o reduto familiar, sob a égide do Amor Maior, onde deverá ser construído o altar da compreensão recíproca e do respeito mútuo a fim de que o reino de Deus se instale por definitivo no coração da criatura.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

Canevacci, M. Dialética da família. 2a. ed., S.Paulo, Ed.Brasiliense, 1982.
Dias, M.L. O que é psicoterapia familiar. S.Paulo, Ed.Brasiliense, Coleção Primeiros Passos, 1990.
Vivendo em família. 4a. ed., S.Paulo, Ed.Moderna, Coleção Po1 1992.
Franco, D. P. (Pelo espírito Joanna de Ângelis). Estudos espíritas. Rio de Janeiro, Federação Espírita Brasileira, 1982
Lazarus, A. A. Mitos conjugais. Campinas, Editorial Psy, 1992.
Montoro, G. F. “A família, pensando bem...”. Revista Ícaro, Edição Mulher, N agosto de 1994, p. 98 e 100.
“Psicologia tenta explicar mudanças na família”. Seção Lar, Doce Lar?, Shopping News, São Paulo, 06.03.1994, p. 11.
FONTE
A FAMÍLIA, O ESPÍRITO E O TEMPO, por Autores Diversos, ed. USE


O MUNDO MAIOR E A EDUCAÇÃO
O ministério das mães é, indiscutivelmente, o mais alto, na experiência terrestre, mesmo porque a própria manifestação do Cristo no mundo depende quase que inteiramente da colaboração da mulher personificada, em toda a sua nobreza e esplendor espiritual, no coração da Nossa Mãe Santíssima.
Emmanuel

“Examina da torre de tua compreensão, os quadros aflitivos da senda e reconhecerás que o mundo e os semelhantes constituem a nossa casa e a nossa família, pedindo a bênção do auxílio e o bálsamo da piedade.”
Agar

“A aquisição das mais elevadas qualidades terrenas é o legítimo acesso aos dons celestiais.”
André Luiz


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