terça-feira, 24 de janeiro de 2012

A ansiedade


CLARINDO FARINA
De Curitiba

A ansiedade, quando intensiva e continuada, torna-se um canal para o desencadeamento de enfermidades.
Quando descontrolada, começa, em primeiro lugar, a desarmonizar o psiquismo, mas também pode chegar a ponto de afetar a saúde de um modo geral.
Vários são os fatores que dão início à ansiedade. Por exemplo: medo de perder o emprego, dificuldade econômica para sobreviver ou para quitar uma dívida, disputa de cargos ou funções, insegurança individual ou coletiva, ameaça de uma iminente guerra, prepotência exagerada de patrões e governos inescrupulosos, anúncios e estardalhaço sobre enfermidades e epidemias devastadoras, prenúncios de tragédias iminentes etc.
É claro que há circunstâncias em que a ansiedade, até certo ponto, pode ser considerada como normal, por exemplo: quando se aguarda a chegada demorada de alguém ou quando se espera uma notícia importante que demora a se confirmar, mas desde que essa ansiedade não se torne exagerada.
Os vícios, principalmente para com os tóxicos, podem ser uma das piores causas de ansiedades. Quando a ansiedade atinge níveis como distúrbios respiratórios, sudoreses exageradas sem motivos claros, perturbações das funções digestivas, insônia, nestes estados emocionais, a ansiedade se torna fator de perigosas patologias, ameaçando perigosamente a saúde física e mental.
É de suma importância o autodescobrimento, isto é, saber controlar as nossas necessidades, nossas emoções, nossas legítimas aspirações e reações, mediante certos estímulos!
É imprescindível saber compreender a importância dos verdadeiros valores para a vida. Equilíbrio em tudo sempre é a melhor opção.
A fé raciocinada, com confiança absoluta em Deus e confiança em si mesmo, constitui também importante antídoto às ansiedades. As idéias positivas e a busca incessante das verdades espirituais são seguranças contra as doentias ansiedades.
A certeza da imortalidade e da bondade de Deus é fundamental para a expulsão de ansiedade. Conversar com uma pessoa sensata e equilibrada ou valer-se da oração são outras tantas medidas que podem nos auxiliar a fim de amenizar as nossas inquietações emocionais.
Longo período de ansiedade descontrolada poderá dar origem, também, à enfermidade intitulada depressão.
Ensinou-nos Jesus a confiar e orar sempre ao Pai Celestial, que sabe o que é melhor para nós, nas horas difíceis e de indecisões.

Um minuto com Joanna de Ângelis

Os cristãos do passado, fiéis à Doutrina pura, experimentaram o opróbrio, a calúnia, a persistente angústia, o cárcere, o martírio... A história do vero Cristianismo é a saga de toda uma comunidade sacrificada através dos tempos.
Lentamente, porém, as conquistas humanas, culturais e sociais vêm banindo os métodos bárbaros de impedimentos dos ideais nobres da Humanidade. Apesar de ainda existirem presídios e ultrajes, processos vis para extorquir informações e atemorizar, os direitos humanos se vão incorporando e as liberdades de culto, de crença, de ação, de palavra e movimentos acenam dias felizes para o futuro.
Os cristãos gozam de cidadania e suas minorias fazem-se respeitadas e até mesmo amadas.
Como será possível a cada indivíduo, porém, demonstrar o vigor da fidelidade aos postulados de fé vivenciados?
As antigas arenas foram derrubadas e as feras estão esquecidas.
Apesar disso, outros fenômenos têm lugar, convidando os decididos lidadores ao heroísmo, à evolução.
A dor íntima, os conflitos gerados na ação abnegada, as incompreensões propositadas, o cerco da maledicência e da acusação indébita, os ferem e os angustiam, ensejando recuperação, crescimento para Deus, ao mesmo tempo constituindo-se testemunho à fé.
Sob os açoites da enfermidade ou excruciado pelas dores de qualquer natureza, recorda-te da fé cristã, e alegra-te. Este é o teu instrumento de flagício libertador, de que a Vida se utiliza para a tua felicidade futura.
*
Sob as chuvas de sarcasmo dos amigos de ontem, agora perseguidores cruéis, ou padecendo injúrias e acusações venenosas, vitaliza-te com a fé cristã e demonstra-a na resignação e na coragem com que suportarás todas as injunções, sofrendo as “feras” multiplicadas na “arena” ampliada do teu relacionamento social.
O testemunho à fé chega-te agora de maneira diversa daquela que assinalou os apóstolos e mártires primitivos, não menos dolorosa, porém. Não malbarates, pois, a concessão divina do sofrimento, nem percas essa bênção que te permite ascender. Cristão, sofrendo, é Espírito em depuração, rumando na direção do Cristo que nos aguarda, confiante.

JOANNA DE ÂNGELIS, mentora espiritual de Divaldo P. Franco, é autora, entre outros livros, de “Momentos de Esperança” (Editora LEAL, 1988), do qual foi extraído o texto acima.

O IMORTAL
JORNAL DE DIVULGAÇÃO ESPÍRITA
Diretor Responsável: Hugo Gonçalves Ano 53 Nº 623 Janeiro de 2006

Estudando as obras de André Luiz


JOSÉ ANTÔNIO V. DE PAULA

De Cambé


No livro “Missionários da Luz”, o autor abre um capitulo com o título: Passes, de onde vamos tirar algumas lições para nosso aprendizado.
André pergunta a Alexandre quem, dos encarnados, poderia colaborar nas atividades do auxílio magnético. O instrutor amigo responde: “Todos, com maior ou menor intensidade, poderão prestar concurso fraterno, nesse sentido.” E acrescenta: “Revelada a disposição fiel de cooperar a serviço do próximo, as autoridades de nosso meio designam entidades sábias e benevolentes que orientam, indiretamente, o neófito, utilizando-lhe a boa vontade e enriquecendo-lhe o próprio valor.”
André não se conformando com a explicação, insiste, questionando sobre a possibilidade de o indivíduo ser dotado de valores muito reduzidos para a tarefa. Alexandre responde dizendo: “Desde que o interesse dele nas aquisições sagradas do bem seja mantido acima de qualquer preocupação transitória, deve esperar incessante progresso das faculdades radiantes, não só pelo próprio esforço, senão também pelo concurso de Mais Alto, de que se faz merecedor.”
E, mais adiante, a obra nos oferece uma lista de obstáculos ao bom desempenho do trabalhador nas tarefas de magnetismo. Ouçamos o que diz o sábio educador:
“Não é possível fornecer forças construtivas a alguém, ainda mesmo na condição de instrumento útil, se fazemos sistemático desperdício das irradiações vitais. É necessário equilibrar o campo das emoções.
Um sistema nervoso esgotado, oprimido, é um canal que não responde pelas interrupções havidas.
A mágoa excessiva, a paixão desvairada, a inquietude obsidente, constituem barreiras que impedem a passagem das energias auxiliadoras.
O excesso de alimentação produz odores fétidos, através dos poros, bem como das saídas dos pulmões e do estômago, prejudicando as faculdades radiantes; o álcool e outras substâncias tóxicas operam distúrbios nos centros nervosos, modificando certas funções psíquicas e anulando os melhores esforços na transmissão de elementos regeneradores e salutares.”
Então André pergunta se não é necessário a pureza de quem aplica o passe. E Alexandre conclui:
“Se a prática do bem estivesse circunscrita aos Espíritos completamente bons, seria impossível a redenção humana. Qualquer cota de boa vontade e espírito de serviço recebe de nossa parte a melhor atenção.
Em todo lugar onde haja merecimento nos que sofrem e boa vontade nos que auxiliam, podemos ministrar o benefício espiritual com relativa eficiência.”

EMMANUEL
Recapitulações
“Porque amavam mais a glória dos homens
do que a glória de Deus.” – João, 12:43.

Os séculos parecem reviver com seus resplendores e decadências.
Fornece o mundo a impressão dum campo onde as cenas se repetem constantemente.
Tudo instável.
A força e o direito caminham com alternativas de domínio. Multidões esclarecidas regressam a novas alucinações. O espírito humano, a seu turno, considerado isoladamente, demonstra recapitular as más experiências, após alcançar o bom conhecimento.
Como esclarecer a anomalia?
A situação é estranhável porque, no fundo, todo homem tem sede de paz e fome de estabilidade. Importa reconhecer, porém, que, no curso dos milênios, as criaturas humanas, em múltiplas existências, têm amado mais a glória terrena que a glória de Deus.
Inúmeros homens se presumem redimidos com a meditação criteriosa do crepúsculo, mas... E o dia que já se foi? Na justiça misericordiosa de suas decisões, Jesus concede ao trabalhador hesitante uma oportunidade nova. O dia volta.
Refunde-se a existência. Todavia, que aproveita ao operário valer-se tão-somente dos bens eternos, no crepúsculo cheio de sombras?
Alguém lhe perguntará: que fizeste da manhã clara, do Sol ardente, dos instrumentos que te dei?
Apenas a essa altura reconhece a necessidade de gloriar-se no Todo-Poderoso. E homens e povos continuarão desfazendo a obra falsa para recomeçar o esforço outra vez.
  
EMMANUEL, que foi o mentor espiritual de Francisco Cândido Xavier e coordenador da obra mediúnica do saudoso médium mineiro, é autor, entre outros livros, de “Caminho, Verdade e Vida” (FEB, 1948), do qual foi extraído o texto acima.

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Diretor Responsável: Hugo Gonçalves Ano 53 Nº 623 Janeiro de 2006

O dia da caridade


LUIZ AUGUSTO BREINACK

De Piraquara-PR

A caridade é nossa lâmpada acesa. Aos seus raios tudo esclarece e tudo brilha, diz Emmanuel.
A lei no 5063, de 4 de julho de 1966, instituiu o “Dia da Caridade”, a ser comemorado anualmente em 19 de julho, com o objetivo primordial de difundir e incentivar, a todos, a prática da solidariedade entre os brasileiros e os demais povos aqui domiciliados.
Estabelece textualmente, a lei:
“Art. 2o – A organização do plano para as comemorações ficará a cargo dos Ministérios da Saúde, Educação e Cultura, constando obrigatoriamente, sem prejuízo de outras iniciativas, de visitas a hospitais, casas de misericórdia, asilos, orfanatos, creches, presídios e a todos os demais lugares onde a pobreza e a dor mais se façam sentir”.
Segundo a boa doutrina, a função precípua do Estado é a prestação de serviços públicos. E num Estado em que o critério de ordem pública seja amplo e multiforme, em que se entenda que a paz, a ordem, a harmonia e o progresso, na ordem nacional, exigem que nenhum aspecto da vida econômica, social, cultural ou espiritual do povo escape à ação disciplinadora do Estado, o conceito de serviço público deverá ser igualmente compreensivo e desdobrado nas mais diversas e variadas aplicações.
Daí poderemos concluir que os poderes estatais não exorbitam de suas prerrogativas se, para a consecução de seus elevados fins, procuram empregar meios fortuitos, quando dignificantes, como, no caso em questão, o estímulo e a prática da caridade.
A caridade é a lei divina, natural.
Lógico, pois, que também constitua preceito na legislação humana.
Fundado na caridade, na benemerência, no altruísmo, o assistencialismo consiste nos cuidados, na proteção e no auxílio que indivíduos, famílias ou grupos prestam aos mais necessitados.
Entre alguns povos, igualmente, evidenciou-se certa preocupação com pessoas portadoras de deficiência física, idosos, miseráveis e outros carentes de amparo.
Consta que havia normas assistenciais, por exemplo, no Código de Manu (Índia), no Código de Hamurabi (Babilônia), e assim por diante. No mesmo sentido, e tão só para ilustração, aponta-se a famosa Lei dos Pobres (Poor Law), editada em 1601, na Inglaterra. Ela impunha às paróquias a obrigação de socorrer os infortunados de sua jurisdição, arrecadando, para tanto, taxas dos respectivos membros.
Das chamadas virtudes teologais tão bem detalhadas pela Igreja Católica Apostólica Romana, a fé tem o poder de “remover montanhas”.
A esperança é o bálsamo dos aflitos. Mas a Caridade a tudo sobrepuja, porque é ela o farol que indica o porto seguro da felicidade.
Por isso que, em boa hora, a casa mater do Espiritismo no Brasil, a Federação Espírita Brasileira, instituiu por lema: Deus, Cristo e Caridade.
Na primeira Epístola aos Coríntios, o grande apóstolo dos gentios, Paulo, dá-nos o precioso ensinamento: “Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos Anjos, se não tiver caridade, sou como o bronze que soa, ou como um címbalo que tine. E, ainda que eu tivesse o dom da profecia e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e tivesse toda a fé, até a ponto de transportar montes, se não tiver caridade, não sou nada. E, ainda que distribuísse todos os meus bens no sustento dos pobres, e entregasse o meu corpo para ser queimado, se não tiver caridade, nada disto me aproveita”. Porque, no entendimento de Paulo, a Caridade é paciente e benigna, não é invejosa nem temerária, não se ensoberbece nem é ambiciosa, não se irrita nem folga com a injustiça, tudo desculpa, tudo espera e tudo sofre.
É bem verdade que a Caridade não se tornará, num passe de mágica, uma instituição nacional só porque o Governo Federal estabeleceu mais um “dia” no rol das datas comemorativas do país. Percebe-se como a humanidade não se tornou mais fraterna por ter sido designado o dia 1o de janeiro como consagrado à Confraternização Universal.
Mas o dia 19 de julho representa o reconhecimento oficial da sublimidade contida nos ensinamentos de Jesus e bem pode se constituir no marco de uma nova era de entendimento entre todas as pessoas de boa vontade.
Oxalá, acostumemo-nos todos os brasileiros e outros povos aqui domiciliados a dedicar integralmente os 365 dias do ano ao incentivo e à prática da Caridade e não só um simbólico 19 de julho esporádico.
Isso é perfeitamente possível, por certo. Todavia, pouco provável por enquanto... Que o novo Governo do Brasil, que instituiu o Fome Zero, reacenda e incentive a todos nós a pôr em prática o conteúdo da lei no 5063, de 05.07.66.
Como diz a letra de uma belíssima música: “A Caridade é a mais santa das virtudes, deve ser a atitude de todo o bom cristão”.
Sabemos todos que a Caridade apaga uma multidão de pecados e que, além disso, “Fora da Caridade não há salvação”. Fazemos nossas as palavras do beato Dom Orione: “A Caridade salvará o mundo”, e, concluindo, repetimos a frase célebre do beato Luís Guanella: “Caridade em tudo e com todos”.

Versos à mocidade
Sebastião Lasneau


Nós espíritas velhos e cansados,
Embora tendo nalma a fé cristã
Já não podemos ser os bons soldados
Que os moços podem ser
hoje e amanhã.

Em breve hão de parar nossos arados,
E é para vós, ó mocidade irmã,
Que os nossos olhos hoje
estão voltados,
Pretendendo tornar-vos nobre e sã.

Jovens irmãos, buscai o Cristianismo
Pela estrada real do Espiritismo
Em cujo fim esplende o Redentor!
Quando um dia chegardes a ser velhos
Tereis na mente a luz dos Evangelhos
E tereis nalma a paz do Seu amor!


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Diretor Responsável: Hugo Gonçalves Ano 53 Nº 623 Janeiro de 2006

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Perseverança


“A calma na luta é sempre um sinal de força e de confiança; a violência, ao contrário, é uma prova
de fraqueza e de dúvida de si mesmo.” (O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XIX, item 3.)


JANE MARTINS VILELA
De Cambé

O homem está constantemente buscando satisfazer suas necessidades, que se tornam crescentes na medida em que o desejo se volta para a busca do supérfluo e não a do necessário.
Estamos vendo a toda hora as dificuldades do ser humano no planeta Terra, com a violência explodindo em toda parte expressando a ignorância do amor, a fraqueza do ser que não consegue vencer sua animosidade, sendo, ao contrário, dominado por ela Temos lido e ouvido há tempos que o Brasil é o coração do mundo e a pátria do Evangelho, mas o coração, como órgão do corpo físico, pode sofrer infarto se não devidamente cuidado.
Sentimos, portanto, que o coração brasileiro está em sofrimento.
É difícil ligar um telejornal ou ler notícias sem que nos deparemos com algo que fere a moral, a honestidade, os bons costumes.
“É um momento de mudanças”, dizemos para manter a esperança acesa nas almas. “É um momento de transição para que tudo melhore”, pensamos.
É verdade. É fato. No entanto, necessária e imperiosa a manutenção da vigilância, da brandura, da misericórdia, dos pensamentos nobilitantes, da perseverança.
É preciso colocar na retina a figura luminosa do Cristo, e no coração a lembrança de seus feitos e de suas palavras, para seguir à frente.

Necessário o trabalho no bem, a oração, a fé viva e ardente e, para o espírita, sobretudo racional, embasada em fatos, inabalável, a casa sobre a rocha.
No trabalho anônimo do bem, perseverança.
No cotidiano, correção.
Nas atitudes, amor.
Não se deixar avassalar pela torrente das informações negativas.
Exemplificar o bem.
Um homem que se levanta e permanece no trabalho edificante, enaltecendo as virtudes com sua atitude, é alguém que junto a si congrega outros que se levantam com ele.
Amigos, companheiros espíritas, levantemo-nos, pois, na fé que abraçamos, todos os dias, servindo anonimamente, mas servindo sempre, amando e sendo humildes, exemplificando a paz que desejaríamos ver, mantendo a calma nas horas amargas e a dignidade no sofrimento, sabendo ser artífices humílimos do Cristo na preparação para a hora da renovação que sabemos há de chegar. Até lá, esforços nos são pedidos.
Colaboremos, pois, exemplificando sempre, mantendo a união fraterna e a paz onde estivermos.
Paz para todos! Fraternidade entre todos! Perseverança!



O amor é tudo
José Soares Cardoso

Há vibrações de amor cruzando os ares
Nas paisagens azuis do firmamento,
No seio luminoso dos altares,
No rumo das cascatas e do vento.

Exulta em tudo a voz do sentimento,
Indo e vindo através dos sete mares,
Em notas de ternura e encantamento
Que vão da Terra aos planos estelares.

O amor é a voz de Deus
cantando a vida!
Voz que precisa no mundo ser ouvida
Para o bem das humanas gerações.
Somente o amor possui a força imensa
De unir os homens, sem ver
raça ou crença,
Trazendo Deus aos nossos corações!


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Sobre as pesquisas psíquicas na ex-União Soviética


(Parte 12 e final)

AIGLON FASOLO
De Londrina


Imagem, energia, potencial... - O que se encontra tomando forma é, no fundo, a tangível manifestação de um impulso e de um anseio universais.
Estamos na era espacial, quer isso nos agrade, quer não. As nossas energias estão voltadas para o espaço exterior e também, obviamente, para o interior. Seminários de percepção, meditação, expansão da consciência, a idade do Aquário — o impulso introverso é o propulsor da época.
“A sociedade humana enfrenta hoje o dilema de um colapso ou de um avanço no campo da consciência humana para manter-se a par do avanço da ciência e da tecnologia”, afirma o Dr. Shafica Karagulla em Breakthrough to Creativity. Diretor da Fundação para a Pesquisa da Percepção Sensorial Superior, na Califórnia, o Dr. Karagulla, neuropsiquiatra conceituado, está estudando a capacidade dos médiuns de “ler” a aura e o corpo energético. Ela não é típica. Ao passo que o anseio introspectivo domina as disciplinas acadêmico-científicas na Tchecoslováquia, na Bulgária e na Rússia, no Ocidente ele é geralmente “extrovertido”.
Talvez devêssemos estar “acumulando reservas” de médiuns. Os descobrimentos no terreno do psi, como os países do Leste os entenderam, como a maioria dos outros avanços, podem ser empregados em atividades anti-humanas. O jogo da guerra, no entanto, não é a mensagem mais estrondosa que recebemos da parapsicologia oriental. O que veio de lá é tríplice e pró-humano, pró-gente.
O descobrimento da energia inerente ao psi “será comparável ao descobrimento da energia atômica”, disse o Dr. Leonid Vasiliev. Igor Shishkin, brilhante e jovem matemático russo, comparou recentemente a descoberta das teorias do psi à descoberta das teorias da relatividade.
Vasiliev viu algo ainda mais revolucionário do que a nova energia que acompanha o psi — “a experiência direta de outra pessoa”. Nunca sabemos se outra pessoa está representando, assinala Vasiliev, ou se é capaz de transmitir o que está sentindo, mesmo que o queira. O psi parece ser um elo mental, um elo corpóreo. A plena e direta experiência de outra pessoa é um potencial assustador.
A oposição à pesquisa psíquica é ainda poderosa – Eles estão estudando as maneiras de utilizá-lo: aprimorar as capacidades intelectuais, artísticas, inventivas; comunicar-se no espaço e no fundo do mar; ajudar a localizarem minerais e água; predizer pedaços do futuro; comandar o comportamento de outra pessoa à distância; ver à distância; lidar com os campos de força viva que cercam o corpo. Isso é apenas o começo.
Enquanto os cientistas mergulham na pesquisa do psi orientada para a prática, um sentido de unidade viva, de movimento e variedade infinitos, está começando a emergir do casulo do desconhecido e do não visto. Isto é o homem, um ser de energia numa galáxia de energias, dinamicamente ligado a toda a vida e às forças do universo.
De um modo global, a parapsicologia pode sintetizar-se em três palavras: Imagem, Energia, Potencial. O mundo da pesquisa psíquica na Tchecoslováquia, na Bulgária e na Rússia foi feito de esforços para penetrar a dimensão da energia universal, esforços para soltar o potencial ilimitado e não usado do ser humano. Como subproduto desses esforços, os parapsicologistas estão começando a mostrar o que talvez seja o aspecto mais importante de todos: uma imagem mais profunda do ser humano.
Apesar de tudo a que ele promete, a oposição que se faz à pesquisa do psi ainda é poderosa, tanto no Oriente, quanto no Ocidente.
“Entretanto, temos um bom clima para as atividades psíquicas na Bulgária.”
“Falava-se muito na União Soviética em estudar os poderes latentes da psique do homem, os quais, como a própria ciência o demonstrou, são inusitadamente grandes.”
“Existe uma tradição espiritual na Tchecoslováquia que conduz à investigação científica no domínio do psíquico.”
O interesse pelo estudo da dimensão do psi também começou a manifestar-se na Polônia, na Romênia, na Alemanha.
Os orientais levaram a sério a pesquisa do psi - Será realmente a herança do Ocidente tão infecunda que tenhamos sido privados de visionários e sonhadores, do interesse “pelo mundo não visto”? Ter-nos-emos tornado, com efeito, mais ingenuamente materialistas do que os próprios “materialistas de carteirinha”?
Encarando a oposição no Ocidente, o psiquiatra Jule Eisenbud, no livro que escreveu sobre a fotografia do pensamento e que intitulou The Word of Ted Sérios, observa:
“Desconfio de que, se a resistência ao psi for algum dia superada, isso não virá do trabalho sério e paciente que se faz nos laboratórios ou de qualquer número de palestras dirigidas a cientistas ou ao público culto, mas da sublevação geral das classes de uma população que está explodindo de muitas maneiras.”
Os cientistas orientais levaram a sério a pesquisa do psi. Não se tratou de uma brincadeira. Não se tratou da província dos poucos entusiastas. Já não terá chegado o momento de olharmos também para esse lado desconhecido do ser? Agora, hoje e amanhã, é ocasião de pesquisas arrojadas, firmes. E já é tempo de todos nós, em todos os níveis, deixarmos a covardia de lado e obedecermos, corajosos, ao preceito vital. “Conhece-te a Ti Mesmo”. Não é uma questão de curiosidade intelectual. Não é uma questão de provarmos a nossa falta de preconceitos. É uma questão de sobrevivência. A humanidade está empenhada numa luta de vida ou morte — Eros contra Tânato, chamou-lhe Freud. A dimensão psíquica tem força de vida, é o foco da criatividade e da inspiração. Tem liberdade e vida para dar aos que as tomarem. Foi por isso que alguns dos espíritos mais esplêndidos deste século — Madame Curie, Carl Gustav Jung, Franklin D. Roosevelt, William Butier Yeats, Thomas Edison, Winston Churchill, Albert Einstein — se interessaram ativamente pelo espectro psíquico. Com o estudo ordenado dessa dimensão, a parapsicologia se encontra numa junção, como a última pedra da pirâmide, onde podem encontrar-se as humanidades, a religião, a ciência e as artes.

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terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Recordando Luiz Antonio Millecco Filho


CELSO MARTINS
Do Rio de Janeiro


Lembro-me muito bem daquela tarde de novembro de 1999. Ao perceber no metrô que me trazia de um bazar espírita de antiguidades vendidas para a compra de comida e roupa para os pobres do Rio de Janeiro, a presença de um cego que iria saltar comigo na Estação da Central do Brasil, dele me aproximo e murmuro:
“- Maninho, em que posso ser-lhe útil?”
Espantado, o rapaz de seus 45 anos de idade me informa que iria tomar um ônibus para Duque de Caxias na rodoviária perto da ferrovia onde eu embarcaria em um trem para Cascadura. Assim, com cuidado subimos dois lances de escadas de um mármore encardido de tanto serem os degraus pisados pelos operários que por ali passavam todos os dias, chovesse ou fizesse sol.
No trajeto de uns 5 a 8 minutos, indaguei:
“- Paulo (era o seu nome), você conhece o Millecco?”  
“- Claro que conheço e muito!Foi meu colega no curso de contabilidade no Instituto Benjamin Constant. Quem no Brasil não conhece o Millecco?”
A mesma coisa ocorreu anos antes quando, ao dar aulas de Física em uma escola do Estado do Rio, ao perguntar: “- Renato, você conhece o Millecco?” E o cego exclamou:
“- Claro, professor, claro! Quem não conhece, no Brasil, o Millecco?”
Pois é, no sábado de carnaval de 2005, voltou ao Grande Além aquele deficiente visual que, com o auxílio do Marcus Vinícius (também privado da visão) e do Mal, Mário Travassos, criou a SPLEB, ou seja, a Sociedade Pró-Livro Espírita em Braille, creio que em 1953... Ele era musicoterapeuta e combatia com amor intenso o aborto. Conheci Millecco quando tinha os cabelos negros. E pela Rádio Rio de Janeiro sempre o ouvia por volta das 11 da manhã de todo domingo.
Com vasto conhecer da Doutrina Espírita e sobre os mais variados assuntos, este cego de nascença casou-se com sua professora de Braille, dona Iza, dando-lhe um filho, que é ligado a uma banda musical. Com seu violão, o Millecco era a alegria em pessoa. Musicoterapeuta, conhecia o Inglês e o Esperanto. Viúvo, casou-se com a querida Maria de Fátima Rossi, do Grupo Espírita Redenção, do Bairro de Andaraí, zona norte da cidade do Rio de Janeiro.
Flamenguista, suas palestras eram voz vibrante e clara em diversos ambientes onde se fizesse campanha pela Paz Mundial ou contra o aborto provocado, tendo o cuidado de não atirar o complexo de culpa na mulher que o praticara, ou seja, sempre andou a aumentar a auto-estima do semelhante, tanto que criou e manteve ao fone um centro de atendimento para consolar os que pensam dar cabo da vida. E brejeiro dizia que conhecia uma espírita tão fiel ao Codificador, mas tão fiel que fazia tricô usando sempre a lã Kardec.
Millecco, até à vista!

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Diretor Responsável: Hugo Gonçalves Ano 53 Nº 623 Janeiro de 2006

O cérebro de Einstein


RICARDO ORESTES FORNI
De Tupã-SP

A revista “VEJA”, edição de no 1915, de 27 de julho de 2005, traz uma reportagem comemorativa dos cem anos do lançamento da teoria do gênio Albert Einstein que modificou a maneira de vermos o Universo. Foi o annus mirabilis desse grande homem de ciência e que, nem por isso, desacreditava na existência de um Ser Superior como autor de tudo o que sabemos e, principalmente, daquilo que ainda não temos a menor condição de entender.
Einstein manifestou em vida a intenção de doar o seu corpo para experiências científicas, não deixando, contudo, nada por escrito para que não ficasse essa decisão como algo teatral, conforme nos informa a referida reportagem. Mesmo assim, Thomas Harvey, o legista que realizou a autópsia no hospital de Princeton, - continua a informar a revista “VEJA” –, decidiu por conta própria preservar o cérebro do cientista para futuros estudos.
Em 1999, neurocientistas da Universidade Mac-Master, no Canadá, constataram que tanto o hemisfério direito como o esquerdo do cérebro de Einstein apresentavam diferenciações em relação ao cérebro de um homem normal.
Os cientistas costumam se dividir quanto ao conceito de que as diferenças encontradas no cérebro dos seres superdotados representem a explicação para a existência da genialidade naqueles que assim se consagraram perante os homens. No início do de 2006, foi levantada a tese de que o cérebro privilegiado em determinadas regiões do consagrado cientista justificariam a marca da sua genialidade deixada na história da Humanidade.
Na questão de número 71 de O Livro dos Espíritos, é esclarecido a Allan Kardec que a inteligência e a matéria são independentes, podendo um corpo sem inteligência continuar vivendo.
Necessita, porém, a inteligência, de órgãos materiais para poder se manifestar. É preciso a união com o espírito para a inteligência intelectualizar a matéria.
Vale lembrar também acerca dessa reportagem em discussão que, na questão de número 218 de O Livro dos Espíritos, recebemos o ensinamento de que os conhecimentos adquiridos em cada existência não se perdem. “Libertado da matéria, o Espírito os conserva”. Se assim não fosse, continua esclarecendo o mesmo livro, o Espírito deveria recomeçar sempre para adquirir os mesmos conhecimentos, o que, felizmente, não ocorre, iniciando cada ser uma nova existência exatamente do ponto em que chegou na existência anterior.
Assim se faz necessária a lembrança da questão de número 219 de O Livro dos Espíritos, onde é ensinado que as faculdades extraordinárias de determinados indivíduos são lembranças do passado, do progresso anterior da alma.
Isso posto, entendemos que, sob a ótica da Doutrina Espírita, o cérebro privilegiado, anatomicamente falando, de Albert Einstein não era a causa da sua genialidade, mas, sim, o instrumento adequado para que a sua inteligência desenvolvida se manifestasse.
Tivesse ele um cérebro sem nenhuma diferenciação e cairíamos no problema de fornecer um mau instrumento musical a um músico virtuoso, limitando a beleza de suas composições; ou fornecêssemos tinta de má qualidade e pincéis da mesma natureza a um gênio da pintura e prejudicaríamos os seus quadros. A existência de alterações em determinadas regiões cerebrais do consagrado cientista encontradas em sua autópsia, não invalida as explicações espíritas sobre ser a inteligência um atributo extra material e fruto de aprendizado conseguido em vidas anteriores.
Muitos argumentarão, em réplica à questão de número 219, que Einstein estudou e por isso concebeu a sua teoria baseada nos conhecimentos adquiridos através dos estudos da sua atual existência. Contra essa explicação, citamos um fato da vida do cientista relatado na reportagem em questão: “Seus biógrafos dizem que sua genialidade residia na capacidade única de visualizar mentalmente imagens tridimensionais.
Por exemplo, ele imaginou-se cavalgando um raio de luz e soube tirar dali conclusões que iam além da física conhecida”.
Aí está! Alguém conhece alguma Universidade em qualquer ponto do planeta que ensine alguém a se imaginar cavalgando um raio de luz?
Que Universidade teria ensinado a Isaac Newton a raciocinar como só ele o fez? Que faculdade teria ensinado a Pablo Picasso o cubismo que o imortalizou?
E assim poderíamos levantar uma série de indagações sobre a vida de cada gênio que marcou a história do progresso da Humanidade.
Os minerais existem, mas não possuem vida orgânica. As plantas vivem, mas não pensam.
O Espírito vive, pensa, raciocina e desenvolve a sua inteligência numa série interminável de aquisições que são demonstradas através dos recursos materiais dos corpos físicos que venham a revestir-se em sua jornada na face da Terra, constituindo-se na causa da genialidade que, de tempos em tempos, registra-se na nossa história.


O IMORTAL
JORNAL DE DIVULGAÇÃO ESPÍRITA
Diretor Responsável: Hugo Gonçalves Ano 53 Nº 623 Janeiro de 2006