LUIZ AUGUSTO BREINACK
De Piraquara-PR
A caridade é nossa lâmpada acesa.
Aos seus raios tudo esclarece e tudo brilha, diz Emmanuel.
A lei no 5063, de 4 de julho de 1966,
instituiu o “Dia da Caridade”, a ser comemorado anualmente em 19 de
julho, com o objetivo primordial de difundir e incentivar, a todos, a prática
da solidariedade entre os brasileiros e os demais povos aqui domiciliados.
Estabelece textualmente, a lei:
“Art. 2o – A organização do plano para
as comemorações ficará a cargo dos Ministérios da Saúde, Educação e Cultura,
constando obrigatoriamente, sem prejuízo de outras iniciativas, de visitas a
hospitais, casas de misericórdia, asilos, orfanatos, creches, presídios e a
todos os demais lugares onde a pobreza e a dor mais se façam sentir”.
Segundo a boa doutrina, a função
precípua do Estado é a prestação de serviços públicos. E num Estado em que o
critério de ordem pública seja amplo e multiforme, em que se entenda que a paz,
a ordem, a harmonia e o progresso, na ordem nacional, exigem que nenhum aspecto
da vida econômica, social, cultural ou espiritual do povo escape à ação
disciplinadora do Estado, o conceito de serviço público deverá ser igualmente
compreensivo e desdobrado nas mais diversas e variadas aplicações.
Daí poderemos concluir que os poderes
estatais não exorbitam de suas prerrogativas se, para a consecução de seus
elevados fins, procuram empregar meios fortuitos, quando dignificantes, como,
no caso em questão, o estímulo e a prática da caridade.
A caridade é a lei divina, natural.
Lógico, pois, que também constitua
preceito na legislação humana.
Fundado na caridade, na
benemerência, no altruísmo, o assistencialismo consiste nos cuidados, na
proteção e no auxílio que indivíduos, famílias ou grupos prestam aos mais
necessitados.
Entre alguns povos, igualmente, evidenciou-se
certa preocupação com pessoas portadoras de deficiência física, idosos,
miseráveis e outros carentes de amparo.
Consta que havia normas
assistenciais, por exemplo, no Código de Manu (Índia), no Código de Hamurabi (Babilônia),
e assim por diante. No mesmo sentido, e tão só para ilustração, aponta-se a
famosa Lei dos Pobres (Poor Law), editada em 1601, na Inglaterra. Ela impunha
às paróquias a obrigação de socorrer os infortunados de sua jurisdição,
arrecadando, para tanto, taxas dos respectivos membros.
Das chamadas virtudes teologais tão
bem detalhadas pela Igreja Católica Apostólica Romana, a fé tem o poder de “remover
montanhas”.
A esperança é o bálsamo dos
aflitos. Mas a Caridade a tudo sobrepuja, porque é ela o farol que indica o
porto seguro da felicidade.
Por isso que, em boa hora, a casa
mater do Espiritismo no Brasil, a Federação Espírita Brasileira, instituiu por
lema: Deus, Cristo e Caridade.
Na primeira Epístola aos Coríntios,
o grande apóstolo dos gentios, Paulo, dá-nos o precioso ensinamento: “Ainda que
eu falasse as línguas dos homens e dos Anjos, se não tiver caridade, sou como o
bronze que soa, ou como um címbalo que tine. E, ainda que eu tivesse o dom da
profecia e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e tivesse toda a fé,
até a ponto de transportar montes, se não tiver caridade, não sou nada. E, ainda
que distribuísse todos os meus bens no sustento dos pobres, e entregasse o meu
corpo para ser queimado, se não tiver caridade, nada disto me aproveita”.
Porque, no entendimento de Paulo, a Caridade é paciente e benigna, não é invejosa
nem temerária, não se ensoberbece nem é ambiciosa, não se irrita nem folga com
a injustiça, tudo desculpa, tudo espera e tudo sofre.
É bem verdade que a Caridade não se
tornará, num passe de mágica, uma instituição nacional só porque o Governo
Federal estabeleceu mais um “dia” no rol das datas comemorativas do país.
Percebe-se como a humanidade não se tornou mais fraterna por ter sido designado
o dia 1o de janeiro como consagrado à Confraternização Universal.
Mas o dia 19 de julho representa o
reconhecimento oficial da sublimidade contida nos ensinamentos de Jesus e bem
pode se constituir no marco de uma nova era de entendimento entre todas as
pessoas de boa vontade.
Oxalá, acostumemo-nos todos os
brasileiros e outros povos aqui domiciliados a dedicar integralmente os 365
dias do ano ao incentivo e à prática da Caridade e não só um simbólico 19 de
julho esporádico.
Isso é perfeitamente possível, por
certo. Todavia, pouco provável por enquanto... Que o novo Governo do Brasil,
que instituiu o Fome Zero, reacenda e incentive a todos nós a pôr em prática o
conteúdo da lei no 5063, de 05.07.66.
Como diz a letra de uma belíssima
música: “A Caridade é a mais santa das virtudes, deve ser a atitude de todo o
bom cristão”.
Sabemos todos que a Caridade apaga uma
multidão de pecados e que, além disso, “Fora da Caridade não há salvação”.
Fazemos nossas as palavras do beato Dom Orione: “A Caridade salvará o mundo”,
e, concluindo, repetimos a frase célebre do beato Luís Guanella: “Caridade em
tudo e com todos”.
Versos à mocidade
Sebastião Lasneau
Nós espíritas velhos e cansados,
Embora tendo nalma a fé cristã
Já não podemos ser os bons soldados
Que os moços podem ser
hoje e amanhã.
Em breve hão de parar nossos arados,
E é para vós, ó mocidade irmã,
Que os nossos olhos hoje
estão voltados,
Pretendendo tornar-vos nobre e sã.
Jovens irmãos, buscai o Cristianismo
Pela estrada real do Espiritismo
Em cujo fim esplende o Redentor!
Quando um dia chegardes a ser velhos
Tereis na mente a luz dos Evangelhos
E tereis nalma a paz do Seu amor!
O IMORTAL
JORNAL DE DIVULGAÇÃO ESPÍRITA
Diretor Responsável: Hugo
Gonçalves Ano 53 Nº 623 Janeiro de 2006
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