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terça-feira, 24 de janeiro de 2012

A ansiedade


CLARINDO FARINA
De Curitiba

A ansiedade, quando intensiva e continuada, torna-se um canal para o desencadeamento de enfermidades.
Quando descontrolada, começa, em primeiro lugar, a desarmonizar o psiquismo, mas também pode chegar a ponto de afetar a saúde de um modo geral.
Vários são os fatores que dão início à ansiedade. Por exemplo: medo de perder o emprego, dificuldade econômica para sobreviver ou para quitar uma dívida, disputa de cargos ou funções, insegurança individual ou coletiva, ameaça de uma iminente guerra, prepotência exagerada de patrões e governos inescrupulosos, anúncios e estardalhaço sobre enfermidades e epidemias devastadoras, prenúncios de tragédias iminentes etc.
É claro que há circunstâncias em que a ansiedade, até certo ponto, pode ser considerada como normal, por exemplo: quando se aguarda a chegada demorada de alguém ou quando se espera uma notícia importante que demora a se confirmar, mas desde que essa ansiedade não se torne exagerada.
Os vícios, principalmente para com os tóxicos, podem ser uma das piores causas de ansiedades. Quando a ansiedade atinge níveis como distúrbios respiratórios, sudoreses exageradas sem motivos claros, perturbações das funções digestivas, insônia, nestes estados emocionais, a ansiedade se torna fator de perigosas patologias, ameaçando perigosamente a saúde física e mental.
É de suma importância o autodescobrimento, isto é, saber controlar as nossas necessidades, nossas emoções, nossas legítimas aspirações e reações, mediante certos estímulos!
É imprescindível saber compreender a importância dos verdadeiros valores para a vida. Equilíbrio em tudo sempre é a melhor opção.
A fé raciocinada, com confiança absoluta em Deus e confiança em si mesmo, constitui também importante antídoto às ansiedades. As idéias positivas e a busca incessante das verdades espirituais são seguranças contra as doentias ansiedades.
A certeza da imortalidade e da bondade de Deus é fundamental para a expulsão de ansiedade. Conversar com uma pessoa sensata e equilibrada ou valer-se da oração são outras tantas medidas que podem nos auxiliar a fim de amenizar as nossas inquietações emocionais.
Longo período de ansiedade descontrolada poderá dar origem, também, à enfermidade intitulada depressão.
Ensinou-nos Jesus a confiar e orar sempre ao Pai Celestial, que sabe o que é melhor para nós, nas horas difíceis e de indecisões.

Um minuto com Joanna de Ângelis

Os cristãos do passado, fiéis à Doutrina pura, experimentaram o opróbrio, a calúnia, a persistente angústia, o cárcere, o martírio... A história do vero Cristianismo é a saga de toda uma comunidade sacrificada através dos tempos.
Lentamente, porém, as conquistas humanas, culturais e sociais vêm banindo os métodos bárbaros de impedimentos dos ideais nobres da Humanidade. Apesar de ainda existirem presídios e ultrajes, processos vis para extorquir informações e atemorizar, os direitos humanos se vão incorporando e as liberdades de culto, de crença, de ação, de palavra e movimentos acenam dias felizes para o futuro.
Os cristãos gozam de cidadania e suas minorias fazem-se respeitadas e até mesmo amadas.
Como será possível a cada indivíduo, porém, demonstrar o vigor da fidelidade aos postulados de fé vivenciados?
As antigas arenas foram derrubadas e as feras estão esquecidas.
Apesar disso, outros fenômenos têm lugar, convidando os decididos lidadores ao heroísmo, à evolução.
A dor íntima, os conflitos gerados na ação abnegada, as incompreensões propositadas, o cerco da maledicência e da acusação indébita, os ferem e os angustiam, ensejando recuperação, crescimento para Deus, ao mesmo tempo constituindo-se testemunho à fé.
Sob os açoites da enfermidade ou excruciado pelas dores de qualquer natureza, recorda-te da fé cristã, e alegra-te. Este é o teu instrumento de flagício libertador, de que a Vida se utiliza para a tua felicidade futura.
*
Sob as chuvas de sarcasmo dos amigos de ontem, agora perseguidores cruéis, ou padecendo injúrias e acusações venenosas, vitaliza-te com a fé cristã e demonstra-a na resignação e na coragem com que suportarás todas as injunções, sofrendo as “feras” multiplicadas na “arena” ampliada do teu relacionamento social.
O testemunho à fé chega-te agora de maneira diversa daquela que assinalou os apóstolos e mártires primitivos, não menos dolorosa, porém. Não malbarates, pois, a concessão divina do sofrimento, nem percas essa bênção que te permite ascender. Cristão, sofrendo, é Espírito em depuração, rumando na direção do Cristo que nos aguarda, confiante.

JOANNA DE ÂNGELIS, mentora espiritual de Divaldo P. Franco, é autora, entre outros livros, de “Momentos de Esperança” (Editora LEAL, 1988), do qual foi extraído o texto acima.

O IMORTAL
JORNAL DE DIVULGAÇÃO ESPÍRITA
Diretor Responsável: Hugo Gonçalves Ano 53 Nº 623 Janeiro de 2006

O dia da caridade


LUIZ AUGUSTO BREINACK

De Piraquara-PR

A caridade é nossa lâmpada acesa. Aos seus raios tudo esclarece e tudo brilha, diz Emmanuel.
A lei no 5063, de 4 de julho de 1966, instituiu o “Dia da Caridade”, a ser comemorado anualmente em 19 de julho, com o objetivo primordial de difundir e incentivar, a todos, a prática da solidariedade entre os brasileiros e os demais povos aqui domiciliados.
Estabelece textualmente, a lei:
“Art. 2o – A organização do plano para as comemorações ficará a cargo dos Ministérios da Saúde, Educação e Cultura, constando obrigatoriamente, sem prejuízo de outras iniciativas, de visitas a hospitais, casas de misericórdia, asilos, orfanatos, creches, presídios e a todos os demais lugares onde a pobreza e a dor mais se façam sentir”.
Segundo a boa doutrina, a função precípua do Estado é a prestação de serviços públicos. E num Estado em que o critério de ordem pública seja amplo e multiforme, em que se entenda que a paz, a ordem, a harmonia e o progresso, na ordem nacional, exigem que nenhum aspecto da vida econômica, social, cultural ou espiritual do povo escape à ação disciplinadora do Estado, o conceito de serviço público deverá ser igualmente compreensivo e desdobrado nas mais diversas e variadas aplicações.
Daí poderemos concluir que os poderes estatais não exorbitam de suas prerrogativas se, para a consecução de seus elevados fins, procuram empregar meios fortuitos, quando dignificantes, como, no caso em questão, o estímulo e a prática da caridade.
A caridade é a lei divina, natural.
Lógico, pois, que também constitua preceito na legislação humana.
Fundado na caridade, na benemerência, no altruísmo, o assistencialismo consiste nos cuidados, na proteção e no auxílio que indivíduos, famílias ou grupos prestam aos mais necessitados.
Entre alguns povos, igualmente, evidenciou-se certa preocupação com pessoas portadoras de deficiência física, idosos, miseráveis e outros carentes de amparo.
Consta que havia normas assistenciais, por exemplo, no Código de Manu (Índia), no Código de Hamurabi (Babilônia), e assim por diante. No mesmo sentido, e tão só para ilustração, aponta-se a famosa Lei dos Pobres (Poor Law), editada em 1601, na Inglaterra. Ela impunha às paróquias a obrigação de socorrer os infortunados de sua jurisdição, arrecadando, para tanto, taxas dos respectivos membros.
Das chamadas virtudes teologais tão bem detalhadas pela Igreja Católica Apostólica Romana, a fé tem o poder de “remover montanhas”.
A esperança é o bálsamo dos aflitos. Mas a Caridade a tudo sobrepuja, porque é ela o farol que indica o porto seguro da felicidade.
Por isso que, em boa hora, a casa mater do Espiritismo no Brasil, a Federação Espírita Brasileira, instituiu por lema: Deus, Cristo e Caridade.
Na primeira Epístola aos Coríntios, o grande apóstolo dos gentios, Paulo, dá-nos o precioso ensinamento: “Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos Anjos, se não tiver caridade, sou como o bronze que soa, ou como um címbalo que tine. E, ainda que eu tivesse o dom da profecia e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e tivesse toda a fé, até a ponto de transportar montes, se não tiver caridade, não sou nada. E, ainda que distribuísse todos os meus bens no sustento dos pobres, e entregasse o meu corpo para ser queimado, se não tiver caridade, nada disto me aproveita”. Porque, no entendimento de Paulo, a Caridade é paciente e benigna, não é invejosa nem temerária, não se ensoberbece nem é ambiciosa, não se irrita nem folga com a injustiça, tudo desculpa, tudo espera e tudo sofre.
É bem verdade que a Caridade não se tornará, num passe de mágica, uma instituição nacional só porque o Governo Federal estabeleceu mais um “dia” no rol das datas comemorativas do país. Percebe-se como a humanidade não se tornou mais fraterna por ter sido designado o dia 1o de janeiro como consagrado à Confraternização Universal.
Mas o dia 19 de julho representa o reconhecimento oficial da sublimidade contida nos ensinamentos de Jesus e bem pode se constituir no marco de uma nova era de entendimento entre todas as pessoas de boa vontade.
Oxalá, acostumemo-nos todos os brasileiros e outros povos aqui domiciliados a dedicar integralmente os 365 dias do ano ao incentivo e à prática da Caridade e não só um simbólico 19 de julho esporádico.
Isso é perfeitamente possível, por certo. Todavia, pouco provável por enquanto... Que o novo Governo do Brasil, que instituiu o Fome Zero, reacenda e incentive a todos nós a pôr em prática o conteúdo da lei no 5063, de 05.07.66.
Como diz a letra de uma belíssima música: “A Caridade é a mais santa das virtudes, deve ser a atitude de todo o bom cristão”.
Sabemos todos que a Caridade apaga uma multidão de pecados e que, além disso, “Fora da Caridade não há salvação”. Fazemos nossas as palavras do beato Dom Orione: “A Caridade salvará o mundo”, e, concluindo, repetimos a frase célebre do beato Luís Guanella: “Caridade em tudo e com todos”.

Versos à mocidade
Sebastião Lasneau


Nós espíritas velhos e cansados,
Embora tendo nalma a fé cristã
Já não podemos ser os bons soldados
Que os moços podem ser
hoje e amanhã.

Em breve hão de parar nossos arados,
E é para vós, ó mocidade irmã,
Que os nossos olhos hoje
estão voltados,
Pretendendo tornar-vos nobre e sã.

Jovens irmãos, buscai o Cristianismo
Pela estrada real do Espiritismo
Em cujo fim esplende o Redentor!
Quando um dia chegardes a ser velhos
Tereis na mente a luz dos Evangelhos
E tereis nalma a paz do Seu amor!


O IMORTAL
JORNAL DE DIVULGAÇÃO ESPÍRITA
Diretor Responsável: Hugo Gonçalves Ano 53 Nº 623 Janeiro de 2006

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Perseverança


“A calma na luta é sempre um sinal de força e de confiança; a violência, ao contrário, é uma prova
de fraqueza e de dúvida de si mesmo.” (O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XIX, item 3.)


JANE MARTINS VILELA
De Cambé

O homem está constantemente buscando satisfazer suas necessidades, que se tornam crescentes na medida em que o desejo se volta para a busca do supérfluo e não a do necessário.
Estamos vendo a toda hora as dificuldades do ser humano no planeta Terra, com a violência explodindo em toda parte expressando a ignorância do amor, a fraqueza do ser que não consegue vencer sua animosidade, sendo, ao contrário, dominado por ela Temos lido e ouvido há tempos que o Brasil é o coração do mundo e a pátria do Evangelho, mas o coração, como órgão do corpo físico, pode sofrer infarto se não devidamente cuidado.
Sentimos, portanto, que o coração brasileiro está em sofrimento.
É difícil ligar um telejornal ou ler notícias sem que nos deparemos com algo que fere a moral, a honestidade, os bons costumes.
“É um momento de mudanças”, dizemos para manter a esperança acesa nas almas. “É um momento de transição para que tudo melhore”, pensamos.
É verdade. É fato. No entanto, necessária e imperiosa a manutenção da vigilância, da brandura, da misericórdia, dos pensamentos nobilitantes, da perseverança.
É preciso colocar na retina a figura luminosa do Cristo, e no coração a lembrança de seus feitos e de suas palavras, para seguir à frente.

Necessário o trabalho no bem, a oração, a fé viva e ardente e, para o espírita, sobretudo racional, embasada em fatos, inabalável, a casa sobre a rocha.
No trabalho anônimo do bem, perseverança.
No cotidiano, correção.
Nas atitudes, amor.
Não se deixar avassalar pela torrente das informações negativas.
Exemplificar o bem.
Um homem que se levanta e permanece no trabalho edificante, enaltecendo as virtudes com sua atitude, é alguém que junto a si congrega outros que se levantam com ele.
Amigos, companheiros espíritas, levantemo-nos, pois, na fé que abraçamos, todos os dias, servindo anonimamente, mas servindo sempre, amando e sendo humildes, exemplificando a paz que desejaríamos ver, mantendo a calma nas horas amargas e a dignidade no sofrimento, sabendo ser artífices humílimos do Cristo na preparação para a hora da renovação que sabemos há de chegar. Até lá, esforços nos são pedidos.
Colaboremos, pois, exemplificando sempre, mantendo a união fraterna e a paz onde estivermos.
Paz para todos! Fraternidade entre todos! Perseverança!



O amor é tudo
José Soares Cardoso

Há vibrações de amor cruzando os ares
Nas paisagens azuis do firmamento,
No seio luminoso dos altares,
No rumo das cascatas e do vento.

Exulta em tudo a voz do sentimento,
Indo e vindo através dos sete mares,
Em notas de ternura e encantamento
Que vão da Terra aos planos estelares.

O amor é a voz de Deus
cantando a vida!
Voz que precisa no mundo ser ouvida
Para o bem das humanas gerações.
Somente o amor possui a força imensa
De unir os homens, sem ver
raça ou crença,
Trazendo Deus aos nossos corações!


O IMORTAL
JORNAL DE DIVULGAÇÃO ESPÍRITA
Diretor Responsável: Hugo Gonçalves Ano 53 Nº 623 Janeiro de 2006

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

De coração para coração

ASTOLFO OLEGÁRIO DE OLIVEIRA FILHO
De Londrina


Um apelo de Meimei em favor da criança




Quando lidamos com uma criança em tenra idade, dificilmente imaginamos para ela um futuro que não seja pelo menos igual ao nosso. Jamais nos passa pela mente que esse menino que hoje acalentamos, abraçamos e protegemos possa tornar-se amanhã um marginal perigoso.

As notícias veiculadas pela mídia mostram-nos, contudo, que tais coisas são possíveis e podem acontecer em grande número no mundo em que vivemos.

Não é difícil entender esse fato. Mundo de provas e expiações, a Terra não é, por  enquanto, morada de anjos. É uma escola, bendita como todas as escolas criadas por Deus, onde se matriculam criaturas necessitadas, pessoas difíceis, almas fracas e vacilantes, que necessitam por isso de forte estímulo para avançarem no caminho da evolução.

As páginas dos jornais retratam a vida de forma nua e crua.
Aqui, é o jovem imaturo que, movido por sentimentos insondáveis, matou pai e mãe, destruindo a paz do seu lar e a própria vida...

Ali, é o filho de um homem admirado em todo o mundo que, seduzido pelas ilusões do narcotráfico, trocou o lar pela penitenciária...

Acolá, é o garoto que, baleado pelos próprios comparsas, foi lançado no frescor da idade a uma cadeira de rodas, condenado à paraplegia...

Todos eles foram crianças um dia. Alguns tiveram vida abastada, moravam em mansões, ganhavam presentes caros.

Outros nem tanto, mas a verdade é que o seu presente e o seu futuro, pelo menos na atual existência, tornaram-se bem amargos.

*

Encontrava-me assim pensando na vida, quando me veio às mãos uma mensagem bastante conhecida escrita por Meimei pelas mãos de Chico Xavier, na qual a amorável educadora interpreta os sentimentos da criança e apela para nós – nós que somos pais, avós, professores e, com certeza, as únicas pessoas que podem auxiliá-la:


“Dizes que sou o futuro.
Não me desampares no presente.
Dizes que sou a esperança da paz.
Não me induzas à guerra.
Dizes que sou a promessa do
bem.
Não me confies ao mal.
Dizes que sou a luz dos teus
olhos.
Não me abandones às trevas.
Não espero somente o teu pão.
Dá-me luz e entendimento.
Não desejo tão-só a festa de teu
carinho.
Suplico-te amor com que me
eduques.
Não te rogo apenas brinquedos.
Peço-te bons exemplos e boas
palavras.
Não sou simples ornamento de
teu caminho.
Sou alguém que te bate à porta
em nome de Deus.
Ensina-me o trabalho e a humildade,
o devotamento e o perdão.
Compadece-te de mim e orientame
para o que seja bom e justo...
Corrige-me enquanto é tempo,
ainda que eu sofra.”

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JORNAL DE DIVULGAÇÃO ESPÍRITA
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quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

O pensamento


MARCEL GONÇALVES
marcel@oconsolador.com.br
De Ibiporã, PR

A humanidade possui uma grande ferramenta que permite modelar o mundo, e com isso lidar com ele de uma forma efetiva, de acordo com seus princípios, de acordo com seu livre-arbítrio.
O pensamento é essencial no processo de aprendizagem, pois é uma peça fundamental na construção do conhecimento.
Segundo Emmanuel, devemos “estar atentos à fé para servir e compreender, reconhecendo que todas as provas de hoje são recursos e instrumentos de que se vale a Providência Divina a fim de conduzir-nos à vida melhor de amanhã”.
Portanto, devemos orar e vigiar nossos pensamentos para que não caiamos no lodaçal que nós mesmos cultivamos devido às nossas imperfeições, trazidas de reencarnações passadas e que a cada vida tentamos melhorar com o objetivo de chegar ao Pai, ou seja, à perfeição.
O principal veículo do processo de conscientização é o pensamento, pois a atividade de pensar confere ao homem “asas” para mover-se no mundo e “raízes” para aprofundar-se na realidade. O pensamento, segundo Kardec escreveu em “A Gênese”, atua sobre os fluidos como o som sobre o ar. Criando imagens fluídicas, reflete-se no perispírito como num espelho, encorpa-se e se fotografa.
Assim, os mais secretos movimentos da alma repercutem no perispírito através do pensamento.
São os pensamentos que definem nossa faixa vibratória, possibilitando ao homem permanecer num estágio equilibrado, cheio de amor, de fraternidade, compreensão e paciência.
Essa ferramenta é a porta de comunicação entre a vida terrena e a vida espiritual, é uma transmissão de paz e harmonia.
Assim, estimados espíritas, atentemos nas coisas boas da vida, nos bons pensamentos, nas boas ações, nos bons ambientes, nos bons fluidos; enfim, atentemos em Jesus, um homem que soube ser sábio por suas ações e também por seu pensamento.


O IMORTAL
JORNAL DE DIVULGAÇÃO ESPÍRITA
Diretor Responsável: Hugo Gonçalves - Ano 57- Nº 674
Abril de 2010 - PÁGINA 13 - limb@sercomtel.com.br

Desobsessão? Não!


CELSO MARTINS
limb@sercomtel.com.br
Do Rio de Janeiro


Em dois Centros Espíritas, de mim conhecidos faz algum tempo, os seus dirigentes materiais, não sei por qual carga d’água, entenderam de não mais realizarem as chamadas sessões de desobsessão. Elas seriam feitas apenas no mundo espiritual.
Cheguei até a comentar com a dona Neli, esta abnegada mulher que me suporta, nesta vida, desde o dia 18 de julho de 1969, que entendia bem a razão desta estranha decisão. É que os ditos obsessores dizem na chincha o que há de nada cristão em nossos atos, em nossas palavras, até em nossos mais secretos pensamentos. No livro Minhas memórias alheias, que o confrade César Soares do Reis lançou em 2008 com o selo do Instituto de Cultura Espírita do Brasil, dou dois exemplos ilustrativos, sem citar, é claro, os nomes.
Aliás, o assunto vem de longe.
Remonta quando nós mesmos, em outros corpos materiais, reprimimos a mediunidade, praticada livremente antes de havermos posto de lado o cajado suave do Cristo para desembainharmos a espada dos sanguinários soldados de Roma da Idade Medieval, culminado com a transformação da mensagem de Jesus ao catolicismo dos Bórgias.
Não vai aqui nenhum ataque gratuito à Igreja católica, pois que dela todos conhecemos e enaltecemos publicamente um Francisco de Assis, um Vicente de Paulo, uma Teresa de Calcutá, e no Brasil, o perseguido Dom Helder Câmara (agora com livro mediúnico Novas Utopias, por mim lido com sofreguidão e proveito), a brava irmã Dulce e tantos outros anônimos pelas vastidões do mundo em fase de transição de milênios. Já naquela época, os Espíritos, tanto os superiores como os sofredores, apontavam nossos erros, a começar por mim que, como cardeal e médico na Rússia dos czares, arrumei sarna para me coçar e me coço agora com síndrome do intestino irritável associada a uma dezena de divertículos dentro do que ensinou Jesus: “A cada um segundo as suas obras”. Celso, o leitor não é divã de psicanálise...
Por tudo isto, não repitamos o equívoco anterior. Não entendo existir um Centro Espírita que não dê a estes irmãos em sofrimento um dia por semana para aliviar-lhes a dor moral. Seria como que tirar à boca de uma criança faminta do III Mundo um naco de pão. Desviar dos lábios de um velho inválido uma colher de xarope contra sua pneumonia dupla. Muito temos que aprender com essas entidades. Os livros de Ermance Dufaux, pelo menos os que Neli e eu já lemos, bem claramente deixam a situação lamentável de espíritas atuantes como nós outros do Outro Lado.
Conversando com os obsessores, aprendemos como poderá ser a nossa vida no além se desde agora não cuidarmos de andar no caminho do bem. No fim, um convite: leiamos o Céu e o inferno, de Kardec.

Cartas: Caixa Postal 61003,
Vila Militar, Rio de Janeiro,
RJ, CEP 21615-970.


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Progredir sempre, tal é a lei


ÉDO
MARIANI
edo@edomariani.com.br
De Matão, SP


Encontramos no Evangelho de Mateus, capítulo 25, versículo 15, o seguinte ensinamento de Jesus: “E a um deu cinco talentos e a outro dois e a outro um, a cada um segundo a sua capacidade...”

De tudo o que temos aprendido através dos tempos, encarnando e reencarnando sem cessar, vimos que progredir é a lei da qual ninguém consegue fugir e para tanto é imprescindível melhorar sempre os nossos sentimentos.
O progresso espiritual, a que se refere Kardec nas obras da codificação, não se trata apenas do intelectual, o que é de capital importância que o façamos, pois sem conhecimento não entendemos e, não entendendo, não aprendemos.
É necessário e é muito mais importante do que o primeiro o progresso moral/espiritual.
Para que uma ave possa voar, necessita de duas asas. Se cortarmos uma delas, já não voa mais como antes. Assim também acontece com o homem. Com apenas a asa do saber ele não voa em busca da felicidade. Apenas intelectualmente desenvolvido ele poderá ter como conquistar tesouros materiais. E isso ele faz até com certa facilidade, mas para ser feliz e viver em paz é necessário o desenvolvimento da inteligência emocional, pois esta faz o homem de caráter, o homem bom, sereno e responsável em tudo o que empreender.
Esta é uma questão fácil de ser constatada. É só olhar para os homens que são os dirigentes dos povos. Na sua grande, quase total, maioria, são pessoas portadoras de grau superior, provindos das mais variadas Universidades de ensino superior.
Muitos, além das Faculdades, deram prosseguimento aos seus estudos, cursando pós-graduação e também se doutoraram, por certo. E o que estão produzindo, como agem em favor dos governados?
Todos os dias tomamos conhecimento e ficamos decepcionados com suas atitudes egoísticas.
Agem com desfaçatez. Só falcatrua.
Por que assim pensam e agem? Por lhes faltar o desenvolvimento moral, a inteligência emocional, sem nenhuma dúvida.
É preciso melhorar para progredir, esta a senha da evolução superior.
Ensina-nos Emmanuel, amigo e guia espiritual do saudoso Chico Xavier que “... o rio dos dons divinos passa em todos os continentes da vida, contudo, cada ser lhe recolhe as águas, segundo o recipiente de que se faz portador”.
Continua ele: “Não olvides que os talentos de Deus são iguais para todos, competindo a nós outros a solução do problema alusivo à capacidade de recebê-los”.
Pelo que vimos, Emmanuel está nos alertando justamente para cuidarmos do nosso progresso moral e, para tanto, necessário se faz nos afeiçoarmos, segundo suas palavras, “aos ideais de aprimoramento e progresso e não nos afastarmos do trabalho que renova, do estudo que aperfeiçoa, do perdão que ilumina, do sacrifício que enobrece e da bondade que santifica...”
Escreve ele ainda: “Lembra-te de que o Senhor nos concede tudo aquilo de que necessitamos para comungar-Lhe a glória divina, entretanto, não te esqueças de que as dádivas do Criador se fixam, nos seres da Criação, conforme a capacidade de cada um”.
Como a Lei divina é de evolução a qual abrangerá, mais cedo ou mais tarde, a todas as Criaturas, é bem de ver que no nosso próprio interesse nos convém tudo fazermos, o mais depressa, para sem tardança e sem esmorecimento nos engajarmos ao carro do progresso e dele não nos afastarmos até que conquistemos o desiderato de todos que é a plena felicidade.

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sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Um minuto com Joanna de Ângelis


O consumismo atual responde por muitos problemas. As indústrias do supérfluo apresentam no mercado da vacuidade um sem-número de produtos desnecessários, que aturdem os indivíduos. Estimulados pela propaganda bem elaborada, desejam comprar, mesmo sem poder, o que veem, o que lhes é apresentado, numa volúpia crescente.

Objetos e máquinas que são o último modelo, em pouco tempo passam para o penúltimo  lugar, até ficarem esquecidos em armários ou depósitos de coisas sem valor. No entanto, se não fossem adquiridos, naquela ocasião, a vida perderia o sentido para quem os não comprasse.

Consumismo é fantasia, transferência do necessário para o secundário.

O consumidor que não reflete antes de adquirir, termina consumido pelas dívidas que o atormentam. Muita gente faz compras, por mecanismos de evasão. Insatisfeitas consigo mesmas, fogem adquirindo coisas mortas, e mais se perturbando. Enquanto grande número de indivíduos se afogam no oceano do supérfluo, multidões inteiras não possuem o indispensável para uma vida digna. Abarrotados, uns, com coisas nenhumas, e outros vitimados por terrível escassez.

São os paradoxos do século e do comportamento materialista e utilitarista da atualidade.

Confere a necessidade legítima, antes de te permitires o consumismo.

Coisas de fora não equacionam estados íntimos. Distraem a tensão por um momento, sem que operem real modificação interior. Quando o excesso te visite, reparte-o com a escassez ao teu lado. Controla e dirige a tua vontade, a fim de não seres uma vítima a mais do tormento consumista..


JOANNA DE ÂNGELIS, mentora espiritual de Divaldo P. Franco, é autora, entre outros livros, de Episódios Diários, do qual foi extraído o texto acima.

O IMORTAL
JORNAL DE DIVULGAÇÃO ESPÍRITA
Diretor Responsável: Hugo Gonçalves - Ano 57 - Nº 674 - Abril de 2010 - PÁGINA 2



O argumento


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Diretor Responsável: Hugo Gonçalves - Ano 57 - Nº 674 - Abril de 2010 - PÁGINA 2


Ante os amados que te não compreendem, estimarias que todos cressem conforme crês.

Alguns jazem desesperados nas trevas do pessimismo. Outros caem, pouco a pouco, no abismo da negação. Há muitos que te lançam insulto em rosto, como se a tua convicção fosse passo à loucura. E surpreendes, em cada canto, aqueles que te falam pelo diapasão da ironia.

Mergulhas-te, muitas vezes, no oceano revolto das palavras veementes que os opositores, de imediato, não podem admitir; em outras ocasiões, desejas acontecimentos inusitados, que lhes alterem o modo de pensar e de ser.

Entretanto, recordemos o Cristo.

Ninguém, quanto ele, deixou na retaguarda tantas demonstrações de poder celeste. Deu nova estrutura à forma dos elementos. Apaziguou as energias desvairadas da Natureza.

Reaqueceu corpos que a morte imobilizava. Restituiu a visão aos cegos.

Restaurou paralíticos. Limpou feridentos. Curou alienados mentais. Operou maravilhas, somente atribuíveis à ciência divina.

Contudo, não foi pelos deslumbramentos produzidos que se converteu em mentor excelso da Humanidade.

Jesus agiganta-se, na esteira dos séculos, pela força do exemplo.

Anjo — caminhou entre os homens.

Senhor do mundo — não reteve uma pedra para repousar a cabeça.

Sábio — foi simples. Grande — alinhou-se entre os pequenos.

Juiz dos juízes — espalhou a misericórdia.
Caluniado — lançou bênçãos. Traído — não reclamou.

Acusado — humilhou a si mesmo.

Ferido — esqueceu toda ofensa.

Injuriado — silenciou. Crucificado — pediu perdão para os próprios verdugos. Abandonado — voltou para auxiliar.

Ação é voz que fala à razão.

Se aspiras, assim, a convencer os que te rodeiam, quanto à verdade, não olvides que, acima de todos os fenômenos passageiros e discutíveis, o único argumento edificante de que dispões é o de tua própria conduta, no livro da própria vida.


EMMANUEL, que foi o mentor espiritual de Francisco Cândido Xavier e coordenador da obra mediúnica do saudoso médium mineiro, é autor, entre outros livros, de Seara dos Médiuns, do qual foi extraído o texto acima.