segunda-feira, 23 de setembro de 2013

MEDIUNIDADE E OBSESSÃO NA INFÂNCIA

EDUCAÇÃO

17 A ocorrência de fatos relacionados à mediunidade na infância é um tema interessante.
Visões, obsessão, desenvolvimento da mediunidade serão abordados nesta seção.
O entrevistado é o Dr. Vitor Ronaldo Costa, nascido em Natal (RN),
Casado, pai de quatro filhos e avô de vários netos. Formou-se em Medicina e exerceu a clínica médica homeopática em Porto Alegre (RS) e em Brasília (DF), onde fixou residência e se aposentou da profissão.
Desenvolve múltiplas atividades no campo da divulgação espírita. É autor de várias obras doutrinárias, palestrante reconhecido e colaborador de inúmeros periódicos espíritas. Atua há cerca de trinta anos em reuniões mediúnicas desobsessivas praticadas em hospitais espíritas, participa de voluntário assistencial e desenvolve pesquisas nos vastos campos da mediunidade e da obsessão espiritual, procurando conciliar os propósitos da medicina clássica com os aspectos científicos do Espiritismo.

O que significa a fase infantil para o espírito reencarnante?


Vitor - Esta pergunta, pela sua complexidade e alcance, mereceria uma abordagem extensa sob vários ângulos, com a finalidade de melhor elaborarmos reflexões. No entanto, por exigüidade de espaço, tentaremos resumir o que pensamos a respeito. Inicialmente diríamos que a infância representa um processo lento e progressivo de adaptação da alma humana à cada realidade reencarnatória. Como se imagina, o mergulho na carne, de certa forma, tolhe temporariamente as amplas possibilidades do espírito imortal. O esquecimento das vidas pretéritas, aí incluídos os relacionamentos anteriores, o aprendizado intelectivo, as experiências na pobreza ou na riqueza, a prática deliberada do bem e do mal, tudo, permanece temporariamente encoberto pelo véu do esquecimento, não obstante as tendências instintivas se manifestarem desde cedo, como a denunciar a existência de todo um patrimônio mento-afetivo resguardado no psiquismo de profundidade, pronto a emergir e a se manifestar no decorrer da existência. O período de infância equivale a um tempo de repouso para o espírito. A própria imaturidade do sistema nervoso propicia um despertar gradativo das potencialidades anímicas. A inteligência e o senso de moralidade, como atributos do espírito, ganham amplitude à medida que o aparelho encefálico amadurece e se submete ao influxo dos fatores educativos e experiências emocionais.
Apesar da Humanidade atual ainda resguardar inúmeras imperfeições, temos na conta de medida providencial da Divindade, a existência do período de infância a impor ao espírito um certo obstáculo à plena manifestação de sua potencialidade negativa.
E seria um verdadeiro tormento se assim não acontecesse, pois o próprio esforço educacional proporcionado pelos pais, professores e religiosos, perderia a sua razão de Ser. Além disso, não se pode olvidar que na infância o Ser reencarnado mostra-se dependente de apoio, carinho, atenção e amor, o que o torna, sem dúvida, bem mais dócil e receptivo ao processo instrutivo. É um momento significativo e especial da existência, período a ser aproveitado da melhor maneira pelos adultos encarregados da transmissão dos valores morais a serem incutidos na mente infantil adequada e da educação formal dispensada pela escola e demais segmentos responsáveis da sociedade, resultará em graves prejuízos para a alma reencarnada, já que na fase infantil, as experiências existenciais exercerão forte influência, boa ou má, no comportamento futuro do indivíduo. No nosso modo de ver, a reencarnação é um desafio evolutivo, visto que, ninguém retorna ao Mundo para involuir ou permanecer estacionado na senda do progresso espiritual. A oportunidade reencarnatória sempre visa o avanço, a melhoria do Ser, a supressão paulatina das más tendências e o desenvolvimento pleno das virtudes intrínsecas.
O período infantil torna os espíritos maleáveis e acessíveis aos aconselhamentos, aos bons exemplos e às informações culturais saudáveis e enriquecidas de conteúdos instrutivos. A estruturação da personalidade depende essencialmente das experiências contabilizadas nessa fase da vida.
Desde que o relacionamento familiar se processe em clima de harmonia, civilidade e, que o processo educativo se estruture em bases edificantes é possível esperar que a criança reprima as más tendências e se desenvolva adequadamente, em especial, se a instrução pedagógica estiver coadjuvada por uma boa formação religiosa.

As crianças têm mais facilidade de ver e de se comunicar com os espíritos desencarnados?

Vitor - Sim. Eis uma questão de grande importância, pois a possibilidade de crianças contatarem o mundo invisível é muito mais provável do que se pode imaginar. Como se sabe, a mediunidade é um apanágio dos humanos, faz-se presente em todos, em graus variados. Os médiuns ostensivos são aqueles que contatam diretamente os espíritos por meio de faculdades conhecidas da maioria, entre elas, a vidência, a mediunidade auditiva, a psicografia e a psicofonia, para citar as mais comuns. No adulto, a mediunidade decorre de uma predisposição orgânica específica para determinada faculdade.
Todavia, a criança apresenta certa predisposição psicofisiológica muito especial, porquanto condizente com a fase inicial do processo encarnatório. Diríamos tratar-se da condição responsável pelo desencadeamento dos mecanismos mediúnicos sutis, nem sempre suspeitados pelos genitores. Tal fenômeno se deve ao fato de o processo reencarnatório só se achar concluído em torno dos sete anos de idade, momento em que as expansões perispirítuais aderem em definitivo a todo o cosmo celular orgânico, especialmente às células nervosas amadurecidas nesta faixa etária.
Assim, até que a reencarnação se consolide, ocorre uma espécie de semidesdobramento, o perispírito encontra-se levemente desacoplado do campo físico, condição capaz de ampliar a capacidade perceptiva e de criar verdadeiras brechas de conexão com a dimensão astral. Isto explica os casos de vidência mediúnica tão identificados no decorrer da etapa infantil.

Como os pais podem identificar sintomas de mediunidade em seus filhos ainda pequenos, diferenciando-os do comportamento normal infantil?

Vitor - Na prática, pais e educadores fazem referências aos diálogos “imaginários” que se desenrolam ao longo dessa faixa etária. Porém, o desconhecimento das filigramas mediúnicas comuns à infância colabora para que o critério da imaginação prevaleça sobre o mediúnico, falseando um pouco a realidade dos fatos. Algumas crianças são capazes de conversar horas com seus amiguinhos invisíveis, diálogos tão espontâneos quanto criativos, como se de fato estivessem interagindo com encarnados.
Geralmente tais fenômenos não trazem repercussões negativas, pois a mediunidade natural desabrochada espontaneamente, costuma se caracterizar pelo processo de vidência, tornando-se ocorrência comum, despida de prejuízos para o psiquismo infantil.

É prudente desenvolver a faculdade mediúnica em crianças?

Vitor - O bom senso recomenda não incentivar o desenvolvimento de mediunidade em crianças, a exemplo da psicofonia e psicografia, pois haveria a possibilidade de acontecer uma sobrecarga do sistema nervoso, situação capaz de levá-la a um processo de exaustão.
Além disso, poderiam acontecer repercussões negativas sobre o campo mental em decorrência de possíveis obsessões espirituais, tal qual acontece com alguns médiuns adultos.
Se na fase adulta, o médium ostensivo, às vezes, enfrenta dificuldades para manter o seu próprio equilíbrio, imaginem uma criança ainda desprovida de conhecimento doutrinário e maturidade suficiente para encarar com responsabilidade tão significativo mandato.
Todavia, a faculdade de vidência que naturalmente se observa nas crianças não requer maiores cuidados, pois costuma desaparecer após os sete anos de idade sem deixar seqüelas orgânicas ou psíquicas.

Então existe mesmo a possibilidade de ocorrência de processos obsessivos na infância? Como tratá-los?

Vitor - A obsessão é uma enfermidade espiritual que compromete as criaturas a despeito do sexo, idade, condição social etc. O espírito em sua trajetória evolutiva armazena em sua memória integral, tanto as realizações louváveis quanto os desatinos cometidos em outras reencarnações. O mal praticado contra os semelhantes contribui para enfraquecer a própria estrutura perispiritual, tornando-a mais vulnerável ao assédio obsessivo. Além disso, o prejuízo imposto aos outros costuma fomentar inimizades duradouras que se arrastam por séculos, desde que, os espíritos envolvidos em contendas lamentáveis não despertem para o perdão mútuo. É assim que florescem os ódios viscerais consumados em forma de perseguições espirituais mútuas e aparentemente intermináveis.
O ódio e o sentimento abastardado de vingança desconhecem limites éticos, daí o motivo das obsessões desferidas contra crianças incapazes de esboçarem um gesto de autodefesa.
Em nossas reuniões mediúnicas assistenciais já identificamos casos de assédios dirigidos contra embriões no útero materno, tornando inviável o processo gestatório em decorrência dos abortos obsessivos. São eventos não diagnosticados pela Medicina e que permanecem sem o tratamento adequado. Quantas crianças acometidas de síndromes convulsivas constituem-se em verdadeiros desafios para os neurologistas incapazes de identificarem a causa real do processo.
Pois bem, após serem investigadas à luz do Espiritismo prático, mostram-se vítimas de terríveis artimanhas obsessivas articuladas pelos vingativos algozes desencarnados. Em certa ocasião recebemos lá no hospital espírita onde prestávamos concurso, uma criança acometida de crises repetidas de agitação psicomotora. Atirava-se ao chão, esperneava e gritava sem que nenhuma medida terapêutica a acalmasse.
Sugerimos então, uma investigação espiritual do tipo desobsessiva, iniciativa que se mostrou acertada e posteriormente coroada de pleno sucesso.
Tratava-se de severo quadro obsessivo.
Após o terceiro atendimento, o espírito vingativo rendeu-se aos reclamos evangélicos e consentiu em afastar-se para receber orientação e tratamento em hospital do astral. Alguns dias depois a criança mostrava-se bem mais calma e cooperativa. Logo, fica demonstrada a importância dos trabalhos desobsessivos habitualmente praticados nas Casas Espíritas. Cremos que dentro em breve, os tarefeiros da saúde sentir-se-ão curiosos em conhecer os detalhes relacionados com os chamados tratamentos espirituais. Quando isso acontecer, novos horizontes científicos serão descortinados e todos reconhecerão a importância dos aspectos morais da vida na consagração da saúde integral.

A escola espírita pode contribuir para o aperfeiçoamento do ensino em busca da educação integral?

Victor - Não há dúvida. A escola espírita é aquela que além de patrocinar a formação curricular básica, acrescenta os preceitos fundamentados na realidade da vida imortal; é aquela que desperta nas consciências infantis a importância de se cultivar os bons hábitos, o respeito ao próximo e o sentimento de fraternidade, da mesma forma como se procede nas aulas de evangelização patrocinadas pelas instituições espíritas. É papel da escola espírita desmistificar os dogmas religiosos que encobrem até hoje as verdades espirituais, ensinando os fundamentos da reencarnação e da lei de causa e efeito. A criança ilustrada à luz dos conhecimentos consoladores torna-se fator multiplicador de uma cultura de paz e atua na sociedade como instrumento modelador de um mundo melhor. A pedagogia espírita colabora para afirmar nos corações infantis a certeza de que a evolução espiritual depende unicamente do respeito incondicional às leis de justiça, amor e caridade. De acordo com os postulados espíritas o mais poderoso é aquele que cultiva a mansuetude e rejeita a violência; o mais inteligente é aquele que reconhece a supremacia da bondade Divina e recusa o cultivo do ódio e da vingança, e, o mais feliz é aquele que sabe compartilhar com os semelhantes em detrimento do egoísmo que avilta e infelicita a alma. A escola espírita propõe, enfim, a máxima “fora da caridade não há salvação”, afirmando que o caminho para a união dos povos é aquele exemplificado de maneira simples pelo Mestre Nazareno, O meigo governador planetário.


Fonte: Resenha Espírita, nº1,2 e 3


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sexta-feira, 28 de junho de 2013

Aborto


Zalmino Zimmerman é nome que vem se destacando por suas contribuições no campo da difusão e entendimento do Espiritismo.
Autor do excelente livro “PERISPÍRITO”, entre outros, é magistrado e presidente da Associação Brasileira de Magistrados Espíritas (ABRAME). Na entrevista que se segue aborda o polêmico tema do aborto.
Tendo em vista as leis naturais da preexistência da alma e da reencarnação, como encarar a decisão judicial que autoriza o aborto do anencéfalo, à luz do Espiritismo?
Zalmino - Uma decisão que favoreça o abortamento, reflete, antes de tudo, desconhecimento da realidade espiritual do Ser Humano, implicando, sem dúvida, em grave comprometimento cármico de todos os envolvidos no processo, inclusive, o juiz. Evidente que o Espiritismo não pode endossar tal tipo de ação, a significar, certamente, lágrimas e angústia tanto na vida atual, como na Espiritualidade e nas vidas futuras.
Estaria tal decisão correta do ponto de vista científico?
Zalmino - Avolumam-se em todo o mundo as evidências científicas de que, na  gestação, a mulher traz em seu ventre, realmente, uma outra pessoa em desenvolvimento, como, aliás, já se observa na própria reação do sistema imunológico da gestante, que busca continuamente expulsar o novo Ser , por reconhecê-lo como estranho, só não o conseguindo graças à proteção extra na camada externa da placenta, propiciada por um tipo de proteína. Com relação ao anencéfalo, propriamente, pode mostrar grave deficiência de massa cerebral, mas tem tronco encefálico, reflexos, nasce e vive até um mês, como registra a casuística médica - mostrando-se, enfim, uma individualidade diferente da pessoa da mãe. Patente, pois, que o aborto, como qualquer outro tipo de assassínio, não encontra endosso científico.
Estaria, por outro lado, correta do ponto de vista jurídico?
Zalmino - Qualquer decisão que autorize o aborto, em qualquer circunstância, fere o Direito Natural e a Constituição Brasileira que garante o direito à vida, como fundamental e absoluto. Causa, aliás, perplexidade o fato de que alguns membros do Poder Judiciário autorizem o abortamento e reconheçam o direito de fazê-lo, sem atentar para sua ilegalidade e esquecendo que a missão fundamental da Justiça é proteger a vida e a dignidade da pessoa nascida ou por nascer.
A prática do aborto por anencefalia, em qualquer fase da gestação, constitui crime diante do conceito espírita cristão?
Zalmino - A prática do aborto constitui, além de delito de lesa-maternidade, na expressão de André Luiz, grave delito de lesa-evolução, cortando o sagrado direito de renascer e progredir, que todo Ser Humano tem.
Diante da escolha das provas por que tenham de passar, na Terra, no processo reencarnatório, qual o efeito para os genitores que provocam ou consentem o aborto de seu filho anencéfalo? E quais as consequências para a própria vítima?
Zalmino - Para a vítima do abortamento, os efeitos são invariavelmente dolorosos.
Além da perda da oportunidade de recomeçar sua vida material, a dor proveniente da violência que sofre na expulsão do ninho materno, segundo os depoimentos que chegam pela via mediúnica, chegam a ser inenarráveis, tal sua intensidade e duração. Os genitores, por sua vez, sujeitam-se às conseqüências tanto de ordem física como espiritual. Para a gestante, a primeira das conseqüências é a morte (20% dos casos). Seguem-se as perfurações do útero, lesões intestinais, hemorragias crônicas, peritonite, septicemias, anemia, complicações hepáticas e renais, incapacitação reprodutiva, envelhecimento precoce, etc. As conseqüências espirituais podem surgir já na vida atual, no plano espiritual e nas vidas futuras. Entre as suscetíveis de ocorrer na vida presente, uma das mais comuns é o sentimento de culpa, com pronto reflexo nos centros perispiríticos coronário e cerebral, cuja disfunção pode gerar os mais complexos transtornos psíquicos.
A mais grave, contudo, é a obsessão, que pode instalar-se na vida atual, prosseguir no Plano Espiritual, e até, manifestar-se nas vidas futuras. Os sofrimentos e as frustrações do Espírito que foi cruelmente rejeitado por aqueles que assumiram o compromisso de agasalhá-lo como filho, despertam-lhe, depois, na maioria das vezes, o sentimento de revolta, o fogo do ódio e a sede de vingança, que vão alimentar as obsessões, plantando a dor e o desespero que queimam as consciências culpadas. Trata-se, infelizmente, de drama que assola hoje grande parte da Humanidade - e, infelizmente, também visível entre os que não desconhecem, propriamente, a realidade do Espírito.
Que conseqüências adviriam para a sociedade que, por seus representantes, nas câmaras legislativas, votassem leis permissivas do aborto, indiscriminadamente?
Zalmino: - Tal fato marcaria um retrocesso na promoção de espécie humana, mostrando que o corpo social encontra-se realmente em crise. A idéia do aborto é degradante da própria condição humana.
Do ponto de vista espiritual, como afirmou Francisco C. Xavier, atrairia um carma doloroso para a sociedade brasileira.
Como a ABRAME poderá contribuir nessa grave questão?
Zalmino: A ABRAME, através dos Encontros Nacionais e Regionais, de palestras que se multiplicam em todos os Estados, da divulgação pela internet e pela Revista da ABRAME, de circulação no meio espírita e não-espírita, bem como por meio de contatos pessoais diretos, tem levado sua mensagem, buscando alertar magistrados e legisladores em relação ao perigo que representa a liberalização do aborto.
Suas considerações finais.
Zalmino - Nesse momento grave de nossa história compreendem os espíritas, certamente, que tudo é preciso fazer - cada um como e com que puder – para evitar esse assassínio de pessoas ainda não nascidas, cortando preciosas oportunidades de vida e progresso espiritual. Outra coisa não se espera de quem tem a responsabilidade de já conhecer a sua realidade espiritual, interexistêncial e multiexistêncial.
Fonte: GOIÁS ESPIRITA, Nº25


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quinta-feira, 23 de maio de 2013

VIII- PROBLEMAS SOCIAIS, POLÍTICA, ETC. (FINAL)


ENCONTRO COM DIVALDO FRANCO

Há no mundo igrejas ricas em bens materiais conclamando as nações prósperas da Terra a amenizarem o problema da fome que se abate sobre grande parte da Humanidade. 
Quem, em que hora, tempo e lugar deve praticar a caridade?

Divaldo: - Vamos relatar um episódio que vivenciamos alguns anos atrás.
Certo dia deparamo-nos com uma alma muito sofrida, presa de extrema miséria. Dispunhamo-nos a refletir acerca do que faríamos com a desventurada criatura, caída em plena via pública, febril e tiritando de frio.
Racionalizamos: amanhã voltaremos aqui para levá-lo a um hospital, ou pediremos a ajuda de um médico. Ao mesmo tempo passamos a conjeturar: poderíamos, agora, arranjar-lhe um caldo quente; quem sabe poderíamos levá-lo para casa. Levá-lo para casa?
Onde iremos acomodá-lo? Que fazer?
Com a mente fervilhante de interrogações perturbadoras, eis que nos surge à frente nossa querida Joanna de Ângelis, falando mais ou menos nestes termos: “Ao tempo dos Czares, certa noite estava sendo representada uma célebre peça no teatro de Moscou, que se refertava com as dependências totalmente tomadas pelos membros da realeza. O enredo girava em torno dos sofrimentos de um soberano místico que, em meio a cruéis sofrimentos, sacrificou-se pela fé cristã. A música enleava os corações da nobreza assistente, todos se identificando com as agonias cristãs da personagem, que de alguma forma traduzia um pouco do íntimo de cada um. Findo o colorido espetáculo, à saída do teatro, deitado sob a marquise, delirava um mendigo tiritante de frio em meio à nevasca da noite. Uma das damas da corte, ao descer as escadarias que a levariam à sua carruagem, movida por um impulso natural de bondade, tomou do casaco de peles que a agasalhava, propondo-se a cobrir o homem que parecia moribundo. A dama que lhe fazia companhia, porém, sustou-lhe o gesto nobre dizendo: ‘Não faças isso.
De que adiantaria a esse miserável uma peça de vestuário de tal valor?
Amanhã envias por um dos teus servos agasalhos quentes para ele’.
‘Sim, tens razão’ - respondeu a dama do casaco de alto preço, movida agora por sentido utilitarista da vida.
‘Demandaram, assim, ao luxuoso castelo, alimentaram-se frugalmente, esquecidas já da agonia do desconhecido tombado sob a marquise enregelante. No dia seguinte, despertando já manhã alta, a dama lembrou-se do homem tiritante de frio.
Chamou então um de seus servos e ordenou que levasse agasalho ao pobre homem. Lá chegando, o serviçal deparou-se com o desconhecido já morto, sendo removido pela polícia’.
Finalizou, então, Joanna de Ângelis:
‘Sempre que a caridade recebe a interferência de polêmicas ou racionalizações, discussões ou debate, invariavelmente o socorro chega atrasado. É necessário que cada um de nós faça o bem hoje, aqui e agora’. Tratamos então de auxiliar o homem abandonado à intempérie da noite, sem mais cogitações que não as do socorro imediato.

No que se refere às igrejas fartamente providas de bens materiais concitando os governos de mais largos recursos a minimizar o sério problema da fome e da desnutrição na face da Terra, com todo o respeito queremos lembrar que a riqueza de nada nos valerá se não tivermos no cofre do coração o pão da caridade e a palavra consoladora da misericórdia que nos compete distribuir. Jesus Cristo, que foi a encarnação da pobreza material, disse: ‘As raposas têm covis, e as aves do céu ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça’.”

Qual o posicionamento do Espiritismo com relação ao pobre, à vida miserável que leva. Até quando o senhor acha que no mundo continuará havendo, essas desigualdades sociais, esses contrastes gritantes que nós vemos e estamos assistindo em várias regiões do país e várias regiões do mundo?

Divaldo: - A resposta está no Evangelho de Jesus. Quando a mulher arrependida levou-lhe bálsamo e o ungiu, Judas, preocupado com a despesa que ela fazia, já que a substância era de alto preço, lamentou que fosse desperdiçada com Ele.
Chegou mesmo a considerar que aquela substância poderia ser vendida e revertida a benefício dos pobres.
Jesus redargüiu: Ela agiu muito bem, porque “os pobres sempre os tereis, mas a mim nem sempre.” E aqui, vale dizer que sempre haverá pobres, enquanto o homem em gozo e no exercício das suas aptidões, da fortuna, faça delas mau uso. Dentro do conceito da reencarnação, aquele que hoje experimenta limites, dificuldades e problemas, foi o mesmo que abusou, em existência próxima, transata ou remota, dos valores com que a vida o aquinhoou. Dentro da mesma questão, vemos que a Humanidade está num período de trânsito. Enquanto vigir o egoísmo no coração dos homens, haverá, inevitavelmente, a miséria, porque a ambição desmedida de alguns poucos engedra a miséria de muitos. O Espiritismo levanta a questão de forma otimista, convidando os que possuem a repartir, a criarem empregos, a darem oportunidades, a favorecerem os que se encontrem em situações de precariedade, com ensejos mais felizes, e acreditamos que dia virá, não muito longe, em que esta paisagem erma e triste da miséria sócio-econômica cederá lugar a uma situação menos penosa, mesmo porque,consideramos que o grande drama da atualidade não tem sua gênese, exclusivamente na problemática da miséria econômica, senão na grande problemática da miséria moral. Para nós, é a questão moral, de valor transcendente, que engendra aquela miséria de natureza econômica.

A miséria é superior e mais grave que a própria miséria humana, a miséria financeira, a miséria dos famintos?

Divaldo: - Indubitavelmente. Porque nos países onde se apresentam um ótimo nível de salários e produção “per capita”, a miséria moral é tão lamentável que não deu felicidade a esses povos, embora a situação econômica elevada de que desfrutam, com ausência de problemas inéditos, tais como a Suécia, a Holanda, a Suíça, o índice de suicídio,de loucura, de neurose, de agressividade é, igualmente, muito alto, demonstrando que a miséria econômica, embora muito dolorosa, que nos assalta é menor. Mas a miséria moral, a ausência do amor no coração, o predomínio do egoísmo são mais terríveis do que aquela outra condição da chamada miséria do Terceiro Mundo, do chamado mundo em desenvolvimento...

Há quem diga que a Doutrina Espírita, que vem pregando a reencarnação, aliena o homem da realidade social em que ele vive, porque a criatura humana pensa: bom, se eu voltarei à Terra, eu deixarei para amanhã. Ou outra encarnação, o que me compete fazer hoje, poderei pagar amanhã. Então, dizem, afirmam várias pessoas que a Doutrina Espírita estaria alienando o homem da realidade social em que vive. Não apenas em pregando a reencarnação, mas também promovendo a caridade, porque o homem recebendo o pão, não trabalharia, ficaria de braços cruzados, não produziria e não sairia da miséria. Que você diria a respeito disso tudo?

Divaldo: - Que as pessoas não estão bem informadas em torno da tônica da reencarnação. A reencarnação é uma colocação dinâmica que promove o homem. Podemos considerar a Terra como sendo uma Universidade, com todos nós freqüentando os vários cursos aqui administrados. Sabemos que temos a oportunidade de, ao não fazermos uma aprendizagem correta, repetir o ano. Mas não é por isto que o indivíduo inteligente deixará de promover-se, de conquistar o valor intelectivo, para ficar numa situação parasitária, a repetir as experiências até que seja banido da escola. Através da reencarnação, o indivíduo tem a ensanha de reparar, numa etapa, aquilo que noutra, anterior, ele não haja realizado bem. A reencarnação é uma metodologia evolutiva que dignifica o homem, demonstrando a justiça de Deus, que a ninguém condena em caráter de perpetuidade.
Oferecendo o ensejo de o indivíduo auto-perdoar-se, isto é, concedendo-lhe a oportunidade de reparar os seus erros para progredir, a Divindade faculta-lhe o retorno à Terra, tantas vezes quantas se façam mister para o seu processo evolutivo de sublimação. Quanto à colocação de que a caridade mantém o homem estacionário, esta é igualmente uma forma de observar a caridade do ponto de vista material exclusivamente.
O apóstolo Paulo, na sua célebre Epístola aos Coríntios, quando se reporta à caridade, vai muito além da tônica sobre a doação; fala sobre o aspecto fundamental de o indivíduo auto-doar-se, de iluminar consciências, de dar o pão a quem tem fome e depois dignificá-lo, a fim de que ele vá adquirir o seu próprio pão. É a velha estória da “vara de pescar”, da tradição chinesa. Não lhe damos apenas o peixe, ensinamo-lo a pescar, oferecendo-lhe a vara e o anzol. Não podemos, porém, pedir a uma pessoa paralítica, a um enfermo a alguém sem mais amplas possibilidades que vá pescar, se não ajudarmos a que chegue, ao menos, à borda do rio. A função da caridade dando coisas, que os espíritas fazemos, é relevante pelo que enobrece o homem.
Não apenas o fazemos, nós, os espíritas. Fazem-no ou fizeram, Madre Teresa de Calcutá, esse símbolo da fraternidade universal; o extraordinário Albert Schweitzer, em Labarené, na África, no antigo Congo Belga, a santificante tarefa realizada por Vicente de Paulo e que hoje é imitada por homens notáveis como Fouleraux, o apóstolo da Lepra, na atualidade, ou como no passado, George Dominique Pire, prêmio Nobel da Paz, que concebeu e realizou as célebres aldeias européias para as vítimas da guerra. São todos estes trabalhos de promoção humana. A alguém que está com uma forte dor de cabeça, não adianta ministrar-lhe lições de civilidade; dando-lhe, porém, um analgésico e retirando-lhe, temporariamente embora, o mal-estar, poderemos prepará-lo para que ele encontre a causa desse mal que o aflige e a erradique. É o que o Espiritismo faz, bem como outras doutrinas filantrópicas baseadas no amor, oferecendo ao indivíduo a oportunidade de este liberar-se do mal imediato pela cura de urgência, para que possa fazer a terapia de profundidade e as futuras terapêuticas preventivas. A reencarnação é uma metodologia de amor que dignifica o homem.”

Como o Espiritismo examina a condição do “trombadinha”? Eles derivam dessa perplexidade do mundo atual, que é cruel, antagônico, cheio de carência por falta de bens materiais ou são pessoas que receberam maus Espíritos ou Espírito ainda em formação?”

Divaldo - Eles são as grandes vítimas do nosso contexto social. É lamentável, mas é preciso dizer, que em relação a eles, a Civilização falhou. Os postulados cristãos, que deviam conduzir o homem, através da esperança, infelizmente não deram a certeza, na forma como foram apresentados pelas religiões, para que crêssemos entendendo, porque o homem é racional. A ética e a educação falharam em face ao desequilíbrio das suas convenções. O “trombadinha” é a síntese de uma sociedade que fracassou nos seus postulados de ética, ora sem rumo. Não se trata de Espíritos infelizes. Eles não tiveram oportunidade melhor, porque a sociedade ainda não compreendeu que a nossa é a felicidade dos outros. O que fizermos ao próximo estaremos fazendo a nós mesmos. Como disse Jesus: “O que fizerdes a um destes, a mim mesmo o fazeis”. Entretanto, eu ainda quero considerar esta colocação: o Espiritismo vê o problema como de emergência e nós, os espíritas, estamos tomando as providências, dentro das nossas possibilidades, através do exercício legal da família. Desejo lembrar que o Espiritismo é a Doutrina que chegou à Terra, há apenas 148 anos; os seus postulados somente agora estão começando a ser aprendidos; encontrou reações de todos os lados, dificuldades, como o Cristianismo primitivo, para poder transmitir as suas lições de fraternidade e de amor. O Espiritismo está ao lado de todos aqueles que trabalham pelo ideal de uma Humanidade melhor, que se esforçam para evitar os dramas lamentáveis.
Nós mesmos, na cidade de Salvador, procuramos diminuir o problema pela vivência dele. É que estamos envolvidos numa obra social, na qual 2.018 crianças recebem assistencial moral, educacional, alimentar. O menor carente, de que se fala, é recolhido em unidades-lares onde reconstruímos as famílias que lhes faltam. O menor que tem pais, nós o recebemos desde zero até 3 anos e o colocamos em nossa Creche; de 3 a 6 anos, no Jardim de Infância, das 7:00 horas às 17:00; de 7 anos aos 14 anos, no 1º Grau, até a 6ª série, por enquanto; e, a partir do próximo ano, teremos as 7ª série e 8ª série.
Simultaneamente, através das Escolas, vem a orientação profissionalizante para que evitemos a deserção dos deveres e a vadiagem. O problema do “trombadinha” é um efeito cujas causas estão no próprio homem, sendo necessária uma medida de emergência, através do amor. O amor que desapareceu dos nossos corações, como diz um pensador inglês: “O homem moderno perdeu o endereço de Deus”. E porque perdeu o endereço de Deus, a sociedade está ameaçada. Há no entanto, perspectivas generosas. Quando todos denunciam um mal é porque já tem sensibilidade para evitar os chamados valores ilusórios. Essa preocupação com o menor carente, que a todos hoje nos envolve, é um sintoma, síndrome de interesse para que todos nos unamos, religiosos ou não, porque esse problema é da Humanidade, e procuremos fazer alguma coisa em favor deles, que serão o futuro da sociedade em favor deles, que serão o futuro da sociedade. Mas isso, em caráter paliativo, por enquanto, para que depois possamos dar ao grupo social o equilíbrio normal de uma educação preventiva, evitando as calamidades que aí estão dominadoras.”

Fonte: Baccelli, Carlos A.; “DIVALDO FRANCO EM UBERABA”; Leal.
Worn, Fernando; “MOLDANDO O TERCEIRO MILÊNIO”; Leal.
Franco, Divaldo Pereira; “ELUCIDAÇÕES ESPÍRITAS”; Leal.


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segunda-feira, 6 de maio de 2013

OPINIÕES DE CHICO XAVIER


EDUCAÇÃO
As opiniões de Chico Xavier continuam a valer e levar-nos a pensar. As selecionadas para o material reproduzido a seguir são exemplo disto.
Foram emitidos em entrevista gravada por alunos de um curso universitário 35 anos atrás e mostram sua atualidade.
Questões relacionadas à experiência familiar, divórcio, controle da natalidade são alguns dos temas propostos.
Como interpretar o Movimento Feminino na atual civilização. Você é a favor da emancipação da mulher?
Chico Xavier: Os mentores espirituais em nossa intimidade nos ensinam que o homem e a mulher são espíritos eternos, iguais perante o Criador, mas guardando funções especificas na vida comum. A nosso ver, a mulher tem razão, buscando emancipar-se pelo estudo e pelo trabalho, entretanto não tem necessidade de desejar parecer superior ao homem, porque, pela própria maternidade que o Senhor lhe concedeu, a missão da mulher por si mesma é sublime.
O casamento poderá vir a ser abolido da face da Terra, como já se comenta, devido ao avanço dos jovens, na área da liberdade?
Chico Xavier: Cremos que a civilização crista prevalecera no mundo e, embora os princípios que regem o casamento possam experimentar alterações na base do respeito que se deve à pessoa humana, o matrimonio sobreviverá acima de todos os tumultos sociais. Eis que só o casamento garante a família, mesmo à família das afinidades espirituais, e só a família conseguirá manter a vida em sua mais alta respeitabilidade.
Entenda-se, porém, que tanto a família quanto o casamento são chamados hoje a necessária aberturas no campo da compreensão humana, em si e de justiça, em matéria de dignificação e apreço que devemos todos ao amor. Ao amor que orienta a vida de todas as criaturas.
Se cada um é senhor do seu próprio destino, como a Doutrina Espírita analisa o divórcio?
Chico Xavier: O divórcio, a nosso ver, não existe entre os que realmente se amam. No entanto, há casos, em que a lei saberá estudá-los devidamente no tempo oportuno, em que o divorcio é o antídoto da criminalidade. Em tais circunstancias, mesmo em se tratando de um espírito devedor, o divorcio será naturalmente interpretado por moratória na vida da alma eterna. Se entre os homens há tolerância para aquele que deve, que é devedor e age honestamente, é impossível que, nos assuntos relacionados com as leis divinas, não existam princípios de misericórdia para os que são realmente vitimas da agressão sistemática e claramente positivada com a responsabilidade de quantos daqueles que se comprometem na sociedade humana com a execução dos textos legais.
Onde há base mais elevada para os métodos de educação? O período infantil é o mais importante para essa tarefa?
Chico Xavier: Os benfeitores da Vida Maior nos reafirmam que a criança é o futuro e que, se nos descuidamos da criança, estamos perdendo o melhor capital de nosso progresso e de nosso aperfeiçoamento material e espiritual sobre a Terra.
Quando e como se dá a união do espírito ao corpo? Como explicar a união de duas substâncias completas na unidade de uma só natureza?
Chico Xavier: Aceitando os princípios da reencarnação, acreditamos que o ponto inicial de interação dos espíritos em renascimento no plano físico está geralmente na comunhão dos ingredientes genésicos do homem e da mulher, quando reunidos para a formação de um novo Ser.
Qual a sua opinião, Chico, sobre os anticoncepcionais? É justa, num planejamento familiar, a determinação da quantidade de filhos?
Chico Xavier: Nós, espíritas que somos e, mesmo considerando a nossa condição geral de cristãos em qualquer província da Doutrina de Jesus, cremos que o uso de anticoncepcionais é a planificação da família. Pelo menos, por enquanto, até que as administrações humanas, orientadas pela autoridade da ciência humana, intervenham no assunto, é questão pertinente à responsabilidade dos casais que agem no campo afetivo conforme os ditames da própria consciência.

FONTE: JORNAL DA MEDIUNIDADE, N.º 3.

MEDIUNIDADE E OBSESSÃO


Estou passando por um problema muito sério em minha vida, que me levou a um tratamento psiquiátrico, sem resultado prático até aqui. Estive num centro espírita e me falaram que devo desenvolver a mediunidade, pois meu problema é esse. Vejo vultos, escuto vozes que me perturbam, algumas vezes. Mas outro problema é que não me dou bem com minha família. Eles querem me internar.
(J.R.C. – Garça - SP)
Se você está se sentindo doente, de fato deve se submeter ao tratamento médico. E faz bem de procurar também um tratamento espiritual.
Mas é preciso agir com cautela e discernimento: o importante é que sua atual condição não o impede de pensar e agir, e é isso que você deve fazer. Todavia, a questão da mediunidade não é tão simples assim. A prática da mediunidade não é uma panacéia para todos os males, como muita gente imagina.
Primeiro você precisa tomar contato com o Espiritismo, através de pessoas que possam orienta-lo, para saber em que terreno está pisando. O Espiritismo, segundo as obras de Allan Kardec, não oferece solução mágica para problema algum. Considera que todos nós temos plena condição de procurar a própria solução.
O que o Espiritismo pode fazer é orientá-lo no sentido de seu equilíbrio. É um ledo engano achar que toda perturbação mental tem raiz exclusiva na mediunidade.
A mediunidade, em si, é uma faculdade humana, como outra qualquer, logo, todo mundo tem mediunidade – de alguma forma e em algum grau de desenvolvimento (seja a pessoa espírita ou não).
Portanto, J. R., você não é o único.
Mas os transtornos emocionais, como os seus, têm causas variadas e, quase sempre, decorrem de uma conjugação de várias causas ao mesmo tempo. Geralmente, está ligada à mediunidade, mas a mediunidade não é nem a única causa e nem tampouco a causa mais importante. Veja bem!
Devemos ver o problema pelo tipo de vida que estamos levando e o que devemos modificar em nossa vida, para nos adequar melhor à ela. É para isso que o Espiritismo nos chama a atenção. É muito comum as pessoas chegarem ao Centro Espírita com problemas como o seu, já com o diagnóstico de mediunidade. Mas não é tão simples assim. Mediunidade é uma sensibilidade muito apurada, que tem efeito direto no mundo emocional das pessoas. Por ela, podemos ter sensações e percepções além dos sentidos comuns e que muitas vezes nos assustam. Certas pessoas tem mediunidade ostensiva, à flor da pele, como se costuma dizer: são essas os verdadeiros médiuns ou os médiuns propriamente ditos.
Entretanto, são um grupo muito reduzido. A maioria das pessoas tem apenas a mediunidade que Herculano Pires denominou de “estática”, porque só se manifesta casualmente, uma ou outra vez em suas vidas. Transtornos emocionais como os seus, costumam estimular certos focos mediúnicos, levando a pessoa a ter percepções não-habituais em determinados momentos, o que lhes desperta a atenção para a mediunidade. Entretanto, J.R. – preste atenção! – neste caso o sintoma mediúnico não é a causa, mas o sintoma de um problema maior. Que orientação costumamos dar a pessoas que apresentam um quadro dessa natureza? Além dos esclarecimentos iniciais, recomendamos que venham ao Centro tomar passes, que comecem a ler alguma coisa a respeito do Espiritismo e da mediunidade e, além disso - passe a mudar algumas atitudes, alguns hábitos nos seus relacionamentos. A freqüência ao Centro é importante, pois, além dos passes, vão se familiarizando com os ensinamentos e valores morais que o Espiritismo oferece.
Veja, caro J.R. que nós não encaminhamos tais pessoas para sessões mediúnicas, simplesmente por que, além de não ajudá-las pode trazer-lhes mais problemas – sem conhecimento espírita, sem saber do que se trata, ela não deve ter contato com atividades mediúnicas - pelo menos, por enquanto. O passe é um recurso espiritual de grande valia. Geralmente, as pessoas se sentem reconfortadas, reanimadas e revigoradas em suas forças. Ao lado do passe, a reflexão sobre valores da vida que levamos, baseada nos comentários do evangelho de Jesus. Logo, trata-se de um tratamento suave, cuidadoso, que vai encaminhá-las aos poucos ao reequilíbrio e ao controle de suas emoções (principalmente de sua ansiedade), mas, isso, sem ignorar ou abandonar o acompanhamento médico que, na maioria das vezes, é imprescindível. Por outro lado, se a pessoa for realmente médium, no sentido estrito da palavra, com certeza, ela vai descobrir e decidir se vai integrar algum grupo mediúnico depois.

“INFORMAÇÃO”:
REVISTA ESPÍRITA MENSAL
ANO XXXII N° 388
JANEIRO 2009
Publicada pelo Grupo Espírita “Casa do Caminho” -
Redação:
Rua Souza Caldas, 343 - Fone: (11) 2764-5700
Correspondência:
Cx. Postal: 45.307 - Ag. Vl. Mariana/São Paulo (SP)


sexta-feira, 22 de março de 2013

ESPIRITISMO É ESTUDO


A seguir é necessária a leitura e o estudo de O Livro dos Médiuns, de Allan Kardec. Este livro deve ser lido com acurada atenção e relido várias vezes, pois é o volume básico da Ciência Espírita, o volume que explica os fenômenos mediúnicos e o comportamento dos médiuns. Ao estudar este livro o estudante deve procurar freqüentar um bom Centro Espírita, onde se pratique o ensino de Kardec. A freqüência lhe dará possibilidades de verificar na pratica a realidade dos princípios da Doutrina.
Daí por diante o estudante estará suficientemente encaminhado. Se for cauteloso e atencioso aprenderá logo tudo quanto lhe é necessário para tornar-se um verdadeiro espírita. Mas, convém ficar advertido de que encontrará muitas pessoas pretensiosas que tudo farão para desviá-lo do estudo de Kardec, indicando-lhe outras obras, em geral prejudiciais. Se quiser aprender de verdade, não dê ouvido a essas pessoas. Espiritismo é Kardec. Sem Kardec não temos Espiritismo, temos imitações e superstições.

J. Herculano Pires
12/08/72