sexta-feira, 24 de agosto de 2012

ÊXITOS E INSUCESSOS



“Sei viver em penúria e sei também viver em abundância.” – PAULO. (Filipenses, 4:12.)

Em cada comunidade social, existem pessoas numerosas, demasiadamente preocupadas quanto aos sucessos particularistas, afirmando-se ansiosas pelo ensejo de evidência. São justamente as que menos se fixam nas posições de destaque, quando convidadas aos postos mais altos do mundo, estragando, desastradamente, as oportunidades de elevação que a vida lhes confere.
Quase sempre, os que aprenderam a suportar a pobreza é que sabem administrar, com mais propriedade, os recursos materiais.
Por esta razão, um tesouro amontoado para quem não trabalhou em sua posse é, muitas vezes, causa de crime, separatividade e perturbação.
Pais trabalhadores e honestos formarão nos filhos a mentalidade do esforço próprio e da cooperação afetiva, ao passo que os progenitores egoístas e descuidados favorecerão nos descendentes a inutilidade e a preguiça.
Paulo de Tarso, na lição à igreja de Filipos, refere-se ao precioso imperativo do caminho no que se reporta ao equilíbrio, demonstrando a necessidade do discípulo, quanto à valorização da pobreza e da fortuna, da escassez e da abundância.
O êxito e o insucesso são duas taças guardando elementos diversos que, contudo, se adaptam às mesmas finalidades sublimes.
A ignorância humana, entretanto, encontra no primeiro o licor da embriaguez e no segundo identifica o fel para a desesperação. Nisto reside o erro profundo, porque o sábio extrairá da alegria e da dor, da fartura ou da escassez, o conteúdo divino.

Pão Nosso – Emmanuel, psic. Francisco C. Xavier – lição 56

(Compilado por Delcio)

Correio da Fraternidade
ANO 20 – nº 238- Abril de 2009 Distribuição Gratuita
Grupo Espírita “Irmão Vicente”
O Grupo Espírita “Irmão Vicente”, abreviadamente GEIV, foi fundado em 1º de janeiro de 1962, como Associação religiosa e filantrópica, de duração ilimitada e com fins não econômicos, com sede e foro na cidade de Campinas, estado de São Paulo.
http://www.annesullivan.com.br/mantenedora.html

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Conselho Oportuno para formação dos pais na educação dos filhos – Parte III


ELUCIDAÇÕES DOUTRINÁRIAS
  • Deveres não são negociáveis!

A infância é o período em que os espíritos recém-encarnados, preparam-se para assumir os compromissos que assumiram perante as Leis da Vida, com o auxílio dos pais.

Quando a criança atingir sua maturidade, se não tiver sido educada na escola da disciplina e for capaz de ser responsável com suas obrigações, não terá com quem negociar as consequências de seus comportamentos.

Tanto as Leis da Vida como a nossa consciência não são passíveis de negociações. Nós sofremos as consequências de tudo o que fazemos e deixamos de fazer.

Portanto, quando o pequeno virar o prato de sopa para não tomá-lo, faça-o limpar a sujeira e deixe-o assumir as consequências de ter jogado a comida fora. Deixe-o sem comer e o acompanhe de perto. Não vai demorar para que a fome mostre a ele que sua escolha não foi inteligente. Ele perceberá que sempre lhe foram servidos alimentos cuidadosamente preparados, que nunca a mamãe lhe deu algo estragado para comer.

Depois de ele ter se desculpado por seu comportamento e pedir a gentileza de ser servido novamente, dê-lhe a sopa, e não alimentos que lhe sejam mais agradáveis ao paladar, como prêmio por ter se desculpado.

Isso seria descartar todo o esforço feito para que ele aprenda a comer de tudo e a valorizar e respeitar o que é colocado à mesa. Ele continuaria se comportando como um pequeno tirano.

É necessário que se explique à criança o porquê de cada coisa, de cada providência que for tomada em resposta à sua forma de agir. E é obrigação dos pais exigirem que os filhos cumpram seus deveres, que se resumem em amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmos1.

Todas as crianças, independente da sua fase de desenvolvimento, usam da sua inteligência e apreciam muito quando essa é respeitada. É preciso ter atitudes coerentes com o que se diz à criança, do contrário, perdemos a sua confiança.

Quando ela desdenhar a roupa que lhe for oferecida, pegue-a pelas mãos, leve-a até o tanque de lavar roupas, ensinando-a que aquela camiseta sem furos, limpa, passada e dobrada na gaveta cobra da mamãe e do papai muito tempo e trabalho. Ela não só aprenderá a lavar a roupa, mas que a vestimenta, cuja função é resguardar a dignidade do corpo e protegê-lo contra o frio, sempre lhe foi garantida através do esforço dos pais.

Há pais que afirmam que seus filhos não gostam da merenda que a escola oferece gratuitamente e, por isso, enviam bolinhos recheados e salgadinhos ao gosto dos pequenos.

Não é necessário discutir o que é mais saudável e nutritivo entre o pão com manteiga acompanhado do copo leite e o salgadinho. Mas, nessa história de atender às vontades da criança, o pai alimenta sem saber a vaidade dela e abre brecha para que os coleguinhas nutram por ela a inveja. O recreio perde o significado do momento em que devemos repor as energias do nosso organismo para continuarmos estudando. A hora do lanche passa a ser o momento em que ela se sobressai aos companheiros e “desfruta” a inveja dos colegas que não têm como comprar os tais bolinhos recheados.

Só espíritos adiantados resistiriam a oportunidades como essa de expressão do egoísmo e da vaidade. Possibilitar esse tipo de situação a espíritos como nós, é dar a arma ao bandido e querer que nada de ruim aconteça.

Se diante dos “nãos” que receber, a criança fizer birras, não nos agastemos. Ela só é um espírito que precisa de ajuda para amadurecer, tanto quanto nós mesmos.

Precisamos ter paciência para com ela, tanto quanto esperamos paciência daqueles que convivem com as nossas imperfeições.

Gritos são desnecessários. A segurança e a serenidade com que os assuntos mais graves devem ser tratados não dependem de ruído.2

Com firmeza e ternura, mostremos a ela o que está fazendo de errado. Se ainda assim não se sensibilizar, sendo necessária a reprimenda de um tapa, esse não deve ser dado porque recebemos a altivez da criança como uma provocação à nossa vaidade. O tapa, o puxão de orelha, ficar sem sobremesa, são práticas que não devem ser tomadas como atos de vingança.

Recobremos o equilíbrio antes de qualquer atitude, ou corremos grande risco de provocarmos a revolta e a desconfiança ao invés de despertar-lhe a consciência.

Não exponhamos as crianças ao veneno das novelas, programas televisivos e músicas que lhes excitem a violência, a sensualidade e a vileza. Nós encarnamos justamente para modificar esses sentimentos. Se temos dificuldade de estimular as suas virtudes, pelo menos não lhes estimulemos os vícios.

Não julguemos que domingos, feriados e momentos de cansaço sejam justificativas para não nos preocuparmos com a educação dos filhos. Paternidade é trabalho vinte e quatro horas para toda a encarnação.

Grandes oportunidades de renovação e estreitamento entre pais e filhos podem ser perdidas.

Com certeza, é uma exigência constante de renúncia.

Quantas vezes momentos agradáveis em família são interrompidos para que um mau comportamento possa ser educado? Que mãe e pai tem prazer em deixar o filho sem aquela sobremesa preparada especialmente para ele ou de acompanhá-lo até a escola e dizer à professora que ele copiou o trabalho do colega de classe?

Além do que, quando o filho fica sem sobremesa, os pais também ficam. Quando a criança está de recuperação escolar, os pais também estão, pois precisam ajudá-lo a restabelecer as suas notas.

Às vezes, sentimos vontade de relevar algumas atitudes das crianças para mantermos a “descontração” e a “tranqüilidade” do lar, para não criar confusão. Pura ilusão!

Não percamos a oportunidade de educá-los, é o que esperam de nós. Ser conivente com maus comportamentos assemelha-se ao ato de oferecer uma taça de sorvete a um doente da garganta, provocando maior irritação, ao invés de ministrar-lhe o remédio amargo que lhe sanaria as dores. Se não corrigirmos os maus pendores quando tivermos oportunidade, estaremos estimulando-os ainda mais.
Ser amigo dos filhos, amá-los, não é sempre lhes sorrir e agradar. São amigos, aqueles pais que levam com seriedade o compromisso de educação que assumiram, que se esforçam por educar-se, buscando o que oferecer ao filho. Ser amigo é dar aos espíritos que estão sob a nossa responsabilidade as condições necessárias para libertarem-se do egoísmo que tanto sofrimento impõe a todos nós.

Existe a possibilidade de que eles não reconheçam em nossas admoestações o respeito e o carinho que lhes devotamos e que façam escolhas bem diferentes daquelas que lhes aconselhamos fazer. Recordemos a misericórdia do Pai, que não obstante a nossa insistência no cultivo de velhos vícios, sem negociar suas Leis, sempre nos renova as oportunidades de aprimoramento.

Sejamos dignos da confiança daqueles por quem somos responsáveis não permitindo que sucumbam às mesmas faltas em que incorreram no passado.



1 Apostila do Seminário de Evangelização (1991/1992)
2 Jesus no Lar - Néio Lúcio psic. de Francisco C. Xavier - lição 30


Débora

Correio da Fraternidade
ANO 20 – nº 238- Abril de 2009 Distribuição Gratuita
Grupo Espírita “Irmão Vicente”

O Grupo Espírita “Irmão Vicente”, abreviadamente GEIV, foi fundado em 1º de janeiro de 1962, como Associação religiosa e filantrópica, de duração ilimitada e com fins não econômicos, com sede e foro na cidade de Campinas, estado de São Paulo.

Presença de Luz


A BIBLIOTECA ESPÍRITA EM DESFILE

Morte em tenra idade? Que desgraça! Pensamos imediatamente.

Mas por quê esta aversão à morte?

Lendo o livro Presença de Luz, de autoria espiritual de Augusto Cezar, pela psicografia de Francisco C. Xavier, percebe-se que não há desgraça, mas a Sabedoria Divina a amparar-nos.

Se não estás firme neste conceito, lê o relato do caso do autor em questão, que se encontra nas entrelinhas das lições da referida obra.

Desencarnado na juventude – como resultado da vida plena de boas obras pôde contar com a Magnanimidade Divina que lhe permitiu o desencarne “prematuro” –, este Espírito encontrou no trabalho a continuação do seu progresso.

Com um linguajar simples e direto este livro descortina um mundo espiritual muito diverso daquele que acreditamos.

Longe de trazer o volume de informações das obras de André Luiz, a obra citada consegue pincelar, em cores vivas, as nuances do mundo espiritual e dar, ao público em geral, a possibilidade de sentir o amparo da Justiça Divina.

Lendo-a, teremos mais material para entender:

– A vida espiritual como a continuação na nossa história de evolução;

– Que a vida, definitivamente, não acaba no túmulo;

– O trabalho como determinante para o progresso;

– Que as barreiras do túmulo não modificam ninguém, só nos desvencilham da vestimenta terrena;

– Que a Lei do Progresso é a única determinante para todos, mas o modo como essa determinante nos afeta é escolha de cada um.

Editada há 25 anos é uma boa leitura para todos!


Daniel Lona


Correio da Fraternidade
ANO 20 – nº 238- Abril de 2009 Distribuição Gratuita
Abril de 2009
Grupo Espírita “Irmão Vicente”
O Grupo Espírita “Irmão Vicente”, abreviadamente GEIV, foi fundado em 1º de janeiro de 1962, como Associação religiosa e filantrópica, de duração ilimitada e com fins não econômicos, com sede e foro na cidade de Campinas, estado de São Paulo.

A CARNE É FRACA


 “Há tendências viciosas que são, evidentemente, inerentes ao Espírito, porque se prendem mais ao moral do que ao físico; outras parecem antes a conseqüência do organismo, e, por este motivo, a gente se julga menos responsável. Tais são as predisposições à cólera, à moleza, à sensualidade, etc.
Está perfeitamente reconhecido hoje, pelos filósofos espiritualistas, que os órgãos cerebrais correspondentes às diversas aptidões, devem seu desenvolvimento à atividade do Espírito; que esse desenvolvimento é assim um efeito e não uma causa. Um homem não é músico porque tem a bossa da música, mas tem a bossa da música porque seu Espírito é músico.1
Se a atividade do Espírito reage sobre o cérebro, deve reagir igualmente sobre as outras partes do organismo. O Espírito é, assim, o artífice de seu próprio corpo, por assim dizer, modela-o, a fim de apropriá-lo às suas necessidades e às manifestações de suas tendências.2
Por uma conseqüência natural deste princípio, as disposições morais do Espírito devem modificar as qualidades do sangue, dar-lhe mais ou menos atividade, provocar uma secreção mais ou menos abundante de bile ou outros fluidos. É assim, por exemplo, que o glutão sente vir a saliva, à vista de um prato apetitoso. Não é o alimento que pode superexcitar o órgão do paladar, pois não há contato; é, pois, o Espírito cuja sensibilidade é despertada, que age pelo pensamento sobre esse órgão, ao passo que, sobre um outro Espírito, a vista daquele prato nada produz.
Dá-se o mesmo com todas as cobiças, todos os desejos provocados pela visão. A diversidade das emoções não pode se explicar, numa multidão de casos, senão pela diversidade das qualidades do Espírito.
Seguindo esta ordem de idéias, compreende-se que o Espírito irascível deve levar ao temperamento bilioso; de onde se segue que um homem não é colérico porque é bilioso, mas que ele é bilioso, porque é colérico. Assim ocorre com todas as outras disposições instintivas. Um Espírito mole e indolente deixará o seu organismo num estado de atonia em relação com o seu caráter, ao passo que se for ativo e enérgico, dará ao seu sangue, aos seus nervos, qualidades muito diferentes. A ação do Espírito sobre o físico é de tal modo evidente, que se vêem, frequentemente, graves desordens orgânicas se produzirem pelo efeito de violentas comoções morais. A expressão vulgar: A emoção lhe fez subir o sangue não é assim destituída de sentido quanto se poderia crê-lo. Ora, o que pode alterar o sangue, se não as disposições morais do Espírito?
Seja qual for a sutileza que se use para explicar os fenômenos morais unicamente pelas propriedades da matéria, cai-se, inevitavelmente num impasse, no fundo do qual percebe-se, com toda a evidência, e como a única solução possível, o ser espiritual independente, para quem o organismo não é senão um meio de manifestação, como o piano é o instrumento das manifestações do pensamento do músico. Do mesmo modo que o músico afina o seu piano, pode-se dizer que o Espírito afina o seu corpo para colocá-lo no diapasão de suas disposições morais.
Com o ser espiritual independente, preexistente e sobrevivente ao corpo, a responsabilidade é absoluta.
O Espiritismo a demonstrou como uma realidade patente, efetiva, sem restrição, como uma conseqüência natural da espiritualidade do ser. Eis porque certas pessoas temem o Espiritismo que as perturbaria em sua quietude, levantando diante delas o temível tribunal do futuro.
Provar que o homem é responsável por todos os seus atos é provar a sua liberdade de ação, e provar a sua liberdade, é levantar a sua dignidade. A perspectiva da responsabilidade fora da lei humana é o mais poderoso elemento moralizador: é o objetivo ao qual o Espiritismo conduz pela força das coisas.
Conforme as observações fisiológicas, pode-se, pois, admitir que há casos em que o físico influi evidentemente sobre o moral: é quando um estado mórbido ou anormal é determinado por uma causa externa, acidental, independente do Espírito, como a temperatura, o clima, uma doença passageira, etc. O moral do Espírito pode então ser afetado em suas manifestações pelo estado patológico, sem que a sua natureza intrínseca seja modificada.
Desculpar-se de seus defeitos sobre a fraqueza da carne não é, pois, senão uma fuga falsa para escapar à responsabilidade. A carne é fraca porque o Espírito é fraco, é em que se torna a questão, e deixa ao Espírito a responsabilidade de todos os seus atos.”3

1Revista Espírita Jul/1860 e Abr/1862
2A Gênese, cap. XI
3Revista Espírita – Mar/1869
(Compilado por Pedro Abreu)
Correio da Fraternidade
ANO 20 – nº 238- Abril de 2009 Distribuição Gratuita
Abril de 2009
Grupo Espírita “Irmão Vicente”
O Grupo Espírita “Irmão Vicente”, abreviadamente GEIV, foi fundado em 1º de janeiro de 1962, como Associação religiosa e filantrópica, de duração ilimitada e com fins não econômicos, com sede e foro na cidade de Campinas, estado de São Paulo.

terça-feira, 31 de julho de 2012

O CARNAVAL


Editorial

Será que vale tudo no Carnaval?
Passamos por um período de miséria moral!
O desrespeito, por parte de multidões de pessoas, nessa época do ano é tão grande, que parcelas da população, principalmente em cidades nordestinas ficam sem dormir por semanas.
Isto porque a folia ocorre de dia e à noite, sem ter hora para acabar.
Os trios elétricos produzem sons ensurdecedores, e os moradores dessas redondezas, não podem usufruir de tranquilidade, ao menos que saiam de suas casas e ou apartamentos.
Uma outra questão, inclusive de saúde, é que cidades se tornam banheiro a céu aberto, com centenas de pessoas fazendo as suas necessidades fisiológicas em praça pública.
Parece que todos esses fatores passam despercebidos pelo poder público.
Brasil, país do carnaval!
É para gringo ver?
Muito dinheiro é desperdiçado, enquanto que nossa população carece de alimento, moradia, saúde e religiosidade.
Falta amor ao próximo, nos corações endurecidos e entorpecidos!
No final das contas, as máscaras sempre caem, e o que resta para levarmos para o mundo espiritual, são as nossas ações.
Vamos aproveitar este período para meditação, fazendo uma profunda reflexão sobre a nossa vida.
Boa leitura!

JORNAL VERDADE  E  VIDA
ADDE - ASSOCIAÇÃO DE DIVULGAÇÃO DA DOUTRINA E SPIRITA 
ANO 01 NÚMERO 03 FEVEREIRO/ MARÇO 2012
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Tiragem: 5.000 exemplares
Distribuição Gratuita
 

NOSSO GRANDE OBJETIVO


Palavra Espírita
por: Junior Pinheiro


É comum que muitos irmãos questionem a si mesmos: qual minha missão nesta encarnação na Terra?
O desejo de resposta, muitas vezes é tão grande que outros vão ao extremo, buscando meios diversos para obtê-las, enquanto o procedimento seria muita mais íntimo do que se pensa.
Conta a lenda do esconderijo seguro que, certa vez, Deus já cansado da criatura humana, resolveu tirar férias. Então reuniu a mais alta espiritualidade para que pudessem sugerir ao Pai um local onde poderia esconder-Se de nós, seres humanos. Muitas sugestões foram apresentadas, e dentre elas, um dos arcanjos que lá estava, sugeriu a Deus que Se escondesse nas fendas abissais (local de extrema profundidade no oceano). Mas Deus, na sua pré-ciência recusou a sugestão, pois sabia que mais cedo ou mais tarde, o homem com seus avanços estaria desbravando tal região do planeta.
Várias outras sugestões foram apresentadas, mas nenhuma se mostrava eficiente. Foi então que, um anjinho de “terceiro escalão”, que cuidava da organização do local e servia ali um cafézinho aos participantes, pediu a palavra. Deus, na Sua bondade e justiça, disse ao anjinho que falasse. O Anjinho indagou ao Criador: “Pai deixa-me ver se entendi. O Senhor quer uma local onde possa se esconder e que, o ser humano não se lembre de procurá-Lo lá?”. Deus disse que sim e perguntou se o anjinho tinha uma sugestão. O anjinho sugeriu: Pai esconda-Se no coração do ser humano, pois ele não lembrará de procurá-Lo ali, mas, se um dia o fizer, já estará tão crescido que será para agradecê-Lo.
Baseando-se por está estória, podemos verificar que nossa maior conquista está dentro de nós.
O homem tem se mostrado capaz de grandes conquistas externas, que claro, são importantes e nos ajudam em nossa evolução. Se pensarmos no campo das patologias, notaremos grandes conquistas através da cura de muitas doenças ou ainda da descoberta de muitos medicamentos, que no mínimo amenizam as dores. No clima, o homem se mostrou capaz de habitar qualquer região do planeta. Na construção civil, muitas outras conquistas. Isso tem demonstrado que somos realmente seres humanos. Mas, a cada passo dado em nossas conquistas exteriores, algo nos incomoda, pois percebemos que ainda não é suficiente.
A viagem para dentro de nós será a mais bela e difícil que podemos experimentar. Será também a mais importante.
Para isso, Jesus nos deixou seu Evangelho de amor, o qual devemos usar como eficiente roteiro para uma boa e segura viagem íntima, que hoje se torna ainda mais fácil de ser compreendido por meio da Doutrina Espírita.
Na questão 919 de O Livro dos Espíritos, Allan Kardec questiona a espiritualidade de qual seria o meio mais prático e eficaz de melhorar nesta existência e resistir ao arrastamento do mal. A resposta dos Espíritos foi direta: “Um sábio da antiguidade vo-los disse: conheça a ti mesmo”.
Mas Kardec não deu-se por satisfeito e volta a indagar a espiritualidade sobre o mesmo tema na questão 919-a: “Conhecemos toda a sabedoria desta máxima, porém, a dificuldade está justamente em cada um conhecer a si mesmo. Qual o meio de consegui-lo?”. A resposta vem assinada por Santo Agostinho, que resumindo deixa bem claro o seguinte: “Faz como eu fiz. Analisa todos os dias as tuas ações. Verifica todos os teus equívocos, para eliminá-los. Analisa teus acertos, para repetir-los.”.
Notemos que quando dissemos: analise os teus equívocos, utilizamos uma vírgula na frase, pois devemos verificar e então eliminá-los. Não devemos nos desesperar se viermos a errar, pois nossa condição atual ainda nos induz aos erros. Se hoje, perdi a paciência na fila do banco, não devo me deprimir e achar que sou o pior dos indivíduos. Tenho sim que, identificando minha falha, na próxima oportunidade buscar ter uma atitude diferenciada. Sem desespero e sem masoquismo. É um processo gradativo, mas necessário.
Da mesma forma, preciso verificar meus acertos, pois acertamos várias vezes no dia e deixamos passar despercebido. Se não noto estas ações felizes, não tenho como repeti-las.


Fiquemos atentos aos meios que nos levaram a tomar as atitudes corretas, se foram motivadas por uma conversa edificante, se foi uma mensagem que li, ou se foi a participação em grupos de estudos nas Casas Espíritas, enfim, verificar o que me motivou ao acerto, pois percebendo quais os meios me auxiliaram, posso enfatizá-los no meu dia a dia.
Este procedimento da autoanálise não é dos mais fáceis, mas é francamente realizável. Exercitando a verificação íntima, posso construir novos hábitos nesta existência. E aplicando hábitos mais nobres no meu cotidiano, posso mudar o rumo da minha vida.
Então busquemos nos conhecer melhor e modificar nossas imperfeições, pois a renovação de si mesmo, é sem dúvida nosso grande objetivo na Terra.


JORNAL VERDADE  E  VIDA
ADDE - ASSOCIAÇÃO DE DIVULGAÇÃO DA DOUTRINA E SPIRITA 
 ANO 02 - NÚMERO 04 - ABRIL/ MAIO 2012
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