sábado, 27 de junho de 2015

A ALMA É IMORTAL

Obra de Gabriel Delanne, traduzida por Guillon Ribeiro. FEB, 6a  edição.

2a Reunião

Objeto do estudo: Capítulos II e III da 1a Parte.
Questões para debate

A. Além de admitir a existência dos Espíritos, que fenômenos espíritas descreve G. Billot, doutor em medicina, em obra publicada em 1839, muito antes do advento do Espiritismo? (Págs. 43 a 48 do livro; itens 31 a 35 do texto de consulta.) 
B. Que informações podemos encontrar na obra Fisiologia do Magnetismo, de Chardel, a respeito do passe e do êxtase? (Págs. 49 e 50 do livro; itens 36 a 38 do texto de consulta.) 
C. Por que razão os sonâmbulos são dotados da faculdade de ver os Espíritos? (Págs. 50 a 52 do livro; itens 39 a 43 do texto de consulta.) 
D. Qual foi a contribuição de Cahagnet, autor de Os Arcanos da vida futura desvendados, à comprovação dos fatos espíritas?  (Págs. 53 e 54 do livro; itens 44 e 45 do texto de consulta.)
E. O Espírito pode reproduzir, quando desencarnado, a forma que tinha na Terra, de maneira a ser reconhecido? (Págs. 56 a 58 do livro; itens 46 a 48 do texto de consulta.)
F. Como os Espíritos obtêm as vestes por eles usadas no plano espiritual? (Págs. 58 a 60 do livro; itens 49 e 50 do texto de consulta.)
G. Em que consistem os chamados médiuns videntes? (Págs. 61 a 63 do livro; itens 51 a 54 do texto de consulta.)
H. Qual é, segundo Delanne, a natureza do envoltório perispirítico? (Págs. 65 a 67 do livro; itens 56 a 58 do texto de consulta.)

Texto para consulta

31. Na correspondência que manteve com Deleuze, o doutor Billot afirma sua crença na existência dos Espíritos e admite que os guias espirituais podem atuar sobre o corpo dos pacientes, pois foi, certa vez, testemunha de uma sangria que por si mesmo cessou, logo que o sangue saiu em quantidade suficiente, sem que houvesse necessidade de fazer-se qualquer ligadura. (Págs. 43 e 44)
32. Nessa correspondência, Deleuze revela, a princípio, dificuldade em aceitar as ponderações do dr. Billot, mas, por fim, admite também ter podido observar pacientes que se achavam em comunicação com as almas dos mortos. (Pág. 45) 
33. O magnetismo, segundo ele, demonstra a espiritualidade da alma e sua imortalidade, e prova a possibilidade da comunicação das Inteligências separadas da matéria com as que lhe estão ainda ligadas. Relata Deleuze: Uma moça sonâmbula, que perdera o pai, por duas vezes o viu muito distintamente. Viera dar-lhe conselhos importantes. Depois de lhe elogiar o proceder, anunciou-lhe que um partido se lhe ia apresentar; que esse partido pareceria convir e que o rapaz não lhe desagradaria; mas, que ela não seria feliz desposando-o, e, portanto, o recusasse. Acrescentou que, se ela não aceitasse esse partido, outro logo depois apareceria, devendo achar-se tudo concluído antes do fim do ano. Os fatos ocorreram tal como foram preditos pelo pai da jovem sonâmbula. (Pág. 45) 
34. A fim de levar seu amigo a uma crença completa, o dr. Billot narrou-lhe alguns fenômenos de trazimento de objetos de que fora testemunha. Num deles, ocorrido a 17 de outubro de 1820, diz o dr. Billot que fora trazida à sessão uma planta - um arbúsculo com flores labiadas e em espigas - a exalar delicioso perfume. Antes que o transporte se desse, a sonâmbula informou ter visto uma donzela apresentando-lhe aquela planta, que, segundo ela, seria útil no tratamento de uma senhora com amaurose presente à sessão. (Págs. 46 e 47) 
35. Por esse testemunho se vê que os fenômenos de trazimento já eram conhecidos nos começos do século XIX, o que demonstra mais uma vez a continuidade das manifestações espíritas que constantemente se têm realizado, mas que o público rejeitava como diabólicas, ou considerava apócrifas. O dr. Billot mostra ainda, em sua correspondência, que não lhe era estranho o conhecimento da tiptologia. (Pág. 48) 
36. Conta Chardel, autor da obra Fisiologia do Magnetismo, que a sonâmbula Lefrey explicou-lhe certa vez, após lhe ditar algumas prescrições terapêuticas, que lhe era possível ver muito bem o que saía do corpo do magnetizador quando este a magnetizava. A cada passe que o senhor me dá - disse-lhe a sonâmbula -, vejo sair-lhe das extremidades dos dedos como que pequenas colunas de uma poeira ígnea, que se vem incorporar em mim e, quando o senhor me isola, fico por assim dizer envolta numa atmosfera ardente, formada dessa mesma poeira ígnea. (Pág. 49) 
37. Na seqüência, a sonâmbula informou ser-lhe possível ouvir - sempre que quisesse - ruídos produzidos ao longe e sons emitidos a cem léguas dali. Eis o que textualmente ela disse: não preciso que as coisas venham a mim; posso ir ter com elas, onde quer que estejam, e apreciá-las com muito maior exatidão, do que o poderia qualquer outra pessoa que não se encontre em estado análogo ao meu. (Pág. 49) 
38. Refere ainda Chardel que uma outra sonâmbula costumava ter, à noite, uma espécie de êxtase, que explicava assim: Entro, então, num estado semelhante ao em que o magnetizador me põe e, dilatando-se o meu corpo pouco a pouco, vejo-o muito distintamente longe de mim, imóvel e frio, como se estivesse morto. Quanto a mim, assemelho-me a um vapor luminoso e sinto-me a pensar separada do meu corpo. Nesse estado, compreendo e vejo muito mais coisas do que no sonambulismo, quando a faculdade de pensar se exerce sem que eu esteja separada dos meus órgãos. Mas, escoados alguns minutos, um quarto de hora, no máximo, o vapor luminoso de minha alma se aproxima cada vez mais do meu corpo, perco os sentidos, cessa o êxtase. (Págs. 49 e 50) 
39. Delanne argumenta que, se as almas desencarnadas podem comunicar-se entre si, claro é que poderão manifestar-se aos sonâmbulos, quando estes se acharem mergulhados no sono magnético, ocasião em que - desprendido em parte do laço fisiológico - a alma se encontra num estado quase idêntico ao em que um dia se achará permanentemente. (Págs. 50 e 51)
40. Os magnetizadores - esclarece Delanne - se viram, em sua maioria, obrigados a reconhecer tal fato, como admite o dr. Bertrand, autor de Tratado de Sonambulismo, o qual, falando de uma sonâmbula muito lúcida, disse que a sonâmbula se exprimia sempre como se um ser distinto, separado dela, lhe houvesse transmitido as noções extraordinárias que ela manifestava no estado sonambúlico. (Pág. 51) 
41. Atesta o dr. Bertrand, em sua obra referida: Verifiquei o mesmo fenômeno na maior parte dos sonâmbulos que tenho observado. O caso mais vulgar é o em que ao sonâmbulo parece que os acontecimentos que ele anuncia lhe são revelados por uma voz. (Pág. 51)
42. O barão du Potet, por longo tempo incrédulo, foi também constrangido a confessar a verdade. Diz ele ter encontrado de novo, no magnetismo, a espiritologia antiga e afirma que se pode entrar em contato com os Espíritos desprendidos da matéria, ao ponto de obter-se deles aquilo de que tenhamos necessidade. (Pág. 51)
43. Delanne adverte, contudo, que devemos preservar-nos com cuidado de dar crédito às afirmações dos sonâmbulos, salvo quando assentem em provas absolutas, do gênero das que foram aqui reproduzidas, apresentadas pelo dr. Billot. É que, na maior parte das vezes, os pacientes são sugestionados pelo experimentador e por sua própria imaginação. Carece, pois, de valor positivo a visão de um Espírito, se não existe certeza absoluta de que não se trata de uma auto-sugestão do sonâmbulo ou de uma transmissão de pensamento do operador. (Pág. 52) 
44. Com Cahagnet, autor de Os Arcanos da vida futura desvendados, não há dúvida: Espíritos que viveram entre nós se mostram, conversam, movem-se e afirmam categoricamente que a morte não os atingiu. Evidentemente, quando seu livro surgiu, tudo o que a ignorância, o fanatismo e a tolice fizeram posteriormente contra a doutrina espírita foi então despejado sobre o pobre magnetizador. (Pág. 53)
45. Cahagnet era, porém, um lutador soberbo que, combatendo vigorosamente seus contraditores, reduziu-os ao silêncio. O ponto culminante de sua obra - que contém as descrições de experiências realizadas com oito extáticos que possuíam a faculdade de ver os desencarnados - foi atingido com um deles: Adélia Maginot, com quem obteve longa série de evocações. Há na obra mais de 150 atas firmadas por testemunhas que declararam haver reconhecido os Espíritos descritos pela sonâmbula. (Pág. 54)
46. Após reproduzir um dos casos tratados por Cahagnet, Delanne esclarece que ninguém jamais contestou a boa-fé do grande magnetizador, mas, reconhecendo-o homem honesto, seus contemporâneos pretenderam que aqueles fenômenos podiam explicar-se todos por uma transmissão de pensamento, entre o consultante e o paciente, uma objeção sem nenhum valor, porque vai contra as circunstâncias dos fatos. (Pág. 56)
47. O caso testemunhado pelo padre Almignana, que pediu a Adélia evocasse a irmã de sua criada, de nome Antonieta Carré, morta alguns anos antes, é expressivo e concludente no sentido de que a suposta transmissão de pensamento não explica todos os fenômenos. (Págs. 56 a 58)
48. As narrativas contidas na obra de Cahagnet constituem documentos preciosos, porque se acham autenticados, e mostram que o Espírito conserva ou pode retomar no espaço a forma que tinha na Terra, reproduzindo-a com extraordinária fidelidade, de maneira a ser reconhecido, mesmo por estranhos. (Pág. 58)
49. Uma questão importante, discutida à época de Cahagnet, foram as roupas pelos Espíritos vistos pelos sonâmbulos. O barão du Potet ridicularizou o que Cahagnet havia dito, no primeiro volume de sua obra, a respeito das vestes espirituais. Ele e outros negavam-se a admitir que os Espíritos usem vestes terrenas. (Págs. 58 e 59)
50. Delanne transcreve as palavras com que Cahagnet rebateu tais críticas, e diz que, na verdade, o Espírito cria, voluntariamente ou não, a sua vestidura fluídica, como mais tarde se verá neste livro. O importante, porém, para Delanne é o fato de que, graças ao sonambulismo, o homem se acha na posse de um meio de ver os Espíritos e certificar que eles se apresentam com uma forma corpórea que reproduz fielmente o corpo físico que tinham na Terra. (Pág. 60)
51. Da mesma forma que alguns sonâmbulos, mergulhados em sono magnético, podem ver os Espíritos e descrevê-los fielmente, há pessoas que possuem essa faculdade no estado de vigília: os chamados médiuns videntes. (Pág. 61)
52. Vê-se, assim, que a vista é uma faculdade do Espírito e pode exercer-se sem o concurso do corpo, tanto que os sonâmbulos vêem a distância, com os olhos fechados. Quando esses fenômenos se produzem, tem-se a comprovação da existência de um sentido novo, que se pode designar pelo nome de sentido espiritual. (Pág. 62)
53. O sonambulismo e a mediunidade são graus diversos da atividade desse sentido, que é, como os demais, mais ou menos desenvolvido, mais ou menos sutil, conforme os indivíduos. Todos, porém, o possuem e é por meio dele que percebemos os eflúvios fluídicos dos Espíritos e que nos inspiramos com os seus pensamentos. (Pág. 62)
54. A vista espiritual, vulgarmente chamada dupla vista ou segunda vista, lucidez, clarividência, ou, enfim, telestesia e agora criptestesia, é um fenômeno menos raro do que geralmente se imagina. Muitas pessoas são dotadas dessa faculdade, sem disso suspeitarem. (Pág. 63)
55. Após transcrever um texto escrito por Kardec, publicado na Revista Espírita de junho de 1867, Delanne diz que havia quinze anos que vinha estudando a mediunidade vidente, que nem sempre se manifesta com o cunho de constância que se nota em algumas narrativas. As mais das vezes, ela é fugitiva, temporária, mas, ainda assim, faculta-nos a certeza de que a crença na imortalidade não é vã ilusão e sim uma realidade grandiosa, consoladora e demonstrada. (Pág. 64)
56. O envoltório sutil da alma foi objeto de perseverantes estudos da parte de Kardec. Em seus colóquios com os Espíritos ele pôde conhecer o corpo fluídico e compreender o papel e a utilidade desse corpo. Quem deseje conhecer a gênese dessa descoberta - assevera Delanne - deve ler a Revista Espírita, do período de 1858 a 1869. (Pág. 65)
57. Num dos números da Revista Espírita - em 1861 - o doutor Glas, evocado por Kardec, esclarece que os fluidos que compõem o perispírito são muito etéreos, não suficientemente materiais para nós, os encarnados. Contudo, pela prece, pela vontade, pela fé, podem tornar-se mais ponderáveis, mais materiais e sensíveis ao tato, que é o que se dá nas manifestações físicas. (Pág. 66)
58. Comentando a informação, Delanne observa que todos os Espíritos têm dito que o envoltório perispirítico é, para eles, tão real, quanto o corpo físico o é para nós. Tem-se, portanto, aí um ponto firmado pelo testemunho unânime de todos os que hão sido interrogados, o que explica e confirma as visões dos sonâmbulos e dos médiuns. (Pág. 67)
59. Desde o começo das manifestações espíritas, organizaram-se grupos de estudo em quase todas as cidades da França. Os resultados obtidos com suas pesquisas se registravam quase sempre em atas, cujas súmulas eram enviadas à imprensa. A doutrina espírita, portanto, não foi imaginada; constituiu-se lentamente, e a obra de Kardec, resumindo essa imensa investigação, mais não é do que a compilação lógica de tão vasta documentação. (Pág. 67)
60. Num desses relatos, conforme publicado em 1864 pelo jornal O Salvador dos Povos, de Bordéus, vê-se que um sonâmbulo presente à sessão descreve os Espíritos ali presentes, inclusive o de um padre que ali estava para manifestar-se. Em seguida, o médium escrevente recebe uma comunicação do padre C... A visão sonambúlica confirmou, nesse caso, a autenticidade do agente que fazia o médium escrever, demonstrando o nenhum valor da teoria que diz que as comunicações procedem sempre do inconsciente de quem escreve. (Pág. 69)


Londrina, janeiro de 2004
Astolfo O. de Oliveira Filho


A alma é imortal

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