terça-feira, 8 de outubro de 2013

SÉRIE ENCONTRO COM CHICO E DIVALDO

COMUNICAÇÃO

III – MÉDIUM

Ainda o médium. São tantas as dúvidas existentes sobre o tema que resolvemos ampliar a abordagem do mesmo.
Dentro desta série, os leitores vão se inteirar das opiniões de Francisco Cândido Xavier e Divaldo Pereira Franco a respeito de ângulos diversos da questão.
Com a palavra, portanto, os dois valorosos líderes.
O que é desenvolver mediunidade no conceito de Emmanuel?
Chico Xavier - Ele crê que desenvolvimento mediúnico deveria ser a nossa dedicação ao aperfeiçoamento pessoal para servirmos de intérpretes àqueles que habitam a vida espiritual e, ao mesmo tempo, começar muito cedo o trabalho na pauta da obediência e da fé de que todos carecemos perante as Leis de Deus.
A disritmia é problema mediúnico?
Divaldo - Para nós, espíritas, na questão das enfermidades de qualquer porte, o problema é sempre o Espírito encarnado. No processo da fecundação, quando o Espírito começa a moldar o corpo de que tem necessidade para evoluir — porque o corpo é moldado conforme o mérito ou demérito de cada um — encontram-se em gérmen as futuras necessidades do seu processo de crescimento. Na problemática das disritmias cerebrais, a atuação do psiquismo do Espírito reencarnante sobre a matéria em formação cria o desajuste que mais tarde se apresentará em forma de lesões ou descompensações vibratórias. Como todos temos um passado, estamos, por isso mesmo, vinculados aos nossos atos pretéritos.
Aqueles a quem prejudicamos, encontram em nós as matrizes do débito, a fim de que estejam vinculados à nossa necessidade de ressarcimento, atraindo-os, inevitavelmente, à cobrança, quando evolutivamente são iguais a nós. Se forem melhores do que nós, não nos cobrarão nada. Pelo perdão que nos doam, libertam-se, deixando que resgatemos nossa dívida por outros meios. O problema é normalmente psiquiátrico, mas também sofre carga obsessiva. Pode ser psiquiátrico ou neurológico, porque de ordem cerebral, necessitando de uma terapêutica própria. E obsessivo ou mediúnico porque, havendo a dívida e o cobrador por perto, estabelece-se um clima de obsessão. Se a pessoa recebe a terapia espírita, e dispõe-se à prática do Bem, à auto-terapia, libertar-se-á do processo disrítmico, porque iluminará o seu perseguidor — sua vítima de ontem — e resgatará as suas dívidas perante a Consciência Cósmica. A Lei não é de cobrança; é de retificação dos erros. Se eu pratiquei um mal e começo a fazer um grande Bem, o Bem que eu faço anula o mal que eu fiz, deixando-me quite. Existe, portanto, uma injunção de natureza físico-psicológica, quanto de natureza mediúnica, no problema das disritmias, necessitando de tratamento médico especializado e espiritual cuidadoso.
O que acontece para uma pessoa que se recusa a desenvolver sua mediunidade, já que esta mediunidade pode ajudar muitas pessoas? Haverá algum castigo ou cobrança?
Chico Xavier - Energias que não doamos podem ser fator de desequilíbrio em nossas vidas. Nossa consciência, em geral, nos cobra uma atitude perante as tarefas que nos cabem. Praticando o Bem em qualquer parte, estaremos colocando nossa mediunidade a serviço de todos. André Luiz afirma: “Todo bem que não se faz é um mal que se pratica.”
Diz-se, no Espiritismo, que todos temos mediunidade e medo disso. Por quê?
Divaldo - Por ignorar o que é a mediunidade, por um mecanismo de defesa, através do qual o indivíduo, embora cientificado das possibilidades mediúnicas, bloqueia as fontes daqueles registros psíquicos para acomodar-se ao imediatismo.
Quais são os principais sintomas, tanto físicos quanto psicológicos, que a pessoa apresenta para que diagnostique-se mediunidade acentuada?
Chico Xavier - Os sintomas podem ser variados, de acordo com o tipo de mediunidade.
Irritabilidade, sonolência sem motivo, dores sem diagnóstico definido, mau humor e choro inexplicável podem indicar necessidade de esclarecimento e estudo.
Divaldo, quando um médium pode saber se realmente tem um compromisso mediúnico e que compromisso lhe traz essa mediunidade?
Divaldo - Através de sua predisposição. A mediunidade induz o indivíduo a uma posição consciente perante a vida, desde que esta seja pautada em linhas de equilíbrio moral.
Então ele passa a receber intuições vigorosas que o impelem a atitudes positivas em relação ao próximo. Aparece de início, como lampejo de um ideal, como reminiscência de tarefas que ficaram interrompidas ou como uma verdadeira impulsão para realizar determinados compromissos a benefício da criatura humana. À medida que mergulha no mundo interior, desdobram-se-lhe as possibilidades e os Espíritos o conduzem a que execute a tarefa que, a pouco e pouco, lhe vai sendo inspirada e conduzida. A mediunidade é uma faculdade paranormal, e todos podemos experimentar fenômenos que não são habituais, não comuns. Quando estes fenômenos especiais transcendem ao habitual refletem características de mediunidade, tais: percepção de presenças, visões e audições psíquicas, que seriam denominados como alucinações psicológicas por psiquiatras desconhecedores da mediunidade...
Como saber distinguir efeitos mediúnicos de doença física? Por exemplo: as dores de cabeça e de estômago.
Chico Xavier - A segurança em distinguir efeitos da mediunidade de sintomas de doenças físicas, só pode ser alcançada com a educação da própria mediunidade. O ideal é que inicialmente se procure um médico para certificar-se que o mal não é físico e, uma vez confirmada a inexistência de doença, deve-se procurar a orientação espiritual.
Fale-nos, se possível, acerca dos débitos do médium que vende sua mediunidade.
Divaldo - A tradição concebeu uma palavra, “simonia”, como sendo a da venda das coisas sagradas. Na mediunidade, particularmente entre nós, na Terra do Cruzeiro, seguindo a recomendação de dar de graça o que de graça recebemos, o exercício da mediunidade não pode ter outra conotação senão a da gratuidade. Convém consignar aqui que a venda de recursos mediúnicos não se consuma exclusivamente por dinheiro, porque se pode trocá-la por presentes, por concessões, pelo envaidecimento e por várias outras modalidades mais ou menos sob disfarce. Nós, médiuns, devemos acautelar-nos constantemente contra os perigos da simonia indireta, inclusive para com aqueles que fazem parte do nosso círculo íntimo, ou os que nos propiciam conforto e facilidades. “Lembro-me aqui de um querido confrade, médium seguro, que exerceu a mediunidade caritativa por largos anos numa modesta construção no fundo do quintal de sua casa. Este homem de vida santificada carregava uma prova dolorosa, a esposa era alienada mental, a filha sofria de ataques epiléticos e o filho vivia atormentado por Espíritos vingativos. Granjeava recursos para a ‘manutenção daquele lar com a execução de modestos serviços em profissão humilde, que ele executava em sua casa mesmo. Um dia, após atender pessoa portadora de um problema muito grave, notou que tal pessoa deixara boa soma de dinheiro num envelope aberto em cima da mesa, retirando-se em seguida. Levantou-se às carreiras e foi ter com a pessoa: “- Senhor, acho que esqueceu este dinheiro na mesa em que trabalho”. Resposta do doador: “ - Não, não esqueci. Percebi que o senhor tem problemas financeiros e de saúde de seus familiares, e como disponho de muitos recursos quis ajudá-lo a amenizar as dificuldades com que se defronta”.
“‘— Não, bondoso amigo, não posso aceitar.
"— Mas por que não pode, o senhor não me pediu nada, estou dando é para sua família, sua esposa doente e os filhos enfermos. Com este dinheiro o senhor pode minorar o sofrimento deles”.
“— Perdoe-me se não consigo fazer-me entender. Se minha mulher e meus filhos estão ao meu lado passando provações e vicissitudes, é porque deviam às justas Leis Divinas que nos levam ao resgate para nosso benefício. Por favor, não insista, não destrua num segundo o que levei 30 anos para edificar”.
Dito isto passou o envelope para as mãos do doador e voltou ao barraco onde exercia a mediunidade com verdadeiro amor e santidade.

FONTE
Silveira, Adelino; KARDEC PROSSEGUE, ed.UNIÃO, questão 1
Baccelli, C.A; DIVALDO. FRANCO em UBERABA, ed. ALVORADA; questão 2
Xavier, F.C e Emmanuel (Espírito), PLANTÃO DE RESPOSTAS, ed. UNIÃO, questões 3,5,7
Franco, Divaldo P; ELUCIDAÇÕES ESPIRITAS, ed. ALVORADA, questão 4
Franco Divaldo P. VIAGENS E ENTREVISTAS; ed.ALVORADA; questão 6
Franco Divaldo P, e Fernando Worm; MOLDANDO O TERCEIRO MILÊNIO, ed. ALVORADA, questão 8


EMMANUEL E A COMUNICAÇÃO

“Enquanto houver um gemido na paisagem em que nos movimentamos, não será ilícito cogitar da felicidade isolada para nós mesmos”.
“O programa do feminismo não é o da exclusão da dependência da mulher: deve ser o da compreensão dos seus grandes deveres.
Dentro da natureza, as linhas determinadas pelos desígnios insondáveis de Deus não se mudam, sob a influência do ilimitado arbítrio humano; e a mulher não pode transformar o complexo estrutural de seu organismo“.


“INFORMAÇÃO”:
REVISTA ESPÍRITA MENSAL
ANO XXX Nº351
Janeiro 2006
Publicada pelo Grupo Espírita “Casa do Caminho” -
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sábado, 5 de outubro de 2013

FAMÍLIA - VISÃO PSICOLÓGICA

EDUCAÇÃO

Elaine Curti Ramazzini

 Muito se tem falado sobre a influência da televisão no desenvolvimento sócio-emocional das crianças. Também cada vez mais cedo as crianças fazem uso do computador, com grande estímulo dos familiares. Também não se pode negar que o desenvolvimento tecnológico tem oferecido esses instrumentos como opções de aprendizado e lazer.
De tempo em tempo aparece alguma notícia alertando quanto ao cuidado que se deve ter ao permitir que crianças tenham acesso a estas facilidades, todas consideram que não há como proibir sem causar desconforto e fazer a criança sentir-se diferente das demais crianças.
Do ponto de vista da Psicologia, a família pode ser definida como um “sistema de laços emocionais”, diretamente responsável pela formação da estrutura psíquica de cada indivíduo.
É através das figuras parentais (mãe e pai) ou de seus substitutos que se verifica a transmissão à criança de padrões diretamente relacionados com o modus vivendi (comunicação, afeto, disciplina). É através dessas relações que vai nascendo na criança a percepção de si mesma e dos outros, assim como a maneira e a capacidade de interagir no mundo social.
Tornamo-nos humanos através das interações, na infância, com as primeiras pessoas que amamos (o “outro significante”, como bem define Peter I. Berger). É na família que cada Ser adquire as bases do comportamento, da identidade sexual, das noções de direitos e deveres e ainda dos modos pelos quais lida com afetos e emoções (amor, ódio, desprendimento, egoísmo...).
Outra função básica da família é a de preencher as necessidades amorosas e de ajuda mútua entre adultos. Daí a importância do casamento, da união, que por mais dificuldades apresente na vida em comum dos cônjuges nunca pessoa alguma conseguiu descobrir melhor substituto para ele.
Não podemos falar de família, numa perspectiva psicológica, se não falarmos de mitos familiares. A idéia que se faz de mito familiar advém do fato de que mito é uma história concebida por um povo, que não possui lógica ou regra, constituindo, por assim dizer, aquilo que as pessoas trazem consigo e que se perpetua de geração em geração.
Tais mitos consistem na formação de idéias que se atribuem à família e que nada mais são do que uma percepção enviesada de como ela é, como se organiza e como funciona. Tais concepções ganham deformações maiores, pois se apresentam conjugadas com uma série de mecanismos de defesa.
Muitos mitos surgiram a respeito de problemas aparentes, numa versão um tanto quanto mágica e sobre quem — algum membro da família — é portador de algum problema.
Exemplificando: considerar que o problema de uma família é um filho rebelde ou doente ou, ainda, um pai ausente, constitui uma versão bem superficial das dificuldades emocionais da família, que enfoca a problemática toda num determinado membro, escondendo conflitos sérios que se localizam no próprio contexto familiar.
Quando, numa família, há o chamado “filho-problema”, torna-se ele o responsável pelos dramas que ocorrem no lar, envolvendo todos os membros da constelação familiar. Assim, o resto da família vive uma sensação ilusória de que, na medida em que o elemento doente melhore, o problema de todos, conseqüentemente, se resolve, e que não exigirá que os demais se esforcem para administrar os conflitos em casa. Com isso, a família precisa manter vivo o “bode expiatório”, imaginando que, ao livrar-se dele, liberta-se também dos conteúdos indesejáveis de si própria que nele projeta. Assim, portanto, embora a ansiedade seja compartilhada por toda a família, de modo geral, com freqüência esse membro passa a incorporar o problema como se fosse somente seu, poupando os demais participantes da família da incômoda tarefa de administrar os próprios conteúdos.
Muitas vezes, também, ocorrem outros mecanismos de defesa, como a negação, por exemplo, observada em pais que, não aceitando a idéia de terem gerado um filho com deficiências físicas ou intelectuais, “enganam-se” tentando ocultar essas características, ao invés de proporcionar-lhe um atendimento adequado.
No que se relaciona à escolha e ao contrato de casamento, são várias as motivações que levam as pessoas a se unirem.
Segundo a Psicologia, a escolha de um parceiro ou de uma parceira diz respeito ao desenvolvimento de certos valores que se lhes foram inculcados ao longo do tempo. Ocorre, no entanto, que nem um nem outro cônjuge possui características idênticas. Tais características, que dizem respeito, muitas vezes, às experiências de cada um, e à escala de valores que cada qual desenvolveu ao longo de sua vida particular, pode não ser a mesma para os dois membros do casal. E isto provoca, via de regra, muitos desajustes entre marido e mulher, gerando sérios conflitos no âmbito familiar.
Também na relação conjugal, os seres desenvolvem e vivem em torno de mitos que dizem respeito ao viés da cultura e dos valores muitas vezes ultrapassados. Arnold A. Lazarus, psicoterapeuta de casal, esclarece que muitos casais se separam porque buscaram atender a certos mitos conjugais, como, por exemplo: “o matrimônio pode realizar todos os nossos sonhos”; ou “os bons maridos consertam tudo em casa e as boas esposas fazem a limpeza”; ou “ter um filho, melhora o mau matrimônio”; ou “os que amam de verdade, adivinham os pensamentos e sentimentos do outro”; ou “a competição entre marido e esposa estimula o casamento” e assim por diante...
Há casos de cônjuges que procuram no outro aspectos que não desenvolveram em si mesmos. Por exemplo, uma mulher que não se sente muito “brilhante” em termos de inteligência, exalta a argúcia ou o brilhantismo do marido, como se somente ele os possuísse. Essa maneira de proceder diz respeito à necessidade que possui de sentir-se engrandecida através da figura do companheiro, emprestando dele a inteligência de que se sente desprovida.
Essa determinação de que os problemas estão localizados apenas no outro viabiliza-se graças ao mecanismo de projeção, onde idéias e sentimentos do indivíduo são atribuídos objetivamente a pessoas e objetos.
Assim, um homem que tenha muita dificuldade em manifestar raiva pode casar-se com uma mulher “raivosa”, que consegue expressar tal sentimento em seu lugar. Ela então expressa pelos dois aquele sentimento.
Tal carga dupla, representada por um aspecto vivido por um dos elementos do casal e aparentemente ausente no outro, acaba pesando na experiência de ambos. Há uma ansiedade que faz com que seja importante conservar esses aspectos, mais no companheiro ou na companheira.
No ato da escolha, de uma forma ou de outra, um captou que poderia auxiliar seu par a continuar o aperfeiçoamento na própria personalidade e que sozinho não conseguiria.
De maneira geral, esse movimento de complementação se dá no sentido do crescimento, mas pode também constituir um pacto destrutivo que contribui para adoecer ambos os cônjuges na relação que fica cada vez mais desgastada.
É claro que os filhos podem também sofrer as projeções de aspectos das personalidades dos pais. Freqüentemente, carregam eles aspectos mal resolvidos de todos como se fossem problemas pessoais seus. Permanecendo, pois, nesta situação, exercem uma função reguladora no seio familiar, na medida em que aliviam de tal carga o resto da família.
Uma criança pode ser utilizada desde o nascimento como extensão dos problemas dos pais, recebendo papéis que se ajustam às fantasias deles, mas não à personalidade e necessidades dessa criança. Isto acabará por certo dificultando em muito o desenvolvimento de sua personalidade, tornando-a desajustada, não só em relação ao contexto familiar, mas no desempenho dos papéis sociais de forma geral.
Estudos relativos ao desenvolvimento psicológico infantil mostram que o bem-estar mental da criança depende em grande parte de sua segurança afetiva, isto é, de quanto ela se percebe amada e do quanto as pessoas ao seu redor podem ajudá-la, quando e se ela necessitar de amparo e proteção. A sensibilidade, a receptividade do adulto diante dessas expectativas infantis estão diretamente relacionadas com as experiências que esse adulto teve durante a sua infância. E de supor-se que quem foi bem cuidado e sentiu-se amado pelos pais tenha maior facilidade de dedicar-se de maneira eficiente aos filhos.

No entanto, nem toda criança infeliz e mal-amada está destinada a ser mau pai ou péssima mãe. Se o indivíduo refletir sobre seus sofrimentos, entendê-los e reelaborá-los de maneira positiva, estará mais apto a não passar adiante suas experiências menos felizes.
A distância entre as gerações e a interferência da televisão, que funciona como babá para a criança e como calmante para o adulto, agrava ainda mais os problemas em casa. Observa-se que, no mundo moderno, encontrar um tempo para sentar e conversar com o filho, ou com os pais, não é fácil. Deste modo, compartilhar experiências, falar sobre sentimentos e trocar idéias são privilégios de poucas famílias. Neste contexto, a comunicação se mantém precária e limitada aos aspectos superficiais do quotidiano.
Vale frisar que não se trata de medir a harmonia de uma família pelo tempo em que seus membros estão juntos, mas de verificar a qualidade dessa vivência em comum.
Acompanhando a evolução da família através dos tempos, observa-se que houve uma subversão da história anterior. Fundada no pátrio poder, em que o homem era o centro econômico e dele provinha o sustento da casa, dos filhos, cabia tão-somente à companheira a transmissão dos valores que seriam reproduzidos sem alterar o quadro.
Ingressando, porém, a mulher no mercado de trabalho, passa ela a repartir o poder, a intervir nas decisões sob uma visão nova, feminina.
Isto, literalmente, transforma todas as relações afetivas, desorganiza uma ordem estabelecida há muito tempo. Inicia-se um “processo de reacomodação”, como dizem alguns psicólogos, processo de reacomodação este que atinge cada um dos integrantes do núcleo familiar.
Antes alijada, a mulher, agora, sabe das dificuldades fora de casa e vivencia a disputa no mercado de trabalho. Da mesma forma, o homem se sente compelido a intervir na educação dos filhos, tornando-se também um transmissor de ideologia.
A família, com todas estas transformações, tem buscado tornar-se mais nutridora, oferecendo ao bebê condições de transformar-se num homem maduro. Para tanto, pais e mães têm procurado cada vez mais terapeutas e conselheiros para que estes profissionais os auxiliem na resolução dos conflitos e desajustes verificados na esfera doméstica.
A Psicologia tem, pois, contribuído de maneira profícua no sentido de ajudar os membros da constelação familiar a reconfigurarem melhor a sua condição existencial. Sinalizando-lhes a importância de aprender a lidar com os “nãos” da vida e com verdades possíveis, abre-se-lhes um leque de opções para que cada um trabalhe seus próprios limites, dentro de um contexto mais amplo — o familiar — respeitando a própria individualidade, apanágio do Ser em constante transformação. Procura ainda auxiliar a cada um em particular e a todos de forma geral, fazendo-os reconhecer que os comportamentos são influenciados e influenciam outros e que as alegrias e tristezas que compõem o repertório pessoal das experiências será acionado no momento em que as criaturas se relacionarem com outras pessoas e decidirem constituir uma nova família.
Com a visão esclarecedora acerca dos mecanismos comportamentais, a Psicologia dilata para o homem a sua percepção de “ser no mundo com os outros”, como bem assinalou o filósofo existencialista Martin Heidegger. Ao descortinar à criatura possibilidades no sentido de que ela encete e promova o seu autoconhecimento, favorece-lhe o crescimento interior e sensibiliza-a para o cultivo de uma vida mais sadia e harmoniosa no seio familiar. O Espiritismo, por seu turno, esclarece que os Espíritos são herdeiros de si próprios e que a tarefa dos pais é a de orientar os filhos, dando-lhes apoio e sustentação para que, quando adultos, consigam se auto-apoiar e caminhar confiantes em busca da perfeição. Exigir de seus tutelados mais do que podem dar é não compreender-lhes o estágio evolutivo em que se encontram na presente reencarnação e esquecer-se de que as experiências pelas quais devem passar serão aquelas mesmas necessárias ao seu aprendizado na condição de Espírito eterno, com vistas à ascensão espiritual a que todos estamos fadados.
Atualizando a lição de Jesus, descortina na família esclarecida espiritualmente a Humanidade feliz de um futuro repleto de alegrias e benesses imorredouras.

Sustentando-a nos ensinamentos do Cristo e no seu Código de reta conduta, pontua a todos e a cada um em especial a necessidade de preservar o reduto familiar, sob a égide do Amor Maior, onde deverá ser construído o altar da compreensão recíproca e do respeito mútuo a fim de que o reino de Deus se instale por definitivo no coração da criatura.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

Canevacci, M. Dialética da família. 2a. ed., S.Paulo, Ed.Brasiliense, 1982.
Dias, M.L. O que é psicoterapia familiar. S.Paulo, Ed.Brasiliense, Coleção Primeiros Passos, 1990.
Vivendo em família. 4a. ed., S.Paulo, Ed.Moderna, Coleção Po1 1992.
Franco, D. P. (Pelo espírito Joanna de Ângelis). Estudos espíritas. Rio de Janeiro, Federação Espírita Brasileira, 1982
Lazarus, A. A. Mitos conjugais. Campinas, Editorial Psy, 1992.
Montoro, G. F. “A família, pensando bem...”. Revista Ícaro, Edição Mulher, N agosto de 1994, p. 98 e 100.
“Psicologia tenta explicar mudanças na família”. Seção Lar, Doce Lar?, Shopping News, São Paulo, 06.03.1994, p. 11.
FONTE
A FAMÍLIA, O ESPÍRITO E O TEMPO, por Autores Diversos, ed. USE


O MUNDO MAIOR E A EDUCAÇÃO
“O ministério das mães é, indiscutivelmente, o mais alto, na experiência terrestre, mesmo porque a própria manifestação do Cristo no mundo depende quase que inteiramente da colaboração da mulher personificada, em toda a sua nobreza e esplendor espiritual, no coração da Nossa Mãe Santíssima.”
Emmanuel

“Examina da torre de tua compreensão, os quadros aflitivos da senda e reconhecerás que o mundo e os semelhantes constituem a nossa casa e a nossa família, pedindo a bênção do auxílio e o bálsamo da piedade.”
Agar

“A aquisição das mais elevadas qualidades terrenas é o legítimo acesso aos dons celestiais.”
André Luiz


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segunda-feira, 30 de setembro de 2013

ELIAS E JOÃO BATISTA

O JOVEM E SEUS PROBLEMAS

Interessar-se pelo conhecimento da Doutrina Espírita, acaba gerando no jovem perquiridor de nosso tempo, dúvidas e mais dúvidas sobre pontos que não se encontram ampla e explicitamente tratados nas obras disponíveis.


ELIAS E JOÃO BATISTA

Ouvi de um padre que a afirmação de que João Batista é Elias nada tem a ver com a reencarnação, pois, no caso, Elias estaria representando apenas o papel de profeta, que também coube a João Batista.
Jesus estaria usando uma linguagem figurada, referindo-se não à pessoa de Elias, mas ao papel que representou.
(MARINA ALVAREZ MARQUES – MARÍLIA – SP)

Compreendemos e respeitamos a opinião do sacerdote, e nem poderia ser diferente sua posição. Mas, se compulsarmos os evangelhos, vamos perceber que as figuras de João e de Jesus causaram no povo grandes especulações. Profetas, como Jeremias, haviam anunciado a vinda de um messias e o povo sofrido aguardava ansioso o surgimento desse libertador que viria extirpar seu sofrimento. Havia vagas noções a respeito da volta à vida, o que era entendido mais comumente como ressurreição –
uma crença que os hebreus herdaram dos persas, no período pós-exílio, de 539 a 300 a.C.. Por isso, sem maiores conhecimentos, apenas amparados pela fé, alguns diziam que João Batista era Elias ressuscitado. Depois que João morreu, chegaram a levantar a hipótese de que Jesus era o João ressuscitado, ou mesmo Elias, ou até Jeremias, ou outros profetas, conforme podemos ler nos escritos de Mateus, Marcos e Lucas. Conta Mateus (capítulo 11) que, quando João estava na prisão, enviou dois discípulos a Jesus para confirmar se ele, Jesus, era o messias anunciado, e Jesus afirmou, entre outras coisas, que João "é o Elias que há de vir", e ainda acrescentou:
"quem tiver ouvidos para ouvir, ouça". É evidente, portanto, que se falava de pessoas concretas e reais e que João, segundo a opinião de Jesus, era a mesma pessoa que Elias; só que entre essas duas personalidades havia um espaço de cerca de 900 anos, que o corpo de João não podia ser o de Elias, pois João era filho de Izabel e Zacharias, conhecido desde criança, conforme Lucas, capítulo 1. Um aspecto importante, que salta aos olhos dos que estudam detidamente os evangelhos, é o fato de que Jesus não questionava os dogmas religiosos e parece não gostava muito de entrar nesse tipo de discussão. Raras vezes o fez.
Estava preocupado, sim, com a sua doutrina moral, com a mudança interior do homem. Por isso, tratou de leve esse e outros assuntos e de acordo com a compreensão do povo, pois, do contrário, não teria tempo e nem tampouco seria ouvido. Veja "REENCARNAÇÃO NA BÍBLIA" de Herminio C. Miranda e "REENCARNAÇÃO, O ELO PERDIDO DO CRISTIANISMO" de Elizabeth Clare Prophet.

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DESTINO E FATALIDADE

O JOVEM E SEUS PROBLEMAS


Interessar-se pelo conhecimento da Doutrina Espírita, acaba gerando no jovem perquiridor de nosso tempo, dúvidas e mais dúvidas sobre pontos que não se encontram ampla e explicitamente tratados nas obras disponíveis.


DESTINO E FATALIDADE

Queria que vocês me falassem alguma coisa sobre o destino. É verdade que aquilo que está estabelecido para a vida não pode ser mudado? Por exemplo: não é possível evitar a morte. Se é assim, para que as precauções e as providências diante do perigo? Sem elas, tudo correria exatamente como está determinado. (FLÁVIA MARIA CARNEIRO – BAURU – SP)

A teoria da predestinação não é espírita e nem tampouco é aceita pelo Espiritismo. Segundo essa teoria, o homem já nasceria com o destino determinado, não havendo possibilidade de qualquer mudança. Algumas escolas reencarnacionistas são conformistas, pois chegam a anunciar a impossibilidade da pessoa mudar o seu "carma", de tal forma que ela teria que aceitar passivamente tudo o que lhe acontece. Por essa crença, o homem não tem escolha, deve submeter-se sempre ao que está traçado, pois não pode modificar nada. Não tendo escolha, não tem livre-arbítrio e, portanto, não reúne nem mérito nem culpa pelos atos que pratica.
O Espiritismo nos ensina que não há destino imutável; somente as leis naturais são imutáveis, mas são as nossas decisões e principalmente os nossos atos que vão construir o destino. Santo Agostinho, no Catolicismo, chegou a defender uma teoria da predestinação, segundo a qual o destino do homem - quanto a ir para o céu ou para o inferno - já estaria determinado, uma vez que Deus, ao criar o homem, já sabe de seu futuro; essa doutrina foi substituída posteriormente pela doutrina teológica do livre-arbítrio de Santo Tomás de Aquino.

Leia, em O LIVRO DOS ESPÍRITOS de Allan Kardec , o capítulo referente à fatalidade, questões 851 a 867.

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OS DINOSSAUROS E A BÍBLIA

O JOVEM E SEUS PROBLEMAS
 
Interessar-se pelo conhecimento da Doutrina Espírita, acaba gerando no jovem perquiridor de nosso tempo, dúvidas e mais dúvidas sobre pontos que não se encontram ampla e explicitamente tratados nas obras disponíveis.

OS DINOSSAUROS E A BÍBLIA

Vi na televisão uma reportagem sobre dinossauros, aqueles animais gigantescos que habitaram a Terra há milhões de anos e que existiram também no Brasil.
É no mínimo estranho que a Bíblia, que dizem ser a palavra de Deus e trata da criação do mundo, não fale em dinossauros... (MARLENE S. – BAURU – SP)



A Bíblia, embora se refira à criação do mundo e dos seres vivos, não poderia se referir aos dinossauros, porque quando foi escrita não se sabia e nem sequer se desconfiava da existência desses animais. A visão de mundo que se tinha, então, era muitíssimo acanhada. A Gênese da Bíblia fala de Adão e Eva como pessoas iguais a nós, mas não faz nenhuma referência aos ancestrais humanos que nos antecederam na longa experiência evolutiva de milhões de anos, descobertos pelos pesquisadores no século XIX, mais de 3.000 anos depois de Moisés. Logo, Moisés - ou quem escreveu o episódio da criação - estava muito distante desses conhecimentos e tinha outra visão de mundo e outra concepção de vida. Naquela época, não se tinha a mínima noção de evolução. Os conceitos vinham do mito, tanto entre os hebreus como em qualquer outro povo; aliás, os sumérios, antes de Moisés, já falavam do episódio da criação e do dilúvio, através da epopeia Gilgamesh.
O homem precisava encontrar uma explicação para o mundo em que vivia e do qual fazia parte: o mito, próprio da infância da humanidade, foi o seu primeiro recurso. Logo, a Bíblia, como nenhum livro antigo, não poderia antecipar os conhecimentos que, só recentemente, foram alcançados pelo progresso do pensamento humano e pela investigação e pela ciência.

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