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terça-feira, 22 de maio de 2012

Revue Spirite


ROGÉRIO COELHO
De Muriaé, MG

“Que homem há que viva e não veja a morte? Ou que livre a sua
alma do poder do mundo invisível?”- Davi (Salmos, 90:48)
 Revue Spirite!... Essa grande desconhecida da maioria dos espíritas!...
Tão importante é a Revista Espírita para o enriquecimento doutrinário complementar que não se pode compreender o descaso a que é relegada. Escrita pelo próprio Kardec, a “Revue Spirite”, Jornal de Estudos Psicológicos, é um laboratório vivo da Codificação. Escrita de 1858 a 1869, ela hoje é encontrada em primorosa encadernação do IDE, já em sua segunda edição, em 12 volumes; um para cada ano de existência da Revista.
Eis como o ínclito Codificador do Espiritismo se refere à “Revue”1 :
“Variada coletânea de fatos, de explicações teóricas e de trechos isolados, que completam o que se encontra nas duas obras precedentes2 , formando-lhes, de certo modo, a aplicação. Sua leitura pode fazer-se simultaneamente com a daquelas obras, porém, mais proveitosa será e, sobretudo, mais inteligível, se for feita depois de O Livro dos Espíritos”.
Apenas a título de “trailer”, vamos transcrever, para deleite dos leitores, o conteúdo das págs. 4 e 5 do volume de 1858, que vem ratificar o versículo de Davi em epígrafe
“(...) A existência dos Espíritos, e a sua intervenção no mundo corporal, está atestada e demonstrada, não mais como um fato excepcional, mas como princípio geral, em Santo Agostinho, São Jerônimo, São Crisóstomo, São Gregório de Nazianzeno e muitos outros Pais da Igreja.
Essa crença forma, por outro lado, a base de todos os sistemas religiosos. Os mais sábios filósofos da antiguidade a admitiram: Platão, Zoroastro, Confúcio, Apuleio, Pitágoras, Apolônio de Tiana e tantos outros.
Nós a encontramos nos mistérios e nos oráculos, entre os gregos, os egípcios, os hindus, os caldeus, os romanos, os persas, os chineses.
Vemo-la sobreviver a todas as vicissitudes dos povos, a todas as perseguições, desafiar todas as revoluções físicas e morais da humanidade...
“Mais tarde, encontramo-la nos adivinhos e feiticeiros da Idade Média, nos Willis e nas Walkirias dos escandinavos, nos Elfos dos teutões,  nos Leschios e nos Domeschios Doughi dos eslavos, nos Ourisks e nos Brownies da Escócia, nos Poulpicans e nos Tensarpoulicts dos bretões, nos Cemis dos Caraíbas, em uma palavra, em toda a falange de ninfas, de gênios bons e maus, de silfos, de gnomos, de fadas, de duendes, com os quais todas as nações povoaram o espaço. Encontramos a prática das evocações entre os povos da Sibéria, no Kamtchatka, na Islândia, entre os índios da América do Norte, entre os aborígines do México e do Peru, na Polinésia e mesmo entre os estúpidos selvagens da Oceania. De alguns absurdos que essa crença esteja cercada e disfarçada segundo os tempos e os lugares, não se pode deixar de convir que ela parte de um mesmo princípio, mais ou menos desfigurado.
“Ora, uma doutrina não se torna universal, e nem sobrevive a milhares de gerações, nem se implanta, de um pólo ao outro, entre os povos mais dessemelhantes, e em todos os graus da escala social, sem estar fundada em alguma coisa de positiva. O que é essa alguma coisa? É o que nos demonstram as recentes manifestações.
Procurar as relações que podem e devem ter entre essas manifestações e todas essas crenças, é procurar a verdade.
“A história da Doutrina Espírita, de alguma forma, é a do espírito humano. Iremos estudar todas essas fontes que nos fornecerão u’a mina inesgotável de observações, tão intuitivas quão interessantes, sobre os fatos gerais pouco conhecidos. Essa parte nos dará a oportunidade de explicar a origem de uma multidão de lendas e de crenças populares, interpretando a parte da Verdade, da alegoria e da superstição.
“No que concerne às manifestações atuais, daremos conta de todos os fenômenos patentes, dos quais fomos testemunhas ou que vierem ao nosso conhecimento, quando parecerem merecer a atenção dos nossos leitores.
“Faremos o mesmo com os efeitos espontâneos que se produzem, freqüentemente, entre as pessoas, mesmo as mais estranhas às práticas das manifestações espíritas, e que revelem seja a ação oculta, seja a independência da alma; tais são os fatos de visões, aparições, dupla vista, pressentimentos, advertências íntimas, vozes secretas etc...
“À relação dos fatos acrescentaremos a explicação, tal como ela ressalta do conjunto dos princípios.
Faremos anotar, a esse respeito, que esses princípios são aqueles que decorrem do próprio ensinamento dado pelos Espíritos, e que faremos, sempre, abstração das nossas próprias idéias. Não será, pois, uma teoria pessoal que exporemos, mas a que nos tiver sido comunicada, e da qual não seremos senão o intérprete.
“Uma larga parte será, igualmente, reservada às comunicações, escritas ou verbais, dos Espíritos, todas as vezes que tiverem um fim útil, assim como as evocações de personagens antigas ou modernas, conhecidas ou obscuras, sem negligenciar as evocações íntimas que, freqüentemente, não são menos instrutivas; abarcaremos, em uma palavra, todas as fases das manifestações materiais e inteligentes do mundo incorpóreo.
“A Doutrina Espírita nos oferece, enfim, a única solução possível e racional de uma multidão de fenômenos morais e antropológicos, dos quais, diariamente, somos testemunhas, e para os quais se procuraria, inutilmente, a explicação em todas as doutrinas conhecidas. Classificaremos nessa categoria, por exemplo, a simultaneidade dos pensamentos, a anomalia de certos caracteres, as simpatias e as antipatias, os conhecimentos intuitivos, as aptidões, as propensões, os destinos que parecem marcados de fatalidade, e, num quadro mais geral, o caráter distintivo dos povos, seu progresso ou sua degeneração etc...
“À citação dos fatos acrescentaremos a busca das causas que puderam produzi-los. Da apreciação desses atos, ressaltarão, naturalmente, úteis ensinamentos sobre a linha de conduta mais conforme com a sã moral
Em suas instruções, os Espíritos superiores têm, sempre, por objetivo, excitar, nos homens, o amor ao bem pela prática dos preceitos evangélicos; nos traçam, por isso mesmo, o pensamento que deve presidir à redação dessa coletânea.
“Nosso quadro como se vê, compreende tudo o que se liga ao conhecimento da parte metafísica do homem; estudá-la-emos em seu estado presente e em seu estado futuro, porque estudar a natureza dos Espíritos é estudar o homem, uma vez que deverá fazer parte, um dia, do mundo dos Espíritos; por isso acrescentaremos, ao nosso título principal, o de jornal de estudos psicológicos, a fim de fazer compreender toda a sua importância”.

1 Kardec, A. O Livro dos Médiuns, 57 ed. FEB, 1a. parte, cap. III, item 35, parág. 4o.
2 Kardec refere-se aos dois livros básicos: O Livro dos Espíritos e O Livro dos Médiuns.

O IMORTAL
JORNAL DE DIVULGAÇÃO ESPÍRITA
Diretor Responsável: Hugo Gonçalves Ano 53 Nº 624 Fevereiro de 2006
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terça-feira, 24 de janeiro de 2012

A Revue Spirite há 140 anos


Revista Espírita de 1866 (Parte 1)


MARCELO BORELA
DE OLIVEIRA
De Londrina

Iniciamos nesta edição a publicação do texto condensado da Revista Espírita de 1866. As páginas citadas referem-se à edição feita pela Edicel.
*
1. As mulheres têm alma?
Esse é o tema do artigo que abre o número de janeiro de 1866, no qual Kardec diz que, além de ter sido posta em deliberação num concílio, tal questão nem sempre foi resolvida pacificamente, constituindo sua negação um princípio de fé em certos povos. No artigo, ele informa também que pouco tempo atrás ainda se discutia na França se o grau de bacharel podia ser conferido a uma mulher. (Págs. 1 e 2.)
2. O Espiritismo ensina que as almas podem animar corpos de homens e mulheres. As almas ou Espíritos não têm sexo; as afeições que os unem nada têm de carnal; fundam-se numa simpatia real e, por isso, são mais duráveis. (Págs. 2 e 3.)
3. Os sexos só existem no organismo; são necessários à reprodução dos seres materiais; mas os Espíritos não se reproduzem uns pelos outros, razão por que os sexos seriam inúteis no mundo espiritual. (Págs. 2 e 3.)
4. A natureza fez o indivíduo do sexo feminino mais fraco que o outro, porque os deveres que lhe incumbem não exigem uma igual força muscular e seriam até incompatíveis com a rudeza masculina. Aos homens e às mulheres são, assim, assinados pela Providência deveres especiais, igualmente importantes na ordem das coisas, pois eles se completam um pelo outro. (Págs. 3 e 4.)
5. A influência que o Espírito encarnado sofre do organismo não se apaga imediatamente após a destruição do invólucro material, assim como não perdemos instantaneamente os gostos e hábitos terrenos. Pode acontecer ainda que o Espírito percorra uma série de existências no mesmo sexo, o que faz que durante muito tempo possa conservar, na erraticidade, o caráter de homem ou de mulher, cuja marca nele ficou impressa. (Pág. 4.)
6. Se essa influência se repercute da vida corporal à vida espiritual, o fato se dá também quando o Espírito passa da vida espiritual para a corporal. Numa nova encarnação trará o caráter e as inclinações que tinha como Espírito. Mudando de sexo, poderá então conservar os gostos, as inclinações e o caráter inerente ao sexo que acaba de deixar. Assim se explicam certas anomalias aparentes, notadas no caráter de certos homens e de certas mulheres. (Pág. 4.)
7. Referindo-se à prece, diz Kardec que o Espiritismo proclama a sua utilidade, não por espírito de sistema, mas porque a observação permitiu comprovar a sua eficácia e o seu modo de ação. Além da ação puramente moral, a prece produz um efeito de certo modo material, resultante da transmissão fluídica, e sua eficácia em certas moléstias é constatada pela experiência, como demonstrada pela teoria. (Págs. 5 e 6.)
8. Rejeitar a prece é, portanto, privar o homem de seu mais poderoso suporte moral na adversidade, visto que pela prece ele eleva sua alma, entra em comunhão com Deus, identifica-se com o mundo espiritual e desmaterializa-se, condição essencial de sua felicidade futura. (Pág. 6.)
Nenhum princípio espírita
é fruto de opiniões pessoais
9. Concluindo o artigo sobre a prece, o Codificador lembra que o que faz a principal autoridade da doutrina é que não há um só de seus princípios que seja produto de uma idéia preconcebida ou de uma opinião pessoal: todos, sem exceção, são o resultado da observação dos fatos. (Págs. 8 e 9.)
10. A Revista noticia o falecimento em 2 de dezembro de 1865 do sr. Didier, membro-fundador da Sociedade Espírita de Paris e editor das obras de Kardec. No momento do falecimento, a editora do sr. Didier imprimia a 14a edição d’O Livro dos Espíritos. (Págs. 9 e 10.)
11. No dia 8 de dezembro, na Sociedade de Paris, Kardec pronunciou uma alocução em que teceu palavras de reconhecimento pelo trabalho realizado pelo amigo recém-desencarnado, cujo desprendimento foi devidamente destacado pelo Codificador. (Págs. 11 e 12.)
12. Em seu discurso, Kardec explicou por que não usara a palavra no enterro do amigo, ocasião em que se reuniram muitas pessoas pouco simpáticas e mesmo hostis à causa espírita. Considerando o momento inadequado, ele se absteve e, ao esclarecer o fato, aproveitou para fazer importante advertência, quando afirmou que o Espiritismo ganhará sempre mais com a estrita observação das conveniências. (Pág. 12.)
13. Não devemos esquecer – disse Kardec – que o Espiritismo visa ao coração e seus meios de sedução são a doçura, a consolação e a esperança. Sua moderação e seu espírito conciliador nos põem em relevo. “Não percamos sua preciosa vantagem”, aditou o Codificador.
“Procuremos os corações aflitos, as almas atormentadas pela dúvida: seu número é grande; lá estarão os nossos mais úteis auxiliares; com eles faremos mais prosélitos do que com reclames e exibição.” (Pág. 12.)
14. A Revista transcreve carta do sr. T. Jaubert, vice-presidente do Tribunal de Carcassone, em que o missivista destaca as inúmeras realizações que o ano de 1865 havia trazido ao Espiritismo. Quatro livros foram então mencionados pelo sr. Jaubert: Pluralidade dos mundos habitados, de Camille Flammarion; Pluralidade das existências da alma, de André Pezzani; O Céu e o Inferno, de Kardec, e a novela Espírita, de Théophile Gautier. (Págs. 14 a 16.)
15. Jaubert refere-se também em sua carta ao caso Davenport, que ele considerava menos causa do que pretexto para a cruzada instaurada naquele ano contra a doutrina espírita e os espiritistas. E apóia, por fim, a definição posta por Kardec no último número da Revista: “Quem quer que creia na existência e na sobrevivência das almas, e na possibilidade de relação entre os homens e o mundo espiritual, é espírita”. (Pág. 16.)
16. Com dezesseis anos e meio, Luísa B... morava com seus pais no lugar chamado le Bondru (Seine-et-Marne). Em conseqüência de violento pesar causado pela morte de uma irmã, Luísa caíra num sono letárgico, que durara 56 horas, após o que despertou para uma existência estranha. Durante o dia inteiro, ela ficava imóvel numa cadeira. Chegada a noite, entrava num estado cataléptico, caracterizado pela rigidez dos membros e pela fixidez do olhar. A jovem adquiria então o dom da segunda vista e o da segunda audição, ouvindo palavras proferidas perto ou longe dela. (Pág. 17.)
A emancipação da alma é
normal durante o sono
17. Nas mãos da cataléptica cada objeto apresentava para ela uma imagem dupla. Ela podia ver, assim, não apenas o exterior, mas a representação de seu interior. Transportada a um cemitério, Luísa via e descrevia as pessoas cujos despojos tinham sido ali sepultados. (Págs. 17 a 20.)
18. Comentando o fato, Kardec diz que nada nele existe de excepcional. Trata-se de um fenômeno bastante comum e explicável pelos atributos da alma, em que se encontra a sede de todas as percepções e de todas as sensações. Durante a sua união com o corpo, a alma percebe por meio dos sentidos e transmite o pensamento com a ajuda do cérebro. Separada do corpo, ela percebe diretamente e pensa livremente. (Págs. 20 e 21.)
19. Esse estado, que chamamos emancipação da alma, ocorre normal e periodicamente durante o sono, quando o corpo repousa, para recuperar as perdas materiais. Mas pode ocorrer também todas as vezes que uma causa patológica ou simplesmente fisiológica produz a inatividade total ou parcial dos órgãos da sensação ou da locomoção, como se dá na catalepsia, na letargia e no sonambulismo. (Pág. 22.)
20. O desprendimento da alma é tanto maior quanto mais absoluta a inércia do corpo. Nesse estado, a alma não mais percebe pelos sentidos materiais, mas, se assim podemos dizer, pelo sentido psíquico; eis por que suas percepções ultrapassam nesses casos os limites ordinários. Essa é a causa da segunda vista, da visão a distância, da lucidez sonambúlica etc. A forma corpórea que Luísa via nas pessoas mortas é o que na doutrina espírita se chama perispírito, envoltório fluídico que reveste a alma de todos os seres humanos. (Págs. 22 e 23.)
21. Concluindo suas explicações, Kardec adverte que casos como o da jovem Luísa B... exigem muito tato e prudência, pois, nesse estado de excessiva suscetibilidade, a menor comoção pode ser funesta. É que a alma, feliz por estar desprendida do corpo, a este se liga por um fio, que um nada pode romper irremediavelmente. “Em casos semelhantes – assevera Kardec –, experiências feitas sem cuidado podem matar.” (Pág. 23.)
22. De Alfred de Musset (Espírito) a Revista transcreve dois poemas, que a crítica considerou dignos de um poeta de primeira ordem, como o indigitado autor espiritual. “É a maneira de Musset, sua linguagem encantadora, sua desenvoltura de cavalheiro, seu encanto e sua graciosa atitude”, escreveu um dos redatores do jornal Monde Illustré, sr. Júnior, que não era espírita. (Págs. 24 a 28.)
23. A Revista comenta o surgimento em Paris do Novo Dicionário Universal, uma nova enciclopédia ilustrada por Maurice Lachâtre, que contava com o concurso de cientistas, artistas e escritores, encabeçados por Allan Kardec. Segundo o prospecto de divulgação da enciclopédia, esta era fruto da análise de mais de 400.000 obras e podia ser considerada como o mais vasto repertório de conhecimentos humanos até então publicado. Todos os termos especiais do vocabulário espírita, refere Kardec, ali se achavam, não com uma simples definição, mas com todos os desenvolvimentos que comportam. A transcrição do texto pertinente ao verbete ALMA – feita pela Revista – dá uma boa mostra da profundeza da publicação e do respeito que seus editores revelavam pela doutrina espírita, que conquistava desse modo relevante posição entre as doutrinas filosóficas da época. (Págs. 28 a 32.)
Destaque dado ao Espiritismo por
jornal de Bruxelas
24. Sob o título “O Espiritismo segundo os espíritas”, o semanário La Discussion, impresso em Bruxelas, edição de 31/12/1865, publicou um artigo em que o autor diz que os vocábulos Espíritas e Espiritismo se tornaram muito conhecidos e estavam sendo freqüentemente empregados, embora muitas pessoas não soubessem o que eles exatamente significavam.
O articulista transcreve, então, diversas referências colhidas junto a um amigo seu, partidário das idéias espíritas, adiante resumidas: I – O Espiritismo é uma ciência ou, melhor dito, uma filosofia espiritualista, que ensina a moral. II – Os médiuns são dotados de uma faculdade natural que os torna aptos a servir de intermediários aos Espíritos e a produzir com eles os fenômenos que passam por milagres ou por prestidigitação aos olhos de quem ignore a sua explicação. III – Os Espíritos não se comunicam com o único objetivo de provar aos vivos a sua existência: eles ditaram e desenvolvem diariamente a filosofia espiritualista. IV – É assim que o Espiritismo demonstra, entre outras coisas, a natureza da alma, seu destino, a causa de nossa existência aqui, e desvenda o mistério da morte e o porquê dos vícios e das virtudes do homem.
V – Esse sistema repousa em provas lógicas e irrefutáveis, que têm como base fatos palpáveis e a mais pura razão.
VI – Em todas as teorias que expõe, ele age como a ciência e não adianta um ponto senão quando o precedente esteja completamente certificado.
VII – O ensinamento moral que prega não é senão a moral cristã, a moral que está escrita no coração de todo ser humano.
VIII – A moral espírita ensina-nos a suportar a desgraça sem a desprezar, a gozar a felicidade sem a ela nos apegarmos, e nos explica que todas as vantagens com que somos favorecidos são outras tantas forças que nos são confiadas e de que deveremos prestar contas. (Págs. 33 a 36.)
25. A 28 de janeiro de 1866, o semanário – que não é especializado em assuntos filosóficos ou religiosos, mas políticos e financeiros – voltou ao assunto para dizer que o artigo precedente havia provocado numerosas perguntas e ilações descabidas, como a que sugeriu tivesse o periódico se transformado em um órgão espírita.
Em face disso, seu editor tornou bem claro que o jornal estava aberto a todas as idéias progressivas, o que é coisa diferente de assumir a paternidade dessa ou daquela doutrina. “Pomos a idéia em evidência em toda a sua verdade. Se for boa, fará o seu caminho e nós lhe teremos aberto a porta; se for má, teremos fornecido o meio de ser julgada com conhecimento de causa”, explicou o editor. (Pág. 37.)
(Continua no próximo número.)

O IMORTAL
JORNAL DE DIVULGAÇÃO ESPÍRITA
Diretor Responsável: Hugo Gonçalves Ano 53 Nº 623 Janeiro de 2006
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