domingo, 27 de março de 2016

EVANGELHO ESSENCIAL 4 - 3- HÁ MUITAS MORADAS NA CASA DE MEU PAI

EVANGELHO ESSENCIAL 4
Eulaide Lins
Luiz Scalzitti

3- HÁ MUITAS MORADAS NA CASA DE MEU PAI

Não se perturbe o teu coração. – Crê em Deus, crê também em mim. Há muitas moradas na casa de meu Pai; se assim não fosse, já eu te teria dito, pois vou para preparar-te o lugar. - Depois que tenha ido e que te houver preparado o lugar, voltarei e te retirarei para mim, a fim de que onde eu estiver, também tu aí estejas. (S. JOÃO, cap. XIV, vv. 1 a 3.)

Diferentes estados da alma no Mundo Espiritual
A casa do Pai é o Universo. As diferentes moradas são os mundos que circulam no espaço infinito e oferecem, aos Espíritos que neles encarnam, moradas correspondentes ao adiantamento dos mesmos Espíritos.
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Essas palavras de Jesus também podem referir-se ao estado feliz ou infeliz do Espírito na erraticidade ou mundo espiritual. Conforme este esteja mais ou menos puro e desprendido dos laços materiais, variarão ao infinito o meio em que ele se encontre, o aspecto das coisas, as sensações que experimente, as percepções que tenha. Enquanto uns não se podem afastar do local onde viveram, outros se elevam e percorrem o espaço e os mundos; enquanto alguns Espíritos culpados vagam nas trevas, os bem-aventurados gozam de resplendente claridade e do espetáculo sublime do Infinito; finalmente, enquanto o mau, atormentado de remorsos e lamentações, muitas vezes isolado, sem consolação, separado dos que constituíam objeto de suas mais caras afeições, padecem sob a opressão dos sofrimentos morais, o justo, em convívio com aqueles a quem ama, usufrui as delícias de uma felicidade indescritível.
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Diferentes categorias de mundos habitados
Muito diferentes umas das outras são as condições dos mundos quanto ao grau de adiantamento ou de inferioridade dos seus habitantes.
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Se não se pode fazer dos diversos mundos uma classificação absoluta, pode-se contudo, em virtude do estado em que se encontram e da destinação que trazem, tomando por base os seus aspectos mais predominantes, dividi-los, de modo geral, conforme segue:
MUNDOS PRIMITIVOS, destinados às primeiras encarnações da alma humana;
MUNDOS DE EXPIAÇÃO E PROVAS, onde predomina o mal;
MUNDOS DE REGENERAÇÃO, nos quais as almas que ainda têm o que expiar buscam novas forças, repousando das fadigas da luta;
MUNDOS FELIZES, onde o bem supera o mal;
MUNDOS CELESTES ou DIVINOS, habitações de Espíritos puros, onde exclusivamente reina o bem.
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Os Espíritos que encarnam em um mundo não se encontram a ele presos indefinidamente, nem nele atravessam todas as fases do progresso que lhes cumpre realizar para atingir a perfeição. Quando, em um mundo, eles alcançam o grau de adiantamento que esse mundo comporta, passam para outro mais adiantado, e assim por diante, até que cheguem ao estado de puros Espíritos.
São outras tantas estações, em cada uma das quais se encontram elementos de progresso apropriados ao adiantamento que já conquistaram.
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Destinação da Terra. - Causas das misérias humanas
 A Terra pertence à categoria dos mundos de expiação e provas, razão por que nela vive o homem ligado a tantas misérias.
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Deve-se considerar que na Terra não está a Humanidade toda, mas apenas uma pequena parte da humanidade, pois a espécie humana abrange todos os seres dotados de razão que povoam os inúmeros planetas do Universo. Assim, que é a população da Terra em face da população total desses mundos? Muito menos que a de um lugarejo em comparação com a de um grande país.
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Consideremos a Terra como um subúrbio, um hospital, uma penitenciaria, um sítio malsão, e ela é simultaneamente tudo isso, e compreender-se-á por que as aflições sobressaem às alegrias, porque não se mandam para o hospital os que se encontram com saúde, nem para as casas de correção os que nenhum mal praticaram; nem os hospitais e as casas de correção se podem ter por lugares agradáveis.
Assim como numa cidade, a população não se encontra toda nos hospitais ou nas prisões, também na Terra não está a Humanidade inteira. E, do mesmo modo que do hospital saem os que se curaram e da prisão os que cumpriram suas penas, o homem deixa a Terra, quando está curado de suas enfermidades morais.

INSTRUÇÕES DOS ESPÍRITOS

Mundos Superiores e Mundos Inferiores
(Resumo do ensinamento de todos os Espíritos Superiores)
A qualificação de mundos inferiores e mundos superiores nada tem de absoluta; é, antes muito relativa, pois um mundo é inferior ou superior em relação aos que estão abaixo ou acima dele, numa escala progressiva.
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Tomada a Terra como ponto de comparação, pode-se fazer ideia do estado de um MUNDO INFERIOR, supondo os seus habitantes na condição das raças selvagens ou das nações bárbaras que ainda entre nós se encontram, restos do estado primitivo do nosso planeta. Nos mais atrasados, são de certo modo rudimentares os seres que os habitam. Revestem a forma humana, mas sem nenhuma beleza. Seus instintos não têm a abrandá-los qualquer sentimento de delicadeza ou de benevolência, nem as noções de justiça e injustiça. A força bruta é a única lei. Carentes de indústrias e de invenções, passam a vida na conquista de alimentos. Deus a nenhuma de suas criaturas abandona; no fundo das suas inteligências encontra-se, adormecida, a vaga intuição, mais ou menos desenvolvida, de um Ser supremo, porque eles não são seres condenados, mas crianças que estão em crescimento.
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Nos MUNDOS SUPERIORES, as condições da vida moral e material são muitíssimo diferentes das da vida na Terra. A forma corpórea neles é sempre a humana, mas embelezada, aperfeiçoada e, sobretudo, purificada. O corpo nada tem da materialidade terrestre e não está sujeito às necessidades, nem às doenças ou deteriorações que a predominância da matéria provoca. Mais apurados, os sentidos são aptos à percepções que neste mundo a grosseira matéria sufoca. A leveza específica do corpo permite locomoção rápida e fácil; em vez de arrastar-se penosamente pelo solo, desliza pela superfície, ou plana na atmosfera, sem qualquer outro esforço além do da vontade.
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Os homens conservam, por sua vontade, os traços de suas existências passadas e se mostram a seus amigos tais quais estes os conheceram, porém, irradiando uma luz divina, transformados pelos sentimentos interiores, que são sempre elevadas. Em lugar de semblantes pálidos, abatidos pelos sofrimentos e paixões, a inteligência e a vida cintilam com o brilho que os pintores hão figurado no nimbo ou auréola dos santos.
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A pouca resistência que a matéria oferece a Espíritos já muito adiantados torna rápido o desenvolvimento dos corpos e curta ou quase nula a infância. Isenta de preocupações e angústias, a vida é proporcionalmente muito mais longa do que na Terra. Em princípio, a longevidade guarda proporção com o grau de adiantamento dos mundos.
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A morte de modo algum acarreta os horrores da decomposição; longe de causar pavor, é considerada uma transformação feliz, pois lá não existe a dúvida sobre o futuro. Durante a vida, a alma, já não tendo a encerrá-la a matéria compacta, expande-se e goza de uma lucidez que a coloca em estado quase permanente de liberdade e lhe permite a livre transmissão do pensamento.
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Nos mundos felizes, as relações, sempre amistosas entre os povos, jamais são perturbadas pela ambição da parte de qualquer deles, de escravizar o seu vizinho, nem pela guerra que daí decorre. Não há senhores, nem escravos, nem privilegiados pelo nascimento; só a superioridade moral e intelectual estabelece diferença entre as condições e dá a supremacia. A autoridade merece o respeito de todos, porque somente pelo mérito é conferida e se exerce sempre com justiça.
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O homem não procura elevar-se acima do homem mas acima de si mesmo, aperfeiçoando-se.
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Seu objetivo é atingir a categoria dos Espíritos puros, não lhe constituindo um sofrimento esse desejo, porém uma ambição nobre, que o faz estudar com dedicação para igualar-se. Todos os sentimentos delicados e elevados da natureza humana apresentam-se engrandecidos e purificados; desconhecem-se os ódios, os mesquinhos ciúmes, as baixas cobiças da inveja; um laço de amor e fraternidade prende uns aos outros todos os homens, ajudando os mais fortes aos mais fracos.
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Possuem bens, em maior ou menor quantidade, conforme os tenham adquirido, mais ou menos por meio da inteligência; ninguém, todavia, sofre, por lhe faltar o necessário, uma vez que ninguém se encontra em expiação. Numa palavra: o mal, nesses mundos, não existe.
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Na Terra precisa-se do mal para apreciar o bem; da noite para admirar a luz; da doença para valorizar a saúde. Nos mundos superiores não há necessidade desses contrastes. A eterna luz, a eterna beleza e serenidade da alma proporcionam uma alegria permanente, livre de ser perturbada pelas angústias da vida material, ou pelo contato dos maus, que lá não têm acesso.
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Isso é o que o espírito humano maior dificuldade encontra para compreender. Ele foi bastante criativo para pintar os sofrimentos do inferno, mas nunca pôde representar as alegrias do céu. Por quê?
Porque sendo inferior só há experimentado dores e misérias, jamais entreviu as claridades celestes, não podendo falar do que não conhece.
À medida que se eleva e purifica, o horizonte se dilata e ele compreende o bem que está diante de si, como compreende o mal que está atrás.
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Os mundos felizes não são orbes privilegiados, visto que Deus não é parcial para qualquer de seus filhos; a todos dá os mesmos direitos e as mesmas facilidades para chegarem a tais mundos. Fez que todos partissem do mesmo ponto e a nenhum fez melhor do que aos outros; a todos são acessíveis as mais altas categorias: apenas lhes cumpre conquistá-las pelo seu trabalho, alcançá-las mais depressa, ou permanecer inativos por séculos de séculos nas camadas baixas da Humanidade.
Mundos de expiações e de provas
Santo Agostinho-Paris, 1862
Nem todos os Espíritos que encarnam na Terra vão para aí em expiação. As raças chamadas selvagens são formadas de Espíritos que apenas saíram da infância e que na Terra se encontram em curso de educação, para se desenvolverem pelo contato com Espíritos mais adiantados. Vem depois às raças semicivilizadas, constituídas pelos Espíritos em via de progresso, são as raças indígenas da Terra, que nela se desenvolveram pouco a pouco em longos períodos seculares, algumas das quais hão podido chegar ao aperfeiçoamento intelectual dos povos mais esclarecidos
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Os Espíritos em expiação são estrangeiros na Terra; já tiveram noutros mundos, de onde foram excluídos em consequência da sua insistência no mal e por haverem se constituído, em tais mundos, causa de perturbação para os bons. Tiveram de ser degradados, por algum tempo, para o meio de Espíritos mais atrasados, com a missão de fazer que estes últimos avançassem, pois que levam consigo inteligências desenvolvidas e o gérmen dos conhecimentos que adquiriram. É por isso que os Espíritos em punição se encontram no seio das raças mais inteligentes. Pois para essas raças é que de maior amargura se revestem os infortúnios da vida. É que há nelas mais sensibilidade, sendo mais atingidas pelas contrariedades e desgostos do que as raças primitivas, cujo senso moral se apresenta mais adormecido.
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A Terra representa um dos tipos de mundos expiatórios, cuja variedade é infinita, mas que possuem como característica comum o de servirem de lugar de exílio para Espíritos rebeldes à lei de Deus. Nela, esses Espíritos tem de lutar, ao mesmo tempo, com a perversidade dos homens e contra os rigores da Natureza, duplo e árduo trabalho que simultaneamente desenvolve as qualidades do coração e da inteligência.
É assim que Deus, em sua bondade, faz que o próprio castigo torne-se proveitoso para o progresso do Espírito .
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Mundos Regeneradores
Santo Agostinho – Paris, 1862
Os mundos regeneradores servem de transição entre os mundos de expiação e os mundos felizes. A alma arrependida encontra neles a calma e o repouso e acaba por purificar-se. Em tais mundos o homem ainda se encontra sujeito às leis que regem a matéria; a Humanidade experimenta as mesmas sensações e desejos do homem terrestre, mas liberta das paixões desordenadas que lhes escraviza, isenta do orgulho que impõe silêncio ao coração, da inveja que a tortura, do ódio que a sufoca. Em todas as frontes, vê-se escrita a palavra amor; perfeita igualdade preside às relações sociais, todos reconhecem Deus e tentam caminhar para Ele, cumprindo-lhe as leis.
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Nesses mundos ainda não existe a felicidade perfeita, mas o início da felicidade. O homem lá é ainda de carne e sujeito às transformações de que libertos só se encontram os seres completamente desmaterializados. Ainda tem de suportar provas, porém, sem as dolorosas angústias da expiação.
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Comparados à Terra, esses mundos são bastante felizes e muitos se alegrariam de habitá-los, pois que eles representam a calma após a tempestade, a convalescença após a doença cruel. Contudo, menos preocupado pelas coisas materiais, o homem divisa melhor do que o homem terrestre o futuro; compreende a existência de outras alegrias prometidas pelo Senhor aos que se mostrarem dignos, quando a morte houver de novo tirado os corpos, a fim de lhes conceder a verdadeira vida. Então, liberta, a alma planará acima de todos os horizontes. Não mais sentidos materiais e grosseiros; somente os sentidos de um perispírito puro e celeste, a aspirar às emanações do próprio Deus, nos aromas de amor e de caridade que do seu seio emanam.
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Nesses mundos, ainda falível é o homem e o Espírito do mal não terá perdido completamente o seu poder. Não avançar é recuar, e, se o homem não se houver firmado bastante na senda do bem, pode recair nos mundos de expiação, onde então, novas e mais terríveis provas o aguardam.
Progressão dos mundos
Santo Agostinho – Paris, 1862
O progresso é lei da Natureza. A essa lei todos os seres da Criação, animados e inanimados, foram submetidos pela bondade de Deus, que quer que tudo se engrandeça e prospere. A própria destruição, que aos homens parece o termo final de todas as coisas, é apenas um meio de se chegar, pela transformação, a um estado mais perfeito, visto que tudo morre para renascer e nada sofre o aniquilamento.
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Ao mesmo tempo que todos os seres vivos progridem moralmente, progridem materialmente os mundos em que eles habitam. Quem pudesse acompanhar um mundo em suas diferentes fases, desde o instante em que se aglomeraram os primeiros átomos destinados a constituí-lo, vê-lo-ia a percorrer uma escala incessantemente progressiva, mas de degraus imperceptíveis para cada geração, e a oferecer aos seus habitantes uma morada cada vez mais agradável, à medida que eles próprios avançam na senda do progresso. Marcham assim, paralelamente, o progresso do homem, o dos animais, seus auxiliares, o dos vegetais e o da habitação, porque nada na Natureza permanece estacionário.
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Segundo a lei do progresso, a Terra esteve material e moralmente num estado inferior ao em que hoje se encontra e atingirá sob esse duplo aspecto a um grau mais elevado. Ela chegou a um dos seus períodos de transformação, em que, de orbe expiatório, mudar-se-á em planeta de regeneração, onde os homens serão felizes, porque nele prevalecerá a lei de Deus.

COMENTÁRIO
HÁ MUITAS MORADAS NA CASA DE MEU PAI
Quando Jesus disse esta frase se referia aos vários estágios sucessivos das encarnações, que conhecia da sua própria experiência evolutiva, até atingir o estágio em que O conhecemos encarnado. Declarando-nos ainda que o Universo era constituído de várias moradas do Pai, vários planetas em que podemos realizar experiências, aprendizagem e evoluir até nosso aperfeiçoamento. Experiências que nos permitem conhecer o lado bom e o lado ruim das coisas, assim como analisarmos se nos portamos bem ou mal em nossas atitudes, além de reparamos nossos cometimentos menos dignos. Para que isso se realize, necessário é que nós nos desprendamos desse sentimento de posse de tudo, de valorizar mais os objetos e coisas materiais. Sentimento esse que nos torna cada vez mais insatisfeitos, insaciáveis, além de angustiados. Precisamos mudar o nosso objetivo de vida, dedicando-nos aos sentimentos mais apurados do amor ao próximo, das atitudes mais serenas e sensatas daquele que sente satisfação de trabalhar o nosso íntimo de forma a sentirmo-nos felizes com as coisas mais simples. Entender que se não nos faz bem também não pode fazer bem ao próximo. Preocuparmo-nos de fato com a vida futura e em tornarmo-nos capazes de adentrar a outras moradas do Pai para estabelecermos a nossa conduta mais aprimorada, pacifica, e moralmente elevada. Ocupar-nos verdadeiramente com a vida futura, no mundo espiritual, real pátria do Espírito, tendo a compreensão que este procedimento tornamo-nos cada vez mais serenos e equilibrados, não nos preocupando mais a morte e o que virá depois.
Fomos criados para sermos felizes, se nos advém qualquer sofrimento, a fonte é o nosso orgulho e a nossa ignorância da infinita misericórdia do Pai que nos desequilibra, bem como nossa atenção maior à materialidade do mundo. Ensinam-nos os Espíritos que todo problema que vivenciamos são importantes para o desenvolvimento da nossa inteligência. Eu concordo e gostaria que todos entendessem, embora muitas vezes sejam indesejáveis e até mesmo evitáveis. Como poderíamos nos tornar um atleta exímio de qualquer atividade esportiva? Eu só conheço um meio: treinando! Portanto, vamos viver saudavelmente (espiritual e fisicamente), vamos treinar infinitamente para que um dia possamos atingir a perfeição. Para começar, sejamos felizes pelo fato de sermos filhos de Deus, e que Ele não nos desampara em nenhum momento, se assim possa nos parecer é o nosso orgulho que nos torna cegos.

Ao reencarnarmos deveríamos já nos preparar para que essa viagem reencarnatória fosse o mais agradável possível sem nos preocuparmos com o que não nos possa interessar nela, sem nos distrairmos tanto do essencial, da mesma maneira que não levamos todos os nossos pertences em uma viagem de final de semana a uma cidade próxima!

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