sábado, 30 de janeiro de 2016

Estudo Evangélico

Livro: “PALAVRAS DE VIDA ETERNA”


Francisco C. Xavier / Emmanuel

Estudo n. 4

AMOR E TEMOR


"O perfeito amor lança fora o temor". (João, 4 : 18)

Muito se fala sobre o amor. Grandes expectativas são criadas em torno desse sentimento que há vinte séculos tanta ênfase foi dada por Jesus e em nome do qual o homem tem se hostilizado, fomentado tragédias, gerado grandes dificuldades e criado a separação entre os indivíduos.

Emmanuel a partir do versículo em estudo nos fala em Perfeito e Imperfeito Amor, identificando-o: evangélico e humano, isto é como o conhecemos na Terra.

Haverá divergências entre o amor humano e o amor instituído no Evangelho?

Se há, quais serão elas?

Léon Denis define o amor humano como "um sentimento, um impulso do ser que o leva para o outro com o desejo de unir-se a ele".

O que contem esse movimento, em direção ao outro, que caracteriza o amor comum, mais conhecido de nós?

Geralmente esse movimento, salvo raras exceções, está ligado a tendências neuróticas que levam a uma redução da sinceridade, aumento do egocentrismo, dos quais resultam freqüentemente emulações variadas do amor. Por isso, esse amor conhecido é uma mistura de sentimentos e impulsos que visam obter satisfações egoístas e doentias.

Assim, rotulam-se por amor:

As expectativas parasitárias de uma pessoa fraca e fútil de explorar o próximo para conseguir vantagens;

A necessidade de conquistar alguém para autoafirmar-se através do triunfo sobre a fraqueza alheia;

A necessidade de viver dentro de outra vida, induzindo prejuízos de natureza variada, que causa satisfação ao seu autor;

Necessidade de ser admirado, aprovado, elogiado;

Necessidade de afeto, atenção;

Dependência emocional que leva a buscar apoio em união com outros de modo a fugir de si próprio e a completar o vazio afetivo;

Utilização do outro para satisfação sexual, etc...

O “amor” estabelecido nessas bases se torna nocivo e perigoso já que os sentimentos e impulsos mórbidos contidos acabam por aflorar quando as necessidades doentias deixam de ser atendidas. Ao acontecer isso esse "amor" revela todo o seu fundo pernicioso e hostil dando a impressão falsa de que o amor se transformou em ódio, quando na realidade o ódio lá estava contido no íntimo. Enquanto as necessidades eram prontamente atendidas camuflava-se. Decididamente esse amor é desastroso gerando males, sofrimentos, comprometendo o homem.

Essa forma de amar não constitui o verdadeiro amor ensinado por Jesus, mas formas da infinita gradação que vai desde as mais simples até as mais sublimes formas de expressar-se.

Amor conjugal, amor materno, amor filial, amor à pátria, à raça, etc..., são refrações do verdadeiro amor, que abrange e penetra todos os seres e desabrocha sob formas variadas que nada mais são do que um meio de acender nos seres as claridades do verdadeiro amor.

O amor, que se reveste de variadas formas, é o princípio da vida universal, pois ele e nele o Pai criou os seres e hauriu a vida para dá-la às almas que concomitantemente a efusão vital, receberam o princípio afetivo destinado a germinar e expandir-se pelos séculos afora até aprender a dar-se, a dedicar-se e sacrificar-se pelos outros espontaneamente, sem nada esperar em troca. É dessa forma que o ser se engrandece, enobrece aproximando-se do Pai, da felicidade imperturbável.

Perfeitamente desenvolvido, o Amor é um sentimento que se manifesta em todas as atitudes do ser e não somente em relação a determinadas pessoas; tem como principal característica o real interesse pelas necessidades do outro, sejam elas quais forem.

A diferença entre o verdadeiro amor e o identificado no texto como amor imperfeito, está em que, no primeiro, o sentimento pelo próximo supera tudo o mais, e no segundo, prepondera as necessidades doentias ou pessoais do ser.

No texto em estudo Emmanuel ratifica estas reflexões dizendo:

“O imperfeito amor, procurando o gozo próprio no concurso dos outros é quase sempre o egoísmo em disfarce (...), buscando a si mesmo nas almas a fim para atormentá-las sob múltiplas formas de temor (...): a exigência e o crime, a crueldade e o desespero, acabando ele próprio no inferno da amargura e frustração.

O verdadeiro amor faz o bem e sacrifica-se sem esperar retribuição porque compreende que o Pai traçou caminhos para a evolução aprimoramento das almas, que a felicidade não é a mesma para todos e que amar significa entender, ajudar, abençoar e sustentar sempre os corações (...), no degrau de luta em que lhes é próprio “

Assim, "para que nossa alma se expanda sem receio através das realizações que o Senhor nos confia é necessário saber amar com abnegação e ternura entre esperança incansável e o serviço incessante do bem". Não devemos ficar aguardando uma oportunidade para praticar o bem ou esperando que alguém reconheça nossas atitudes como boas e amorosas essa postura caracteriza manifestação do amor imperfeito, do egoísmo que leva o indivíduo a ficar em amargura e frustração.

Nossa principal luta consiste na edificação, construção desse verdadeiro amor, conforme ensina Jesus e nos relembra João, o sentimento que leva a respeitar, interessar-se, auxiliar qualquer ser humano, a sentir em todos irmãos, a orientar no sentido da solidariedade e da cooperação.

Um novo mandamento vos dou, disse Jesus: "Que vos amei uns aos outros como eu vos amei". O amor entre os homens como mandamento tem uma conotação essencial: que é o modo como Ele ama e que estabelece o reinado da fraternidade legítima entre os homens onde impulsos e sentimentos egocêntricos, fontes de nossos temores, não permanecem.

Bibliografia.

Carlos Toledo Rizzini. Você e a Renovação Espiritual - O que é o amor? Editora

Cultural Espírita Edicel Ltda. 1 a. Edição.

Léon Denis. O Problema do Ser, do Destino e da Dor. Cap. XXV. O Amor. Federação Espírita Brasileira (FEB). 11 a. Edição.


IRACEMA LINHARES GIORGINI
JAIME GILBERTO ROSA
Outubro / 2001


Centro Espírita Batuira

cebatuira@cebatuira.org.br

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