segunda-feira, 4 de abril de 2016

ESTUDO EVANGÉLICO 40 - LIVRO PALAVRAS DE VIDA ETERNA - TEMA: ENQUANTO PODES

 ESTUDO EVANGÉLICO

Livro: Palavras de Vida Eterna

Francisco Cândido Xavier pelo Espírito Emmanuel

- ESTUDO 40

ENQUANTO PODES

"Tu, porém, por que julgas teu irmão? e tu, por que desprezas o teu? pois todos compareceremos perante o Tribunal de Cristo." - Paulo. (Romanos, 14:10.)

O questionamento apostólico tem como objetivo fazer com que cada um reflita nas próprias condições.
Da mesma forma que outrora, é comum ao homem moderno deter-se destacando as imperfeições alheias. Estamos sempre prontos a apontar, a ressaltar, a divulgar as mazelas, os aspectos ruins de todos e de tudo. "Sempre encontramos motivos para a ofensa, a recriminação, a transferência de culpas, para depreciar a movimentação alheia, para rebaixar o outro".
Destacando este aspecto, não estamos criticando ou desconsiderando a capacidade do ser humano de analisar, perquirir, identificar o erro quando e onde ele exista, uma vez que essa habilidade, desenvolvida ao longo das oportunidades reencarnatórias, não é um mal, pelo contrário, é uma ferramenta e como tal precisa ser bem utilizada para que traga proveito, benefício.
Como pode ser isso?
Toda vez que uso o discernimento e analiso as atitudes do outro, seus desacertos, desequilíbrios e tiro disso experiências para as recomposições pessoais, saio do simples julgar, para os aprendizados em que cresço analisando as repercussões das variadas respostas que o outro colha. Tal atitude representa a ação de Espíritos amadurecidos. Na juventude, não acontece tal ação. Imaturo, a duras penas paga-se o preço da inexperiência que ensinará na dor, a que se aprenda mais tarde analisando a semeadura e a colheita do próximo, lendo ali lições, convites para que o mesmo engano não nos surpreenda em vigilante. Desse modo aplica-se o engano alheio como instrumento de correção pessoal a fim de não estimular a negligência, a conivência com o erro, e não unicamente para ressaltar o lado sombrio e difícil de pessoas e coisas.
Emmanuel reflete que cada um deve perceber-se como criatura que também caminha de mãos dadas com erros e dificuldades pois "almas imaculadas não povoam ainda a Terra"; faz-nos ver a necessidade e urgência do trabalho pessoal em desenvolver qualidades essenciais à convivência em sociedade, à própria paz e ao progresso geral. Quais são essas qualidades? A indulgência, o entendimento, a paciência e a bondade para com todos "que se enganaram sob a neblina do erro, para que te não faltem a paciência e a bondade (...) a que te arrimarás no dia em que a sombra te ameace o campo das horas." Dentro desse programa educativo, mesmo percebendo os enganos nos quais o outro se detém e usando-os para crescimento pessoal o grande desafio (segundo Ermance Dufaux) consiste em "estarmos afetivamente focados no "lado" bom, nas qualidades, nos instantes bem sucedidos de alguém, conquanto tenhamos (...) possibilidades de perceber-lhe as imperfeições e mazela. Continua dizendo que "Compreender, estimular, perdoar, reconhecer valores alheios, dividir responsabilidades, apoiar, ser afetuoso (...) é muito mais trabalhoso". Conquanto seja trabalhoso é preciso investir nas qualidades necessárias ao progresso e elevação, que em síntese representarão a libertação de cada um.
Jesus é o padrão. Onde O vemos em destaque ao mal?
Conclui Emmanuel: 
"Auxilia, enquanto podes.
Ampara, quanto possas.
Socorre, quanto possível.
Alivia, quanto puderes.
Procure o bem, seja onde for.
E, sobretudo, desculpa sempre, porque ninguém fugirá ao exato julgamento na Eterna Lei."

Bibliografia:
* Oliveira, Wanderley S. "Laços de Afeto: Caminhos do Amor na Convivência". Ditado pelo Espírito Ermance Dufaux. 3a ed. Belo Horizonte - MG - Editora INEDE. 2002.
* Xavier, Francisco Cândido. "Palavras de Vida Eterna: Enquanto Podes". Ditado pelo Espírito Emmanuel. 17a ed. Uberaba - MG - CEC. 1992.


Iracema Linhares Giorgini 
Outubro / 2004

 ROMANOS 14
10 Mas tu, por que julgas teu irmão? Ou tu, também, por que desprezas teu irmão? Pois todos havemos de comparecer ante o tribunal de Deus

CENTRO ESPÍRITA BATUÍRA
cebatuira@cebatuira.org.br  



Ribeirão Preto - SP

ESTUDO 56 O LIVRO DOS MÉDIUNS - SEGUNDA PARTE DAS MANIFESTAÇÕES ESPIRITAS – CAPITULO XIV - Médiuns sensitivos ou impressionáveis e médiuns audientes - Item 166

O LIVRO DOS MÉDIUNS

(Guia dos Médiuns e dos Doutrinadores)

por
ALLAN KARDEC

Contém o ensino especial dos Espíritos sobre a teoria de todos os gêneros de manifestações, os meios de comunicação com o Mundo Invisível, o desenvolvimento da mediunidade, as dificuldades e os escolhos que se podem encontrar na prática do Espiritismo.

SEGUNDA PARTE

DAS MANIFESTAÇÕES ESPIRITAS

CAPITULO XIV

OS MÉDIUNS
Médiuns falantes
Estudo 56- Item 166

Recordando, são chamados médiuns os que possuem uma sensibilidade acentuada e que servem de intermediários entre os mundos espiritual e material.
Médiuns falantes: os que falam sob a influência dos Espíritos.
São muito comuns.
Os médiuns audientes, que apenas transmitem o que ouvem, não são, propriamente, médiuns falantes. Estes, na maioria das vezes, nada ouvem. Ao servir-se deles, os Espíritos atuam sobre os órgãos vocais, como atuam sobre a mão dos médiuns escreventes. 
Querendo comunicar-se, o Espírito se serve do órgão que se lhe depara mais flexível no médium. De um empresta a mão, de outro, as cordas vocais e de um terceiro os ouvidos. O médium falante, geralmente, se exprime sem ter consciência do que diz e muitas vezes diz coisas completamente estranhas às suas idéias habituais, fora dos seus conhecimentos e mesmo do alcance de sua inteligência.
Embora se ache perfeitamente acordado e em estado normal, raramente guarda lembrança do que diz. Em suma, nele, a voz do médium é um instrumento de que se serve o Espírito e com o qual outra pessoa pode conversar com este, como o faz no caso do médium audiente.
Nem sempre, porém, é completa a passividade do médium falante. Alguns há que têm a intuição do que dizem, no momento mesmo em que pronunciam as palavras.
Para identificar o grau de consciência do médium pode-se considerar, por exemplo, dois aspectos: o grau de percepção real do que acontece e a respectiva lembrança. 
* Graus de Consciência
Consciente ou intuitivo.
— Médium tem consciência do que será dito antes de falar e, após o transe, se recorda da comunicação.
Semi-consciente ou semi-mecânico.
— Médium tem consciência do que será dito durante a fala e, após a comunicação, se recorda de parte da mesma.
Inconsciente ou Mecânico.
— Médium não tem consciência do que ocorre durante a comunicação, a após o transe, raramente se recorda de algo que disse ou fez.
A palavra é o meio do qual o Espírito se serve para que uma terceira pessoa possa se comunicar em processo idêntico a qualquer outro. É importante não confundir a mediunidade de fala com a psicofonia ou mediunidade de incorporação, em que há interpenetração psíquica.

Bibliografia:
KARDEC, Allan - O Livro dos Médiuns: 2.ed. São Paulo: FEESP, 1989 - Cap XIV - 2ª Parte
ZIMMERMANN, Zalmino - Perispírito: ed. Campinas/SP: CEAK, 2000 - Cap XL - Perispírito e Mediunidade

Tereza Cristina D'Alessandro
Abril / 2006

Centro Espírita Batuira



Ribeirão Preto - SP 

domingo, 3 de abril de 2016

EVANGELHO ESSENCIAL 6a - 5 - BEM-AVENTURADOS OS AFLITOS

EVANGELHO ESSENCIAL 6a
Eulaide Lins
Luiz Scalzitti

5 - BEM-AVENTURADOS OS AFLITOS

Bem-aventurados os que choram, pois serão consolados. - Bem-aventurados os famintos e os sequiosos de justiça, pois serão saciados. - Bem-aventurados os que sofrem perseguição pela justiça, pois é deles o reino dos céus. (S. MATEUS, cap. V, vv. 5, 6 e 10.)
Bem-aventurados vocês que são pobres, porque seu é o Reino dos Céus. - Bem-aventurados vocês, que agora tem fome, porque serão saciados. - Felizes são, vocês que agora choram, porque rirão. (S. LUCAS, cap. VI, vv. 20 e 21.)
Mas, infelizes de vocês, ricos que tem no mundo a sua consolação. - Infelizes de vocês que estão saciados, porque terão fome. – Infelizes de vocês que agora riem, porque serão constrangidos a gemer e a chorar. (S. LUCAS, cap. VI, vv. 24 e 25.)

Justiça das aflições
Somente na vida futura pode realizar-se as compensações que Jesus promete aos aflitos da Terra. Sem a certeza do futuro, estes ensinamentos morais seriam um contra-senso, uma enganação. Mesmo com essa certeza, dificilmente se compreende a utilidade de sofrer para ser feliz. Diz-se que é para se ter maior mérito. Pergunta-se então: por que sofrem uns mais do que outros?
* * *
Por que nascem uns na miséria e outros na fartura, sem coisa alguma haverem feito que justifique essas posições? Por que uns nada conseguem, ao passo que a outros tudo parece sorrir? O que ainda menos se compreende é que os bens e os males sejam tão desigualmente distribuídos entre o vício e a virtude; e que os homens virtuosos sofram, ao lado dos maus que prosperam.
* * *
A fé no futuro pode consolar e proporcionar paciência, mas não explica essas desigualdades, que parecem desmentir a justiça de Deus.
Entretanto, desde que se admite a existência de Deus, não O podemos conceber sem o infinito das perfeições. Ele tem todo o poder, toda a justiça, toda a bondade, sem o que não seria Deus. Se é soberanamente bom e justo, não pode agir por capricho, nem com parcialidade.
* * *
As contrariedades da vida derivam de uma causa e sendo Deus justo, justa igualmente há de ser essa causa.
* * *
Por meio dos ensinos de Jesus, Deus pôs os homens na direção dessa causa, e hoje, considerando-os suficientemente maduros para compreendê-la, lhes revela completamente a referida causa, por meio do
Espiritismo, através da palavra dos Espíritos.
* * *
Causas atuais das aflições
De duas espécies são as adversidades da vida: Umas têm sua causa na vida presente; outras, fora desta vida.
* * *
Indo até a origem dos males terrestres, reconhecer-se-á que muitos são consequência natural do caráter e da conduta dos que os suportam.
* * *
Quantos homens caem por sua própria culpa! Quantos são vítimas de sua imprevidência, de seu orgulho e de sua ambição! Quantos se arruínam por falta de ordem, de perseverança, pelo mau proceder, ou por não terem sabido limitar seus desejos! Quantas uniões infelizes, porque resultaram de um cálculo de interesse ou de vaidade e nas quais o coração não tomou parte alguma! Quantas divergências e desastrosas disputas se teriam evitado com um pouco de moderação e menos melindres!
Quantas doenças e enfermidades decorrem da imprudência e dos excessos de todo gênero!
* * *
Quantos pais são infelizes com seus filhos porque não lhes combateram desde pequeninos as más tendências! Por fraqueza, ou indiferença, deixaram que neles se desenvolvessem os germens do orgulho, do egoísmo e da tola vaidade, que produzem a secura do coração; depois, mais tarde, quando colhem o que semearam, admiram-se e se afligem da falta de respeito com que são tratados e da ingratidão deles.
* * *
Interroguem friamente suas consciências todos os que são feridos no coração pelas contrariedades e decepções da vida; remontem passo a passo à origem dos males que os torturam e verifiquem se, na maioria das vezes, não poderão dizer: Se eu houvesse feito, ou deixado de fazer tal coisa, não estaria em semelhante condição.
* * *
A quem há de o homem responsabilizar por todas essas aflições, senão a si mesmo? O homem em grande número de casos, é o autor de sua própria desgraça; mas, em vez de reconhecê-lo, acha mais simples, menos humilhante para a sua vaidade acusar a sorte, a Providência, a falta de oportunidade, a má estrela, ao passo que a má estrela é apenas a sua falta de cuidados.
* * *
Os males dessa natureza constituem um número considerável na contagem das contrariedades da vida. O homem as evitará quando trabalhar por se melhorar moralmente, tanto quanto intelectualmente.
* * *
A lei humana atinge certas faltas e as pune. Pode o condenado reconhecer que sofre a consequência do que fez. Mas a lei não alcança, nem pode alcançar todas as faltas; incide especialmente sobre as que trazem prejuízo à sociedade e não sobre as que só prejudicam os que as cometem.
* * *
Deus quer que todas as suas criaturas progridam e, não deixa impune qualquer desvio do caminho reto, Não há falta alguma, por mais leve que seja, nenhuma infração da sua lei, que não tenha forçosas e inevitáveis consequências, mais ou menos desagradáveis.
* * *
Daí se segue que, nas pequenas coisas, como nas grandes, o homem é sempre punido por aquilo em que errou. Os sofrimentos que decorrem de seus erros são uma advertência de que procedeu mal. Dão-lhe experiência, fazem-lhe sentir a diferença existente entre o bem e o mal e a necessidade de se melhorar para evitar no futuro o que lhe originou uma fonte de amarguras; sem o que, motivo não haveria para corrigir-se.
* * *
Entretanto, a experiência, algumas vezes, chega um pouco tarde: quando a vida já foi desperdiçada e perturbada; quando as forças já estão gastas e sem remédio o mal, então o homem se surpreende a dizer: "Se no começo dos meus dias eu soubesse o que sei hoje, quantos passos em falso teria evitado! Se houvesse de recomeçar, conduzir-me-ia de outra maneira. No entanto, já não há mais tempo!" Como o trabalhador preguiçoso diz: "Perdi o meu dia", "Perdi a minha vida".
Contudo, assim como para o trabalhador o Sol nasce no dia seguinte, permitindo-lhe reparar o tempo perdido, também para o homem, após a noite do túmulo, brilhará o Sol de uma nova vida, em que será possível aproveitar a experiência do passado e suas boas resoluções para o futuro.

* * *

Dicas Para Estudar O Evangelho 6 - Quadro comparativo dos evangelhos sinóticos

Dicas Para Estudar O Evangelho 6
SEMU - Sociedade Espírita Mãos Unidas - Ivan Renê Franzolim

 Quadro comparativo dos evangelhos sinóticos

Lucas Prefácio e dedicatória

Lucas Prelúdio História da infância
Mateus História da infância


Lucas Pregação de Batista – Batismo - Tentação de Jesus
Mateus Pregação de Batista – Batismo - Tentação de Jesus
Marcos Prelúdio João Batista – Batismo - Tentação de Jesus


Lucas Primeira Parte Ministério de Jesus na Galileia
Mateus Primeira Parte Ministério de Jesus na Galileia
Marcos Primeira Parte Ministério de Jesus na Galileia


Lucas Segunda Parte Viagem da Galileia para Jerusalém
Mateus Segunda Parte Pregação ambulante Viagem da Galileia para Jerusalém
Marcos Segunda Parte Ministério de Jesus sobretudo fora da Galileia


Lucas Terceira Parte Últimos dias de Jesus em Jerusalém - Crucificação
Mateus Terceira Parte Últimos dias de Jesus em Jerusalém - Crucificação
Marcos Terceira Parte   Última Ceia – Crucificação - Ressurreição


Lucas História da ressurreição
Mateus História da ressurreição
Marcos Apêndice (Conclusão de Marcos)

O Evangelho Segundo Mateus contém cerca de 600 versículos (56%) semelhantes aos encontrados no Evangelho de Marcos. O Evangelho Segundo
Lucas apresenta cerca de 380 versículos (33%) parecidos com os versículos do Evangelho Segundo Marcos.
Este último tem apenas 31 versículos (5%) sem paralelo em Mateus ou Lucas.
Em Mateus existem aproximadamente 300 versículos (28%) sem paralelo e em Lucas há cerca de 500 (43%).


Os "milagres" de Jesus sob a ótica espírita
O espiritismo adota o conceito da ciência quanto aos fenômenos denominados de milagres, entendendo que eles, simplesmente não existem! A ciência parte da premissa que a natureza obedece a leis naturais; sua função é descobrir essas leis e agir sobre as causas, para fazer que o mesmo fenômeno se reproduza quando for desejado. Quando um determinado fenômeno não se explica com as leis já conhecidas, a ciência segue dois caminhos: considera que houve algum tipo de artifício/mal-entendido ou que é preciso estudar e pesquisar mais sobre o assunto. Em relação as ocorrências contidas nos evangelhos, a ciência tem preferido seguir apenas pelo primeiro caminho.
A ciência espírita, embora também se baseie na existência de leis naturais, difere da ciência oficial, por acreditar que elas atuam sobre a parte espiritual da criação, refletindo na matéria. Difere ainda, de modo fundamental, quando aceita a existência e o uso de um sentido novo conhecido por mediunidade, além dos cinco conhecidos, para aplicar os métodos experimentais necessários ao exame e estudo científico dos fatos.
Para o espiritismo, sendo perfeito Criador - perfeitas são suas leis e naturais os fenômenos da vida. É difícil para nós - os humanos, imaginarmos um sistema perfeito que atenda a todas as necessidades sem apresentar qualquer desvantagem e ainda possa acompanhar a transformação do mundo, trazendo só benefícios e assegurando um bom destino a toda a criação, variando apenas a dimensão temporal.
Paradoxalmente à perfeição absoluta que entendemos o Criador, acabamos pensando que há erros, injustiças, esquecimentos. Acabamos imaginando que precisamos alertar e pedir constantemente a interferência divina em nosso dia-a-dia.
Acabamos concluindo que Deus atende aos desejos de uma minoria privilegiada, curando uns, oferecendo uma sobrevida a outros, mas deixando multidões submetidas aos mais diferentes tipos de sofrimento. O espiritismo veio explicar, ou melhor, dar as primeiras explicações sobre a lei de ação e reação que faz repercutir em cada um os seus próprios atos e pensamentos, a lei de cooperação, a lei de sintonia, a lei de progresso, a lei de justiça e outras tantas que apesar de derrubarem nossa crença nos milagres, faz engrandecer ainda mais nossa compreensão de Deus, aumentando nossa confiança, trazendo explicações e consolo em nossos problemas, dando forças para enfrentar as dificuldades, motivando e oferecendo subsídios para a nossa transformação interior rumo à felicidade plena.
Historicamente, o homem sempre necessitou do amparo da dor ou do fenômeno surpreendente, para acreditar em Deus, em si mesmo e nas forças naturais do universo que escapam ao exame dos sentidos comuns. Por isso os milagres tem tido um papel relevante na transformação moral do homem. Todavia, na medida em que os ser cresce e se desenvolve, deixa para trás o período natural de infância e passa a não precisar dos mesmos estímulos para sentir, crer e entender. A doutrina espírita atinge primeiro os seres que almejam mais conhecimentos e anseiam pela depuração de seus sentimentos.
Acima de toda a nova compreensão que hoje temos, os milagres ainda nos encantam, particularmente aqueles ocorridos pela influência do mestre Jesus. É fascinante ler e estudar esses fenômenos, procurando descobrir suas causas, as leis que os regem, sabendo que eles estão disponíveis para todos nós, aguardando nossa capacitação. É fascinante acompanhar o desenrolar dos milagres e procurar desvendar a beleza contida na intenção e nos sentimentos que originam cada um, próprios de um ser evolutivamente muito acima de nós.

Precisamos ver o que cada fato extraordinário está tentando nos dizer. Como eles foram produzidos tem uma importância secundária, face ao que eles podem significar e ensinar sobre a natureza espiritual do homem.

sábado, 2 de abril de 2016

ESTUDO EVANGÉLICO 39 - LIVRO PALAVRAS DE VIDA ETERNA - TEMA: "No auxílio a todos"

ESTUDO EVANGÉLICO

Livro: Palavras de Vida Eterna

Francisco Cândido Xavier pelo Espírito Emmanuel

- ESTUDO 39


  
 "No auxílio a todos"

"Pelos reis e por todos os que estão em eminência, para que tenhamos uma vida justa e sossegada em toda a piedade e honestidade”
Paulo (I Timóteo, 2:2)
É comum, vermos boa parte de pessoas preocupar-se, segundo seu entendimento, com os que considera menos afortunados, menos felizes. Oram a Deus, pedindo por eles e procuram mobilizar recursos para ajudar de alguma forma objetivando que a sua situação possa melhorar. 
Nas catástrofes, vemos o sentimento de solidariedade abrindo-se, até mesmo com povos de outras nações. O êxito das campanhas para arrecadar recursos que são enviados, confirmam que não temos dificuldade em apiedarmo-nos dos que estão em desespero ou vitimados por flagelos.
É uma preocupação legítima, mas, essas não são as únicas pessoas que precisam das nossas orações, do nosso apoio moral ou material. Equivocadamente, achamos que aqueles que estão em posição de destaque, não precisam que nos preocupemos com eles, pois, devem ter uma vida sem problemas. 
O Apóstolo Paulo, na 1a. carta que escreveu a Timóteo, em suas recomendações lembra o auxílio espiritual que devemos a todos que ocupam cargos de autoridade, de comando, seja dirigindo, orientando, esclarecendo e instruindo.
São Espíritos que reencarnam com a difícil tarefa do poder, da riqueza, da administração, que carregam tentações e provas de toda espécie e que quase sempre desconhecemos.
Essas pessoas são formadoras de opinião e nem sempre sob formas desejáveis influenciam coletividades negativamente, quando não se compenetram dos deveres que lhe são próprios, quando não têm noção da extensão da sua responsabilidade sobre pessoas ou povos.
Esses companheiros, que deveriam com a sua atuação levar o progresso material e moral para as populações, criam calamidades morais e moléstias coletivas de longa duração, que atrasam a evolução.
O estudo, portanto, desperta-nos para que nas nossas preces e vibrações lembremo-nos de dirigentes, responsáveis em pequena ou grande escala, por percebermos que temos para com esses companheiros responsabilidades, não ao que se refere aos seus atos em si, mas, em relação à sustentação espiritual que podemos e devemos oferecer a eles, pois, não desconhecemos o poder do pensamento, das vibrações que emitimos.
"Não nos esqueçamos, pois, da oração pelos que dirigem, auxiliando-os com a benção da simpatia e da compaixão, não só para que se desincumbam zelosamente dos compromissos que lhes selam a rota, mas, também, para que vivamos com o sadio exemplo deles, na verdadeira caridade uns para com os outros, sob a inspiração da honestidade, que é base de segurança em nosso caminho".

Maria Aparecida Ferreira Lovo
Setembro / 2004

I TIMÓTEO 2
2 pelos reis, e por todos os que exercem autoridade, para que tenhamos uma vida tranqüila e sossegada, em toda a piedade e honestidade.

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sexta-feira, 1 de abril de 2016

A Fé Ativa construindo uma Nova Era 13 - Os Milagres do Evangelho

A Fé Ativa construindo uma Nova Era 13
Módulo/Eixo Temático: A Fé Ativa

 Os Milagres do Evangelho 
(Allan Kardec, in “A Gênese” – cap. XV)

Curas

Tempestade aplacada
45. - Certo dia, tendo tomado uma barca com seus discípulos, disse-lhes ele: Passemos à outra margem do lago.
Partiram então. Durante a travessia, ele adormeceu. - Então, um grande turbilhão de vento se abateu de súbito sobre o lago, de sorte que, enchendo-se d’água a barca, eles se viam em perigo. Aproximaram-se, pois, dele e o despertaram, dizendo-lhe: Mestre, perecemos. Jesus, levantando-se, falou, ameaçador, aos ventos e às ondas agitadas e uns e outras se aplacaram, sobrevindo grande calma. Ele então lhes disse: Onde esta a vossa fé? Eles, porém, cheios de temor e admiração, perguntavam uns aos outros: Quem é este que assim dá ordens ao vento e às ondas, e eles lhe obedecem? (São Lucas, cap. VIII, vv. 22 a 25.)
46. - Ainda não conhecemos bastante os segredos da Natureza para dizer se há ou não inteligências ocultas presidindo à ação dos elementos. Na hipótese de haver, o fenômeno em questão poderia ter resultado de um ato de autoridade sobre essas inteligências e provaria um poder que a nenhum homem é dado exercer.
Como quer que seja, o fato de estar Jesus a dormir tranquilamente, durante a tempestade, atesta de sua parte uma segurança que se pode explicar pela circunstância de que seu Espírito via não haver perigo nenhum e que a tempestade ia amainar.
Bodas de Caná
47. - Este milagre, referido unicamente no Evangelho de S. João, é apresentado como o primeiro que Jesus operou e nessas condições, devera ter sido um dos mais notados. Entretanto, bem fraca impressão parece haver produzido, pois que nenhum outro evangelista dele trata. Fato não extraordinário era para deixar espantados, no mais alto grau, os convivas e, sobretudo, o dono da casa, os quais, todavia, parece que não o perceberam.
Considerado em si mesmo, pouca importância tem o fato, em comparação com os que, verdadeiramente, atestam as qualidades espirituais de Jesus. Admitido que as coisas hajam ocorrido, conforme foram narradas, e de notar-se seja esse, de tal gênero, o único fenômeno que se tenha produzido. Jesus era de natureza extremamente elevada, para se ater a efeitos puramente materiais, próprios apenas a aguçar a curiosidade da multidão que, então, o teria nivelado a um mágico. Ele sabia que as coisas úteis lhe conquistariam mais simpatias e lhe granjeariam mais adeptos, do que as que facilmente passariam por fruto de grande habilidade e destreza (nº 27).
Se bem que, a rigor, o fato se possa explicar, até certo ponto, por uma ação fluídica que houvesse, como o magnetismo oferece muitos exemplos, mudado as propriedades da água, dando-lhe o sabor do vinho, pouco provável é se tenha verificado semelhante hipótese, dado que, em tal caso, a água, tendo do vinho unicamente o sabor, houvera conservado a sua coloração, o que não deixaria de ser notado. Mais racional é se reconheça aí unia daquelas parábolas tão frequentes nos ensinos de Jesus, como a do filho pródigo, a do festim de bodas, do mau rico, da figueira que secou e tantas outras que, todavia, se apresentam com caráter de fatos ocorridos. Provavelmente, durante o repasto, terá ele aludido ao vinho e à água, tirando de ambos um ensinamento. Justificam esta opinião as palavras que a respeito lhe dirige o mordomo: « Toda gente serve em primeiro lugar o vinho bom e, depois que todos o têm bebido muito, serve o menos fino; tu, porém, guardas até agora o bom vinho. »
Entre duas hipóteses, deve-se preferir a mais racional e os espíritas não são tão crédulos que por toda parte vejam manifestações, nem tão absolutos em suas opiniões, que pretendam explicar tudo por meio dos fluidos.
Multiplicação dos pães
48. - A multiplicação dos pães é um dos milagres que mais têm intrigado os comentadores e alimentado, ao mesmo tempo, as zombarias dos incrédulos. Sem se darem ao trabalho de lhe perscrutar o sentido alegórico, para estes últimos ele não passa de um conto pueril. Entretanto, a maioria das pessoas sérias há visto na narrativa desse fato, embora sob forma diferente da ordinária, uma parábola, em que se compara o alimento espiritual da alma ao alimento do corpo.
Pode-se, todavia, perceber nela mais do que uma simples figura e admitir, de certo ponto de vista, a realidade de um fato material, sem que, para isso, seja preciso se recorra ao prodígio. É sabido que uma grande preocupação de espírito, bem como a atenção fortemente presa a uma coisa fazem esquecer a fome. Ora, os que acompanhavam a Jesus eram criaturas ávidas de ouvi-lo; nada há, pois, de espantar em que, fascinadas pela sua palavra e também, talvez, pela poderosa ação magnética que ele exercia sobre os que o cercavam, elas não tenham experimentado a necessidade material de comer.
Prevendo esse resultado, Jesus nenhuma dificuldade teve para tranquilizar os discípulos, dizendo-lhes, na linguagem figurada que lhe era habitual e admitido que realmente houvessem trazido alguns pães, que estes bastariam para matar a fome à multidão. Simultaneamente, ministrava aos referidos discípulos um ensinamento, com o lhes dizer:
« Dai-lhes vós mesmos de comer. » Ensinava-lhes assim que também eles podiam alimentar por meio da palavra.
Desse modo, a par do sentido moral alegórico, produziu-se um efeito fisiológico, natural e muito conhecido. O prodígio, no caso, está no ascendente da palavra de Jesus, poderosa bastante para cativar a atenção de uma multidão imensa, ao ponto de fazê-la esquecer-se de comer. Esse poder moral comprova a superioridade de Jesus, muito mais do que o fato puramente material da multiplicação dos pães, que tem de ser considerada como alegoria.
Esta explicação, aliás, o próprio Jesus a confirmou nas duas passagens seguintes.
O fermento dos fariseus
49. - Ora, tendo seus discípulos passado para o outro lado do mar, esqueceram- se de levar pães. - Jesus lhes disse: Tende o cuidado de precatar-vos do fermento dos fariseus e dos saduceus. - Eles, porém, pensavam e diziam entre si: É porque não trouxemos pães.
Jesus, conhecendo-lhes os pensamentos, disse: Homens de pouca fé, por que haveis de estar cogitando de não terdes trazido pães? Ainda não compreendeis e não vos lembrais quantos cestos levastes? - Como não compreendereis que não é do pão que eu vos falava, quando disse que vos guardásseis do fermento dos fariseus e saduceus?
Eles então compreenderam que ele não lhes dissera que se preservassem do fermento que se põe no pão, mas da doutrina dos fariseus e dos saduceus. (S. Mateus, cap. XVI, vv. 5 a 12.)
O pão do céu
50. - No dia seguinte, o povo, que permanecera do outro lado do mar, notou que lá não chegara outra barca e que Jesus não entrara na que seus discípulos tomaram, que os discípulos haviam partido sós - e como tinham chegado depois outras barcas de Tiberíades, perto do lugar onde o Senhor, após render graças, os alimentara com cinco pães; - e como verificassem por fim que Jesus não estava lá, tampouco seus discípulos, entraram naquelas barcas e foram para Cafarnaum, em busca de Jesus. - E, tendo-o encontrado além do mar, disseram-lhe: Mestre, quando vieste para cá?
Jesus lhes respondeu: Em verdade, em verdade vos digo que me procurais, não por causa dos milagres que vistes, mas por que eu vos dei pão a comer e ficastes saciados. -Trabalhai por ter, não o alimento que perece, mas o que dura para a vida eterna e que o Filho do Homem vos dará, porque foi nele que Deus, o Pai, imprimiu seu selo e seu caráter.
Perguntaram-lhe eles: Que devemos fazer para produzir obras de Deus? - Respondeu-lhes Jesus: A obra de Deus é que creiais no que ele enviou. Perguntaram-lhe então: Que milagre operarás que nos faça crer, vendo-o? Que farás de extraordinário? - Nossos pais comeram o maná no deserto, conforme está escrito: Ele lhes deu de comer o pão do céu.
Jesus lhes respondeu: Em verdade, em verdade vos digo que Moisés não vos deu o pão do céu; meu Pai é quem dá o verdadeiro pão do céu, - porquanto o pão de Deus é aquele que desceu do céu e que dá vida ao mundo.
Disseram eles então: Senhor, dá-nos sempre desse pão.
Jesus lhes respondeu: Eu sou o pão da vida; aquele que vem a mim não terá fome e aquele que em mim crê não terá sede. - Mas, eu já vos disse: vós me tendes visto e não credes.
Em verdade, em verdade vos digo: aquele que crê em mim tem a vida eterna. - Eu sou o pão da vida. – Vossos pais comeram o maná do deserto e morreram. - Aqui está o pão que desceu do céu, a fim de que quem dele comer não morra. (S. João, cap. VI, vv. 22-36 e 47-50.)
51. - Na primeira passagem, lembrando o fato precedentemente operado, Jesus dá claramente a entender que não se tratara de pães materiais, pois, a não ser assim, careceria de objeto a comparação por ele estabelecida com o fermento dos fariseus: « Ainda não compreendeis, diz ele, e não vos recordais de que cinco pães bastaram para cinco mil pessoas e que dois pães foram bastantes para quatro mil? Como não compreendestes que não era de pão que eu vos falava, quando vos dizia que vos preservásseis do fermento dos fariseus? » Esse confronto nenhuma razão de ser teria, na hipótese de uma multiplicação material. O fato fora de si mesmo muito extraordinário para ter impressionado fortemente a imaginação dos discípulos, que, entretanto, pareciam não mais lembrar-se dele.
É também o que não menos claramente ressalta, do que Jesus expendeu sobre o pão do céu, empenhado em fazer que seus ouvintes compreendessem o verdadeiro sentido do alimento espiritual. « Trabalhai, diz ele, não por conseguir o alimento que perece, mas pelo que se conserva para a vida eterna e que o Filho do Homem vos dará. » Esse alimento é a sua palavra, pão que desceu do céu e dá vida ao mundo. «Eu sou, declara ele, o pão da vida; aquele que vem a mim não terá fome e aquele que em mim crê nunca terá sede. »
Tais distinções, porém, eram por demais sutis para aquelas naturezas rudes, que somente compreendiam as coisas tangíveis. Para eles, o maná, que alimentara o corpo de seus antepassados, era o verdadeiro pão do céu; aí é que estava o milagre. Se, portanto, houvesse ocorrido materialmente o fato da multiplicação dos pães, como teria ele impressionado tão fracamente aqueles mesmos homens, a cujo benefício essa multiplicação se operara poucos dias antes, ao ponto de perguntarem a Jesus: « Que milagre farás para que, vendo-o, te creiamos? Que farás de extraordinário? » Eles entendiam por milagres os prodígios que os fariseus pediam, isto é, sinais que aparecessem no céu por ordem de Jesus, como pela varinha de um mágico. Ora, o que Jesus fazia era extremamente simples e não se afastava das leis da Natureza; as próprias curas não revelavam caráter muito singular, nem muito extraordinário. Para eles, os milagres espirituais não apresentavam grande vulto.
Tentação de Jesus
52. - Jesus, transportado pelo diabo ao pináculo do Templo, depois ao cume de uma montanha e por ele tentado, constitui uma daquelas parábolas que lhe eram familiares e que a credulidade pública transformou em fatos materiais 9.
A explicação que se segue é reprodução textual do ensino que a esse respeito de um Espírito.
53. - «Jesus não foi arrebatado. Ele apenas quis fazer que os homens compreendessem que a Humanidade se acha sujeita a falir e que deve estar sempre em guarda contra as más inspirações a que, pela sua natureza fraca, é impelida a ceder. A tentação de Jesus é, pois, uma figura e fora preciso ser cego para tomá-la ao pé da letra. Como pretenderíeis que o Messias, o Verbo de Deus encarnado, tenha estado submetido, por algum tempo, embora muito curto fosse este, às sugestões do demônio e que, como o diz o Evangelho de Lucas, o demônio o houvesse deixado por algum tempo, o que daria a supor que o Cristo continuou submetido ao poder daquela entidade? Não; compreendei melhor os ensinos que vos foram dados. O Espírito do mal nada poderia sobre a essência do bem. Ninguém diz ter visto Jesus no cume da montanha, nem no pináculo do Templo. Certamente, tal fato teria sido de natureza a se espalhar por todos os povos. A tentação, portanto, não constituiu um ato material e físico. Quanto ao ato moral, admitiríeis que o Espírito das trevas pudesse dizer àquele que conhecia sua própria origem e o seu poder: « Adora-me, que te darei todos os remos da Terra? » Desconheceria então o demônio aquele a quem fazia tais oferecimentos? Não é provável. Ora, se o conhecia, suas propostas eram uma insensatez, pois ele não ignorava que seria repelido por aquele que viera destruir-lhe o império sobre os homens.
« Compreendei, portanto, o sentido dessa parábola, que outra coisa aí não tendes, do mesmo modo que nos casos do Filho Pródigo e do Bom Samaritano. Aquela mostra os perigos que correm os homens, se não resistem à voz íntima que lhes clama sem cessar: «Podes ser mais do que és; podes possuir mais do que possuis; podes engrandecer-te, adquirir muito; cede à voz da ambição e todos os teus desejos serão satisfeitos. » Ela vos mostra o perigo e o meio de o evitardes, dizendo às más inspirações: Retira-te, Satanás ou, por outras palavras: Vai-te, tentação!
« As duas outras parábolas que lembrei mostram o que ainda pode esperar aquele que, por muito fraco para expulsar o demônio, lhe sucumbiu às tentações. Mostram a misericórdia do pai de família, pousando a mão sobre a fronte do filho arrependido e concedendo-lhe, com amor, o perdão implorado. Mostram o culpado, o cismático, o homem repelido por seus irmãos, valendo mais, aos olhos do Juiz Supremo, do que os que o desprezam, por praticar ele as virtudes que a lei de amor ensina.

« Pesai bem os ensinamentos que os Evangelhos contêm; sabei distinguir o que ali está em sentido próprio, ou em sentido figurado, e os erros que vos hão cegado durante tanto tempo se apagarão pouco a pouco, cedendo lugar à brilhante luz da Verdade. » - João Evangelista, Bordéus, 1862.

ESTUDO 5 - O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO - INTRODUÇÃO lV: SÓCRATES, PLATÃO, PRECURSORES DA DOUTRINA CRISTÃ E DO ESPIRITISMO

EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO – V

POR ALLAN KARDEC

INTRODUÇÃO lV: SÓCRATES, PLATÃO, PRECURSORES DA DOUTRINA CRISTÃ E DO ESPIRITISMO

Estamos estudando a introdução de Kardec a este livro. Vimos os itens I: Objetivo da obra e o II: Autoridade da doutrina espírita. Deveríamos iniciar o estudo do item III: Notícias históricas, no qual Kardec explica o significado de determinadas palavras que aparecem nos textos evangélicos: samaritanos, nazarenos, publicanos, peageiros, fariseus, escribas, sinagoga, saduceus, essênios e terapeutas.
Considerando, porém, que este estudo é feito para um site, decidimos fazer aquelas explicações quando os termos surgirem no texto a ser estudado ou relacionados com ele.
Deste modo, iniciamos o item IV, com a explicação do termo essênios, citado por Kardec no texto.
Trata-se de uma seita judaica, existente, segundo Flávio Josefo (Jerusalém, 37D.C.- Roma,100) em sua obra História dos Hebreus, desde o ano 150 A C.
A palavra essênios vem de hassidim = piedosos, que derivou para essenói em grego e esseni em latim.
Os essênios possuíam seus próprios livros sagrados e comunidades em vários pontos da Palestina, sempre longe das cidades, onde se dedicavam, principalmente, à agricultura. Usavam roupas brancas, rejeitavam o sacrifício de animais, acreditavam na ressurreição e na imortalidade da alma, com castigos e recompensas futuras. Confiavam na providência de Deus. Eram celibatários, mas cuidavam das crianças que lhes eram dadas para instruírem e educá-las na virtude.
Moravam em edifícios semelhantes a mosteiros; viviam em estreita união, usufruindo seus bens em comum, numa vida virtuosa, austera e metódica.
Flávio Josefo escreveu que a virtude dos essênios “é tão admirável que supera de muito a dos gregos e os de outras nações, porque eles fazem disso todo o seu empenho e preocupação, e a ela se aplicam continuamente." Destaca também o hábito do silêncio nas comunidades essênicas;” Jamais se ouve barulho em suas casas; nunca se vê a menor perturbação, cada qual fala por sua vez e sua posição e seu silêncio causam respeito aos estrangeiros. Tão grande moderação é efeito de sua contínua sobriedade; não comem, nem bebem mais do que é necessário para o sustento da vida." Obra citada acima vol. 5 e 7, respectivamente.
Os essênios tinham um modo de vida semelhante ao dos primeiros cristãos e seus princípios morais "fizeram algumas pessoas suporem que Jesus fizera parte dessa seita, antes do início de sua missão pública. O que é certo, é que Ele devia conhecê-la, mas nada prova que lhe fosse filiado, e tudo quanto se tem escrito a respeito é hipotético" ( Allan Kardec).
Na atualidade, os essênios têm sido citados por causa dos Manuscritos do Mar Morto, encontrados em onze cavernas entre l947 e l956, na região de Qumran, costa noroeste do Mar Morto.
Entrando agora no estudo do item IV, Kardec inicia dizendo que a suposição de que Jesus conhecia a seita dos essênios, não revela que Ele aprendera com os mesmos os ensinos que ensinou e exemplificou.
Sendo Jesus o Espírito mais perfeito que viveu na Terra e considerando que já era perfeito quando a Terra ainda não existia, não podemos aceitar alguém ensinando algo a Ele.
Kardec escreve dizendo que todas as grandes idéias novas que têm por base a verdade nunca surgem de repente. Vão aparecendo devagar, através de precursores, que vão preparando o terreno, aqui e ali, até que alguém vem com a missão de resumir, coordenar e completar os ensinos esparsos.
Assim, as idéias cristãs não sugiram todas com Jesus. Houve precursores, dos quais Kardec destaca como os maiores Sócrates e Platão.
Faz então, uma comparação entre alguns fatos das vidas de Sócrates e Jesus.
Ambos nada escreveram. Ensinaram através das palavras e dos exemplos. Seus ensinos chegaram até nós através dos seus discípulos.
Ambos foram considerados criminosos pela justiça dos poderosos da época, condenados à morte, por haverem combatido os preconceitos religiosos, por ensinarem verdades que poucos na época poderiam compreender.
Jesus foi acusado de corromper o povo com seus ensinos, Sócrates por corromper a juventude, ao proclamar a unicidade de Deus, a imortalidade da alma e a existência da vida futura.
Ressalta Kardec que essa comparação em nada diminui a grandeza da missão divina de Jesus e que se trata de fatos históricos que não podem ficar escondidos. " O homem atingiu um ponto em que a luz sai por si mesma debaixo do alqueire e o encontra maduro para a enfrentar. Tanto pior para os que temem abrir os olhos. É chegado o tempo de encarar as coisas do alto e com amplitude, e não mais do ponto de vista mesquinho e estreito dos interesses de seitas e de castas ".
Propõe-se Kardec a provar que “se Sócrates e Platão pressentiram as idéias cristãs, encontram-se, igualmente, na sua doutrina os princípios fundamentais do espiritismo.
Antes, porém, vamos transcrever algo sobre Sócrates e Platão.
O primeiro nasceu em Atenas em 470 ou 469 A C. no início da fase áurea da democracia ateniense e, filho de um escultor, Sofronisco e de uma parteira Fenareta. Beneficiou-se da atmosfera cultural da época, das mais brilhantes da cultura grega. Era o famoso “século de Péricles”.
 "Atenas é, no tempo de Sócrates, um ponto de convergência cultural e um laboratório de experiências políticas, onde se firmara, pela primeira vez na história dos povos, a tentativa de um governo democrático, exercido diretamente por todos os que usufruíam dos direitos de cidadania."
Na preparação do indivíduo para a vida pública, importantíssimo era ensiná-lo ao uso correto e hábil da palavra na arte da persuasão.
Sócrates acreditava ter uma missão, devido à declaração do oráculo de Delfos a seu amigo Querefonte, de que ele (Sócrates) era o mais sábio dos homens, que ele entendera que se assim era, seria por ele saber que nada sabia. Considerando então, que "essa consciência da ignorância sobre coisas era sinal e começo da autoconsciência, pôs-se a ensinar aos jovens a pensar por si, partindo do conhecimento de si mesmo dizia Sócrates ser orientado por seu daimon (demônio), provavelmente seu Espírito Guia e Protetor.
Seu método de ensino era conversar com alguém que poderia tornar-se seu discípulo, e através das questões propostas, levá-lo a formular suas próprias idéias. Assim, o interlocutor-discípulo era conduzido a ser ele mesmo e não aceitar o que sua consciência repelia. Sócrates procurava auxiliar as pessoas na concepção de idéias próprias, conseguindo assim, conhecer-se a si próprio, como prescrevia a inscrição do templo de Delfos e de fazer de si próprio o ponto de partida.
Condenado, por perverter a juventude, a beber cicuta, desencarnou em 399 A C. PLATÃO nasceu em Atenas em 428 A C. e morreu em 348 A C.. Viveu entre a fase áurea da democracia ateniense e o final do período helênico.
Foi discípulo de Sócrates, ao qual considerava " o mais sábio e o mais justo dos homens". Com ele aprendeu a necessidade de fundamentar qualquer atividade em conceitos claros e seguros.
No próximo estudo iniciaremos o estudo de Kardec: Resumo da Doutrina de Sócrates e Platão.
Escreveu muitas obras, iniciando seus primeiros “Diálogos" geralmente chamados " diálogos socráticos" porque o principal personagem era Sócrates. Em "Apologia de Sócrates" reproduz a defesa feita pelo mesmo, diante da Assembléia que o julgou e o condenou. Em outros Diálogos também fez defesa de Sócrates, mostrando que não era ímpio, nem pervertia os jovens.
 Em 387 A C. Platão funda em Atenas a Academia, sua escola de investigação científica e filosófica, importantíssima para a história do pensamento ocidental Platão foi assim, o primeiro dirigente de uma instituição permanente, voltada para pesquisa.
Dentre suas muitas obras, lembramos República, onde apresenta uma organização da cidade ideal, com o objetivo de que todos seus habitantes fossem felizes.
No platonismo, a construção do conhecimento “é uma conjugação de intelecto e emoção, de razão e vontade: a ciência é fruto de inteligência e de amor."
Alguns dados sobre os essênios estão no livro A Grande Espera do Espírito Eurípedes Barsanulfo, médium Corina Novelino; os dados sobre Sócrates e Platão foram tirados dos volumes Sócrates e Platão da coleção Os Pensadores da Editora Nova Cultural de São Paulo.
No próximo mês iniciaremos o estudo do Resumo da Doutrina de Sócrates e Platão, escrito por Allan Kardec, em prosseguimento ao estudo de O Evangelho Segundo o Espiritismo.
Leda de Almeida Rezende Ebner
Abril/2002

Centro Espírita Batuira
cebatuira@cebatuira.org.br
Ribeirão Preto (SP)