terça-feira, 29 de março de 2016

ESTUDO #4 O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO INTRODUÇÃO

EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO – IV
POR ALLAN KARDEC

INTRODUÇÃO: AUTORIDADE DA DOUTRINA ESPÍRITA
CONTROLE UNIVERSAL DO ENSINO DOS ESPÍRITOS

Kardec inicia dizendo que se a doutrina espírita fosse obra de um só homem, ela teria as luzes de um só homem, portanto seria falha. Se, por outro lado, os Espíritos a houvessem revelado a um só homem, que garantia se teria de sua autenticidade?
Da forma como os Espíritos se manifestaram, em todas as partes do mundo, utilizando-se de muitos e muitos médiuns, independente da nacionalidade, da crença religiosa, do grau de instrução, da classe social deixou claro que esses ensinos vieram de um plano mais elevado, não sendo, portanto, obra de homens.
E Kardec escreve: “Era necessário que assim fosse, para que ele pudesse conclamar todos os homens à fraternidade, pois se não se colocasse em terreno neutro, teria mantido as dissenções, em lugar de apaziguá-las "
Destaca-se assim o caráter da universalidade dos ensinos do espiritismo, fortalecendo-o e sendo a causa de sua rápida propagação, pois foram milhares de vozes fazendo-se ouvir, simultaneamente, proclamando os mesmos princípios, tanto aos mais sábios quanto aos mais ignorantes.
A força, a autoridade do espiritismo está pois, nessa universalidade de seus ensinos, que lhe é também causa de sua rápida propagação e a garantia contra cismas que poderiam suscitar, por causa da ambição de alguns ou pelas contradições de certos Espíritos.
O fato desses ensinos terem sido revelados por muitos e muitos Espíritos, em toda parte, por muitos e muitos médiuns, fortalece a veracidade deles e demonstram a qualidade espiritual da equipe organizadora desta revelação.
É garantia espiritual contra divergências, que poderiam e podem provocar divisões, porque qualquer explicação ou interpretação nova de algum ponto doutrinário, vinda de um autor espiritual ou encarnado, ainda que seja de nomes respeitáveis, só será aceita se houver a concordância de outros Espíritos de ordem elevada, através de outros médiuns.
E Kardec escreve sobre as características dos Espíritos, que são as mesmas dos encarnados, pois são as almas que já viveram na Terra. Eles também estão longe de conhecer, individualmente, toda a verdade; seu saber é limitado, proporcional ao seu grau evolutivo; há entre eles os presunçosos, os pseudo-sábios, ambiciosos e embusteiros.
Daí que " para tudo o que está fora do ensino exclusivamente moral, as revelações que alguém possa obter são de caráter individual, sem autenticidade, e devem ser consideradas como opiniões deste ou daquele Espírito, sendo imprudência aceitá-las e propagá-las, levianamente, como verdades absolutas."
Mas como distinguir a verdade da impostura? Como saber se o que tal Espírito diz é verdadeiro ou falso?
Kardec apresenta dois controles. O primeiro é o da razão, que deve estar sempre analisando tudo o que vem dos Espíritos. Tudo aquilo que contradiz com o bom-senso, com uma lógica rigorosa e com os dados que se possui," por mais respeitável que seja o nome que a assina deve ser rejeitada". O segundo, evitando interpretações pessoais, Kardec aconselha a necessidade de conversação, do aconselhamento entre os espíritas, observando sempre a opinião da maioria, no tocante às revelações dos Espíritos.
A concordância pois, nesses ensinos é o seu controle, mas ainda assim é necessário que esse controle aconteça em certas condições ou seja, que as revelações sejam feitas, espontaneamente, sem evocações e indagações, através de um grande número de médiuns, estranhos uns aos outros, em diversos lugares.
Assim fez Kardec. Recebeu milhares de comunicações, vindas de muitos países, de mil centros espíritas e, usando o crivo da razão, percebendo a concordância entre eles e com a assistência dos Espíritos Superiores codificou a doutrina sublime que nos esclarece o porto no qual vamos chegar, indica o caminho a ser percorrido, como percorrê-lo no conhecimento das leis divinas.
"Esse controle universal é uma garantia para a unidade futura do espiritismo e anulará todas as teorias contraditórias. É nele que no futuro, se procurará o critério da verdade."
Graças a Deus e a esse critério, tão bem enunciado por Kardec é que o espiritismo continua sem alteração em nada do que ele escreveu.
Transforma- se sim, a interpretação, o entendimento, cada vez maior em quem se propõe a estudá-lo com perseverança e dedicação, procurando interpretar as situações, os acontecimentos da vida segundo esses ensinos. Percebe-se então, a veracidade, a sublimidade, a racionalidade dos mesmos e, o entendimento se amplia em profundidade e em extensão.
"O que determinou o sucesso da doutrina formulada em O Livro de Espíritos e em O Livro dos Médiuns foi que por toda parte, cada qual pode receber, diretamente dos Espíritos a confirmação do que eles afirmavam. “...”Assim acontecerá com todas as idéias emanadas dos Espíritos ou dos homens que puderem suportar a prova desse controle cujo poder ninguém pode contestar."
Alerta Kardec sobre a necessidade de prudência nas publicações de instruções dadas pelos Espíritos sobre pontos da doutrina não esclarecidos, e no caso de publicações, que elas devam ser publicadas como opiniões individuais, mais ou menos prováveis, mas tendo necessidade de confirmação.
Há hoje, publicações sobre temas não explícitos na doutrina que podemos classificar seus autores, espirituais ou encarnados, em dois tipos: 1) autores que os apresentam, com seus argumentos, como hipóteses prováveis; 2) autores que apresentam suas opiniões como verdades. Nessa observação já se pode definir o sério do leviano. Cabe pois, ao leitor e ao estudioso da doutrina analisar, usando os critérios que Kardec usou. Ele continua sendo o modelo de quem quer conhecer o espiritismo. Sua metodologia continua sendo válida para todos que aspiram conhecê-la e viver de acordo com seus princípios.
Em O Livro dos Médiuns, capítulo XX item 230, o Espírito Erasto nos alerta: "É preferível rejeitar dez verdades do que aceitar uma mentira.".
Esclarece ainda Kardec, nessa apresentação, que os Espíritos Superiores sempre agem com extrema prudência, abordando as grandes questões de maneira gradual," à medida que a inteligência se torna apta a compreender as verdades de uma ordem mais elevada e que as circunstâncias são próprias para a emissão de uma idéia nova."
Assim pois, a universalidade dos ensinos dos Espíritos é o preventivo e o remédio contra alterações, distorções, opiniões individuais que possam prejudicar a pureza doutrinária ou ocasionar cismas ou dissensões.

Leda de Almeida Rezende Ebner
Setembro / 2001

Centro Espírita Batuira
cebatuira@cebatuira.org.br
Ribeirão Preto (SP)


O CENTRO ESPÍRITA BATUIRA esclarece que permanece divulgando os estudos elaborados pela Sra Leda de Almeida Rezende Ebner após o seu desencarne, com a devida AUTORIZAÇÃO da família e por ter recebido a DOAÇÃO DE DIREITOS AUTORIAIS, conforme registros em livros de Atas das reuniões de diretoria deste Centro.

ESTUDO EVANGÉLICO 38 - LIVRO PALAVRAS DE VIDA ETERNA - SALVAR-SE

ESTUDO EVANGÉLICO


Livro: Palavras de Vida Eterna

Francisco Cândido Xavier pelo Espírito Emmanuel

- ESTUDO 38




  

SALVAR-SE

"Palavra fiel é esta e digna de toda a aceitação: que Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores...¨ - Paulo. (I Timóteo, 1:15.)
Esta epístola a Timóteo foi escrita na Macedônia; é a primeira das chamadas Pastorais - duas a Timóteo e uma a Tito - porque se destinam a pastores de almas. Nela o apóstolo orienta Timóteo sobre suas obrigações.
Falando da própria conversão e da eficácia do Evangelho em sua vida, lembra do objetivo da vinda de Jesus ao Planeta: "Palavra fiel é esta e digna de toda a aceitação: que Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores... ¨ - Paulo. (I Timóteo, 1:15.)
A afirmativa apostólica merece cuidadosa ponderação uma vez que, a inferioridade humana, de modo geral, só interpreta a palavra “salvação” por benefício, por vantagem imediata.
Assim como no versículo em estudo, outros trechos do Velho e do Novo Testamento afirmam que Jesus veio ao mundo a fim de imolar-se pelos nossos pecados.
* Porque as iniqüidades deles levará sobre si. (Isaias, 53:11)
* Cristo morreu por nossos pecados, segundo as escrituras. (I Cor. 15:3)
* O qual se deu a si mesmo por nossos pecados para nos livrar do presente século mau. (Gálatas, 1:4)
* Havendo feito por si mesmo a purificação dos nossos pecados. (Hebreus, 1:3)
* Assim também Cristo oferecendo-se uma vez para tirar o pecado de muitos (Hebreus, 9:28
* Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo. (João, 1:29)
A interpretação apressada e superficial dessas assertivas tem conduzido a muitos equívocos, o que levou P. A. Godoy refletir que: “Caso tivesse Jesus sido investido da prerrogativa de salvar os homens de seus pecados, duas situações teriam ocorrido: a humanidade teria ficado livre de todos os males, uma vez que a maior parte deles é herança do pecado e as religiões não poderiam falar mais em pecado original, uma vez que o Cristo teria removido dos ombros dos homens esse tremendo fardo (...)”.
Corroborando com esses raciocínios, Hermínio C. Miranda questiona, referindo-se em especial aos textos do apóstolo Paulo, que se assim fosse porque ele insiste na prática das boas obras, no procedimento correto, na caridade, no amor ao próximo? “Se Cristo nos salvou para sempre com sua dor, nada disso faz sentido e o que seria simplesmente inaceitável, primeiro porque o inocente não é destinado a assumir a responsabilidade pela falta alheia, lavando-lhe a mancha do erro. Onde ficaria o preceito de que a cada um (é dado) segundo suas obras? Que mérito ou necessidade teriam as obras ou a fé se estivéssemos já resgatado pelo sofrimento do Cristo? E que sentido teria o próprio pecado, como falta pessoal, se alguém acaba resgatando-o por nós? ¨.
Pondera Emmanuel que “após a passagem do Mestre no mundo, a fisionomia íntima dos homens, (...) era a mesma do tempo que lhe antecedera (...)”:
* Os romanos mantinham-se na conquista do poder;
* Os judeus permaneciam algemados a racismo infeliz;
* Os egípcios desciam à decadência;
* Os gregos demoravam-se sorridentes e impassíveis, em sua filosofia recamada de dúvidas e prazeres;
* Os senhores continuavam senhores, os escravos prosseguiam escravos...
“Todavia o espírito humano sofrera profundas alterações”.
As palavras e os exemplos do Mestre “acordavam para a verdadeira fraternidade, e a redenção, (...) começava a clarear os obscuros caminhos da Terra, renovando o semblante moral dos povos...”
“Jesus Cristo não veio como Salvador”, para tomar sobre si os pecados da Humanidade. Ele veio na condição de Redentor da Humanidade. Veio ensinar o caminho da libertação espiritual, pelo conhecimento da verdade, no esforço pessoal de melhoria íntima, na vivência dos preceitos evangélicos.
Isto não se realiza de forma miraculosa mas gradativamente no curso eterno da vida, ou seja, “Deus nos concede todos os recursos para realizarmos em nós o trabalho da redenção espiritual que acabou ficando com o rótulo inadequado de salvação; não, porém, realizando-a por nós e sim conosco. Possibilidades e potencialidades são colocadas a nossa disposição, mas o trabalho é pessoal, intransferível”.
Jesus trouxe-nos a Verdade, ensinamentos que cabe a cada um dinamizar, “fazer a sua parte, entrar na posse dessa verdade, dessa luz que ilumina a mente, consolida o caráter e aperfeiçoa os sentimentos”. Cada um há que agir, lutar, realizar, sem o que a redenção não acontece. “Ninguém tem poder para salvar pecadores de forma indiscriminada”. Estes devem resgatar suas infrações às leis divinas através do conhecimento da verdade, da iluminação íntima, vivendo os ensinamentos evangélicos.
Eis porque Emmanuel, no texto em estudo, usa o termo salvar-se reconhecendo que “salvar não significa arrebatar os filhos de Deus à lama da Terra para que fulgure, de imediato, entre os anjos do Céu”.
Salvar-se é educar-se. Não é o batismo, a filiação a qualquer escola religiosa, a observância de rituais e práticas exteriores que redimem o Espírito mas, “o trabalho, longo e porfiado, de auto-educação” nas vidas físicas e fora delas.
“A sentença de Jesus: a cada um será dado segundo suas obras, (...), reflete a extensão do amor que Deus dispensa a todos (...), anulando qualquer idéia de que um Espírito possa elevar-se aos paramos sublimados da Espiritualidade, por caminhos dúbios, sem o esforço em favor do aprimoramento próprio”.

Bibliografia:
Xavier, Francisco Cândido. "Palavras de Vida Eterna: Salvar-se". Ditado pelo Espírito Emmanuel. 17a ed. Uberaba - MG - CEC. 1992.
Godoy, Paulo Alves. "Casos Controvertidos do Evangelho: Redenção ou Salvação - Pela Graça ou Pelas Obras?” SP - FEESP. 1993.
Godoy, Paulo Alves. "Crônicas Evangélicas: Salvador ou Redentor?". 3a ed. São Paulo - SP - FEESP. 1990.
Miranda, Hermínio Correa. “Cristianismo: A Mensagem Esquecida: Salvação”. Matão - SP - Casa Editora O Clarim. 1988.

Iracema Linhares Giorgini
Agosto / 2005


Citações bíblicas

I TIMÓTEO 1
15 Fiel é esta palavra e digna de toda a aceitação; que Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais sou eu o principal;

ISAÍAS 53
11 Ele verá o fruto do trabalho da sua alma, e ficará satisfeito; com o seu conhecimento o meu servo justo justificará a muitos, e as iniqüidades deles levará sobre si.

I Corintios
3 Porque primeiramente vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras;

GÁLATAS 1
4 o qual se deu a si mesmo por nossos pecados, para nos livrar do presente século mau, segundo a vontade de nosso Deus e Pai,

3 sendo ele o resplendor da sua glória e a expressa imagem do seu Ser, e sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, havendo ele mesmo feito a purificação dos pecados, assentou-se à direita da Majestade nas alturas,

HEBREUS 9
28 assim também Cristo, oferecendo-se uma só vez para levar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o esperam para salvação.

JOÃO 1
29 No dia seguinte João viu a Jesus, que vinha para ele, e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.


CENTRO ESPÍRITA BATUÍRA
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estudo #53 O LIVRO DOS MÉDIUNS - ITENS 160 E 161

O LIVRO DOS MÉDIUNS

(Guia dos Médiuns e dos Doutrinadores)
por

ALLAN KARDEC

Contém o ensino especial dos Espíritos sobre a teoria de todos os gêneros de manifestações, os meios de comunicação com o Mundo Invisível, o desenvolvimento da mediunidade, as dificuldades e os escolhos que se podem encontrar na prática do Espiritismo.

SEGUNDA PARTE

DAS MANIFESTAÇÕES ESPIRITAS
CAPITULO XIV

OS MÉDIUNS

Médiuns de efeitos físicos

Estudo 53 - Itens 160 e 161

Os médiuns de efeitos físicos são particularmente aptos a produzir fenômenos materiais, como os movimentos dos corpos inertes, ou ruídos, etc. Podem ser divididos em:
* médiuns facultativos ou voluntários: que têm consciência dos fenômenos que produzem. 
* médiuns involuntários: ou naturais, que não possuem consciência de suas faculdades e são usados pelos Espíritos para promoverem manifestações sem que o saibam.
Quando o Espírito está encarnado, a substância do perispírito se acha mais ou menos ligada, mais ou menos aderente, se assim se pode exprimir. Em algumas pessoas se verifica, por efeito de suas organizações, uma espécie de emanação desse fluido e é isso, propriamente falando, o que constitui o médium de efeitos físicos. A emissão do fluido animalizado pode ser mais ou menos abundante, como mais ou menos fácil a sua combinação, donde os médiuns mais ou menos poderosos. Essa emissão, porém, não é permanente, o que explica a intermitência do poder mediúnico.
Os médiuns de efeitos físicos são dotados de faculdade capaz de produzir efeitos materiais ostensivos. Seus trabalhos têm a finalidade de chamar a atenção da incredulidade humana para a existência dos Espíritos e do mundo invisível. Produzem fenômenos materiais, tais como:
* movimento de corpos inertes,
* ruídos, " voz direta,
* curas fenomênicas,
* transportes etc.
Convidamos os leitores a acessarem os estudos referentes ao Capítulo V de O Livro dos Médiuns, nos meses de dezembro/03 à abril/04, quando estudamos as manifestações de efeitos físicos e, também é claro, a buscarem na citada obra de Allan Kardec.
Os médiuns facultativos ou voluntários são os que têm consciência do seu poder e que produzem fenômenos espíritas por ato da própria vontade. Conquanto inerente à espécie humana, conforme já se disse, semelhante faculdade longe está de existir em todos no mesmo grau. Porém, se poucas pessoas há em quem ela seja absolutamente nula, mais raras ainda são as capazes de produzir os grandes efeitos, tais como, a suspensão de corpos pesados, a translação aérea e, sobretudo, as aparições. Os efeitos mais simples são a rotação de um objeto, pancadas produzidas mediante o levantamento desse objeto, ou na sua própria substância. Sem se dar importância capital a esses fenômenos, recomenda-se, contudo, que não sejam desprezados. Podem proporcionar interessantes observações e contribuir para a convicção dos que os observem. Cumpre, entretanto, ponderar que a faculdade de produzir efeitos materiais raramente existe nos que dispõem de mais perfeitos meios de comunicação, quais a escrita e a palavra. Em geral, a faculdade diminui num sentido à proporção que se desenvolve em outro.
Importante ressaltar que, apesar do médium facultativo possuir a consciência e vontade para produzir o fenômeno, ele nada pode se os Espíritos se recusam a fazê-lo.
Os médiuns involuntários ou naturais são aqueles cuja influência se exerce a seu mau grado. Nenhuma consciência têm do poder que possuem e, muitas vezes, o que de anormal se passa em torno deles não se lhes afigura de modo algum extraordinário. Isso faz parte deles, exatamente como se dá com as pessoas que, sem o suspeitarem, são dotadas de dupla vista. São muito dignos de observação esses indivíduos e ninguém deve descuidar-se de recolher e estudar os fatos deste gênero que lhe cheguem ao conhecimento. Manifestam-se em todas as idades e, freqüentemente, em crianças ainda muito novas. 
Tal faculdade não constitui, em si mesma, indício de um estado patológico, porquanto não é incompatível com uma saúde perfeita. Se sofre aquele que a possui, esse sofrimento é devido a uma causa estranha, donde se segue que os meios terapêuticos são impotentes para fazê-la desaparecer. Nalguns casos, pode ser conseqüente de uma certa fraqueza orgânica, porém, nunca é causa eficiente. Não seria, pois, razoável inquietar-se com ela do ponto de vista da saúde. Só poderia acarretar inconveniente, se aquele que a possui abusasse dela, depois de se tornar médium facultativo, pois então, poderia haver emissão abundante de fluido vital e, por conseguinte, enfraquecimento dos órgãos.
E concluindo nossos estudos dos itens indicados, transcrevemos nota do Prof. Herculano Pires, tradutor da edição que utilizamos: "Os Espíritos não dão aos fenômenos físicos a mesma importância que lhe atribuímos. Interessam-se mais pelas manifestações inteligentes, destinadas aa transmissão de mensagens ou à conversação esclarecedora. Veja-se o caso de Francisco Cândido Xavier, dotado de excelentes faculdades de efeitos físicos mas aplicando-se, por instrução de seus guias, especialmente à psicografia. Os fenômenos impressionam e servem, muitas vezes, para despertar o interesse pela Doutrina, mas o que realmente interessa é esta, com suas consequências morais e espirituais(...).
 BIBLIOGRAFIA
 KARDEC, Allan - O Livro dos Médiuns: 2.ed. São Paulo: FEESP, 1989 - Cap XIV - 2ª Parte

Tereza Cristina D'Alessandro
Janeiro / 2006

Centro Espírita Batuira
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segunda-feira, 28 de março de 2016

EVANGELHO ESSENCIAL 5 - 4 NINGUÉM PODERÁBVVER O REINO DE DEUS SE NÃO NASCER DE NOVO

EVANGELHO ESSENCIAL 5
Eulaide Lins
Luiz Scalzitti

4- NINGUÉM PODERÁ VER O REINO DE DEUS SE NÃO NASCER DE NOVO
Entre os fariseus, havia um homem chamado Nicodemos, senador dos judeus, que veio à noite encontrar Jesus e lhe disse: "Mestre, sabemos que vieste da parte de Deus para nos instruir como um doutor, porque ninguém poderia fazer os milagres que fazes, se Deus não estivesse com ele." Jesus lhe respondeu: "Em verdade, em verdade, digo-te: Ninguém pode ver o reino de Deus se não nascer de novo."
Disse-lhe Nicodemos: "Como pode nascer um homem já velho?
Pode tornar a entrar no ventre de sua mãe, para nascer segunda vez?” Retorquiu-lhe Jesus: "Em verdade, em verdade, digo-te: Se um homem não renasce da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus. - O que é nascido da carne é carne e o que é nascido do Espírito é Espírito. - Não te admires de que eu te haja dito ser preciso que nasças de novo. - O Espírito sopra onde quer e ouves a sua voz, mas não sabes donde vem ele, nem para onde vai; o mesmo se dá com todo homem que é nascido do Espírito."
Respondeu-lhe Nicodemos: "Como pode isso fazer-se?" - Jesus lhe observou: "Pois quê! és mestre em Israel e ignoras estas coisas?
Digo-te que não dizemos senão o que sabemos e que não damos testemunho, senão do que temos visto. Entretanto, não aceitas o nosso testemunho. - Mas, se não me credes, quando te falo das coisas da Terra, como me creres, quando te fale das coisas do céu?"
(S. JOÃO, cap. III, vv. 1 a 12.)

Ressurreição e reencarnação
A reencarnação fazia parte dos dogmas dos judeus, sob o nome de ressurreição. As ideias dos judeus sobre esse assunto, como muitos outros, não eram claramente definidas, porque apenas tinham vagas e incompletas noções acerca da alma e da sua ligação com o corpo.
Acreditavam que um homem que vivera podia reviver, sem saberem precisamente de que maneira o fato poderia dar-se. Designavam pelo termo ressurreição o que o Espiritismo mais apropriadamente chama reencarnação.
* * *
A ressurreição dá ideia de voltar à vida o corpo que já está morto, o que a Ciência demonstra ser materialmente impossível, sobretudo quando os elementos desse corpo já se encontram desde muito tempo dispersos e absorvidos. A reencarnação é a volta da alma ou Espírito à vida corpórea, mas em outro corpo especialmente formado para ele e que nada tem de comum com o antigo.
* * *
Para se compreender o verdadeiro sentido das palavras, é necessário também se observe na significação da palavra água. Muito imperfeitos eram os conhecimentos dos antigos, eles acreditavam que a Terra saíra das águas e, por isso, consideravam a água como elemento gerador absoluto. Assim é que na Gênese se lê: "O Espírito de Deus era levado sobre as águas; flutuava sobre as águas; - Que o firmamento seja feito no meio das águas; - Que as águas que estão debaixo do céu se reúnam em um só lugar e que apareça o elemento árido... Segundo essa crença, a água se tornara o símbolo da natureza material, como o Espírito era o da natureza inteligente. Então as palavras: "Se o homem não renasce da água e do Espírito, ou em água e em Espírito" significam : "Se o homem não renasce com seu corpo e sua alma."
* * *
Nestas palavras: O que é nascido da carne é carne e o que é nascido do Espírito é Espírito. Jesus estabelece aí uma distinção positiva entre o Espírito e o corpo. O que é nascido da carne é carne indica claramente que só o corpo procede do corpo e que o Espírito independe deste.
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O Espírito sopra onde quer; ouves-lhe a voz, mas não sabes nem donde ele vem, nem para onde vai: pode-se entender que se trata do Espírito de Deus, que dá vida quem ele quer, ou da alma do homem. Nesta última acepção - “não sabes donde ele vem, nem para onde vai - significa que ninguém sabe o que foi, nem o que será o Espírito. Se o Espírito, ou alma, fosse criado ao mesmo tempo que o corpo, saber-se-ia donde ele veio, pois que lhe conheceria o começo. Esta passagem consagra o princípio da preexistência da alma e, por conseguinte, o da pluralidade das existências.
* * *
Não há dúvidas de que, sob o nome de ressurreição, o princípio da reencarnação fosse uma das crenças fundamentais dos judeus, e que Jesus e os profetas a confirmaram de modo formal; daí que negar a reencarnação é negar as palavras do Cristo. Um dia, suas palavras, quando forem meditadas sem ideias preconcebidas, reconhecer-se-ão autorizadas quanto a esse ponto, bem como em relação a muitos outros.
* * *
Quando se trata de remontar dos efeitos às causas, a reencarnação surge como uma necessidade absoluta, como condição inerente à Humanidade; como lei da Natureza. Pelos seus resultados, ela se evidencia, de modo, por assim dizer, material. Só ela pode dizer ao homem donde ele vem, para onde vai, por que está na Terra, e justificar todas as desigualdades e todas as aparentes injustiças que a vida apresenta. Sem o princípio da preexistência da alma e da pluralidade das existências, são ininteligíveis, em sua maioria, as máximas do Evangelho, razão por que hão dado lugar a tão contraditórias interpretações.
* * *
A reencarnação fortalece os laços de família, cuja unicidade da existência os rompe.
Os laços de família não sofrem destruição alguma com a reencarnação.
Ao contrário, tornam-se mais fortalecidos e apertados.
* * *
No espaço, os Espíritos formam grupos ou famílias entrelaçados pela afeição, simpatia e semelhança das inclinações. Felizes por se encontrarem juntos, esses Espíritos se buscam uns aos outros. A encarnação apenas momentaneamente os separa, porque, ao regressarem ao mundo espiritual, novamente se reúnem como amigos que voltam de uma viagem. Muitas vezes até, uns seguem a outros na encarnação, vindo aqui reunir-se numa mesma família, ou num mesmo círculo, a fim de trabalharem juntos pelo seu mútuo adiantamento. Se uns encarnam e outros não, nem por isso deixam de estar unidos pelo pensamento. Os que se conservam livres preocupam-se pelos que estão encarnados. Os mais adiantados se esforçam por fazer que os retardatários progridam. Após cada existência, todos têm avançado um passo na busca pelo aperfeiçoamento.
* * *
Cada vez menos presos à matéria, mais viva se torna a afeição recíproca, vez que, mais purificada, não tem a perturbá-la o egoísmo, nem as sombras das paixões. Podem percorrer ilimitado número de existências corpóreas, sem que nenhum golpe receba a mútua estima que os liga.
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Em se tratando de afeição real, de alma a alma, única que sobrevive à destruição do corpo, porque os seres que neste mundo se unem apenas pelos sentidos, nenhum motivo têm para se procurarem no mundo dos Espíritos. Duráveis somente o são as afeições espirituais; as de natureza carnal se extinguem com a causa que lhes deu origem.
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No que concerne às pessoas que se unem exclusivamente por motivo de interesse, essas nada realmente são umas para as outras: a morte as separa na Terra e no céu.
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A união e a afeição que existem entre parentes indicam a simpatia anterior que as aproximou.
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Falando-se de alguém cujo caráter, gostos e tendências nenhuma semelhança apresentam com os de seus parentes mais próximos, se diz que ela não é da família. Pronuncia-se uma verdade mais profunda do que se supõe. Deus permite que, nas famílias ocorram essas encarnações de Espíritos antipáticos ou estranhos, com o duplo objetivo de servir de prova para uns e, para outros, de meio de progresso. Assim, os maus se melhoram pouco a pouco, ao contato dos bons e por efeito dos cuidados que lhes dispensam. O caráter deles se abranda, seus costumes se apuram, as antipatias desaparecem.
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Com a reencarnação e progresso a que dá lugar, todos os que se amaram tornam a encontrar-se na Terra e no espaço e juntos progridem para Deus. Se alguns fraquejam no caminho, esses retardam o seu adiantamento e a sua felicidade, mas não há para eles perda de toda esperança. Ajudados, encorajados e amparados pelos que os amam, um dia sairão do lodaçal em que se enterraram. Com a reencarnação, finalmente, há perpétua solidariedade entre os encarnados e os desencarnados e daí, o estreitamento dos laços de afeição.
* * *
Quatro alternativas se apresentam ao homem para o seu futuro de além-túmulo:
1ª: O nada, de acordo com a doutrina materialista;
2ª: A absorção no todo universal, de acordo com a doutrina panteísta;
3ª: A individualidade da alma, com fixação definitiva da sorte, segundo a doutrina da Igreja;
4ª: A individualidade da alma, com progressão indefinida, conforme a Doutrina Espírita.
Segundo as duas primeiras, os laços de família se rompem por ocasião da morte e nenhuma esperança resta às almas de se encontrarem futuramente. Com a terceira, há para elas a possibilidade de se tornarem a ver, desde que sigam para a mesma região, que tanto pode ser o inferno como o paraíso. Com a pluralidade das existências, inseparável da progressão gradativa, há a certeza na continuidade das relações entre os que se amaram, e é isso o que constitui a verdadeira família.
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INSTRUÇÕES DOS ESPÍRITOS

Limites da encarnação
Espírito São Luís – Paris, 1859
A encarnação não tem limites precisamente traçados pois a materialidade do envoltório que constitui o corpo do Espírito diminui à proporção que o Espírito se purifica. Em certos mundos mais adiantados do que a Terra, ele é menos compacto, pesado e menos sujeito ao infortúnio da vida. Em grau mais elevado, é transparente e quase fluídico. Vai desmaterializando-se de grau em grau e acaba por se confundir com o perispírito. Conforme o mundo em que é levado a viver, o Espírito reveste o corpo apropriado à natureza desse mundo.
* * *
O próprio perispírito passa por transformações sucessivas. Torna-se cada vez mais etéreo, até à purificação completa, que é a condição dos puros Espíritos. Os mundos especiais são destinados a Espíritos de grande adiantamento, entretanto estes não ficam presos a eles, como nos mundos inferiores. O estado de pureza em que se encontram lhes permite ir a toda parte onde os chamem as missões que lhes estejam confiadas.
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Considerando do ponto de vista material, a encarnação tal como se verifica na Terra, poder-se-á dizer que ela se limita aos mundos inferiores. Depende do Espírito libertar-se dela mais ou menos rapidamente, trabalhando pela sua purificação.
No estado de desencarnado, isto é, no intervalo das existências corporais, a situação do Espírito guarda relação com a natureza do mundo que o liga ao grau do seu adiantamento. Assim, no mundo espiritual, é ele mais ou menos feliz, livre e esclarecido, conforme está mais ou menos desmaterializado.

Necessidade da encarnação
Espírito São Luís - Paris, 1859
A passagem dos Espíritos pela vida corporal é necessária para que eles possam realizar, por meio de uma ação material, os planos cuja execução Deus lhes confia. É necessária, a bem deles, visto que a atividade que são obrigados a exercer lhes auxilia o desenvolvimento da inteligência.
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Sendo soberanamente justo, Deus tem de distribuir tudo igualmente por todos os seus filhos; assim é que estabeleceu para todos o mesmo ponto de partida, a mesma aptidão, as mesmas obrigações cumprir e a mesma liberdade de ação.
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A encarnação para todos os Espíritos é apenas um estado transitório.
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É uma tarefa que Deus lhes impõe, quando iniciam a vida, como primeira experiência do uso que farão do livre-arbítrio. Os que desempenham com zelo essa tarefa ,sobem rapidamente e menos penosamente os primeiros graus da iniciação e mais cedo usufruem o resultado de seu trabalho. Os que, ao contrário, usam mal da liberdade que Deus lhes concede retardam a sua marcha e, tal seja a obstinação que demonstrem, podem prolongar indefinidamente a necessidade da reencarnação e é quando a encarnação se torna um castigo.

COMENTÁRIO

NINGUÉM PODERÁ VER O REINO DE DEUS SE NÃO NASCER DE NOVO
As passagens bíblicas nos dão muitas elucidações quanto à reencarnação ser uma realidade. Este próprio diálogo de Jesus com Pedro nos demonstra de maneira muito clara. Veja o questionamento de
Jesus: “Quem dizem que sou...?” E se não aceitamos isto como uma certeza, estudemos as colocações do capítulo com Nicodemos, ainda mesmo quando Jesus preconizava João, o batista como o Elias que há de vir.
O diálogo poderia fazer entender, pois mostra-nos que os Judeus daquela época discutiam com muito interesse o fato da ressurreição, possibilidade real para o mundo de então. Hoje, com o advento do Espiritismo, cuidemos de fazer difundir esta ideia promissora, justa, que nos dá forças para prosseguir. Sem a ideia da reencarnação, como poderíamos entender a imensa Misericórdia Divina, se por um momento de ignorância dos fatos cometemos alguma ação menos digna e ficássemos eternamente delegados ao inferno sem nenhuma apelação e portanto, sem oportunidade de recuperação reparável pela nossa apreensão de conhecimentos que nos desse pela experiência o conceito de certo ou errado?
Sim, porque Deus nos criou simples e ignorantes, todos com o mesmo quinhão de inteligência a ser desenvolvido individualmente pelo discernimento das coisas. A reencarnação é o único meio inteligente para esclarecer os fatos da vida, pobreza, riqueza, doença, inteligência, crimes, guerras, etc. Dificuldades ou benefícios, próprios de cada encarnação que determinam a evolução e aprendizado lento, mas firmemente de cada um dos Espíritos aqui encarnados, sem isso não haveria possibilidades de explicar porque um nasce pobre sofrendo várias e numerosas dificuldades materiais, enquanto outros abastados sem nenhum trabalho que as vezes justificasse esta riqueza nesta vida.
Como entender um nascituro com a falta das pernas, sendo que seus pais são sadios? Como aceitar um menino inteligente em um meio extremamente hostil vir a ser um cientista de renome, enquanto outros de família abastada seja portador de algum tipo de deficiência mental?
Deus é justo, o mundo que nos oferece é equilibrado e a natureza é extremamente harmônica, não pode fazer nada sem nenhuma utilidade.
A própria família estará mais fortalecida pelo entendimento da reencarnação pelo fato de nos dar a certeza de podermos nos reencontrar e também podermos formar uma família espiritual. A reencarnação nos incentiva a sermos cada vez mais justos e corretos para podermos estar sempre por volta dos que nos são caros e afetos.
Pense como seria a vida material sem o fato da reencarnação. Para que nos esforçar e sermos melhores se nada acontecerá? porque estarmos a nos precaver quanto à velhice se nada ocorrerá? e o que resultaria dessa nossa vontade inspirada de nos portarmos bem se nada irá ocorrer? Porque respeitar horários, ambientes, leis, se podemos estar fora do corpo ainda amanhã, e disto ninguém escapa? Sejamos confiantes na vida futura, pois seremos mais felizes, teremos com o que nos confortar quando a existência estiver próxima de findar, e os nossos familiares ao redor fizerem de tudo para suprir as nossas forças que estarão faltando, pois eles também precisarão disto um dia. Entretanto sejamos mais, tenhamos a absoluta e plena certeza de que tudo que fizermos de bom e aproveitarmos os momentos de vida para servir, nos será acréscimo da Misericórdia na nossa nova vida em um novo corpo.

Os Espíritos nos elucidam quanto a isso e trazem-nos declarações claras e absolutamente fiéis pois estão por toda a parte dizendo-o com firmeza.

ESTUDO EVANGÉLICO 37 - LIVRO PALAVRAS DE VIDA ETERNA - REPAREMOS NOSSAS MÃOS

ESTUDO EVANGÉLICO


Livro: Palavras de Vida Eterna

Francisco Cândido Xavier pelo Espírito Emmanuel

- ESTUDO 37



"E Jesus, estendendo a mão, tocou-o, dizendo: quero;
sê limpo". 
(Mateus, 8:3)

A citação acima refere-se a passagem, onde um leproso pede para ser curado, e Jesus com a imposição das mãos, cura aquele homem da lepra, que naquele tempo era calamidade, pois, os leprosos eram obrigados a viver isolados, longe da convivência com os familiares.
Esse ensinamento deixa claro o quanto as mãos são importantes, a responsabilidade que representam, e o quanto podem ser úteis, quando bem direcionadas.
Devemos ter a preocupação de estender as mãos para fazer o bem, pois, já as estendemos muitas vezes para praticar o mal.
Se estendendo para o mal, já sabemos qual será o efeito, estendendo-as para o bem o resultado será de auxílio, bênçãos para quem oferta e para quem recebe.
Se acreditamos na imortalidade, não há como ficarmos parados, lamentando dores pessoais.
Busquemos a renovação através do trabalho ao próximo utilizando as mãos, deixando que elas enxuguem o pranto dos que sofrem mais do que nós; que ofereçam o remédio ao que está enfermo; o passe salutar, a mão estendida em oferecimentos de amparo, ajuda, na proposta de caminhar juntos, detalhes que se não realizam as curas como Jesus, constituem-se como maneiras de despertar o outro na ternura, no gesto que anima e sustenta.
Forças do bem e do mal se manifestam através de nossas mãos. Temos no mundo, as mãos iluminadas que estendem o amor, paz, trabalho e alegria.
Há mãos que sustentam a lavoura e o jardim, produzindo alimentos e felicidade; mãos que honram a indústria e realizam o progresso; que ajudam na Educação; mãos que curam na Medicina, muitas são as mãos que se abrem generosas possibilitando o progresso, o reconforto, tranqüilidade e alegria, enquanto há aquelas espinhosas, que espargem ódio e desespero, a preguiça e o sofrimento, que se entregam à miséria e ao vício, ao lado daquelas primeiras que acariciam, que levantam escolas e hospitais, templos e lares.
Jesus deu o exemplo para que nossas mãos aprendam a servir à luz do bem, construindo na nossa própria felicidade, a paz e o bem estar do outro.
Com as d'Ele curou os doentes, socorreu os fracos, amparou os tristes, limpou os leprosos, restituiu visão aos cegos, levantou os paralíticos, afagou os idosos e deserdados, abençoou a todos.
Nas civilizações primitivas, a agilidade das mãos em fazer e desfazer coisas fez com que acreditassem que elas tinham poderes misteriosos. Só mais tarde elas serão entendidas como meios através dos quais, as energias do Espírito são através delas projetadas em energias de constrangimento ou bênçãos pelas ações do dia-a-dia, quando acalmam a dor, nas fricções; a pressão dos dedos estancando o sangue; ou retirando um espinho, o veneno de uma cobra, ou simplesmente acalmando, transferindo ao outro o bem que porventura já resida em nós.
Desde os tempos primitivos até hoje, a mão é o símbolo do fazer que nos leva ao saber, se soubermos dar boa direção a elas.
Reparemos, pois, que direção estamos dando às nossas mãos.

Bibliografia:
Obsessão, O passe, A doutrinação - J. H. Pires, pág. 40.

Maria Aparecida F. Lovo
Julho / 2004

MATEUS 8
3 Jesus, pois, estendendo a mão, tocou-o, dizendo: Quero; sê limpo. No mesmo instante ficou purificado da sua lepra.


CENTRO ESPÍRITA BATUÍRA
cebatuira@cebatuira.org.br 

Ribeirão Preto - SP