terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

céu inferno-052-2a parte cap. IV - ESPÍRITOS SOFREDORES - PRÍNCIPE OURAN

Céu inferno_052_2ª parte cap. IV - Espíritos Sofredores - Príncipe Ouran

TEXTO PARA ESTUDO

Um Espírito sofredor se apresenta sob o nome de OURAN, anteriormente príncipe russo.
P. Quereis nos dar alguns detalhes sobre a vossa situação?
R. Oh! Bem-aventurados os humildes de coração, o reino do céu lhes pertence! Orai por mim. Bem-aventurados são aqueles que, humildes de coração, escolhem, para passarem suas provas, uma posição modesta! Não sabeis, vós todos que a inveja devora, a qual estado que está reduzido um daqueles a que chamais os felizes da Terra; não sabeis as brasas ardentes que acumulam sobre sua cabeça; não sabeis os sacrifícios que a riqueza impõe quando se quer aproveitá-la para a salvação eterna! Que o Senhor me permita, a mim, orgulhoso déspota, vir expiar, entre aqueles que esmaguei com a minha tirania, os crimes que o orgulho me fez cometer! Orgulho! Repeti esse nome sem cessar para que jamais vos esqueçais que ele é a fonte de todos os sofrimentos que nos oprimem! Sim, abusei do poder e do favor dos quais gozava; fui duro, cruel, para os meus inferiores que deveriam curvar-se a todos os meus caprichos, satisfazer todas as minhas depravações. Quis para mim a nobreza, as honras, a fortuna, e sucumbi sob o peso que tomei acima de minhas forças.
Os Espíritos que sucumbem, geralmente, são levados a dizerem que tinham uma carga acima de suas forças; é um meio de se escusar aos próprios olhos, e ainda um resto do orgulho: eles não admitem ter falido por suas faltas. Deus não dá a ninguém acima do que se pode carregar; não pede a ninguém mais do que se possa lhe dar; não exige que a arvore nascente carregue os frutos daquela que tem todo o seu crescimento. Deus dá aos Espíritos a liberdade; o que lhes falta é a vontade, e a vontade depende só deles; com a vontade, não há inclinações viciosas que não se possam vencer; mas, quando se compraz numa tendência, é natural que não se façam esforços para superá-la. Não é necessário, portanto, senão tomar a si as consequências que disso resultem.
P. Tendes a consciência de vossas faltas, é um primeiro passo para a melhoria.
R. Esta consciência é ainda um sofrimento. Para muitos Espíritos, o sofrimento é um efeito quase material, porque, agarrados ainda à humanidade de sua última existência, não percebem as sensações morais. O meu Espírito está desligado da matéria, e o sentimento moral aumentou de tudo o que as sensações cruas físicas tinham de horrível.
P. Entrevedes um fim para os vossos sofrimentos?
R. Sei que não serão eternos; o fim não entrevejo ainda; me é necessário antes recomeçar a prova.
P. Esperais recomeçar hoje?
R. Não sei ainda.
P. Tendes a lembrança de vossos antecedentes? Eu vos pergunto com um fim instrutivo.
R. Sim, teus guias aí estão e sabem o que te é necessário. Vivi sob Marco Aurélio. Ali, poderoso ainda, já sucumbi pelo orgulho, causa de todas as quedas. Depois de errar por séculos, quis experimentar uma vida obscura. Pobre estudante, mendiguei o meu pão, mas o orgulho aí estava sempre; o Espírito adquirira em ciência, mas não em virtude. Sábio e ambicioso, vendi a minha alma a quem mais desse, servindo para todas as vinganças, todos os ódios. Sentia-me culpado, mas a sede de honrarias, de riquezas, abafava os gritos de minha consciência. A expiação ainda foi longa e cruel. Enfim, quis, na minha última encarnação, recomeçar uma vida de luxo e de poder; pensando dominar os escolhos, não escutei os avisos: orgulho que ainda me levou a fiar no meu próprio julgamento, antes que no daqueles amigos protetores que não cessam de velar sobre nós; sabes o resultado desta última tentativa.
Hoje, enfim, compreendo e espero na misericórdia do Senhor. Deponho aos seus pés o meu orgulho vencido, e peço-lhe carregar as minhas espáduas com o mais pesado fardo de humildade; com a ajuda de sua graça, o peso parecer-me-á leve. Orai comigo e para mim; orai também para que este demônio de fogo não devore em vós os instintos que vos elevam para Deus. Irmãos em sofrimento, que o meu exemplo vos sirva, e nunca olvideis que o orgulho é o inimigo da felicidade, porque dele decorrem todos os males que assaltam a Humanidade e a perseguem até nas regiões celestes.
O guia do médium – Tivestes dúvidas sobre este Espírito, porque a sua linguagem não te pareceu de acordo com o seu estado de sofrimento, que acusa a sua inferioridade. Não temas: recebeste uma instrução séria; por sofredor que este Espírito seja, ele é bastante elevado em inteligência, para falar como o fez. Não lhe falta senão a humildade, sem a qual nenhum Espírito pode chegar a Deus. Essa humildade ela a conquista agora, e esperamos que, com a perseverança, saíra triunfante de uma nova prova.
Nosso Pai celeste é cheio de justiça em sua sabedoria; leva em conta os esforços que o homem faz para domar os seua maus instintos. Cada vitória obtida sobre vós mesmos é um degrau transposto nessa escala da qual uma extremidade se apóia na vossa Terra, e da qual a outra se detém aos pés do Juiz supremo. Subi, pois, com ardor; eles são agradáveis a vencer para aqueles que têm a vontade forte. Olhai sempre para o alto, para vos encorajar, porque infeliz daquele que se detém e olha para trás! É então atingido pelo deslumbramento, o vazio que o cerca o apavora; acha-se sem força e diz: De que serve querer avançar ainda? Tão pouco fiz do caminho! Não, meus amigos, não olheis para trás. O orgulho está incorporado no homem; pois bem! Empregai esse orgulho para vos dar a força e a coragem para rematar a vossa ascensão. Empregai-o para dominar as vossas fraquezas, e subirdes ao cume da montanha eterna.

QUESTÕES PARA ESTUDO

1.Por que os Espíritos que sucumbem nunca aceitam que eram eles mesmos os culpados, sempre dizendo que carregavam um fardo maior do que aguentavam?

2.Para muitos Espíritos, o que seria o sofrimento?

3.Segundo Ouran, o que seria o orgulho?

4.O guia do médium disse que ele não deveria duvidar desta mensagem. Qual a justificativa?

5.Ainda segundo o guia do médium, o que caracteriza a justiça na sabedoria divina?

CONCLUSÃO

1.Porque é um meio de se desculpar aos seus próprios olhos e, ainda, um resto de orgulho. Eles não admitem falhar por seus erros. Deus não dá a ninguém acima do que pode carregar; não pede a ninguém mais do que se possa lhe dar; não exigem que a árvore nascente carregue os frutos daquela que tem todo o seu crescimento. Deus dá aos Espíritos a liberdade; o que lhes falta é a vontade, e ela depende só deles. Com a vontade, não há inclinações viciosas que não se possam vencer. Mas, quando se compraz numa tendência, é natural que não se façam esforços para superá-la. Não é necessário tomar senão a si as consequências que disso resultem.

2.Seria um efeito quase material, porque ainda estão agarrados à sua última existência, não percebendo as sensações morais.

3.O inimigo da felicidade, porque dele decorrem todos os males que assaltam a Humanidade e a perseguem até nas regiões celestes.

4.Ele disse que Kardec teria dúvidas devido à linguagem usada pelo Espírito, que não tinha lhe parecido de acordo com o seu estado de sofrimento, que acusa sua inferioridade. Disse que não temesse, pois havia recebido uma instrução séria; por sofredor que o Espírito seja, ele é bastante elevado em inteligência, para falar como o fez. Não lhe falta senão a humildade, sem a qual nenhum Espírito pode chegar a Deus. Essa humildade ele conquistaria naquele momento e, com perseverança, sairia triunfante de uma nova prova.

5.Deus é cheio de justiça em sua sabedoria: leva em conta os esforços que o homem faz para domar os seus maus instintos. Cada vitória obtida sobre vós mesmos é um degrau transposto nessa escala da qual uma extremidade se apoia na vossa Terra, e da qual a outra se detém aos pés do Juiz supremo.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Estudo 37 O LIVRO DOS MÉDIUNS - ENSAIO TEÓRICO SOBRE AS APARIÇÕES - Itens 101 A 104

 (Guia dos Médiuns e dos Doutrinadores) Contém o ensino especial dos Espíritos sobre a teoria de todos os gêneros de manifestações, os meios de comunicação com o Mundo Invisível, o desenvolvimento da mediunidade, as dificuldades e os escolhos que se podem encontrar na prática do Espiritismo.
SEGUNDA PARTE
DAS MANIFESTAÇÕES ESPIRITAS
CAPITULO VI  
MANIFESTAÇÕES VISUAIS

Estudo 37

 - ENSAIO TEÓRICO SOBRE AS APARIÇÕES - Itens 101 A 104

No estudo destes itens é feita a distinção entre as chamadas visões que ocorrem durante o sono, pelos sonhos e as aparições propriamente ditas, as quais ocorrem no estado de vigília, em pleno gozo e completa liberdade da faculdade da pessoa que as vê.
As aparições apresentam-se geralmente com forma vaporosa e diáfana, algumas vezes vaga e indecisa. Formam-se a partir de um clarão esbranquiçado, cujos contornos vão se desenhando aos poucos; de outras vezes são formas claramente acentuadas, distinguindo-se os menores traços do rosto. As maneiras, o aspecto é semelhante aos do Espírito quando encarnado.
Quanto à aparência, o Espírito se apresenta com aquela que melhor possa ser identificado, se esse for o seu desejo. Pode apresentar-se com defeitos corporais, apesar do Espírito não apresentar nenhuma deformidade. Uma particularidade a notar é que, exceto em circunstâncias especiais, as partes menos precisas das aparições são os membros inferiores, enquanto a cabeça, o tronco, os braços e as mãos aparecem nitidamente. As vestes variam de roupões que terminam em pregas flutuantes, de Espíritos mais elevados, às de Espíritos comuns, das pessoas que conhecemos, e que se vestem geralmente como o faziam nos últimos anos de sua existência. Os Espíritos superiores apresentam uma figura bela, nobre e serena. Os mais imperfeitos têm algo de feroz e bestial e algumas vezes trazem ainda os vestígios dos crimes que cometeram ou dos suplícios que sofreram.
As aparições têm algo de vaporoso, permitindo se veja através delas. É geralmente assim que os médiuns videntes as distinguem. Eles as vêm ir e vir, entrar num ambiente, circular por entre a multidão com ares de quem participa, ao menos os Espíritos vulgares, de tudo o que se faz ao seu redor, de se interessarem por tudo e ouvirem o que se diz.  Muitas vezes se aproximam de uma pessoa para lhe "assoprar" idéias, influenciá-la, quando Espíritos bons; quando são maus, mostrando-se tristes ou contentes com o que obtiveram. 
È assim o mundo oculto que nos envolve, no meio do qual vivemos sem o perceber, como vivemos entre as miríades de seres do mundo microscópico.
O Espírito, que quer ou pode fazer-se visível, reveste às vezes uma forma ainda mais precisa, com todas as aparências de um corpo sólido, a ponto de causar completa ilusão e dar a crer, aos que observam a aparição, que têm diante de si um ser corpóreo. Em alguns casos e dentro de algumas circunstâncias, a tangibilidade pode tornar-se real, isto é, possível se torna ao observador tocar, palpar, sentir, na aparição, a mesma resistência, o mesmo calor que num corpo vivo, o que não impede que a aparição se desvaneça com a rapidez do relâmpago. Nesses casos, já não é somente com o olhar que se nota a presença do Espírito, mas também pelo tato. 
Se podemos atribuir à ilusão ou a uma espécie de fascinação a aparição simplesmente visual, o mesmo já não ocorre quando se consegue segurá-la, palpá-la, e quando ela própria segura e abraça o observador. As aparições tangíveis são as mais raras, porém, os registros existentes na literatura espírita, como também os fatos atuais, constantes de experiências e observações parapsicológicas, provam e explicam os relatos históricos sobre pessoas que reapareceram após a morte com todas as aparências da realidade. De resto, como acentua Allan Kardec, por mais extraordinário que sejam semelhantes fenômenos, perdem todo o caráter de maravilhoso quando se conhece a maneira pela qual se produzem e se compreende que, longe de representarem uma derrogação de leis naturais, apresentam apenas uma nova aplicação dessas leis.
Tal é esse mundo oculto que nos cerca, dentro do qual vivemos sem o perceber, como vivemos, também sem darmos por isso, em meio das miríades de seres do mundo microscópico. O microscópio nos revelou o mundo dos infinitamente pequenos, de cuja existência não suspeitávamos; o Espiritismo nos revelou o mundo dos Espíritos, que, por seu lado, também constitui uma das forças ativas da Natureza. Com o concurso dos médiuns videntes, possível foi estudar o mundo invisível, conhecer-lhe os costumes, como um povo de cegos poderia estudar o mundo visível com o auxílio de alguns homens que gozassem da faculdade de ver.
          Em nosso próximo estudo veremos quais são as causas e como ocorrem as aparições.
BIBLIOGRAFIA:
KARDEC, Allan - O Livro dos Médiuns: 2.ed. São Paulo: FEESP, 1989 - Cap VI - 2ª Parte
KARDEC, Allan - O Livro dos Espíritos, edição especial. Capivari: EME, 1997 - Cap VIII - Emancipação da alma


Tereza Cristina D'Alessandro
Agosto / 2004

Centro Espírita Batuira

cebatuira@cebatuira.org.br

ESTUDO EVANGÉLICO 20 - LIVRO PALAVRAS DE VIDA ETERNA - VIGIANDO

Estudo Evangélico
Livro: “PALAVRAS DE VIDA ETERNA”
Francisco C. Xavier / Emmanuel
Estudo n. 20

TEMA:  VIGIANDO

“Se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento.” Paulo (Filipenses, 4:8).
Nesse estudo Emmanuel reflete sobre a necessidade de vigilância, cuidado, atenção com os pensamentos.
-          O que é vigilância?
-          Qual sua importância?
-          Porque vigiar os pensamentos?
Vigilância é procedimento valioso, fundamento importante de que ninguém pode prescindir para êxito de qualquer empreendimento; através dela seleciona-se os passos, supera-se obstáculos e dificuldades, evitando-se possíveis desvios que poderiam comprometer os objetivos propostos, a obra.
Assim também deve ocorrer na vida moral, onde a vigilância regular e constante dos pensamentos é de vital importância uma vez que eles são o princípio de toda realização de ordem moral.
Diz Emmanuel que o pensamento é a substância com a qual construímos a própria vida. O mal e o bem, o feio e o belo, vieram, antes de tudo, na fonte mental que os produziu. O pensamento é o início de tudo e o início é o fundamento, a base que sustenta o projeto, a obra.
Vejamos o que diz Eurípedes Barsanulfo a esse respeito:
A vigilância é necessária porque "... a mente, pela facilidade de manter-se em polivalência de idéias, tende a constantes mudanças de comportamento, aceitando induções que lhe chegam, alterando o plano de realizações".
No torvelinho das preocupações, na horizontalidade do pensamento vinculado aos interesses imediatistas, surgem com muita freqüência interesses atraentes, que dizem respeito às necessidades do cotidiano, dando lugar a alterações de anseios e de valores que antes recebiam considerações acuradas. Nesses momentos tem início vacilações quanto às metas elegidas, por se tornarem mais agradáveis aquelas que dão imediatas respostas de prazer, que afetam os sentidos, proporcionando alegria inconseqüente.
Todo pensamento impõe responsabilidade aquele que o manifesta. Pensar é criar, e toda a criação tem vida e movimento, ainda que breves.  Os pensamentos que emitimos, por lei, buscam os seus semelhantes, consubstanciando valores e harmonia ou atormentando e desequilibrando dependendo da natureza de sua formação no íntimo do ser. Se persistirmos nas esferas mais baixas da experiência humana, aqueles que ainda estagiam nos mesmos níveis nos procuram atraídos pela similitude de nossos pensamentos. Por esse princípio de permutas a que estamos vinculados quem apenas mentalize angústias, crimes, miséria, perturbação, refletirá desarmonia, sofrimento, imobilizando-se conforme exemplifica Emmanuel.
"É a nuvem da incompreensão conturbando o ambiente doméstico...
É a injúria nascida na palavra inconsciente dos desafetos.
É a acusação indébita de permeio com a calúnia...
É a maledicência convidando à mentira e à leviandade...".
Da mesma forma o otimismo, a superação de receios infundados, o exercício de idéias edificantes proporcionarão o ajuste do ambiente, tornando-o fraterno para uma convivência sadia, aflorando do ser essencial o amor que ilumina a razão orientando-a no sentido do Bem.
“... Se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento estabelece o programa de vigilância para a mente moralmente sadia operar em corpo sadio".
Vigiar o pensamento, impedindo a perniciosa convivência com idéias negativas, constitui meta primeira para quem deseja acertar, progredir e ser feliz. Pensar de maneira salutar é compromisso valioso para gerar otimismo e paz, iniciando o programa das ações corretas, indispensáveis à caminhada evolutiva.
Por isso ensinou-nos Jesus “vigiai o coração – fonte dos sentimentos” porque daí procedem os maus pensamentos que comprometem e infelicitam a criatura, como também as idéias de engrandecimento e progresso. Esse cuidado permitirá observar as qualidades dos pensamentos bem antes da formação das idéias, por percebê-las na intimidade do ser, ocasião em que poderão ser modificadas e orientadas no sentido das boas idéias, que fortalecem, revigoram estendendo as bênçãos do Bem.
Caminhando ao influxo de nossas próprias criações, convém ajuizar quanto a natureza de nossos pensamentos, buscando renovação íntima, com acréscimo de visão, seguindo à frente, minimizando perturbações e dores.
O Evangelho de Jesus é o roteiro generoso para que a mente humana atenda a necessária renovação, único meio de recuperação e manutenção da harmonia, e a vigilância deve arregimentar todas as forças possíveis nessa busca que somente termina na pureza espiritual, para começar outras tarefas em níveis que não podemos nem imaginar. Naturalmente que a desincumbência de tais labores exige esforço, luta, persistência para romper as algemas dos vícios que predominam na natureza humana como decorrência do passado delituoso e equivocado.
É de nosso interesse colaborar na execução dos propósitos elevados, iluminando a mente e clareando a vida.
Concluiu Emmanuel:
"...não te prendas às teias da perturbação e da sombra. Em todas as situações e em todos os assuntos, guardemos a alma nos ângulos em que algo surja digno de louvor, fixando o bem e procurando realizá-lo com todas as energias ao nosso alcance". 
E ocupando o nosso pensamento com os valores autênticos da vida, aprenderemos a sorrir para as dificuldades, quaisquer que sejam, construindo gradativamente, em nós mesmos, o templo vivo de luz para a comunhão constante com o nosso Mestre e Senhor.

Bibliografia.

Franco, Divaldo Pereira. “Terapêutica de Emergência: Vigiar o Pensamento”. Ditado por Espíritos Diversos, 3a ed. Salvador – Ba. Livraria Espírita Alvorada Editora, 1995.
Franco, Divaldo Pereira. “Cristo e o Mundo”. Ditado pelo Espírito Eurípedes Barsanulfo, Viena – Áustria, 1998.
Xavier, Francisco Cândido. “Nos domínios da Mediunidade: Pensamento e Mediunidade”. Ditado pelo Espírito André Luiz, 17a ed. Rio de Janeiro. FEB, 1988.
Xavier, Francisco Cândido. “Palavras de Vida Eterna: Vigiando”. Ditada pelo Espírito Emmanuel, 17a ed. Uberaba- MG. CEC, 1992.

Iracema Linhares Giorgini
Fevereiro / 2003

CENTRO ESPÍRITA BATUÍRA - RIB. PRETO – SP

cebatuira@cebatuira.org.br

 (Guia dos Médiuns e dos Doutrinadores) Contém o ensino especial dos Espíritos sobre a teoria de todos os gêneros de manifestações, os meios de comunicação com o Mundo Invisível, o desenvolvimento da mediunidade, as dificuldades e os escolhos que se podem encontrar na prática do Espiritismo.

SEGUNDA PARTE

DAS MANIFESTAÇÕES ESPIRITAS

CAPITULO VI  

MANIFESTAÇÕES VISUAIS


Estudo 36
Item 100 (itens 19 a 30) - Perguntas sobre as Aparições
 Na sequência de nossos estudos, percebemos que Allan Kardec trata das questões referentes à visão de Espíritos, sempre de forma objetiva, clara e científica, Vamos analisá-las, então.
19ª A visão dos Espíritos ocorre no estado normal ou somente durante o êxtase?
— Pode ocorrer em condições perfeitamente normais. Entretanto, as pessoas que os veem estão quase sempre num estado especial, próximo do êxtase, estado que lhes dá uma espécie de dupla vista. (Ver O Livro dos Espíritos, n. 447).
20ª Os que veem os Espíritos o fazem com os olhos?
— Assim o julgam; mas, na realidade, é a alma quem vê e a prova é que podem ver com os olhos.
21ª Como pode o Espírito tornar-se visível?
— O princípio é o mesmo de todas as manifestações, reside nas propriedades do períspirito, que pode sofrer diversas modificações, à vontade do Espírito.
22ª Pode o Espírito propriamente dito fazer-se visível, ou só o pode com o auxílio do períspirito?
— No estado material em que vos achais, só com o auxílio de seus invólucros semimateriais podem os Espíritos manifestar-se. Esse invólucro é o intermediário por meio do qual eles atuam sobre os vossos sentidos. Sob esse envoltório é que aparecem, às vezes, com uma forma humana, ou com outra qualquer, seja nos sonhos, seja no estado de vigília, assim em plena luz, como na obscuridade.
23ª Poderíamos dizer que é pela condensação do fluido do perispírito que o Espírito se torna visível?
—Condensação não é o termo. Essa palavra apenas pode ser usada para estabelecer uma comparação, que vos faculte compreender o fenômeno, porquanto não há realmente condensação. Pela combinação dos fluidos, o perispírito toma uma disposição especial, sem analogia para vós outros, disposição que o torna perceptível.
24ª Os Espíritos que aparecem são sempre inacessíveis ao tato e não podemos pegá-los?
— No estado normal de espíritos não podemos pegá-los, como não pegamos sonhos. Entretanto, podem impressionar nosso tato e deixar sinais de sua presença. Podem mesmo, em alguns casos, tornar-se momentaneamente tangíveis, o que prova a existência de matéria entre vós e eles.
25ª Todos são aptos a ver os Espíritos?
—Durante o sono, todos; em estado de vigília, não. Durante o sono, a alma vê sem intermediário; no estado de vigília, acha-se sempre mais ou menos influenciada pelos órgãos. Daí não serem totalmente idênticas as condições nos dois casos.
26ª Como podemos ver os Espíritos em estado de vigília?
—Depende da organização física. Reside na maior ou menor facilidade do fluido do vidente de se combinar com o do Espírito. Assim, não basta que o Espírito queira mostrar-se; é também necessário que a pessoa a quem se quer mostrar tenha aptidão para vê-lo.
a) Pode essa faculdade desenvolver-se pelo exercício?
—Pode, como todas as outras faculdades; mas, pertence ao número daquelas cujo desenvolvimento natural é melhor que o provocado, quando corremos o risco de superexcitar a imaginação. A visão geral e permanente dos Espíritos é excepcional e não pertence às condições normais do homem.
27ª Pode-se provocar a aparição dos Espíritos?
—Isso algumas vezes é possível, porém, muito raramente. A aparição é quase sempre espontânea. Para provocá-la é necessário que se possua uma faculdade especial.
28ª Podem os Espíritos tornar-se visíveis sob outra aparência que não a da forma humana?
—A humana é a forma normal. O Espírito pode variar-lhe a aparência, mas sempre com o tipo humano.
a) Não podem manifestar-se sob a forma de chama?
—Podem produzir chamas, clarões, como todos os outros efeitos, para atestar sua presença; mas, não são os próprios Espíritos que assim aparecem. A chama não passa muitas vezes de uma miragem ou de uma emanação do períspirito. Em todo caso é somente uma parte do períspirito, que só aparece inteiramente nas visões.
O Professor Herculano Pires, tradutor de O Livro dos Médiuns que utilizamos em nossos estudos, esclarece que o períspirito só aparece integral nas visões, compreendendo-se o termo visões como manifestações do Espírito em corpo inteiro. Nas outras formas de manifestação, ele apenas projeta as imagens que deseja, como no exemplo estudado a seguir.
29ª Que se deve pensar da crença que atribui os fogos-fátuos à presença de almas ou Espíritos?
—Superstição produzida pela ignorância. Bem conhecida é a causa física dos fogos-fátuos.
a) A chama azul que, segundo dizem, apareceu sobre a cabeça de Servius Tulius, na infância, foi real ou apenas uma lenda?
—Era real e produzida por um Espírito familiar, que desse modo dava um aviso à mãe do menino. Médium vidente, essa mãe percebeu uma irradiação do Espírito protetor de seu filho. Os médiuns videntes variam de grau no tocante à percepção, como os médiuns psicógrafos variam na escrita. Enquanto essa mãe via uma chama, outro médium poderia ver o próprio Espírito. (Servius Tulius foi o sexto rei de Roma, entre os anos de 578-574 a. C., e realizou grandes obras).
30ª Poderiam os Espíritos apresentar-se sob a forma de animais?
—Isso pode acontecer, mas são sempre Espíritos inferiores os que tomam essas aparências. Mas seriam sempre, em todos os casos, aparências passageiras, pois seria absurdo acreditar que um animal pudesse ser a encarnação de um Espírito. Os animais são sempre animais e nada mais que isso.
Nota de Allan Kardec: Somente a superstição pode fazer crer que certos animais são animados por Espíritos. É preciso uma imaginação muito complacente ou muito impressionável para ver algo de sobrenatural nas atitudes, às vezes, um pouco estranhas que eles tomam, mas o medo frequentemente faz ver aquilo que não existe. Mas, não só no medo tem sua origem essa ideia. Conhecemos uma senhora, muito inteligente, que estimava demais um gato preto, porque acreditava ser ele de natureza superanimal. Entretanto, nunca ouvira falar de Espiritismo. Se o tivesse conhecido, compreenderia o ridículo da causa de sua predileção, pois a doutrina lhe provaria a impossibilidade dessa metamorfose.
Concluindo nossas reflexões, mais uma vez identificamos o bom senso de Allan Kardec e dos Amigos Espirituais desmistificando inúmeras situações, às vezes presentes em nossas vivências, tidas como sobrenaturais ou resultantes da ação dos Espíritos. Compreendemos as condições para que ocorram as chamadas visões, que não são tão comuns, pois necessitam que o Espírito queira se mostrar e que a pessoa que o vê tenha aptidão, isto é, seja médium.
Em nosso próximo estudo abordaremos o Ensaio Teórico sobre as Aparições.
 BIBLIOGRAFIA
 KARDEC, Allan - O Livro dos Médiuns: 2. Ed. São Paulo: FEESP, 1989 - Cap VI - 2ª Parte. 
KARDEC, Allan - O Livro dos Espíritos, edição especial. Capivari: EME, 1997 - Cap VIII - Emancipação da alma.
  
Tereza Cristina D'Alessandro 
Julho / 2004

Centro Espírita Batuira
cebatuira@cebatuira.org.br

domingo, 21 de fevereiro de 2016

nl03_13- LIVRO NO MUNDO MAIOR _Psicose afetiva

nl03_13- LIVRO NO MUNDO MAIOR _Psicose afetiva

Seguindo Calderaro, fomos, em plena noite, atender infortunada irmã quase suicida.
Penetramos a residência confortável, conquanto modesta, percebendo a presença de várias entidades infelizes.
O assistente pareceu-me apressado. Não se deteve em nenhuma apreciação.
Acompanhei-o, por minha vez, até humilde aposento, onde fomos encontrar jovem mulher em convulsivo pranto, dominada por desespero incoercível. A mente acusava extremo desequilíbrio, que se estendia a todos os centros vitais do campo fisiológico.
- Pobrezinha - disse o orientador comovidamente - não lhe faltara a Divina Bondade. Tudo preparou de modo a fugir pelo suicídio, esta noite; entretanto, as Forças Divinas nos auxiliarão a intervir...
(...)
Torturantes pensamentos baralhavam-lhe a mente. Registrando-lhe os secretos apelos, compungia ouvir-lhe os gritos de desespero e as suplicas ardentes.
Seria crime - pensava - amar alguém com tal excesso de ternura? onde jazia a Justiça do Céu, que lhe não premiava os sacrifícios de mulher dedicada a paz doméstica? aspirava a ser alegre e feliz, como venturosas companheiras de sua meninice; ansiava a tranquilidade do matrimonio digno, com a expectativa de receber alguns filhinhos, concedidos pela Bondade Infinita de Deus! Seria aspiração condenável sonhar com a edificação de modesto lar, com a proteção de um companheiro simples e bondoso, quando as próprias aves possuíam seus ninhos? Não trabalhara sempre pela felicidade dos outros? porque desconhecidas razoes relegara Gustavo ao abandono? Os calos das mãos e os sinais do rosto não lhe roboravam a dedicação ao serviço honesto? Teria a pena valido sofrer tantos anos, perseguindo uma realização que se lhe afigurava, agora, impossível? Não! não pretendia demorar-se onde o vício triunfava tão facilmente, espezinhando a virtude! Não obstante a fé que lhe alertava o coração, preferia morrer, enfrentar o desconhecido... Sentia-se desajustada, sem rumo, quase louca. Não seria mais razoável - inquiria a si própria - buscar as trevas do sepulcro de que apodrecer num catre de hospício?
Estirada no leito, a infeliz mergulhada o rosto nas moas, soluçando sozinha, inspirando-nos piedade.
Calderaro interrompeu o serviço de assistência, fitou-me com significativa expressão e comunicou:
- Tenho instruções para impor-lhe o sono mais profundo, logo depois da meia-noite.
O orientador prosseguiu atento, envolvendo-a mansamente, em fluidos calmantes. Dentro em pouco, cedendo a irresistível dominação, moca recostou-se vencida nos travesseiros, no estado a que o magnetizador comum chamaria "hipnose profunda".
Estavam, agora, justo de nós, Mariana, que fora dedicada genitora de Antonina, e Márcio, iluminado espirito ligado a ela, desde séculos remotos.
Parcialmente desligada do envoltório grosseiro, Antonina ergueu-se, em seu organismo perispiritico, encantada, feliz...
Mariana recolheu-a, carinhosa, estringiu-a de encontro ao peito, pronunciando palavras enternecedoras.
- Mãezinha, ajude-me! não quero mais viver na Terra! não me deixe voltar ao corpo pesado... O destino escorraça-me. Sou infeliz! Tudo me e adverso... Arrebata-me daqui... para sempre!
A nobre matrona contemplava-a, triste, quando Márcio se aproximou, fazendo-se visto pela estimada enferma.
Acercou-se Márcio mais intimamente, pousou-lhe a luminosa destra sobre a fronte e falou com ternura:
- Antonina, porque esse desanimo, quando a luta redentora apenas começa? Olvidaste, acaso, que não somos órfãos? Acima de todos os obstáculos paira a Infinita Bondade. Recusas a "porta estreita", que nos proporcionara o venturoso acesso ao reencontro? Não forces a situação! Acalma-te! Não nos bastara o presente, cheio de abençoado serviço e renovadora luz? Um dia, reconquistaras o patrimônio da memória total; por ora, contenta-te com as dadivas limitadas. Aproveita os minutos na recomposição do destino, vale-te das horas para reconduzir tuas aspirações a esferas superiores. Que motivos te sugerem este crime, que e o provocar a morte? que razoes te conduzem os passos na direção do precipício tenebroso? Tua mãe e eu sentimos, de longe, o perigo, e aqui estamos para ajudá-la... (...) Não sou teu juiz, sou teu amigo da eternidade. Não terei o consolo de ouvir-te? (...) Fala! ...
Animada, Antonina balbuciou, tímida:
- Estou exausta...
- Contudo, jamais foste esquecida. ...
(...)
- Tenho sonhado com a posse de um lar..., desejo viver para um homem que, a seu turno, me auxilie a levar a existência..., idealizo receber de Deus alguns filhinhos que eu possa acariciar! ... Será delinquente a mulher que busca santificar os princípios naturais da vida? Depois de mourejar anos a fio pela felicidade dos que me são caros, noto que o destino escarnece de minhas esperanças. Será virtude viver entre pessoas alegres e felizes, quando nosso coração queda morto?
Márcio ouviu-a fraternalmente, e, acrescentou, mais compreensivo:
- "Abnegada amiga, não permitas que a sombra de algumas horas te empane a luz dos séculos porvindouros. E possível, Antonina, que te sintas tão lamentavelmente só, quando o Supremo Senhor te concedeu o sublimo lar no mundo inteiro? A humanidade e nossa família, os filhinhos da dor nos pertencem. (...) No entanto, querida, e da Vontade Superior que recebas, por enquanto, as vantagens que podem ser encontradas na solidão. Se ha períodos de florescimento nos vales humanos, dentro dos quais nos inebriamos em plena primavera da Natureza, existências se verificam, aparentemente isoladas e desditosas, nas culminância da meditação e da renúncia, a cuja luz nos preparamos para novas jornadas santificadoras. Não suponhas que a fatal passagem do sepulcro nos abra a porta da liberdade; segue-nos a Lei, a toda parte, e o Supremo Senhor, se exerce a infinita compaixão, não despreza a justiça inquebrantável. Dá-nos, invariavelmente, a Eterna Sabedoria o lugar onde possamos ser mais úteis e mais felizes. Declara-te desertada e infeliz, e no entanto, ainda não recenseaste as possibilidades sublimes que te rodeiam. Dizei-te incapacitada de abraçar os pequeninos de Deus, mas, porque tamanho exclusivismo para os rebentos consanguíneos? Não enxergaste, ate hoje, as crianças abandonadas, nunca viste os filhinhos da miséria e da privação? Se não podes ser mãe de flores da própria carne, porque motivo não te fazes tutora espiritual dos pequenos necessitados e sofredores? Acreditas, Antonina, que possamos ser absolutamente felizes, escutando gemidos a nossa porta? Haverá perfeita alegria num coração que pulsa ao lado de um coro de lagrimas? O mundo não e propriedade nossa. Nos, os filhos do Altíssimo, e que fomos trazidos a cooperar nas obras que nos cercam. E verdadeira infelicidade acreditar-se alguém favorito dos Céus, como se o Pai Compassivo e Sábio não passasse de frágil ditador! ... Lembra-te de que o todo Poderoso não se adstringe ao nosso particularismo de criaturas falíveis, e não te esqueças de que nos pesam, perante a universidade dEle, inalienáveis deveres de trabalho, exercitando os preciosos recursos que nos concedeu, a fim de alcançarmos, um dia, a perfeição da sabedoria e do amor. Sofres em tua organização, que orientaste para o personalismo, porque um homem, cujo o padrão psíquico se harmonizou com o teu em muitos aspectos, modificando depois seu rumo de vida, te relegou ao esquecimento. ... As inquietações do sexo tomaram vulto na intimidade do teu santuário, e padeces longo assedio de tribulações. Mas... dar-se-á que presumas no sexo a fonte exclusiva do amor? Serás também vítima desse engano? O amor e divino a irradiar-se através de todas as magnificências da alma. Por vezes somos privados de sensações que ansiáramos, inibidos de usar as energias criadoras das formas físicas, a fim de buscarmos patrimônios mais altos do ser; nem por isso, contudo, tais percalços nos impedem a exteriorização do sublime sentimento... O que tortura a mente humana em tais ocasiões e o clima do cárcere organizado por nos mesmo, amurados no egoísmo feroz, não sabemos perder por alguns dias, para ganhar na eternidade, nem ceder valores transitórios, para conquistar os dons definitivos da vida. Efetivamente, se não podes partilhar a experiência do homem escolhido, em face das circunstancias que te compelem a renúncia, porque não lhe consagrar o puro amor fraternal, que eleva sempre? Estaríamos, acaso, impedidos de transformar em irmãos os seres que admiramos? ... Se o amas, em verdade, porque tortura-lo com o sarcasmo do suicídio, ao invés de cobrar forças para espera-lo, ao fim do dia da existência mortal? Se não podes ser o cântaro de água pura para o viajor querido, porque não ser o oásis que o aguardara no deserto das desilusões inevitáveis? Além disso, como chegaste a sentir tão clamoroso desamparo, se também te aguardamos, ávidos aqui de tua afeição e de teu carinho? Porque razão esperar os rebentos da carne para exemplificar o verdadeiro amor? Jesus não os teve, e, no entanto, todos nos sentimos tutelados de sua infinita abnegação. Prometes, Antonina, modificar as disposições mentais doravante? A mulher digna e generosa, excelsa e crista, olvida o mal e ama sempre..."
Comovidos, vimos a interlocutora ajoelhar-se de novo, e exclamar solenemente:
- Comprometo-me a modificar minha atitude, em nome de Deus.
Nesse instante, o emissário espalmou as mãos sobre a fronte da enferma, envolvendo-a de jactos de luz que não tocaram tão somente a matéria perispiritica, mas se estenderam além, até no corpo denso, fixando-se particularmente nas zonas do encéfalo, do tórax e dos órgãos feminis. (...) Incumbiu-se Calderaro de auxilia-la a retomar o veículo pesado nas primeiras horas da manhã clara.
(...)
Com efeito, daí a minutos Antonina despertou, como que outra criatura; sentia-se inexplicavelmente reanimada, quase feliz.
Um dos pequenos sobrinhos penetrou o aposento, chamando-a. A generosa tia contemplou-a, enlevada.
(...)
Contemplou a encantadora criança pobremente vestida, a solicitar-lhe a companhia para descerem ao pequeno jardim, onde flores novas desabrochavam. Que importa insignificante malogro do coração diante dos trabalhos sublimes que poderia executar, na sua posição de mulher sadia e jovem? Os filhinhos da irmã não lhe pertenciam igualmente? não seria mais nobre viver para ser útil, esperando sempre da Inesgotável Misericórdia?
- Espera! já vou, meu filho!

- Questões para estudo -

1) Este e um lindo e delicado capitulo, que nos mostra problemas e angustias de uma jovem mulher - Antonina. Ele nos fala de importantes temas, tais como: suicídio, angustias e desejos femininos, amor e sexo, adoção e maternidade, caridade, reencarnação; através das sublimes orientações de Márcio. Cite-as analisando e comentando a respeito.
a) angustia e desejos femininos.
b) amor e sexo.
c) adoção e maternidade
d) suicídio
e) reencarnação
f) caridade

2) O que você entende a respeito das afirmações abaixo:
a) "Não permitas que a sombra de algumas horas te empane a luz dos séculos porvindouros".
b) "Não suponhas que a fatal passagem do sepulcro nos abra portas a liberdade".
c) "O que tortura a mente humana ... e o clima do cárcere organizado por nos mesmos".
d) "Lembra-te de que o Todo Poderoso não se adstringe ao nosso particularismo de criaturas falíveis..."

3) Responda você esse questionamento nos dado por Márcio e explique sua resposta.
"Presumas no sexo a fonte exclusiva do amor?"

4) Finalizo este estudo com uma simples pergunta:
Existem realmente motivos que nos levem a cometer a loucura do suicídio?

Conclusão:
Suicídio.  Essa é a temática do presente capítulo.  
Acompanhando o assistente Calderaro, André Luiz foi em socorro espiritual a infortunada irmã que se encontrava prestes a cometer suicídio.
Inconformada em ter sido desprezada por pessoa a quem, durante anos, nutriu um sincero e dedicado amor, Antonina, a quase suicida, não encontrava forças para enfrentar a dura realidade do abandono a que se viu relegada por aquele que tanto amava e com quem sonhou um dia manter um lar feliz, rodeada de filhos.
Com o auxílio de Calderaro e André Luiz, Antonina, desdobrada pelo sono físico, encontrou-se com sua desencarnada genitora e com benfeitor que fizera parte de suas relações afetivas em existência pretérita.  Através de uma amorosa preleção por parte deste, foi que a pretensa suicida compreendeu o equívoco do ato que quase praticara, despertando, no dia seguinte, novamente motivada para o prosseguimento da caminhada.

Questões propostas para estudo

1. - Este é um lindo e delicado capítulo, que nos mostra problemas e angustias de uma jovem mulher - Antonina. Ele nos fala de importantes temas, tais como: suicídio, angustias e desejos femininos, amor e sexo, adoção e maternidade, caridade, reencarnação, através das sublimes orientações de Márcio. Cite-as, analisando e comentando a respeito.

a) angústia e desejos femininos
Os desejos, quaisquer que sejam, são consequências naturais do nosso estágio na carne.  Cabe ao espírito encarnado "administrá-los", de modo a não permitir que a sua exacerbação venha lhe provocar algum tipo de desequilíbrio.
No caso em estudo, trata-se de desejos amorosos, que, talvez mais que qualquer outro, podem trazer graves distúrbios comportamentais, se não controlados.  A jovem mulher nutria profundo amor pelo parceiro e imaginava uma união estável, que a levasse ter muitos filhos, num lar harmonioso. Desfeito o sonho, veio-lhe a decepção e, com ela, uma angústia.
Vemos, portanto, que a angústia, pode ser causada não só pela expectativa de um acontecimento desejado como também pela decepção por sua frustração.
   
b) amor e sexo
O amor é o bem maior que devemos perseguir.  Não somente para dele usufruirmos, como uma maneira de encontrarmos a felicidade, mas, principalmente, para doá-lo. Não foi outra a lição do Cristo. Seu conceito, porém, é muito amplo e poderíamos enumerar diversas formas pelas quais ele pode se manifestar.  Uma delas é através do ato sexual, que parece ser o sentido em que aqui se emprega o termo "sexo".
Nesse sentido, estudamos no capítulo XI que o "sexo" tem a sublime função de propiciar uma troca de energia entre duas pessoas que se amam, além de possibilitar a procriação da espécie.  Tudo devendo ser guiado sempre pelo amor e respeito.
       
c) adoção e maternidade
Adoção: - um aspecto seria a da previsão necessária de fazer vir ao lar um Espírito cujas afinidades e/ou reequilíbrio sejam necessários ser feitos junto a determinada família, cujos pais, por algum motivo, não poderão emprestar os caracteres biológicos para a reencarnação desse espírito. Outro, de um desenvolvimento maior do sentimento de amor fraterno de alguns seres que chama, agrega o Espírito a um determinado lar.
Certo, no entanto, é que a adoção de filhos não obedece a circunstâncias fortuitas.  Há sempre uma mobilização do Plano Espiritual no sentido de encaminhar crianças órfãs ou cujos pais perderam o pátrio poder e, consequentemente, sua guarda aos lares a que se destinam. Ou seja, a Espiritualidade sempre trabalha para colocar filhos que precisam de pais no endereço certo de pais que precisam de filhos.
Maternidade: - é uma das missões do Espírito feminino, a mais profunda, sublime delas, uma vez que irá através dela o exercitar mais próximo do Amor Puro, do Amor Real com que Jesus tão bem nos exemplificou.

d) suicídio
O suicídio voluntário importa numa transgressão da Lei de Deus (Livro dos Espíritos, questão 944). Grave falta, posto que pela sua prática o espírito destrói o corpo físico que recebeu por misericórdia divina para utilizar em sua evolução, resulta inútil, pois, após um longo período de perturbação, constata-se vivo.  Vivo e com os mesmos problemas, agora acrescidos de mais um.
Antonina, intuída por benfeitor espiritual a quem era ligada há muitas existências, chegou à conclusão de que valia "viver", diante dos trabalhos sublimes que poderia executar, como mulher sadia e jovem, pelos filhinhos da irmã, que também lhe pertenciam e, enfim, para ser útil, aguardando sempre a Misericórdia Divina.

e) reencarnação
Esse é um tema que merece um estudo exclusivo, o que, aliás, temos feito nessa e em outras Salas.  Para não deixar de dizer alguma coisa a respeito, podemos dizer que, quando não há remédio, o remédio é a reencarnação.

f) caridade
Benevolência para com todos, indulgência para as imperfeições alheias, perdão das ofensas.  Essa é a definição de caridade dada pelos Espíritos a Kardec (questão 886 do Livro dos Espíritos).
Paulo, em sua Segunda Carta aos Coríntios,  também  conceitua  a  caridade  com sabedoria:
 "Ainda quando eu falasse todas as línguas dos homens e a língua dos próprios anjos, se eu não tiver caridade, serei como o bronze que soa e um címbalo que retine; ainda quando tivesse o dom da profecia, que penetrasse todos os mistérios, e tivesse perfeita ciência de todas as coisas, ainda quando tivesse toda a fé possível, até ao ponto de transportar montanhas, se não tiver caridade, nada sou. E, quando houvesse distribuído os meus bens para alimentar os pobres e houvesse entregado meu corpo para ser queimado, se não tivesse caridade, tudo isso de nada me serviria.
A caridade é paciente, é branda e benfazeja; a caridade não é invejosa; não é temerária, nem precipitada; não se enche de orgulho; não é desdenhosa; não cuida de seus interesses; não se agasta, nem se azeda com coisa alguma; não suspeita mal; não se rejubila com a injustiça, mas se rejubila com a verdade; tudo suporta, tudo crê, tudo espera, tudo sofre."

2. - O que você entende a respeito das afirmações abaixo:

a) "Não permitas que a sombra de algumas horas te empane a luz dos séculos porvindouros"
Quis o benfeitor Marcio ensinar que os problemas circunstanciais não devem nos levar a atitudes que venham a comprometer nossa evolução espiritual futura.  O sofrimento é passageiro, ao passo que nossa existência é eterna. A intenção foi fazer Antonina entender que, por causa de problemas eventuais, não poderia ela adotar um comportamento do qual mais tarde, inevitavelmente, se arrependeria, pois lhe traria outros sofrimentos, quiçá  até maiores.

b) "Não suponhas que a fatal passagem do sepulcro nos abra portas a liberdade"
Marcio explicou à enferma que, após a morte do corpo físico, encontrar-nos-emos vivos como sempre, mas em espírito.  Continuaremos a ser o que somos, ou seja, a desencarnação não nos modificará simplesmente por deixarmos o invólucro material para trás. Ao contrário, iremos nos deparar frente a frente conosco, num espelho sem roupas, sem máscaras, mas simplesmente nós, verdadeiramente espíritos.

c) "O que tortura a mente humana ... é o clima do cárcere organizado por nós mesmos".
Significa que, em certas ocasiões, o sofrimento que sentimos é resultado de inquietações por nós mesmos criadas, transformando-se no que o Instrutor denominou de "cárcere organizado por nós mesmos". Como ele disse, "amurados no egoísmo feroz, não sabemos perder por alguns dias, para ganhar na eternidade, nem ceder valores transitórios, para conquistar os dons definitivos da vida".

d) "Lembra-te de que o Todo Poderoso não se adstringe ao nosso particularismo de criaturas falíveis..."
Quis demonstrar que o Pai sabe que somos falíveis e perfeitamente passíveis de erros.
Porém nos dá sempre um anjinho da guarda e a infinita e constante Providencia Divina de benfeitores que se desdobram por nós.  Sendo assim, não estamos desamparados a ponto de cometermos erros gigantescos para nós e nossos irmãos... erros até que se fossem repensadas as circunstancias seriam perfeitamente evitados, não fossem nossos primitivos impulsos.

3. - Responda você esse questionamento nos dado por Márcio e explique sua resposta:
 "Presumas no sexo a fonte exclusiva do amor?"
O sexo, como já dito e estudado anteriormente, é UMA das formas de se manifestar o amor. O amor é um sentimento sublime e que não tem barreiras. Absurdo seria presumir-se que sexo é sinônimo de amor. Sexo é uma das formas de sua manifestação, pois o amor se manifesta em diferentes situações: entre amigos, na família, em um relacionamento conjugal, entre mãe e filho, entre irmãos.... O que importa é amar.

4. - Finalizo este estudo com uma simples pergunta:  Existem realmente motivos que nos levem a cometer a loucura do suicídio?
Em nenhuma hipótese o suicídio se justifica.  Em primeiro lugar, porque, não existindo a morte, é um ato absolutamente inócuo.  A primeira grande decepção que o suicida experimenta, após longo período de perturbação em baixas zonas do mundo espiritual, é, ao recobrar a consciência, constatar que está vivo.  Procurou fugir da vida pelo ato fatal e violento e de nada adiantou.  Os problemas que o levaram a esse gesto não foram resolvidos.
E o que é pior.  Adquiriu um que não tinha e que, certamente, é mais grave e de reparação mais penosa.

As dificuldades que a vida na carne se nos apresenta são o remédio que necessitamos para nos corrigir, recolocando-nos no rumo da nossa evolução. Como disse Jesus, seu jugo é suave e leve o seu fardo.  Ninguém recebe um fardo que não possa carregar. O suicídio é a porta falsa pela qual alguns pensam fugir dos problemas.  A literatura espírita é rica em obras acerca do assunto, com narrações impressionantes dos sofrimentos por que passam espíritos que enveredaram por esse equivocado caminho.