terça-feira, 5 de abril de 2016

A Fé Ativa construindo uma Nova Era 14 Os Milagres do Evangelho

A Fé Ativa construindo uma Nova Era 14
Módulo/Eixo Temático: A Fé Ativa

 Os Milagres do Evangelho 
(Allan Kardec, in “A Gênese” – cap. XV)

Curas

Prodígios por ocasião da morte de Jesus
54. - Ora, desde a sexta hora do dia até à nona, toda a Terra se cobriu de trevas.
Ao mesmo tempo, o véu do Templo se rasgou em dois, de alto a baixo; a terra tremeu; as pedras se fenderam; - os sepulcros se abriram e muitos corpos de santos, que estavam no sono da morte, ressuscitaram; - e, saindo de seus túmulos após a ressurreição, vieram à cidade santa e foram vistos por muitas pessoas. (S. Mateus, cap. XXVII, versículos 45, 51 a 53.)
55. - É singular que tais prodígios, operando-se no momento mesmo em que a atenção da cidade se fixava no suplício de Jesus, que era o acontecimento do dia, não tenham sido notados, pois que nenhum historiador os menciona.
Parece impossível que um tremor de terra e o ficar toda a Terra envolta em trevas durante três horas, num país onde o céu é sempre de perfeita limpidez, hajam podido passar despercebidos.
A duração de tal obscuridade teria sido quase a de um eclipse do Sol, mas os eclipses dessa espécie só se produzem na lua nova, e a morte de Jesus ocorreu em fase de lua cheia, a 14 de Nissan, dia da Páscoa dos judeus.
O obscurecimento do Sol também pode ser produzido pelas manchas que se lhe notam na superfície. Em tal caso, o brilho da luz se enfraquece sensivelmente, porém, nunca ao ponto de determinar obscuridade e trevas.
Admitido que um fenômeno desse gênero se houvesse dado, ele decorreria de uma causa perfeitamente natural 10.
10 Há constantemente, na superfície do Sol, manchas físicas, que lhe acompanham o movimento de rotação e hão servido para determinar-se a duração desse movimento. Às vezes, porém, essas manchas aumentam em número, em extensão e em intensidade.
Quanto aos mortos que ressuscitaram, possivelmente algumas pessoas tiveram visões ou viram aparições, o que não é excepcional. Entretanto, como então não se conhecia a causa desse fenômeno, supuseram que as figuras vistas saíam dos sepulcros.
Compungidos com a morte de seu Mestre, os discípulos de Jesus sem dúvida ligaram a essa morte alguns fatos particulares, aos quais noutra ocasião nenhuma atenção houveram prestado. Bastou, talvez, que um fragmento de rochedo se haja destacado naquele momento, para que pessoas inclinadas ao maravilhoso tenham visto nesse fato um prodígio e, ampliando-o, tenham dito que as pedras se fenderam.
Jesus é grande pelas suas obras e não pelos quadros fantásticos de que um entusiasmo pouco ponderado entendeu de cercá-lo.
Aparição de Jesus, após sua morte
56. - Mas, Maria (Madalena) se conservou fora, perto do sepulcro, a derramar lágrimas. E, estando a chorar, como se abaixasse para olhar dentro do sepulcro, - viu dois anjos vestidos de branco, assentados no lugar onde estivera o corpo de Jesus, um à cabeceira, o outro do lado dos pés. - Disseram-lhe eles: Mulher, por que choras? Ela respondeu: É que levaram o meu Senhor e não sei onde o puseram. Tendo dito isto, voltou-se e viu a Jesus de pé, sem saber, entretanto que fosse Jesus. - Este então lhe disse: Mulher, por que choras? A quem procuras? Ela, pensando fosse o jardineiro, lhe disse: Senhor, se foste tu quem o tirou, dize-me onde o puseste e eu o levarei.
É então que se produz uma diminuição da luz e do calor solares. O aumento do número das manchas parece coincidir com certos fenômenos astronômicos e com a posicão relativa de alguns planetas, o que lhes determina o reaparecimento periódico. É muito variável a duração daquele obscurecimento; por vezes não vai além de duas ou três horas, mas, em 535, houve um que durou catorze meses.
Disse-lhe Jesus: Maria. Logo ela se voltou e disse: Rabboni, isto é: Meu Senhor. - Jesus lhe respondeu: Não me toques, porquanto ainda não subi para meu Pai; mas, vai ter com meus irmãos e dize-lhes de minha parte: Subo a meu Pai o vosso Pai, a meu Deus e vosso Deus.
Maria Madalena foi então dizer aos discípulos que vira o Senhor e que este lhe dissera aquelas coisas. (S. João, cap. XX, vv. 11 a 18.)
57. - Naquele mesmo dia, indo dois deles para um burgo chamado Emaús, distante de Jerusalém sessenta estádios - falavam entre si de tudo o que se passara. - E aconteceu que, quando conversavam e discorriam sobre isso, Jesus se lhes juntou e se pôs a caminhar com eles; - seus olhos, porém, estavam tolhidos, a fim de que não o pudessem reconhecer. - Ele disse: De que vínheis falando a caminhar e por que estais tão tristes?
Um deles, chamado Cleofas, tomando a palavra disse: Serás em Jerusalém o único estrangeiro que não saiba do que aí se passou estes últimos dias? - Que foi? Perguntou ele. Responderam-lhe: A respeito de Jesus de Nazaré, que foi um poderoso profeta diante de Deus e diante de toda a gente, e acerca do modo por que os príncipes dos sacerdotes e os nossos senadores o entregaram para ser condenado à morte e o crucificaram. - Ora, nós esperávamos fosse ele quem resgatasse a Israel, no entanto, já estamos no terceiro dia depois que tais coisas se deram. - É certo que algumas mulheres das que estavam conosco nos espantaram, pois que, tendo ido ao seu sepulcro antes do romper do dia, nos vieram dizer que anjos mesmos lhes apareceram, dizendo-lhes que ele está vivo - E alguns dos nossos, tendo ido também ao sepulcro, encontraram todas as coisas conforme as mulheres haviam referido; mas, quanto a ele, não o encontraram.
Disse-lhes então Jesus: Oh! Insensatos, de coração tardo a crer em tudo a que os profetas hão dito! Não era preciso que o Cristo sofresse todas essas coisas e que entrasse assim na sua glória? - E, a começar de Moisés, passando em seguida por todos os profetas, lhes explicava o que em todas as Escrituras fora dito dele.
Ao aproximarem-se do burgo para onde se dirigiam, ele deu mostras de que ia mais longe. - Os dois o obrigaram a deter-se, dizendo-lhe: Fica conosco, que já é tarde e o dia está em declínio. Ele entrou com os dois. - Estando com eles à mesa tomou do pão, abençoou-o e lhes deu. - Abriram-se-lhes ao mesmo tempo os olhos e ambos o reconheceram; ele, porém, lhes desapareceu das vistas.
Então, disseram um ao outro: Não é verdade que o nosso coração ardia dentro de nós, quando ele pelo caminho nos falava, explicando-nos as Escrituras? - E, erguendo-se no mesmo instante, voltaram a Jerusalém e viram que os onze apóstolos e os que continuavam com eles estavam reunidos - e diziam: O Senhor em verdade ressuscitou e apareceu a Simão. - Então, também eles narraram o que lhes acontecera em caminho e como o tinham reconhecido ao partir o pão.
Enquanto assim confabulavam, Jesus se apresentou no meio deles e lhes disse: A paz seja convosco; sou eu, não vos assusteis. - Mas, na perturbação e no medo de que foram tomados, eles imaginaram estar vendo um Espírito.
E Jesus lhes disse: Por que vos turbais? Por que se elevam tantos pensamentos nos vossos corações? - Olhai para as minhas mãos e para os meus pés e reconhecei que sou eu mesmo. Tocai-me e considerai que um Espírito não tem carne, nem osso, como vedes que eu tenho. - Dizendo isso, mostrou-lhes as mãos e os pés.
Mas, como eles ainda não acreditavam, tão transportados de alegria e de admiração se achavam, disse-lhes:
Tendes aqui alguma coisa que se coma? - Eles lhe apresentaram um pedaço de peixe assado e um favo de mel. – Ele comeu diante deles e, tomando os restos, lhes deu, dizendo: Eis que, estando ainda convosco, eu vos dizia que era necessário se cumprisse tudo o que de mim foi escrito na lei de Moisés, nos profetas e nos Salmos.
Ao mesmo tempo lhes abriu o espírito, a fim de que entendessem as Escrituras - e lhes disse: É assim que está escrito e assim era que se fazia necessário sofresse o Cristo e ressuscitasse dentre os mortos ao terceiro dia; - e que se pregasse em seu nome a penitência e a remissão dos pecados em todas as nações, a começar por Jerusalém. - Ora, vós sois testemunhas dessas coisas. - Vou enviar-vos o dom de meu Pai, o qual vos foi prometido; mas, por enquanto, permanecei na cidade, até que eu vos haja revestido da força do Alto. (S. Lucas, cap. XXIV, vv. 13 a 49.)
58. - Ora, Tomé, um dos doze apóstolos, chamado Dídimo, não se achava com eles quando Jesus lá foi vindo. -
Os outros discípulos então lhe disseram: Vimos o Senhor. Ele, porém, lhes disse: Se eu não vir nas suas mãos as marcas dos cravos que as atravessaram e não puser o dedo no buraco feito pelos cravos e minha mão no rasgão do seu lado, não acreditarei, absolutamente.
Oito dias depois, estando ainda os discípulos no mesmo lugar e com eles Tomé, Jesus se apresentou, achando-se fechadas as portas, e, colocando-se no meio deles, disse-lhes: A paz seja convosco.
Disse em seguida a Tomé: Põe aqui o teu dedo e olha minhas mãos; estende também a tua mão e mete-a no meu lado e não sejas incrédulo, mas fiel. - Tomé lhe respondeu: Meu Senhor e meu Deus! - Jesus lhe disse: Tu creste, Tomé, porque viste; ditosos os que creram sem ver. (S. João, cap. XX, vv. 24 a 29.)
59. - Jesus também se mostrou depois aos seus discípulos à margem do mar de Tiberíades, mostrando-se desta forma:
Simão Pedro e Tomé, chamado Dídimo, Natanael, que era de Caná, na Galileia, os filhos de Zebedeu e dois outros de seus discípulos estavam juntos. - Disse-lhes Simão Pedro: Vou pescar. Os outros disseram: Também nós vamos contigo. Foram-se e entraram numa barca; mas, naquela noite, nada apanharam.
Ao amanhecer, Jesus apareceu à margem sem que seus discípulos conhecessem que era ele. - Disse-lhes então:
Filhos, nada tendes que se coma? Responderam-lhe: Não. Disse-lhes ele: Lançai a rede do lado direito da barca e achareis.
Eles a lançaram logo e quase não a puderam retirar, tão carregada estava de peixes.
Então, o discípulo a quem Jesus amava disse a Pedro: É o Senhor. Simão Pedro, ao ouvir que era o Senhor, vestiu-se (pois que estava nu) e se atirou ao mar. - Os outros discípulos vieram com a barca, e, como não estavam distantes da praia mais de duzentos côvados, puxaram daí a rede cheia de peixes. (S. João, cap. XXI; vv. 1 a 8.)
60. - Depois disso, ele os conduziu para Betânia e, tendo lavado as mãos, os abençoou, - e, tendo-os abençoado, se separou deles e foi arrebatado ao céu.
Quanto a eles, depois de o terem adorado, voltaram para Jerusalém, cheios de alegria. – Estavam constantemente no templo, louvando e bendizendo a Deus. Amém. (S. Lucas, cap. XXIV, vv. 50 a 53.)
61. - Todos os evangelistas narram as aparições de Jesus, após sua morte, com circunstanciados pormenores que não permitem se duvide da realidade do fato. Elas, aliás, se explicam perfeitamente pelas leis fluídicas e pelas propriedades do perispírito e nada de anômalo apresentam em face dos fenômenos do mesmo gênero, cuja história, antiga e contemporânea, oferece numerosos exemplos, sem lhes faltar sequer a tangibilidade. Se notarmos as circunstâncias em que se deram as suas diversas aparições, nele reconheceremos, em tais ocasiões, todos os caracteres de um ser fluídico. Aparece inopinadamente e do mesmo modo desaparece; uns o veem, outros não, sob aparências que não o tornam reconhecível nem sequer aos seus discípulos; mostra-se em recintos fechados, onde um corpo carnal não poderia penetrar; sua própria linguagem carece da vivacidade da de um ser corpóreo; fala em tom breve e sentencioso, peculiar aos Espíritos que se manifestam daquela maneira; todas as suas atitudes, numa palavra, denotam alguma coisa que não é do mundo terreno. Sua presença causa simultaneamente surpresa e medo; ao vê-lo, seus discípulos não lhe falam com a mesma liberdade de antes; sentem que já não é um homem.
Jesus, portanto, se mostrou com o seu corpo perispirítico, o que explica que só tenha sido visto pelos que ele quis que o vissem. Se estivesse com o seu corpo carnal, todos o veriam, como quando estava vivo. Ignorando a causa originária do fenômeno das aparições, seus discípulos não se apercebiam dessas particularidades, a que, provavelmente, não davam atenção. Desde que viam o Senhor e o tocavam, haviam de achar que aquele era o seu corpo ressuscitado. (Cap. XIV, nos 14 e 35 a 38.)
62. - Ao passo que a incredulidade rejeita todos os fatos que Jesus produziu, por terem uma aparência sobrenatural, e os considera, sem exceção, lendários, o Espiritismo dá explicação natural à maior parte desses fatos.
Prova a possibilidade deles, não só pela teoria das leis fluídicas, como pela identidade que apresentam com análogos fatos produzidos por uma imensidade de pessoas nas mais vulgares condições. Por serem, de certo modo, tais fatos do domínio público, eles nada provam, em princípio, com relação à natureza excepcional de Jesus 11.
11 Os inúmeros fatos contemporâneos de curas, aparições, possessões, dupla vista e outros, que se encontram relatados na Revue Spirite e lembrados nas observações acima, oferecem, até quanto aos pormenores, tão flagrante analogia com os que o Evangelho narra, que ressalta evidente a identidade dos efeitos e das causas. Não se compreende que o mesmo fato tivesse hoje uma causa natural e que essa causa fosse sobrenatural outrora; diabólica com uns e divina com outros. Se fora possível pô-los aqui em confronto uns com os outros, a comparação mais fácil se tornaria; não o permitem, porém, o número deles e os desenvolvimentos que a narrativa reclamaria.
63. - O maior milagre que Jesus operou, o que verdadeiramente atesta a sua superioridade, foi a revolução que seus ensinos produziram no mundo, mau grado exiguidade dos seus meios de ação.
Com efeito, Jesus, obscuro, pobre, nascido na mais humilde condição, no seio de um povo pequenino, quase ignorado e sem preponderância política, artística ou literária, apenas durante três anos prega a sua doutrina; em todo esse curto espaço de tempo é desatendido e perseguido pelos seus concidadãos; vê-se obrigado a fugir para não ser lapidado; é traído por um de seus apóstolos, renegado por outro, abandonado por todos no momento cm que cai nas mãos de seus inimigos. Só fazia o bem e isso não o punha ao abrigo da malevolência, que dos próprios serviços que ele prestava tirava motivos para o acusar. Condenado ao suplício que só aos criminosos era infligido, morre ignorado do mundo, visto que a História daquela época nada diz a seu respeito 12. Nada escreveu; entretanto, ajudado por alguns homens tão obscuros quanto ele, sua palavra bastou para regenerar o mundo; sua doutrina matou o paganismo onipotente e se tornou o facho da civilização. Tinha contra si tudo o que causa o malogro das obras dos homens, razão por que dizemos que o triunfo alcançado pela sua doutrina foi o maior dos seus milagres, ao mesmo tempo que prova ser divina a sua missão. Se, em vez de princípios sociais e regeneradores, fundados sobre o futuro espiritual do homem, ele apenas houvesse legado à posteridade alguns fatos maravilhosos, talvez hoje mal o conhecessem de nome.
12 Dele unicamente fala o historiador judeu Flávio Josefo, que, aliás, diz bem pouca coisa.
Desaparecimento do corpo de Jesus
64. - O desaparecimento do corpo de Jesus após sua morte há sido objeto de inúmeros comentários. Atestam-no os quatro evangelistas, baseados nas narrativas das mulheres que foram ao sepulcro no terceiro dia depois da crucificação e lá não o encontraram. Viram alguns, nesse desaparecimento, um fato milagroso, atribuindo-o outros a uma subtração clandestina.
Segundo outra opinião, Jesus não teria tido um corpo carnal, mas apenas um corpo fluídico; não teria sido, em toda a sua vida, mais do que uma aparição tangível; numa palavra: uma espécie de agênere. Seu nascimento, sua morte e todos os atos materiais de sua vida teriam sido apenas aparentes. Assim foi que, dizem, seu corpo, voltado ao estado fluídico, pode desaparecer do sepulcro e com esse mesmo corpo é que ele se teria mostrado depois de sua morte.
É fora de dúvida que semelhante fato não se pode considerar radicalmente impossível, dentro do que hoje se sabe acerca das propriedades dos fluidos; mas, seria, pelo menos, inteiramente excepcional e em formal oposição ao caráter dos agêneres. (Cap. XIV, nº 36.) Trata-se, pois, de saber se tal hipótese é admissível, se os fatos a confirmam ou contradizem.
65. - A estada de Jesus na Terra apresenta dois períodos: o que precedeu e o que se seguiu à sua morte. No primeiro, desde o momento da concepção até o nascimento, tudo se passa, pelo que respeita à sua mãe, como nas condições ordinárias da vida 13. Desde o seu nascimento até a sua morte, tudo, em seus atos, na sua linguagem e nas diversas circunstâncias da sua vida, revela os caracteres inequívocos da corporeidade. São acidentais os fenômenos de ordem psíquica que nele se produzem e nada têm de anômalos, pois que se explicam pelas propriedades do perispírito e se dão, em graus diferentes, noutros indivíduos. Depois de sua morte, ao contrário, tudo nele revela o ser fluídico. É tão marcada a diferença entre os dois estados, que não podem ser assimilados.
13 Não falamos do mistério da encarnação, com o qual não temos que nos ocupar aqui e que será examinado ulteriormente. Nota da Editora: Kardec, em vida, não pôde cumprir esta promessa, visto que, no ano seguinte, ao dar publicação a esta obra, foi chamado à Pátria Espiritual.
O corpo carnal tem as propriedades inerentes à matéria propriamente dita, propriedades que diferem essencialmente das dos fluidos etéreos; naquela, a desorganização se opera pela ruptura da coesão molecular. Ao penetrar no corpo material, um instrumento cortante lhe divide os tecidos; se os órgãos essenciais à vida são atacados, cessa-lhes o funcionamento e sobrevém a morte, isto é, a do corpo. Não existindo nos corpos fluídicos essa coesão, a vida aí já não repousa no jogo de órgãos especiais e não se podem produzir desordens análogas àquelas. Um instrumento cortante ou outro qualquer penetra num corpo fluídico como se penetrasse numa massa de vapor, sem lhe ocasionar qualquer lesão. Tal a razão por que não podem morrer os corpos dessa espécie e por que os seres fluídicos, designados pelo nome de agêneres, não podem ser mortos.
Após o suplício de Jesus, seu corpo se conservou inerte e sem vida; foi sepultado como o são de ordinário os corpos e todos o puderam ver e tocar. Apôs a sua ressurreição, quando quis deixar a Terra, não morreu de novo; seu corpo se elevou, desvaneceu e desapareceu, sem deixar qualquer vestígio, prova evidente de que aquele corpo era de natureza diversa da do que pereceu na cruz; donde forçoso é concluir que, se foi possível que Jesus morresse, é que carnal era o seu corpo.
Por virtude das suas propriedades materiais, o corpo carnal é a sede das sensações e das dores físicas, que repercutem no centro sensitivo ou Espírito. Quem sofre não é o corpo, é o Espírito recebendo o contragolpe das lesões ou alterações dos tecidos orgânicos. Num corpo sem Espírito, absolutamente nula é a sensação. Pela mesma razão, o Espírito, sem corpo material, não pode experimentar os sofrimentos, visto que estes resultam da alteração da matéria, donde também forçoso é se conclua que, se Jesus sofreu materialmente, do que não se pode duvidar, é que ele tinha um corpo material de natureza semelhante ao de toda gente.
66. - Aos fatos materiais juntam-se fortíssimas considerações morais.
Se as condições de Jesus, durante a sua vida, fossem as dos seres fluídicos, ele não teria experimentado nem a dor, nem as necessidades do corpo. Supor que assim haja sido é tirar-lhe o mérito da vida de privações e de sofrimentos que escolhera, como exemplo de resignação. Se tudo nele fosse aparente, todos os atos de sua vida, a reiterada predição de sua morte, a cena dolorosa do Jardim das Oliveiras, sua prece a Deus para que lhe afastasse dos lábios o cálice de amarguras, sua paixão, sua agonia, tudo, até ao último brado, no momento de entregar o Espírito, não teria passado de vão simulacro, para enganar com relação à sua natureza e fazer crer num sacrifício ilusório de sua vida, numa comédia indigna de um homem simplesmente honesto, indigna, portanto, e com mais forte razão de um ser tão superior. Numa palavra: ele teria abusado da boa-fé dos seus contemporâneos e da posteridade. Tais as consequências lógicas desse sistema, consequências inadmissíveis, porque o rebaixariam moralmente, em vez de o elevarem 14.
14 Nota da Editora: Diante das comunicações e dos fenômenos surgidos após a partida de Kardec, concluiu-se que não houve realmente vão simulacro, como igualmente não houve simulacro de Jesus, após a sua morte, ao pronunciar as palavras que foram registradas por Lucas (24:39): - "Sou eu mesmo, apalpai-me e vede, porque um Espírito não tem carne nem osso, como vedes que eu tenho."
Jesus, pois, teve, como todo homem, um corpo carnal e um corpo fluídico, Q que é atestado pelos fenômenos materiais e pelos fenômenos psíquicos que lhe assinalaram a existência.
67. - Não é nova essa ideia sobre a natureza do corpo de Jesus. No quarto século, Apolinário, de Laodicéia, chefe da seita dos apolinaristas, pretendia que Jesus não tomara um corpo como o nosso, mas um corpo impassível, que descera do céu ao seio da santa Virgem e que não nascera dela; que, assim, Jesus não nascera, não sofrera e não morrera, senão em aparência. Os apolinaristas foram anatematizados no concílio de Alexandria, em 360; no de Roma, em 374; e no de Constantinopla, em 381.
Tinham a mesma crença os Docetas (do grego dokein, aparecer), seita numerosa dos Gnósticos, que subsistiu durante os três primeiros séculos 15.

15 Nota da Editora: Não somente foram anatematizados os apolinaristas, mas também os reencarnacionistas e os que se põem em comunicação com os mortos.

Dicas Para Estudar O Evangelho 7 Relação dos "milagres" de Jesus

Dicas Para Estudar O Evangelho 7
SEMU - Sociedade Espírita Mãos Unidas - Ivan Renê Franzolim


Relação dos "milagres" de Jesus

Nº 1 Fenômenos com a natureza Multiplicação dos pães
Mateus 14:13-21
Marcos 6:30-44
Lucas 9:10-17
João 6: 1-15

 Nº 2 Fenômenos com a natureza Tempestade amainada
Mateus 8:23-27
Marcos 4:35-41
Lucas 8:22-25

Nº 3 Fenômenos com a natureza Andar sobre as águas
Mateus 14:22-33
Marcos 6:45-52
João 6:16-21

Nº 4 Fenômenos com a natureza Segunda multiplicação dos pães
Mateus 15:32-39
Marcos 8: 1-10

Nº 5 Fenômenos com a natureza Dessecação da figueira
Mateus 21:18-22
Marcos 11:12-14

Nº 6 Fenômenos com a natureza Pesca surpreendente
Lucas 5: 1-11
João 21: 3-14

Nº 7 Fenômenos com a natureza Transformação da água em vinho
João 2: 1-11


Nº 8 Fenômenos com a natureza Escuridão no céu
Mateus 27:45
Marcos 15:33
Lucas 23:44

Nº 1 Fenômenos com Jesus Passa incólume pelos inimigos
Lucas 4:29-30
João 8:59

Nº 2 Fenômenos com Jesus Transfiguração
Mateus 7: 1-3
Marcos 9: 2-4
Lucas 9:28-30

Nº 3 Fenômenos com Jesus Ressurreição
Mateus 28: 1-7
Marcos 16: 1-8
Lucas 24: 1-12
João 20: 1-10

Nº 1 Curas A sogra de Pedro
Mateus 8:14-15
Marcos 1:29-31
Lucas 4:38-39

Nº 2 Curas Um leproso
Mateus 8: 2-4
Marcos 1:40-45
Lucas 5:12-16

Nº 3 Curas Um paralítico
Mateus 9: 1-8
Marcos 2: 1-12
Lucas 5:17-26
Nº 4 Curas A mão atrofiada
Mateus 12: 9-14
Marcos 3: 1-6
Lucas 6: 6-11

Nº 5 Curas A mulher hemorrágica
Mateus 9:20-22
Marcos 5:25-34
Lucas 8:43-48

Nº 6 Curas Os cegos de Jericó
Mateus 20:29-34
Marcos 10:46-52
Lucas 18:35-43

Nº 7 Curas O filho do oficial romano
João 4:46-54

Nº 8 Curas O criado do centurião
Mateus 8: 5-13
Lucas 7: 1-10

Nº 9 Curas Os dois cegos
Mateus 9;27-31

Nº 10 Curas O surdo-mudo
Marcos 7:31-37


Nº 11 Curas O cego de Betsaida
Marcos 8:22-26

 Nº 12 Curas O hidrópico
Lucas 14: 1-6
Nº 13 Curas Os dez leprosos
Lucas 17:11-19

Nº 14 Curas A orelha do servo do Sumo-sacerdote
Lucas 22:50-51

Nº 15 Curas O enfermo no tanque de Betesda
João 5: 1-18

Nº 16 Curas O cego de nascença
João 9: 1-41

Nº 1 Exorcismos O possesso de Gerasa
Mateus 8:28-34
Marcos 5: 1-20
Lucas 8:26-39

Nº 2   Exorcismos O possesso de Cafarnaum
Marcos 1:21-28
Lucas  4:33-36

Nº  3 Exorcismos A filha da mulher Cananéia
Mateus 15:21-28
Marcos 7:24-30

Nº 4 Exorcismos Maria Madalena
Marcos 16: 9
Lucas 8: 2

Nº 1 Exorcismos com cura O menino mudo e epilético
Mateus 17:14-21
Marcos 9:14-29
Lucas 9:37-43

Nº 2 Exorcismos com cura O possesso mudo e cego
Mateus 12:22-23

Nº 3 Exorcismos com cura O possesso mudo
Mateus 9:32-34
Lucas 11:14

 Nº 4 Exorcismos com cura A mulher encurvada
Lucas 13:10-17

Nº 1 Voltar à vida A filha de Jairo
Mateus 9:18-26
Marcos 5:21-43
Lucas 8:40-56

Nº 2 Voltar à vida O filho da viúva de Naim
Lucas   7:11-17

Nº 3 Voltar à vida Lázaro

João 11: 1-44

segunda-feira, 4 de abril de 2016

ESTUDO 6 - O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO - INTRODUÇÃO lV: RESUMO DA DOUTRINA DE SÓCRATES E PLATÃO

EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO – VI

POR ALLAN KARDEC


RESUMO DA DOUTRINA DE SÓCRATES E PLATÃO


I – Existência de dois princípios: material e espiritual, ambos independentes, mas que se juntam no homem: corpo e alma.
O homem é uma alma encarnada, que tem uma vaga ideia do mundo de onde veio, ao qual aspira. A alma é, pois, preexistente e continua existindo depois da morte do corpo, voltando para o lugar de onde veio.
II – Encarnada a alma sofre a influência do corpo, considerando as coisas sob o ponto de vista material, confundindo-se. Todavia, se ela se volta para o que é puro, eterno, imortal, ou seja, para as coisas espirituais, da sua natureza, ela adquire a sabedoria.
O espiritismo ensina que para apreciar ou perceber as coisas, o homem deve isolar a alma do corpo, tudo observando sob o ponto de vista espiritual, da sua eternidade e imortalidade. Assim, suas conclusões serão baseadas na realidade da vida, que é eterna e não apenas do berço ao túmulo. Torna-se então um sábio. (cap. II, item 5)
III – As faculdades da alma encarnada são limitadas, expandindo-se após a separação do corpo pela morte. Por isso o conhecimento da verdade plena não pode dar-se na Terra. Por isso os verdadeiros filósofos não temem a morte. (Céu e Inferno, primeira parte, cap. 2 e Segunda parte, cap.1).
IV – As almas impuras, após a morte, permanecem na Terra, conservando alguma coisa da forma material, podendo ser percebidas pelos homens, como " fantasmas tenebrosos, como devem ser as imagens das almas que deixaram o corpo sem estar inteiramente puras."
O espiritismo demonstra, através da mediunidade, o estado de perturbações, de sofrimentos, dos homens que viveram sob o domínio da matéria, desprezando valores espirituais. Esclarece também que na erraticidade, o Espírito pode arrepender-se, decidir melhorar-se, e reencarnar com menos defeitos. O progresso se faz nos dois planos: material e espiritual. (Céu e Inferno, segunda parte: exemplos).
As almas dos maus “são forçadas a errar nesses lugares (na Terra) , onde carregam as penas de sua vida passada, e onde continuam a errar, até que os apetites inerentes a sua forma material as devolvem a um corpo."
              É a lei da reencarnação. (Cap. IV).
V e VI – Há Espíritos a que se denominava daimon, démon, que acompanham os homens durante sua vida. São seres dos quais se distinguiam os superiores chamados deuses e os menos elevados que se comunicavam diretamente com os homens, os demônios propriamente ditos. Após a morte, levam as almas ao Hades 1, para o julgamento.
Eles preenchem o espaço que separa o céu da terra. Falam com os homens, durante o sono ou na vigília.
VII - Deve-se ter o maior cuidado com a alma, tendo em vista a sua imortalidade.
VIII - A alma sendo imaterial passa a viver em um mundo invisível e imaterial. Importante distinguir a alma pura que se nutre da ciência e de pensamentos, da alma mais ou menos manchada de impurezas materiais que a impedem de elevar-se ao divino. (Céu e Inferno Segunda parte).
IX – A morte não é a dissolução do homem. Se assim fosse os maus teriam grande vantagem, pois estariam livres, após a morte de seu corpo, de sua alma e dos seus vícios.
Não haveria, pois, responsabilidade moral, individual, o que seria um estímulo ao mal.
O homem que enriquece sua alma com virtudes e sabedoria não precisa temer a morte. Os maus sofrem as conseqüências do mal praticado. (Céu e Inferno, segunda parte, cap. 1).
X – A alma, após a morte, conserva os traços evidentes do seu caráter. Assim a maior desgraça que pode acontecer a um homem é ir para o outro mundo com a alma carregada de culpas.
Na prisão, Sócrates dizia a seus discípulos que mais vale sofrer que cometer uma injustiça e que devemos nos aplicar em ser um homem de bem e não apenas em parecer ser. (cap. XII, Mateus V: 38 a 42 e números 7 e 8).
XI – A morte é apenas uma mudança, uma passagem para um lugar em que os mortos devem se reunir, na felicidade do reencontro.
XII – “Não se deve nunca retribuir a injustiça com a injustiça, nem fazer o mal a ninguém, qualquer que seja o mal que nos tenham feito."
XIII - “É pelos frutos que se conhece a árvore. É necessário qualificar cada ação segundo o que ela produz: chamá-la má quando a sua conseqüência é má, e boa quando produz o bem." A primeira frase aparece nos Evangelhos, textualmente.
XIV –"A riqueza é um grande perigo" (cap. XVI)
XV – "As mais belas preces e os mais belos sacrifícios agradam menos à Divindade do que uma alma virtuosa, que se esforça por assemelhar-se a ela” ... "ó são verdadeiramente sábios e justos os que, por suas palavras e seu atos resgatam o que devem aos deuses e aos homens. (Cap. X, itens 7 e 8)
XVI –"O amor está por toda a natureza e incita-nos a exercer a nossa inteligência: encontramo-lo até mesmo no movimento dos astros" "... É ele que traz a paz aos homens, a calmaria ao mar, o silêncio aos ventos e o sossego à dor".
Foi-lhe considerada crime a frase: “o amor não é um deus, nem um mortal, mas um grande demônio", isto é um grande Espírito que preside ao amor universal.
XVII – “A virtude não pode ser ensinada; ela vem por um Dom de Deus aos que a possuem."
Não é o que o espiritismo demonstra. Ela é conquistada pelos Espíritos, através dos seus esforços, nas inúmeras reencarnações. Mas combina com a teoria das graças das religiões cristãs. Segundo o espiritismo a graça seria a força que Deus concede aos homens que querem fazer o bem e livrar-se do mal.
XVIII – O homem tem uma tendência a perceber os defeitos alheios e não os seus. (Cap. X, Mateus, VII: 3 a 5, números 9 e 10)
XIX – “Se os médicos fracassam na maior parte das doenças é porque tratam do corpo sem a alma..."
O espiritismo, demonstrando as relações entre corpo e alma e as influências de um sobre o outro, oferece à ciência um campo muito maior de atuação no tratamento de determinadas moléstias.
XX –"Todos os homens, desde a infância, fazem mais mal do que bem."
Sócrates constata a predominância do mal na Terra em relação ao bem. Todavia, a lei do progresso é uma lei divina e a progressão se faz sempre. O espiritismo demonstrando a pluralidade dos mundos habitados e do destino da Terra, esclarece que o mal vai desaparecer da Terra, quando seus habitantes forem melhores. (Capítulos II, III e V).
XXI – “A sabedoria está em não pensares que sabes aquilo que não sabes."
Estamos muito longe do conhecimento da verdade. Precisamos ter a humildade de reconhecer nossa pobreza espiritual, esforçando-nos para sermos tolerantes conosco, não julgarmo-nos sábios, buscando sempre estudar cada vez mais, na certeza de que, um dia, conheceremos a Verdade e ela nos libertará.
E Kardec cita as palavras de Platão, que complementam este pensamento de Sócrates: “Tentemos primeiro torná-los (os homens), se possível mais honestos nas palavras; se não o conseguirmos, não nos ocupemos mais deles, e não busquemos mais do que a verdade. Tratemos de nos instruir, mas não nos aborreçamos."
Após, concita os espíritas a seguir o conselho de Platão em relação aos contraditores da doutrina dos espíritos, lembrando que " as grandes verdades novas, levantando contra elas os interesses e os preconceitos que ferem, não podem ser estabelecidas sem lutas e sem mártires."
Neste resumo das ideias de Sócrates e Platão, não podemos deixar de proclamá-los precursores da doutrina do Cristo e do Espiritismo, codificado por Allan Kardec.
1 Quem é Hades, mitologia grega, deus grego, figura mitológica, imagem, escultura, Cérbero.

Leda Ebner
Novembro / 2001

Centro Espírita Batuira
Ribeirão Preto (SP)

EVANGELHO ESSENCIAL 6b - 5 - BEM-AVENTURADOS OS AFLITOS

EVANGELHO ESSENCIAL 6b
Eulaide Lins
Luiz Scalzitti

5 - BEM-AVENTURADOS OS AFLITOS

Causas anteriores das aflições
Se há males nesta vida cuja própria causa é o homem, há outros também aos quais, pelo menos na aparência, ele é completamente estranho e que parecem atingi-lo como por fatalidade. Por exemplo, a perda de entes queridos e a dos que são o amparo da família. Tais os acidentes que nenhuma previsão poderia impedir; os reveses da vida, que frustram todas as precauções aconselhadas pela prudência; as calamidades naturais, as enfermidades de nascença, sobretudo as que tiram de tantos infelizes os meios de ganhar a vida pelo trabalho: as deformidades, a idiotia, o cretinismo, etc,
Os que nascem nessas condições nada fizeram na existência atual para merecer, sem compensação, tão triste sorte, que não podiam evitar, que são impotentes para mudar por si mesmos e que os põe à mercê da comiseração pública.
* * *
Por que seres tão desgraçados, enquanto, ao lado deles, sob o mesmo teto, na mesma família, outros são favorecidos de todos os modos? Que dizer das crianças que morrem em tenra idade e da vida só conheceram sofrimentos? Problemas são esses que ainda nenhuma filosofia pôde resolver, anormalidades que nenhuma religião pôde justificar e que seriam a negação da bondade, da justiça e da providência de Deus, se se verificasse a hipótese de ser criada a alma ao mesmo tempo que o corpo e de estar a sua sorte irrevogavelmente determinada após a permanência de alguns instantes na Terra.
* * *
Que fizeram essas almas, que acabam de sair das mãos do Criador, para se verem, neste mundo, ligadas a tantas misérias e para merecerem no futuro uma recompensa ou uma punição qualquer, visto que não hão podido praticar nem o bem, nem o mal?
* * *
Em virtude da máxima segundo a qual todo efeito tem uma causa, tais misérias são efeitos que hão de ter uma causa e, desde que se admita um Deus justo, essa causa também há de ser justa. Ao efeito precedendo sempre a causa, se esta não se encontra na vida atual, há de ser anterior a essa vida, há de estar numa existência anterior.
* * *
Não podendo Deus punir alguém pelo bem que fez, nem pelo mal que não fez, se somos punidos, é que fizemos o mal; se esse mal não o fizemos na presente vida, tê-lo-emos feito noutra. É uma conclusão a que ninguém pode fugir e em que a lógica decide de que parte se acha a justiça de Deus.
* * *
O homem nem sempre é punido, ou punido completamente, na sua existência atual; mas não escapa nunca às consequências de suas faltas.
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A prosperidade do mau é apenas momentânea; se ele não expiar hoje, expiará amanhã, ao passo que aquele que sofre está expiando o seu passado.
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A infelicidade que, à primeira vista, parece imerecido tem sua razão de ser, e aquele que se encontra em sofrimento pode sempre dizer: 'Perdoa-me, Senhor, porque errei!
* * *
Os sofrimentos devidos a causas anteriores à existência presente, bem como os que se originam de culpas atuais, são muitas vezes as consequências de erros cometidos, isto é, o homem, pela ação de uma rigorosa justiça distributiva, sofre o que fez sofrer aos outros.
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Se foi duro e desumano, poderá ser a seu turno tratado duramente e com desumanidade; se foi orgulhoso, poderá nascer em humilhante condição; se foi avaro, egoísta, ou se fez mau uso de suas riquezas, poderá ver-se privado do necessário; se foi mau filho, poderá sofrer pelo procedimento de seus filhos, etc.
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Se explicam pela pluralidade das existências e pela destinação da Terra, como mundo expiatório, os absurdos que apresenta a distribuição da felicidade e da infelicidade entre os bons e os maus neste planeta.
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Semelhante absurdo só existe na aparência, porque considerada tão somente do ponto de vista da vida presente. Aquele que se elevar, pelo pensamento, de maneira a apreender toda uma série de existências, verá que a cada um é atribuída a parte que lhe merece, sem prejuízo da que lhe caberá no mundo dos Espíritos, e verá que a justiça de Deus nunca se interrompe.
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Jamais deve o homem esquecer que se encontra num mundo inferior, ao qual somente as suas imperfeições o conservam preso. A cada contrariedade ou sofrimento da vida, deve lembrar-se de que, se pertencesse a um mundo mais adiantado, isso não se daria e que só de si depende não voltar a este, trabalhando por se melhorar.
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As aflições podem ser impostas a Espíritos endurecidos, ou extremamente ignorantes, para levá-los a fazer uma escolha com conhecimento de causa. Os Espíritos arrependidos desejosos de reparar o mal que hajam feito e de proceder melhor, esses as escolhem livremente.
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Tal o caso de um que, havendo desempenhado mal sua tarefa, pede lha deixem recomeçar, para não perder o fruto de seu trabalho
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As tribulações são, ao mesmo tempo, expiações do passado, que recebe nelas o merecido castigo, e provas com relação ao futuro, que elas preparam.
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Rendamos graças a Deus, que, em sua bondade, faculta ao homem reparar seus erros e não o condena irrevogavelmente por uma primeira falta.
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Não se deve crer que todo sofrimento suportado neste mundo demonstre a existência de uma determinada falta. Muitas vezes são simples provas buscadas pelo Espírito para concluir a sua purificação e agilizar o seu progresso.
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A expiação serve sempre de prova, mas nem sempre a prova é uma expiação.
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Provas e expiações são sempre sinais de relativa inferioridade, porque o que é perfeito não precisa ser provado.
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Pode um Espírito haver chegado a certo grau de elevação e desejando adiantar-se mais, solicitar uma missão, uma tarefa a executar, pela qual tanto mais recompensado será, se sair vitorioso, quanto mais difícil haja sido a luta. Tais são essas pessoas de tendências naturalmente boas, de alma elevada, de nobres sentimentos inatos, que parece nada de mau haverem trazido de suas existências anteriores e que sofrem, com resignação toda cristã, as maiores dores, somente pedindo a Deus que as possam suportar sem murmurar.
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Pode-se considerar como expiações as aflições que provocam queixas e impelem o homem à revolta contra Deus.
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O sofrimento que não provoca queixas pode ser uma expiação; mas, é sinal de que foi buscada voluntariamente, antes que imposta, e constitui prova de forte resolução, o que é sinal de progresso.
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Os Espíritos não podem aspirar à completa felicidade, enquanto não tenham se tornado puros: qualquer mácula lhes impede a entrada nos mundos felizes.
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Mediante as diversas existências corpóreas é que os Espíritos vão eliminando pouco a pouco suas imperfeições.
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As provações da vida os fazem adiantar-se, quando bem suportadas.
Como expiações, elas apagam as faltas e purificam. São o remédio que limpam as feridas e curam o doente. Quanto mais grave é o mal, tanto mais enérgico deve ser o remédio.
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Aquele que muito sofre deve reconhecer que muito tinha a expiar e deve alegrar-se à ideia da sua próxima cura. Dele depende, pela resignação, tornar proveitoso o seu sofrimento e não lhe estragar o fruto com as suas impaciências, visto que, do contrário, terá de recomeçar.