quinta-feira, 14 de julho de 2016

ESTUDO 75 O LIVRO DOS MÉDIUNS - SEGUNDA PARTE DAS MANIFESTAÇÕES ESPIRITAS – CAPITULO XVI - MÉDIUNS ESPECIAIS #190. Médiuns especiais para efeitos intelectuais. Aptidões diversas.

O LIVRO DOS MÉDIUNS

(Guia dos Médiuns e dos Doutrinadores)
Por
ALLAN KARDEC
Contém o ensino especial dos Espíritos sobre a teoria de todos os gêneros de manifestações, os meios de comunicação com o Mundo Invisível, o desenvolvimento da mediunidade, as dificuldades e os escolhos que se podem encontrar na prática do Espiritismo.

SEGUNDA PARTE

DAS MANIFESTAÇÕES ESPIRITAS

CAPITULO XVI

MÉDIUNS ESPECIAIS
           
Estudo 75 - 190. Médiuns especiais para efeitos intelectuais. Aptidões diversas.

Médiuns extáticos: os que, em estado de êxtase, recebem revelações da parte dos Espíritos. "Muitos extáticos são joguetes da própria imaginação e de Espíritos zombeteiros que se aproveitam da exaltação deles. São raríssimos os que mereçam inteira confiança."

Médiuns pintores ou desenhistas: os que pintam ou desenham sob a influência dos Espíritos. Falamos dos que obtêm trabalhos sérios, visto não se poder dar esse nome a certos médiuns que Espíritos zombeteiros levam a fazer coisas grotescas, que desabonariam o mais atrasado estudante.

O trabalho considerado sério terá como característica a fidelidade ao estilo peculiar de cada artista. Pode ser sucessivo e algumas vezes simultâneo com escolas distintas, não raro antagônicas; haverá a maneira não convencional de grafar ou pintar, a rapidez, a elaboração com ou sem pincéis, espátulas, uso de ambas as mãos, pés, olhos abertos ou fechados, claridade ou obscuridade, luz solar ou noite, tudo realizado em minutos ou segundos.

Revista Espírita de 1858 – Agosto: Os Espíritos levianos se comprazem em imitar. Na época em que apareceram os notáveis desenhos de Júpiter, surgiu grande número de pretensos médiuns desenhistas, que Espíritos levianos induziram a fazer as coisas mais ridículas. Um deles, entre outros, querendo eclipsar os desenhos de Júpiter, ao menos nas dimensões, quando não fosse na qualidade, fez que um médium desenhasse um monumento que ocupava muitas folhas de papel para chegar à altura de dois andares. Muitos outros se divertiram fazendo que os médiuns pintassem supostos retratos, que eram verdadeiras caricaturas.

Médiuns músicos: os que executam, compõem, ou escrevem músicas, sob a influência dos Espíritos. Podem ser mecânicos, semimecânicos, intuitivos e inspirados, como os há para as comunicações literárias. Há também os médiuns de efeitos musicais que são aqueles que provocam a execução de composições em certos instrumentos musicais, sem contato com os mesmos.

Complementando nosso estudo, transcrevemos a questão 74 item 24, já estudada:

Cap IV – 76-24: Dizes que o Espírito não usa as mãos para mover a mesa, mas em certas manifestações aparecerem mãos a dedilharem teclados, movimentando as teclas e produzindo sons. Não parecia, nesse caso, que as teclas eram movimentadas pelos dedos? E a pressão dos dedos não é também direta e real, quando a sentimos em nós mesmos, quando essas mãos deixam marcas na pele?

— Não poderias compreender a natureza dos Espíritos e sua maneira de agir por meio dessas comparações, que dão apenas uma ideia incompleta. É um erro querer sempre assemelhar às vossas, as maneiras deles procederem. Os processos dos Espíritos devem estar sempre em relação com a sua organização. Já não dissemos que o fluido do perispírito penetra na matéria e se identifica com ela, dando-lhe uma vida factícia? Pois bem, quando o Espírito movimenta as teclas com os dedos, ele o faz realmente. Mas não é pela força muscular que faz a pressão. Ele anima a tecla, como faz com a mesa, e a tecla obedece à sua vontade e vibra a corda. Neste caso, ocorre um caso de difícil compreensão para vós. É que certos Espíritos são ainda tão atrasados e de tal forma materiais em comparação com os Espíritos elevados, que conservam as ilusões da vida terrena e julgam agir como quando estavam no corpo. Não percebem a verdadeira causa dos efeitos que produzem, como um pobre homem não compreende a teoria dos sons que pronuncia. Se perguntares como tocam o piano, dirão que com os dedos, pois assim creem fazer. Produzem o efeito de maneira instintiva, sem o saberem, e não obstante pela sua vontade. Quando falam e se fazem ouvir, é a mesma coisa, da mesma maneira que a mímica substitui, nos mudos, a palavra que lhes falta.

Bibliografia:

KARDEC, Allan - O Livro dos Médiuns: 2.ed. São Paulo: FEESP, 1989 - Cap XVI - 2ª Parte – item 190

BIGHETTI, Leda Marques – Educação Mediúnica – Teoria e Prática-1º volume: 1.ed. Ribeirão Preto: BELE, 2005 - pág 206 - 207


Tereza Cristina D'Alessandro
Janeiro 2008


Centro Espírita Batuíra
cebatuira@cebatuira.org.br

Ribeirão Preto - SP

ESTUDO EVANGÉLICO 59 - LIVRO PALAVRAS DE VIDA ETERNA - TEMA: # Terra - Bênção Divina

ESTUDO EVANGÉLICO

Livro: Palavras de Vida Eterna

Francisco Cândido Xavier pelo Espírito Emmanuel

ESTUDO 59

Terra - Bênção Divina


"Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha vida eterna." - Jesus. (João, 3:16.)


Emmanuel1 neste texto reflete sobre o que representa a Terra para o homem, uma vez que questões como: quem sou, o que faço na Terra, para onde vou, são ainda bastante intrigantes para a maioria. Até mesmo no meio espírita muitos conservam idéias equivocadas acerca desse assunto em decorrência da compreensão parcial da doutrina.

             

Reforçaremos o desdobramento e compreensão do texto com matéria elaborada por Jaci Regis2 em seu livro "Comportamento Espírita" que estuda a História revelando, como uma constante, as predições do fim do mundo, a perspectiva de um salvador, a condenação ao fogo eterno, as lendas de grandes cataclismos e do dilúvio que contribuíram para a idéia da vida física como um castigo, uma condenação.

     
Essas ideias derrotistas e doentias fazem parte do atavismo ancestral e tem levado o homem a encarar a vida na Terra como um ônus, uma espécie de queda ou degeneração do espírito ou alma que pecou. 
           
A Doutrina Espírita descarta esse aspecto de queda e punição, valorizando a vida, ressaltando que a matéria é um dos componentes essenciais do Universo, e importantíssima para o desenvolvimento do Espírito Imortal. 
              
Como entender?
           
O homem é um Espírito encarnado. O Espírito é perfectível, isto é, tem potencialidade para atingir a perfeição que somente será alcançada com o desenvolvimento dessa potencialidade. Para isso encarna e reencarna em mundos materiais que lhe oferecem as condições, os estímulos necessários ao processo de crescimento a que todos estão submetidos. 
              
Fomos criados e nascemos para sermos felizes. A Terra não nos foi dada como exílio ou punição, mas como bendita escola, lar que nos acolhe e nos abriga2, campo de aperfeiçoamento e crescimento que oferece tudo quanto necessitamos para o desenvolvimento do Espírito. Nas buscas e nas lutas para viver vamos nos aprimorando, nos qualificando e transformando para melhor o mundo que nos acolhe.
           
 A Terra, portanto, é "Bênção Divina"1, lugar onde se desenvolve valores e se fixam expressões superiores para a vida, criando o futuro de amor e paz que todos almejamos.
           
Ressalta Emmanuel1 que, na vida diária, estamos incessantemente rodeados de bênçãos.

O regaço materno...

O refúgio do corpo...

O calor do berço...

O conforto do lar...

O privilégio da oração...

O apoio do alfabeto...

A luz do conhecimento...

A alegria do trabalho...

A riqueza da experiência...

O amparo das afeições...

Do mundo recebes o pão que te alimenta e o fio que te veste.
             

E na exortação final diz: Não te faças, assim, a causa do mal no mundo, que em todas as expressões essenciais, consubstancia o Bem Maior em si mesmo.

Lembra-te de que "Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna"1.

Bibliografia:

1 - Xavier, Francisco Cândido. "Palavras de Vida Eterna: Terra - Bênção Divina". Ditado pelo Espírito Emmanuel. CEC. 17a ed. Uberaba, MG. 1992.

Regis, Jaci. "Comportamento Espírita: O Espírita e o Mundo". DICESP-Divulgação Cultural Espírita S/C Editora. 3ª ed. Santos, SP. 1986.
                       
Iracema Linhares Giorgini
junho de 2006

Centro Espírita Batuira
cebatuira@cebatuira.org.br
Ribeirão Preto (SP)


Céu inferno_071_2a. parte cap. VI - Criminosos Arrependidos - Jacques Latourparte 1

*Céu inferno_071_2a. parte cap. VI - Criminosos Arrependidos - Jacques Latourparte 1*

*TEXTO PARA ESTUDO*

*(Assassino condenado pelo júri de Foix e executado em setembro de 1864)*

Em reunião intima de sete a oito pessoas, havida em Bruxelas a 13 de setembro de 1864 e à qual assistíamos, foi pedido a um médium que tomasse do lápis, sem que aliás houvéssemos feito qualquer evocação especial.

Possuído de extraordinária agitação, ei-lo a traçar caracteres muito grossos, e depois, rasgando o papel, exclama:

"Arrependo-me! arrependo-me! Latour!"

Surpreendidos com a inesperada comunicação, de modo algum provocada, visto como ninguém pensara nesse infeliz, cuja morte até então era ignorada por uma parte dos assistentes, dirigimos ao Espírito palavras de conforto e comiseração, fazendo-lhe em seguida esta pergunta:

- Que motivo vos levou a manifestar-vos aqui, de preferência a outro lugar, quando não vos evocamos?

 *Responde o médium de viva voz:*

"Vi que, almas compassivas, teríeis piedade de mim, ao passo que outros ou me evocavam mais por curiosidade que por caridade, ou de mim se afastavam horrorizados." Depois começou por uma cena indescritível que não durou mais de meia hora. O médium, juntando os gestos e a expressão da fisionomia à palavra, deixava patente a identificação do Espírito com a sua pessoa; às vezes, esses gestos de cruel desespero desenhavam vivamente o seu sofrimento; o tom da sua voz era tão compungido, as súplicas tão veementes, que ficávamos profundamente comovidos. Alguns estavam mesmo aterrorizados com a superexcitação do médium, mas nós sabíamos que a manifestação de um ente arrependido, que implora piedade, nenhum perigo poderia oferecer. Se ele buscou os órgãos do médium, é que melhor desejava patentear a sua situação, a fim de que mais nos interessássemos pela sua sorte, e não como os Espíritos obsessores e possessores, que visam apoderar-se dos médiuns para os dominarem. Tal manifestação lhe fora talvez permitida não só em benefício próprio, como também para edificação dos circunstantes.

*Ei-lo a exclamar:*

"Oh! sim, piedade... muito necessito dela... Não sabeis o que sofro... Não o sabeis, e não podereis compreendê-lo. É horrível! A guilhotina! ... Que vale a guilhotina comparada a este sofrimento de agora? Nada! - é um instante. Este fogo que me devora, sim, é pior, porque é uma morte contínua, sem tréguas nem repouso... sem-fim! ... E as minhas vítimas, ali estão ao redor, a mostrar-me os ferimentos, a perseguir-me com seus olhares...

"Aí estão, e vejo-as todas... todas... sem poder fugir-lhes! E este mar de sangue?! E este ouro manchado de sangue?! Tudo aí está... tudo... e sempre ante meus olhos! E o cheiro de sangue... Não o sentis? Oh! Sangue e sempre sangue! Ei-las que imploram, as pobres vítimas, e eu a feri-las sempre... sempre... impiedosamente! ... O sangue inebria-me... Acreditava que depois da morte tudo estaria terminado, e assim foi que afrontei o suplício e afrontei o próprio Deus, renegando-O! ... Entretanto, quando me julgava aniquilado para sempre, que terrível despertar... oh! sim, terrível, cercado de cadáveres, de espectros ameaçadores, os pés atolados em sangue!!... Acreditava-me morto, e estou vivo! Horrendo! horrendo! mais horrendo que todos os suplícios da Terra! Ah! se todos os homens pudessem saber o que há para além da vida, saberiam também quanto custam as consequências do mal! Certo não haveria mais assassínios, nem criminosos, nem malfeitores! Eu só quisera que todos os assassinos pudessem ver o que eu vejo e sofro...

"Oh! então não mais o seriam, porque é horrível este sofrimento! Bem sei que o mereci, oh! meu Deus, porque também eu não tive compaixão das minhas vítimas; repelia as mãos súplices quando imploravam que as poupasse... Sim, fui cruel, decerto, matando-as covardemente para roubá-las! E fui ímpio, e fui blasfemo também, renegando o vosso sacratíssimo Nome... Quis enganar-me, porque eu queria persuadir-me de que Vós não existíeis... Meu Deus, eu sou grande criminoso! Agora o compreendo. Mas... não tereis piedade de mim? ... Vós sois Deus, isto é, a bondade, a misericórdia! Sois onipotente! Piedade, Senhor! Piedade! Eu vo-lo peço, não sejais inexorável; libertai-me destes olhares odiosos, destes espectros horríveis... deste sangue... das minhas vítimas... olhares que, quais punhaladas, me varam o coração.

"Vós outros que aqui estais, que me ouvis, sede bondosos, almas caritativas. Sim, eu o vejo, sei que tendes piedade de mim, não é verdade? Haveis de orar por mim...

"Oh! eu vo-lo suplico, não me abandoneis como fiz outrora aos outros. Pedireis a Deus que me tire este horrível espetáculo de ante os olhos, e Ele vos ouvirá porque sois bons... imploro, orai por mim."

Os assistentes, sensibilizados, dirigiram-lhe palavras de conforto e consolação. Deus, disseram-lhe, não é inflexível; apenas exige do culpado um arrependimento sincero, aliado à vontade de reparar o mal praticado. Uma vez que o vosso coração não está petrificado e que lhe pedis o perdão dos vossos crimes, a sua misericórdia baixará sobre vós. Preciso é, pois, que persevereis na boa resolução de reparar o mal que fizestes. Certo, não podeis restituir às vítimas as vidas que lhes arrancastes, mas, se o impetrardes com fervor, Deus permitirá que as encontreis em uma nova encarnação, na qual lhes podereis patentear tanto devotamento quanto o mal que lhes fizestes. E quando a reparação lhe parecer suficiente, para logo entrareis na sua santa graça. Assim, a duração do vosso castigo está nas vossas mãos, dependendo de vós o abreviá-lo. Comprometemo-nos a auxiliar-vos com as nossas preces e invocar para vós a assistência dos bons Espíritos. Vamos pronunciar em vossa intenção a prece que se contém em O Evangelho segundo o Espiritismo, referente aos Espíritos sofredores e arrependidos. Não pronunciaremos a que se refere aos maus Espíritos, porque desde que vos arrependeis, que implorais, que renunciais ao mal, não passais para nós de um Espírito infeliz e não mau.

Feita essa prece, o Espírito continua, depois de breves instantes de calma:

"Obrigado, meu Deus! ... Oh! obrigado! Tivestes piedade de mim... Eis que se afastam os espectros... Não me abandoneis, enviai-me os vossos bons Espíritos para me sustentarem... Obrigado...

Depois desta cena o médium fica alquebrado, abatido, os membros lassos por algum tempo. A princípio, apenas tem vaga ideia do que se há passado, mas pouco a pouco vai-se lembrando de algumas das palavras que pronunciou sem querer, reconhecendo que não era ele quem falara.

No dia seguinte, em nova reunião, o Espírito tornou a manifestar-se, reencetando a cena da véspera, porém por minutos apenas, e isso com a mesma gesticulação expressiva, posto que menos violenta. Depois, tomado de agitação febril, escreveu:

"Grato às vossas preces. Experimento já uma sensível melhora. Foi tal o fervor com que orei, que Deus me concedeu um momentâneo alívio; não obstante, terei de ver ainda as minhas vítimas... Ei-las! Ei-las! Vedes este sangue? ..." (Repetiu-se a prece da véspera. O Espírito continua dirigindo-se ao médium.)

"Perdoai o ter-me apossado de vós. Obrigado pelo alívio que proporcionais aos meus sofrimentos. Perdoai o mal que vos causei, mas eu tenho necessidade de me comunicar, e só vós o podeis...

"Obrigado! obrigado! que já sinto algum alívio, posto não tenha atingido o fim das provações. As minhas vítimas voltarão dentro em breve. Eis a punição a que fiz jus, mas, Deus meu, sede indulgente.

"Orai todos vós por mim, tende piedade. Latour."

Um membro da Sociedade Espírita de Paris, que tinha orado por este infeliz, evocando-o, obteve intervaladamente as seguintes comunicações:

*I*

Fui evocado quase imediatamente depois da minha morte, porém não pude manifestar-me logo, de modo que muitos Espíritos levianos tomaram-me o nome e a vez. Aproveitei a estada em Bruxelas do Presidente da Sociedade de Paris, e comuniquei-me, com a aquiescência de Espíritos superiores.

Voltarei a manifestar-me na Sociedade, a fim de fazer revelações que serão um começo de reparação às minhas faltas, podendo também servir de ensinamento a todos os criminosos que me lerem e meditarem na exposição dos meus sofrimentos. É somente sobre o Espírito dos homens fracos ou das crianças que a narrativa de penas infernais pode produzir efeitos terroristas. Ora; um grande malfeitor não é um Espírito pusilânime, e o temor de um polícia é para ele mais real que a descrição dos tormentos do inferno. Eis por que todos os que me lerem ficarão comovidos com as minhas palavras e com os meus padecimentos, que não são ficções. Não há um só padre que possa dizer que viu o que tenho visto, porque tenho assistido às torturas dos danados. Mas, quando eu vier dizer: "Eis o que se passou após a minha morte, a morte do corpo; eis a minha enorme decepção ao reconhecer-me vivo, ao contrário do que supunha e tinha tomado pelo termo dos suplícios, quando era o começo de outras torturas, aliás indescritíveis!" - então, mais de um ser estará à borda do precipício em que ia despenhar-se, e cada um dos desgraçados, desviados por mim da senda criminosa, concorrerá para o resgate das minhas faltas.

Foi-me permitido libertar-me do olhar das minhas vítimas transformadas em carrascos, a fim de comunicar convosco; ao deixar-vos, entretanto, tornarei a vê-las e só esta idéia me causa tal sofrimento que eu não poderia descrevê-lo. Sou feliz quando me evocam, porque assim deixo o meu inferno por alguns instantes.

Orai sempre ao Senhor por mim, pedi-lhe que me liberte do olhar das minhas vítimas.

Sim, oremos juntos. A prece faz tanto bem... Estou mais aliviado; não sinto tão pesado o fardo que me acabrunha. Vejo um resquício de esperança luzindo-me aos olhos e, contrito, exclamo: Bendita a mão do Senhor e seja feita a sua vontade!

*II*

O médium. - Em vez de pedir a Deus para vos furtar ao olhar das vossas vítimas, eu vos convido a pedir comigo para que vos dê a força necessária a fim de suportardes essa tortura expiatória.

Latour. - Eu preferiria livrar-me de tais olhares. Se soubésseis o quanto sofro... O homem mais insensível comover-se-ia vendo impressos na minha fisionomia, como que a fogo, os sofrimentos de minha alma. Farei, entretanto, o que me aconselhais, pois compreendo ser esse um meio de expiar um pouco mais rapidamente as minhas faltas. É qual dolorosa operação que viesse curar um corpo gravemente adoentado. Ah! Pudessem ver-me os culpados da Terra, e ficariam apavorados das consequências de seus crimes, desses crimes que, ignorados dos homens, são, no entanto, vistos pelos Espíritos. Como a ignorância é fatal para tantas pessoas!

Que responsabilidade assumem os que recusam instrução às classes pobres da sociedade! Acreditam que com polícia e soldados se previnem crimes... Que grande erro!

*III*

Terríveis são os meus sofrimentos, porém, depois que por mim orais, sinto-me confortado por bons Espíritos, os quais me dizem tenha esperança. Compreendo a eficácia do remédio heroico que me aconselhastes e peço a Deus me dê forças para suportar esta dura expiação, aliás igual, posso afirmá-lo, ao mal que fiz. Não quero escusar-me das minhas atrocidades; mas o certo é que, para nenhuma das minhas vítimas, salvo a precedência de alguns instantes, na morte, a dor não existia, e as que tinham terminado a provação terrena foram receber a recompensa que as aguardava. Para mim, entretanto, ao voltar ao mundo dos Espíritos, só houve sofrimentos infernais, excetuados os curtos instantes em que me manifestava.

Em que pesem aos seus quadros terroristas, os padres só têm uma fraca noção dos verdadeiros sofrimentos que a justiça divina reserva aos infratores da lei do amor e da caridade.

Como insinuar a pessoas sensatas que uma alma, isto é, uma coisa imaterial, possa sofrer ao contato do fogo material? É absurdo, e por isso tantos e tantos criminosos se riem desses painéis fantásticos do inferno. O mesmo porém não se dá quanto à dor moral do condenado, após a morte física. Orai para que o desespero não se aposse de mim.

*QUESTÕES PROPOSTAS PARA ESTUDO*

1. Qual o motivo que levou Jacques a se comunicar com aquele grupo de médiuns, sendo que eles sequer o chamaram?

2. Alguns se assustaram com a manifestação um tanto quanto agressiva do Espírito, mas foi explicado o motivo de, neste caso, não haver motivo para tanto. Por quê?

3. Depois dos lamentos de Latour, os assistentes ficaram emocionados e lhe dirigiram palavras de encorajamento e consolação. Quais os ensinamentos que eles transmitiram a Latour?

4. Por que, quando se comunica, é permitido que Latour seja poupado da visão das suas vítimas?

*CONCLUSÃO*

1. Latour viu que eram almas compadecentes e que tinham piedade dele, ao passo que outros o evocavam mais por curiosidade que por verdadeira caridade, ou então se afastavam dele com horror.

2. A comunicação de um Espírito que se arrepende e que implora piedade não oferece nenhum perigo. Se ele tomou os órgãos do médium, foi para melhor pintar a sua situação, e interessar mais à sua sorte, mas não, como os Espíritos obsessores e possessivos, em vista de se apossar dele para dominá-lo. Sem dúvida, isso lhe foi permitido no seu próprio interesse, e talvez também para instrução das pessoas presentes.

3. Os assistentes, tocados pelos seus lamentos, dirigiram-lhe palavras de encorajamento e de consolação. Deus, se lhe disse, não é inflexível: o que ele pede ao culpado é um arrependimento sincero e reparar o mal que fez. Uma vez que o vosso coração não é endurecido, e lhe pedis perdão de vossos crimes, estenderá sobre vós a sua misericórdia, se perseverardes nas vossas boas resoluções para reparar o mal que fizestes. Não podeis, sem dúvida, devolver às vossas vítimas a vida que lhes tirastes, mas, se pedirdes com fervor, Deus vos concederá se encontrar com elas em uma nova existência, onde podereis mostrar-lhes tanto devotamento quanto fostes cruel; e quando ele julgar a reparação suficientes, reentrareis na graça junto dele. A duração de vosso castigo está assim em vossas mãos; depende de vós abreviá-la; prometemos vos ajudar com as nossas preces, e pedir sobre vós a assistência dos bons Espíritos.


4. Lhe foi permitido estar livre da visão de suas vítimas, que se tornaram seus carrascos, a fim dele se comunicar com os médiuns; mas, deixando-os, as verá novamente, e só esse pensamento lhe faz sofrer mais do que pode dizer.

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Céu inferno_070_2ª parte cap. VI - Criminosos Arrependidos - Castelnaudary

*Céu inferno_070_2ª parte cap. VI - Criminosos Arrependidos – Castelnaudary*

ESTUDO

Rumores e outras estranhas e várias manifestações ocorridas numa casinha perto de Castelnaudary, faziam-na tomar por habitada de fantasmas, mal-assombrada, etc. Assim, foi a dita casa exorcismada em 1848, aliás sem resultado. O proprietário, Sr. D..., pretendendo habitá-la, faleceu repentinamente alguns anos depois; um seu filho, animado do mesmo desejo, ao penetrar-lhe um dos compartimentos, recebeu de mão desconhecida vigorosa bofetada, e, como estivesse só, não teve a menor dúvida de uma origem oculta, razão esta que o levou a abandonar a casa definitivamente. No lugar corria uma versão segundo a qual um grande crime fora cometido ali. O Espírito que dera a bofetada foi evocado na Sociedade de Paris, em 1859, e manifestou-se por sinais de tal violência, que foram improfícuos todos os esforços para acalmá-lo. Interrogado S. Luís a esse respeito, respondeu: "É um Espírito da pior espécie, verdadeiro monstro: fizemo-lo comparecer, mas a despeito de tudo quanto lhe dissemos não foi possível obrigá-lo a escrever. Ele tem o seu livre-arbítrio, do qual o infeliz tem feito triste uso."

- P. Este Espírito é passível de melhora?

- R. Por que não? pois não o são todos, este como os outros? E possível entretanto que haja nisso dificuldades, porém a permuta do bem pelo mal acabará por sensibilizá-lo. Orai em primeiro lugar, e, se o evocardes daqui a um mês, vereis a transformação operada.

Novamente evocado mais tarde, o Espírito mostrou-se mais brando e, pouco a pouco, submisso e arrependido. Explicações posteriores, ministradas não só por ele como por outros Espíritos, deram em resultado saber-se que, em 1608, habitando aquela casa, assassinara um irmão por motivos de terrível ciúme, degolando-o durante o sono. Alguns anos decorridos, também assassinara a esposa.

O seu falecimento ocorreu em 1659, na idade de 80 anos, sem que houvesse respondido por estes crimes, que pouca atenção despertaram naquela época de balbúrdias. Depois da morte, jamais cessara de praticar o mal, provocando vários acidentes ocorridos na tal casa.

Um médium vidente que assistiu à primeira evocação viu-o, no momento em que pretendiam forçá-lo a escrever, quando sacudiu violentamente o braço do médium.

De medonha catadura, trajava uma camisa ensanguentada, tendo na mão um punhal.

1. - P. (A S. Luís.) - Tende a bondade de nos descrever o gênero de suplício deste Espírito.

- R. É atroz, porque está condenado a habitar a casa em que cometeu o crime, sem poder fixar o pensamento noutra coisa que não no crime, tendo-o sempre ante os olhos e acreditando na eternidade de tal tortura. Está como no momento do próprio crime, porque qualquer outra recordação lhe foi retirada e interdita toda comunicação com qualquer outro Espírito. Sobre a Terra, só pode permanecer naquela casa, e no Espaço só lhe restam solidão e trevas.

2. Haveria um meio de o desalojar dessa casa? Qual seria esse meio?

- R. Quando se quer desembaraçar obsessões de semelhantes Espíritos, o meio é fácil - orar por eles. Contudo, é precisamente isso que se deixa de fazer muitas vezes, preferindo-se intimidá-los com exorcismos formulados que, aliás, muito os divertem.

3. Insinuando às pessoas interessadas essa idéia de orar por ele, fazendo-o também nós, conseguiríamos desalojá-lo?

- R. Sim, mas reparai que eu disse para orar e não para mandar orar.

4. - Estando em tal situação há dois séculos, apreciará ele todo esse tempo como se fora encarnado, isto é, o tempo parecer-lhe-á tanto ou menos longo do que quando na Terra?

- R. Mais longo: o sono não existe para ele.

5. - Disseram-nos que o tempo não existe para os Espíritos e que um século, para eles, não passa de um instante na eternidade. Dar-se-á efetivamente esse fato para com todos os Espíritos?

- R. Não, decerto, porquanto isso só se dá com os Espíritos que têm atingido elevadíssimo grau de adiantamento; para os inferiores, porém, o tempo é frequentemente moroso, sobretudo quando sofrem.

6. - Donde vinha esse Espírito antes da sua encarnação?

- R. Tivera uma existência entre tribos das mais ferozes e selvagens, e, precedentemente, em planeta inferior à Terra.

7. - Severamente punido agora por esse crime, sê-lo-ia igualmente pelos que porventura tivesse cometido, como é de supor, quando vivendo entre selvagens?

- R. Sim, porém não tanto, visto como, em ser mais ignorante, menos alcançava a extensão do delito.

8. - O estado em que se vê esse Espírito é o dos seres vulgarmente designados por danados?

 R. Absolutamente não, pois há condições ainda mais horrorosas. Os sofrimentos estão longe de ser os mesmos para todos, variando conforme seja o culpado mais ou menos acessível ao arrependimento. Para este, aquela casa é o seu inferno, outros trazem esse inferno em si mesmos, pelas paixões que os atormentam sem que possam saciá-las.

9. Apesar da sua inferioridade, este Espírito é sensível aos efeitos da prece, o que também temos verificado com Espíritos igualmente perversos e da mais grosseira natureza; entretanto, Espíritos há que, esclarecidos, de mais desenvolvida inteligência, demonstram completa ausência de bons sentimentos, motejando de tudo que há de mais sagrado; a nada se comovendo e até não dando tréguas ao seu cinismo...

- R. A prece só aproveita ao Espírito que se arrepende; para aqueles que, arrebatados de orgulho, se revoltam contra Deus e persistem no erro, exagerando-o mesmo, tal como procedem os infelizes; para esses a prece nada adianta, nem adiantará senão quando tênue vislumbre de arrependimento começar a germinar-lhes na consciência. A ineficácia da prece também é para eles um castigo. Enfim, ela só alivia os não totalmente endurecidos.

10. - Vendo-se um Espírito insensível à ação da prece, será motivo para que se deixe de orar por ele? –

R. Não, porquanto, cedo ou tarde, a prece poderá triunfar do seu endurecimento, sugerindo-lhe benéficos pensamentos. O mesmo sucede com certos doentes nos quais a ação medicamentosa só se torna sensível depois de muito tempo, e vice-versa. Compenetrando-nos bem de que todos os Espíritos são suscetíveis de progresso, e que nenhum é fatal e eternamente condenado, fácil nos será compreender a eficácia da prece em quaisquer circunstâncias. Por mais ineficaz que ela possa parecer-nos à primeira vista, o certo é que contém germens em si mesma, bastante benéficos, para bem predisporem o Espírito, quando o não afetem imediatamente. Erro seria, pois, desanimarmos por não colher dela imediato resultado.
(...)

Efetivamente, temos visto avaros sofrerem à vista do ouro, que para eles não passava de verdadeira quimera; orgulhosos, atormentados pelo ciúme das honrarias prestadas a outros que não eles; homens que dominavam na Terra, humilhados pela potência invisível, constrangidos à obediência, em presença de subordinados, que não mais se lhe curvavam; ateus atônitos pela dúvida, em face da imensidade, no mais absoluto insulamento, sem um ser que os esclareça.

No mundo dos Espíritos há compensações para todas as virtudes, mas há também penalidades para todas as faltas, e, destas, as que escaparam às leis dos homens são infalivelmente atingidas pelas leis de Deus.

Devemos ainda notar que as mesmas faltas, ainda que cometidas em circunstâncias idênticas, são diversamente punidas, conforme o grau de adiantamento do Espírito delinquente. Aos Espíritos mais atrasados, de natureza mais grosseira, como este de que vimos de nos ocupar, são infligidos castigos de alguma sorte mais materiais que morais, ao passo que o contrário se dá para com aqueles cuja inteligência e sensibilidade estejam mais desenvolvidas. Aos primeiros impõe-se o castigo apropriado à rudeza do seu discernimento, para compreenderem o erro e dele se libertarem. Assim é que a vergonha, por exemplo, causando pouca ou nenhuma impressão para estes, torna-se para aqueles intolerável.

Neste divino código penal, a sabedoria, a bondade, a providência de Deus para com as suas criaturas revelam-se até nas mínimas particularidades, sendo tudo proporcionado e concatenado com admirável solicitude para facilitar ao culpado os meios de reabilitação. As mínimas aspirações são consideradas e recolhidas.

Pelos dogmas das penas eternas, ao contrário, são no inferno confundidos os grandes e pequenos criminosos, os culpados de momento e os reincidentes contumazes, os endurecidos e os arrependidos. Além disso, nenhuma tábua de salvação se lhes oferece; a falta momentânea pode acarretar uma condenação eterna e, o que mais é, qualquer benefício que porventura hajam feito de nada lhes valerá. De que lado, pois, a verdadeira justiça, a verdadeira bondade?

Esta evocação nada tem de casual; e como deveria aproveitar a esse infeliz, visto que ele já começava a compreender a enormidade do seu crime, eis que os Espíritos que velavam julgaram oportuno esse socorro eficaz e entraram a facilitar-lhe as circunstâncias propícias. É este um fato que temos visto reproduzir-se frequentemente. Perguntar-se-á que seria deste Espírito se não fosse evocado, o que será de todos os sofredores que o não podem ser, bem como daqueles em que se não pensa... Poderíamos redarguir que os meios de que Deus dispõe para salvar as criaturas são inumeráveis, sendo a evocação um dentre esses meios, porém, não único, certamente. Deus não deixa ninguém olvidado, além de que, sobre os Espíritos suscetíveis de arrependimento, as preces coletivas devem exercer alguma influência.

A sorte dos Espíritos sofredores não poderia ser por Deus subordinada à boa vontade e aos conhecimentos humanos.

Desde que os homens puderam estabelecer relações regulares com o mundo invisível, uma das primeiras consequências do Espiritismo foi o ensino dos serviços que por meio dessas relações podem prestar aos seus irmãos desencarnados.

Deus patenteia por esse modo a solidariedade existente entre todos os seres do Universo, ao mesmo tempo que dá a lei da natureza por base ao princípio da fraternidade. Deus demonstra-nos a feição verdadeira, útil e séria das evocações, até então desviadas do seu fim providencial pela ignorância e pela superstição.

Aos sofredores jamais faltaram socorros em qualquer época e, se as evocações lhes proporcionam uma nova via de salvação, aproveitam ainda mais, talvez, aos encarnados, por lhes proporcionar novos meios de fazer o benefício, instruindo-se ao mesmo tempo sobre as condições da vida futura.

*QUESTÕES PARA ESTUDO*

1. Este espírito está preso e circunscrito à casa onde morava. Isso é um castigo imposto a ele ou por ele mesmo?

2. Como se dá essa circunstância em que o espírito fica preso ao momento do crime? Levando-se em conta que a prece não alcança um espírito endurecido, o que não lhe causa efeito, devemos deixar de orar por ele?

3. O tempo é percebido por todos os espíritos da mesma maneira?

4. Por que o mesmo crime praticado por um selvagem - ou quando esse espírito ainda era um selvagem - terias maiores atenuantes?

5. Explique como você entende o Divino Código Penal".

CONCLUSÃO

1. Segundo São Luis, o castigo “É atroz, porque está condenado a habitar a casa em que cometeu o crime, sem poder fixar o pensamento noutra coisa que não no crime, tendo-o sempre ante os olhos e acreditando na eternidade de tal tortura. Está como no momento do próprio crime, porque qualquer outra recordação lhe foi retirada e interdita toda comunicação com qualquer outro Espírito. Sobre a Terra, só pode permanecer naquela casa, e no Espaço só lhe restam solidão e trevas”.

2. Na condição em que o espírito se mostra refratário, isto é, impermeável a toda influência que a prece pode fazer em seu benefício.

3. Não, não seria, pois a prece pode criar no ambiente em que ele se encontra uma mudança vibracional que pode, pouco a pouco, modificar a resistência deste espírito, além de atrair a atenção dos bons espíritos pela nossa boa intenção em ajudá-lo.


4. O sofrimento e a consciência do mal praticado, o que já o predispôs para receber ajuda.

A Fé Ativa construindo uma Nova Era 29 #Estás Doente?

*A Fé Ativa construindo uma Nova Era 29*

Módulo/Eixo Temático: A Fé Ativa

*Estás Doente?*

 *(Emmanuel, in “Fonte Viva” – cap. 86)*

*"E a oração da fé salvará o doente, e o Senhor o levantará," – Tiago, 5:15.*

Todas as criaturas humanas adoecem, todavia, são raros aqueles que cogitam de cura real.

Se te encontras enfermo, não acredites que a ação medicamentosa, através da boca ou dos poros, te possa restaurar integralmente.

O comprimido ajuda, a injeção melhora, entretanto, nunca te esqueças de que os verdadeiros males procedem do coração.

A mente é fonte criadora.

A vida, pouco a pouco, plasma em torno de teus passos aquilo que desejas.

De que vale a medicação exterior, se prossegues triste, acabrunhado ou insubmisso? De outras vezes, pedes o socorro de médicos humanos ou de benfeitores espirituais, mas, ao surgirem as primeiras melhoras, abandonas o remédio ou o conselho salutar e voltas aos mesmos abusos que te conduziram à enfermidade.

Como regenerar a saúde, se perdes longas horas na posição da cólera ou do desânimo? A indignação rara, quando justa e construtiva no interesse geral, é sempre um bem, quando sabemos orientá-la em serviços de elevação; contudo, a indignação diária, a propósito de tudo, de todos e de nós mesmos, é um hábito pernicioso, de consequências imprevisíveis.

O desalento, por sua vez, é clima anestesiante, que entorpece e destrói.

E que falar da maledicência ou da inutilidade, com as quais despendes tempo valioso e longo em conversação infrutífera, extinguindo as tuas forças?

Que gênio milagroso te doará o equilíbrio orgânico, se não sabes calar, nem desculpar, se não ajudas, nem compreendes, se não te humilhas para os desígnios superiores, nem procuras harmonia com os homens?

Por mais se apressem socorristas da Terra e do Plano Espiritual, em teu favor, devoras as próprias energias, vítima imprevidente do suicídio indireto.

Se estás doente, meu amigo, acima de qualquer medicação, aprende a orar e a entender, a auxiliar e a preparar o coração para Grande Mudança.

Desapega-te de bens transitórios que te foram emprestados pelo Poder Divino, de acordo com a Lei do Uso, e lembra-te de que serás, agora ou depois, reconduzido à Vida Maior, onde encontramos sempre a própria consciência.

Foge à brutalidade.

Enriquece os teus fatores de simpatia pessoal, pela prática do amor fraterno.

Busca a intimidade com a sabedoria, pelo estudo e pela meditação.

Não manches teu caminho.

Serve sempre.

Trabalha na extensão do bem.


Guarda lealdade ao ideal superior que te ilumina o coração e permanece convicto de que se cultivas a oração da fé viva, em todos os teus passos, aqui ou além, o Senhor te levantará.

*EVANGELHO ESSENCIAL 16/1* #NÃO SE PODE SERVIR A DEUS E A MAMON*

*EVANGELHO ESSENCIAL 16/1*

Eulaide Lins

Luiz Scalzitti

*16 - NÃO SE PODE SERVIR A DEUS E A MAMON*

Ninguém pode servir a dois senhores, porque ou odiará a um e amará a outro, ou se afeiçoará a um e desprezará o outro. Não podes servir simultaneamente a Deus e a Mamon. (S. LUCAS, cap. XVI, v. 13.)

Então, aproximou-se dele um jovem e disse: Bom mestre, que bem devo fazer para alcançar a vida eterna? - Respondeu Jesus: Por que me chamas bom? Bom, só Deus o é. Se queres entrar na vida, guarde os mandamentos. - Que mandamentos? Perguntou-lhe o jovem. Disse Jesus: Não matarás; não cometerás adultério; não furtarás; não darás testemunho falso. - Honra a teu pai e a tua mãe e ama a teu próximo como a ti mesmo. O moço lhe respondeu:

Tenho guardado todos esses mandamentos desde que cheguei à mocidade. Que é o que ainda me falta? -Disse Jesus: Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens, dê aos pobres e terás um tesouro no céu. Depois, vem e segue-me. Ouvindo essas palavras, o moço se foi todo tristonho, porque possuía muitos bens. – Jesus disse então a seus discípulos: Digo-lhes que é muito difícil um rico entrar no reino dos céus. - Ainda uma vez lhes digo: É mais fácil que um camelo passe pelo buraco de uma agulha, do que entrar um rico no reino dos céus (1). (S. MATEUS, cap. XIX, vv. 16 a 24. - S. LUCAS, cap. XVIII, vv. 18 a 25. - S. MARCOS, cap. X, vv. 17 a 25.)

*Parábola dos talentos*

O Senhor age como um homem que, tendo de fazer longa viagem fora do seu país, chamou seus servidores e lhes entregou seus bens.

- Depois de dar cinco talentos a um, dois a outro e um a outro, a cada um segundo a sua capacidade, partiu imediatamente. - Então, o que recebeu cinco talentos foi-se, negociou com aquele dinheiro e ganhou cinco outros. - O que recebera dois ganhou, do mesmo modo, outros tantos. Mas o que recebera um cavou um buraco na terra e aí escondeu o dinheiro de seu amo. - Passado longo tempo, o amo daqueles servidores voltou e os chamou para prestar contas.

- Veio o que recebera cinco talentos e lhe apresentou outros cinco, dizendo: Senhor, entregaste-me cinco talentos, aqui estão, além desses, mais cinco que ganhei. –Respondeu o amo: Servidor bom e fiel, pois que foste fiel em pouca coisa, confiar-te-ei muitas outras; compartilha da alegria do teu senhor. - O que recebera dois talentos apresentou-se a seu turno e disse: Senhor, entregaste-me dois talentos; aqui estão, além desses, dois outros que ganhei. - O amo lhe respondeu: Bom e fiel servidor; pois que foste fiel em pouca coisa, confiar-te-ei muitas outras; compartilha da alegria do teu senhor. - Veio em seguida o que recebeu apenas um talento e disse:

Senhor, sei que és homem severo, que ceifas onde não semeaste e colhes de onde nada puseste; - por isso, como te temia, escondi o teu talento na terra; aqui o tens: restituo o que te pertence. – O homem, porém, lhe respondeu: Servidor mau e preguiçoso; se sabias que ceifo onde não semeei e que colho onde nada pus, devias pôr o meu dinheiro nas mãos dos banqueiros, a fim de que, regressando, eu retirasse com juros o que me pertence. -Tirem- lhe o talento que está com ele e deem-no ao que tem dez talentos; - porque, dar-se-á a todos os que já têm e esses ficarão cumulados de bens; quanto àquele que nada tem, tirar-se-lhe-á mesmo o que pareça ter; e seja esse servidor inútil lançado nas trevas exteriores, onde haverá prantos e ranger de dentes. (S. MATEUS, cap. XXV, vv. 14 a 30.)

*Utilidade providencial da riqueza.*

*Provas da riqueza e da miséria*

Se a riqueza constituísse obstáculo absoluto à salvação dos que a possuem, conforme se poderia concluir de certas palavras de Jesus, interpretadas segundo a letra e não segundo o espírito. Deus, que a concede, teria posto nas mãos de alguns um instrumento de perdição, sem apelação nenhuma, ideia contrária à razão. Pelos arrastamentos a que dá causa, pelas tentações que gera e pela fascinação que exerce, a riqueza constitui uma prova muito arriscada, mais perigosa do que a miséria.
* * *

A riqueza é o supremo excitante do orgulho, do egoísmo e da vida sensual. É o laço mais forte que prende o homem à Terra e lhe desvia do céu os pensamentos. Produz tal vertigem que, muitas vezes, aquele que passa da miséria à riqueza esquece de pronto a sua primeira condição, os que com ele a partilharam, os que o ajudaram, e faz-se insensível, egoísta e vão.
* * *

Mas, se a riqueza torna difícil a jornada, não a torna impossível e não impede de ser um meio de salvação para o que sabe usá-la , como certos venenos podem restituir a saúde, se empregados com esta finalidade e discernimento.
* * *

Quando Jesus disse ao moço que o perguntava sobre os meios de atingir a vida eterna: "Desfaze-te de todos os teus bens e segue-me" não pretendeu estabelecer como princípio absoluto que cada um deva desfazer-se do que possui e que a salvação só a esse preço se consegue; mas, apenas mostrar que o apego aos bens terrenos é um obstáculo à salvação. Aquele moço considerava cumpridas suas obrigações porque observara certos mandamentos e, no entanto, recusava-se à ideia de abandonar os bens de que era dono. Seu desejo de obter a vida eterna não ia até ao extremo de adquiri-la com sacrifício. O que Jesus lhe propunha era uma prova decisiva, destinada a esclarecer o fundo do seu pensamento. Ele podia ser um homem perfeitamente honesto na opinião do mundo, não causar dano a ninguém, não maldizer do próximo, não ser vão, nem orgulhoso, honrar a seu pai e a sua mãe.

Mas, não tinha a verdadeira caridade; sua virtude não chegava até à renúncia em favor do próximo. Isso o que Jesus quis demonstrar. Fazia uma aplicação do princípio: "Fora da caridade não há salvação".
* * *

Se a riqueza é causa de muitos males, se acentua tanto as más paixões, se provoca mesmo tantos crimes, não é a ela que devemos culpar, mas ao homem, que dela abusa, como de todos os dons de Deus. Pelo abuso, ele torna nocivo o que lhe poderia ser de maior utilidade. É a consequência do estado de inferioridade do mundo terrestre. Se a riqueza somente males produzisse, Deus não a colocaria na Terra.

Compete ao homem fazê-la produzir o bem. Se não é uma causa direta de progresso moral, é poderoso elemento de progresso intelectual.
* * *

O homem tem por missão trabalhar pela melhoria material do planeta.

Cabe-lhe desobstruí-lo, saneá-lo, dispô-lo para receber um dia toda a população que a sua extensão comporta. Para alimentar essa população que cresce incessantemente, necessário se faz aumentar a produção. Se a produção de um país é insuficiente, será necessário buscá-la fora. Por isso mesmo, as relações entre os povos constituem uma necessidade. A fim de mais as facilitar, necessário sejam destruídos os obstáculos materiais que os separam e tornadas mais rápidas as comunicações.

Para trabalhos que são obra dos séculos, teve o homem de retirar os materiais até do interior da terra; procurou na Ciência os meios de os executar com maior segurança e rapidez. Mas, para fazê-lo, precisa de recursos: a necessidade fê-lo criar a riqueza, como o fez descobrir a Ciência. A atividade que esses trabalhos impõem lhe amplia e desenvolve a inteligência, e essa inteligência que ele concentra, primeiro, na satisfação das necessidades materiais, o ajudará mais tarde a compreender as grandes verdades morais. Sendo a riqueza o meio primordial de execução, sem ela não haveria mais grandes trabalhos, nem atividade, nem estimulante, nem pesquisas.
* * *

*Desigualdade das riquezas*

A desigualdade das riquezas é um dos problemas que inutilmente se procuram resolver, desde que se considere apenas a vida atual. A primeira questão que se apresenta é esta: Por que não são igualmente ricos todos os homens? Não o são por uma razão muito simples: por não serem igualmente inteligentes, ativos e trabalhadores para adquirir, nem sérios e previdentes para conservar.
* * *

A riqueza, repartida com igualdade, a cada um daria uma parcela mínima e insuficiente; supondo-se efetuada essa repartição, o equilíbrio em pouco tempo estaria desfeito, pela diversidade dos caracteres e das aptidões; supondo-a possível e durável, tendo cada um somente com que viver, o resultado seria a destruição de todos os grandes trabalhos que concorrem para o progresso e para o bem-estar da Humanidade; admitido desse ela a cada um o necessário, já não haveria o impulso que impele os homens às grandes descobertas e aos empreendimentos úteis. Se Deus a concentra em certos pontos, é para que daí se expanda em quantidade suficiente, de acordo com as necessidades.
* * *

Pergunta-se: por que Deus a concede a pessoas incapazes de fazê-la frutificar para o bem de todos? Ainda aí está uma prova da sabedoria e da bondade de Deus. Dando-lhe o livre-arbítrio, quis Ele que o homem chegasse, por experiência própria, a distinguir o bem do mal e que a prática do bem resultasse de seus esforços e da sua vontade. Não deve o homem ser conduzido fatalmente ao bem, nem ao mal, sem o que não mais fora senão instrumento passivo e irresponsável como os animais.

A riqueza é um meio de o experimentar moralmente. Mas, como, ao mesmo tempo, é poderoso meio de ação para o progresso, não quer Deus que ela permaneça longo tempo improdutiva, por isso incessantemente a desloca.
* * *

Cada um tem de possuí-la, para se exercitar em utilizá-la e demonstrar que uso sabe fazer dela. Sendo, no entanto, materialmente impossível que todos a possuam ao mesmo tempo, e acontecendo, além disso, que, se todos a possuíssem, ninguém trabalharia, com o que o melhoramento do planeta ficaria comprometido, cada um a possui por sua vez.
* * *

Assim, um que não a tem hoje, já a teve ou terá noutra existência; outro, que agora a tem, talvez não a tenha amanhã.
* * *

Há ricos e pobres, porque sendo Deus justo, como é, a cada um determina trabalhar por sua vez.
* * *

A pobreza é, para os que a sofrem, a prova da paciência e da resignação; a riqueza é, para os outros, a prova da caridade e da abnegação.
* * *

É exato que, se o homem só tivesse uma única existência, nada justificaria semelhante repartição dos bens da Terra; se não tivermos em vista apenas a vida atual e, ao contrário, considerarmos o conjunto das existências, veremos que tudo se equilibra com justiça. Carece o pobre de motivo para acusar a Providência, como para invejar os ricos e estes para se glorificarem do que possuem. Se abusam, não será com decretos ou leis luxuosas que se remediará o mal. As leis podem, momentaneamente, mudar o exterior, mas não conseguem mudar o coração;
* * *

A origem do mal reside no egoísmo e no orgulho: os abusos de toda espécie cessarão quando os homens se regerem pela lei da caridade.
* * *
*segue*