quinta-feira, 14 de junho de 2012

Espiritismo e Evolução


Rodrigo Machado Tavares

Quando a palavra evolução surge em nossas mentes, a maioria de nós, quase que indubitavelmente, pensa na teoria da evolução das Espécies. Diante deste contexto, onde ainda em pleno século XXI, o antagonismo secular entre Criacionistas e Evolucionistas vem a tona, é oportuno analisar como o Espiritismo lida com essa questão. Em outras palavras: nós, espíritas, somos criacionistas ou evolucionistas?
A princípio, para muitos, tal questionamento pode soar como desnecessário e até mesmo com tendências sofistas. Entretanto, mister se faz que nós, espíritas, estejamos cientes e esclarecidos de dúvidas como estas. Não para que possamos travar verdadeiros duelos pseudo-intelectuais; e nem tampouco para fazermos proselitismo. Mas para que possamos progredir, avançar, isto é, evoluir no sentido mais hermenêutico da palavra. E além disso, como já nos recomenda o Espírito de Verdade em o Evangelho segundo o Espiritismo: “Amai-vos, eis o primeiro mandamento. Instruí-vos, eis o segundo.”
Sendo assim: somos criacionistas ou evolucionistas? Pois bem, somos tanto criacionistas, assim como evolucionistas, por mais paradoxal que pareça.
Somos criacionistas, porque sabemos que Deus existe. A primeira pergunta do Livro dos Espíritos nos esclarece ao dizer que: “Deus é a inteligência suprema, a causa primária de todas as coisas”. Somos todos filhos de um mesmo Pai.
E somos também evolucionistas, pois sabemos que o Universo do Pai evoluiu e continua em evolução. A leitura de alguns livros, tais como o Livro dos Espíritos, a Gênese e A Caminho da Luz de Emmanuel, psicografado por Francisco Cândido Xavier, para não citar outros, elucida o porquê de sermos evolucionistas.
Com base nisto, podemos nos perguntar: “por que existe tanta polêmica ainda hoje entre essas duas correntes que buscam explicar a formação do Universo?”
Ora, parafraseando Herculano Pires em seu livro Revisão do Cristianismo: “Há um abismo entre o Cristo e o Cristianismo.” Tomando este mesmo pensamento, é possível dizer que existe sim um verdadeiro abismo entre o que poderíamos denominar de “Criacionismo dos Religiosos” (Dogmáticos) e o “Criacionismo dos Cientistas”.
O Criacionismo pregado por muitas religiões não é verossímil. Por exemplo, somente para citar uma das distorções da verdade, dizer que o Mundo foi criado em 7 dias é ir na direção oposta à razão. Sabemos, através do Espiritismo, que os 7 dias mencionados na Bíblia são na verdade 7 eras.
Com relação ao “Criacionismo dos Cientistas”, que nada mais é do que o Evolucionismo propriamente dito, podemos também afirmar que existem alguns pequenos mal entendimentos. Isto não se refere à formação da Terra, a qual a Ciência tem avançado bastante através da Arqueologia. E isto nem tampouco se refere à formação do Universo, a qual a Astronomia, através de seu ramo específico da Cosmologia vem descobrindo as maravilhas infinitas da Morada do Pai, como já nos dizia o Mestre Jesus: “Na casa de meu Pai há muitas moradas” (João 14:2); máxima que está muito bem explicada no Capítulo III de o Evangelho segundo o Espiritismo. Em verdade, o Evolucionismo ainda “se perde” pela busca do “Elo Perdido”, a qual nosso querido irmão Divaldo Pereira Franco já nos explicou de forma clara em algumas de suas palestras.
O Espiritismo vem, mais uma vez, através de seu bom senso crítico e racional explicar essas questões tão fundamentais, as quais ainda continuam confusas para tantos outros irmãos aqui no orbe terrestre.
Mas deixando um pouco de lado essa digressão filosófica, a qual é importante, entretanto não é fundamental para a nossa evolução (por mais irônico que pareça), precisamos sempre ter em mente que evolução está muito além das palavras.
A leitura dos livros espíritas e dos livros científicos sérios, a prece, a meditação, os pensamentos sempre bem direcionados, a reflexão, enfim, tudo isso auxilia potencialmente para que possamos evoluir. Contudo, precisamos sempre nos relembrar que para evoluir efetivamente, necessitamos vivenciar; isto é, por em prática tudo aquilo o que estamos a aprender dentro desta Doutrina Espírita tão divina, e por assim ser, tão esclarecedora.
Todos nós, independente da posição social a qual pertencemos, da profissão que exercemos, do conhecimento intelectual o qual temos etc., precisamos nos esforçar na Seara do Bem para evoluir. Em outras palavras, precisamos amar, pois é somente com o amor, exemplificado pelo nosso Mestre Jesus, e agora tão bem explicado pelo Espiri-tismo, que conseguiremos evoluir.

Rodrigo Machado Tavares é Engenheiro e pesquisador, residente em Londres. Colabora com Revista Reformador

Jornal de Estudos Psicológicos
Ano II  N° 2  Janeiro e Fevereiro 2009
The Spiritist Psychological Society 

quarta-feira, 6 de junho de 2012

O Homem de Bem


Karina Cardoso

O homem quando equilibrado e saudável, isto é, em contato com sua essência divina, busca ser bom e melhorar-se a cada momento. Jesus Cristo a 2000 anos atrás nos deixou o roteiro para conquistarmos a saúde integral: “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”. Ele nos deixou seu exemplo de vida, que é um guia seguro para alcançarmos a meta da nossa existência, o crescimento espiritual.

O Espiritismo, sendo o Cristianismo redivivo, vem nos relembrar estes preciosos ensinamentos cristãos, que ainda temos tanta dificuldade de vivenciar. O Evangelho segundo o Espiritismo, é uma obra repleta de lições e explicações para que desenvolvemos o nosso lado ético-moral e nos tornemos pessoas de Bem; e mais detalhadamente na passagem intitulada “o homem de bem” (cap XVII). Ali compreendemos que o homem de bem é alguém que vive dentro das leis do Universo, com fé em Deus e que dá a sua contribuição, fazendo todo o bem que pode, fazendo-o sem esperar recompensa. O seu comportamento perante seus irmãos o distingue. Nisto demonstra que já está no processo de dominar o seu orgulho e egoísmo, desta forma, gradualmente, desenvolvendo a humildade, a resignação, o respeito, etc.
 
O homem de bem preocupa-se em melhorar a sua própria conduta, sabendo-se responsável por si mesmo. Ele representa a dedicação em vivenciar a doutrina Cristã, servindo a Deus através do próximo e sendo consciente da sua realidade transpessoal. Esta é a proposta para todos nós que buscamos a felicidade real e duradou-ra, compreendendo que a felicidade é uma certa atividade da alma conforme à virtude.

Karina Cardoso é Psicóloga e Secretária do The Spiritist Psychological Society em Londres.

Jornal de Estudos Psicológicos
Ano II  N° 2  Janeiro e Fevereiro 2009
The Spiritist Psychological Society

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Saúde Integral


Ana Cecília Rosa

“Uma organização fisiopsíquica resulta da perfeita identificação entre o Espírito e o soma, como decorrência das reencarnações anteriores ou das conquistas atu-ais, preparando a existência em marcha para a plenitude.” Joanna de Ângelis

Os avanços científicos e tecnológicos dos últimos dois séculos influenciaram sobremaneira a visão da saúde atual. O processo de adoecer e a busca do alívio e/ ou cura dos sintomas relacionados às doenças, têm se tornado altamente especializados. Já conseguimos apontar a causa molecular para os nossos desequilíbrios orgânicos porque já nos tornamos hábeis investigadores da nossa estrutura microscópica. Termos como genoma humano, células-tronco, hormônios e outros, já fazem parte da nossa conversação cotidiana e são tidos como a grande esperança de um futuro sem doenças.
Este cenário de otimismo tem sido questionado, inclusive pelas maiores autoridades científicas. O comportamento de certas doenças não é tão previsível quanto antes se imaginava. E a causa desta “imprevisibilidade” reside no Homem e em todo aspecto bio-psico-socio-espiritual que é inerente à sua natureza.
Desta forma, o conceito de saúde integral inclui a abordagem de todos estes aspectos anteriores descritos, além da sua relação com o meio ambiente, que é a definição atual proposta pela Organização Mundial de Saúde, contrapondo-se a idéia anterior da ausência de doença.
Desde a antiguidade sabemos deste binômio corpo-espírito. Porém, a partir do século XIX com o advento do Espiritismo o Homem integral foi definido como composto por corpo- períspirito-espírito, em constante relação com o mundo ao seu redor, material e “extrafísico”, aos quais influenciamos e que, também, somos influenciados, seja através de pensamentos, sentimentos ou atos. Desta forma,a perspectiva e a abordagem para a cura, parte do princípio de buscar o equilíbrio de todos os aspectos da nossa integralidade, além de considerar o homem como espírito eterno, em processo de reajuste com as Leis Divinas, e submetido a Lei de causa e efeito, conferindo oportunidade de aprendizado e evolução.

As propostas terapêuticas espíritas se caracterizam em atividades desenvolvidas pelos Centros Espíritas, através de estudos, orações, passes magnéticos, atendimentos fraternos, desobsessão e águas magnetizadas (fluidificadas). Essas são as formas de trata-mento alternativo paralelo ao tratamento médico. É importante ressaltar a necessidade do tratamento médico tradicional na busca da cura completa, lembrando que os desequilíbrios de qualquer origem ge-ram desarranjos físicos, causa-dores de doenças, que necessitam dos recursos que só a medicina dispõe para tratá-los.
A terapêutica espírita consiste de recursos que permitam um entendimento do homem dentro de sua integralidade, buscando compreender as causas imediatas e anteriores ao seu processo de adoecimento, permitindo-se oportunidade para a busca de auto-conhecimento, refazimento e transformação. Junto a isto, ela proporciona tratamentos magnéticos (passe, água fluidificada) que reequilibram o espírito e o perispírito (corpo espiritual) e, posteriormente, o corpo físico; gerando condições de saúde. Isto tudo dentro do conceito de Justiça e amor infinito de Deus que concede “a cada um segundo as suas obras”.

Jornal de Estudos Psicológicos
Ano I N°1 Novembro - Dezembro 2008
The Spiritist Psychological Society 

O Homem na Visão Espírita


Karina Cardoso

O Espiritismo, na sua essência, nos presenteia com explicações e ensinamentos, que conseqüentemente, nos dão a benção do conhecimento e um importante e transcendente sentido para nossas vidas. Essencial ao estudo do Espiritismo é o estudo do ser humano: Quem somos? De onde viemos? Para onde vamos? Porque somos como somos? Porque passamos pelas experiências que passamos? Como podemos alcançar a felicidade e a paz?

A Doutrina Espírita nos esclarece que, para estudar o homem, é necessário considerar a sua essência espiritual, que é a chave para uma análise mais completa. Pois ele é muito mais que apenas o corpo físico, as relações sociais e as funções psicológicas. O homem é um espírito eterno, criado simples e ignorante, para que através do uso de seu livre arbítrio, possa fazer escolhas que o levem à perfeição. Este processo de crescimento interior, pode levar um número menor ou maior de encarnações na Terra e/ou em outros planetas, dependendo apenas do caminho que cada ser decide seguir.

Aprendemos que somos responsáveis pela nossa vida atual, pois esta é o resultado das nossas escolhas e experiências passadas e presentes. Assim o futuro é algo a ser definido por nós mesmos, dependendo apenas de como escolhemos viver no aqui e agora. Somos autores do nosso destino, nunca vítimas. Desta forma, todos nós seres humanos, podemos abreviar os nossos sofrimentos, escolhendo o caminho do amor e seguindo os exemplos de Jesus Cristo, aplicando-os na nossa relação intrapessoal e interpessoal.

O homem, na visão Espírita, é um ser a caminho da luz, aprendendo com seus erros e construindo sua realidade a cada momento. Por trazer a centelha divina em sua essência, a sua capacidade de amar, perdoar e fazer o bem é imensa, mas muitas vezes enfraquecida por suas imperfeições morais.

A proposta Espírita, para todos nós, seres imortais, é o trabalho de atualização das nossas potencialidades divinas, que visam o bem, o belo, o ético; religando-nos a Deus, tornando-nos participantes ativos na conquista da saúde,felicidade e paz.



Jornal de Estudos Psicológicos
Ano I N°1 Novembro - Dezembro 2008
The Spiritist Psychological Society 

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Espiritismo e Psicologia


Adenáuer Novaes

O Espiritismo nasceu com Allan Kardec, em 18 de abril de 1857. O termo foi criado por ele e a doutrina nele encerrada trata da existência dos espíritos. A Psicologia, oficial-mente nasceu com o laboratório de William Wundt, em 1875, cujas pesquisas se situavam em torno da quantificação do comportamento observável. O Espiritismo se desenvolveu muito durante o período em que Allan Kardec escreveu com a ajuda dos espíritos. Isso se deu até sua morte, em 1869. A Psicologia, antes de Wundt, era embrionária e se ocupava em estudar o desenvolvimento humano.
Allan Kardec, pioneiramente, em 1857, muito antes de Wundt, editou a Revista Espírita, cujo sob-título chamou de Jornal de Estudos Psicológicos. Para Allan Kardec, o Espiritismo era a Psicologia, isto é, o estudo da alma, sendo esta entendida enquanto espírito imortal. De lá para cá, tanto o Espiritismo quanto a Psicologia se desenvolveram em várias direções e de várias maneiras. Agora, início do Século XXI, vê-se esse casa-mento ocorrer, talvez como pensava Allan Kardec. Ambos são conhecimentos que tratam do mesmo objeto de estudo, portanto têm muita coisa em comum. Embora distintos, complementam-se e oferecem, juntos, uma melhor oportunidade para a compreensão da natureza humana.
Cresce o interesse das pessoas pelo Espiritismo exatamente pelas questões psicológicas que as incomodam. Sem conseguirem distinguir o que é espiritual e o que é psicológico, encontram nos Centros Espíritas a oportunidade de entenderem sua natureza dual: psicológica e espiritual, simultaneamente. Não há um fenômeno mediúnico que não tenha uma mente dele participando, tampouco um fenômeno psicológico que não ocorra fora dos limites do espírito imortal. Ganharíamos todos se estas duas áreas do saber humano de fato se unissem, visando a erradicação dos males que afligem a alma humana. Quem sabe isso ainda acontecerá neste século? Em boa hora o The Spiritist Psychological Society aborda temas fronteiriços em mais um meio de divulgação do Espiritismo.


Jornal de Estudos Psicológicos
Ano I N°1 Novembro - Dezembro 2008
The Spiritist Psychological Society 

ESPIRITISMO: Ciência, Filosofia e Religião


Rodrigo Machado Tavares

        O início deste século XXI começa a se caracterizar como um momento de grandes mudanças no orbe terrestre. Não é preciso fazer uma análise muito detalhada para constatarmos que a Terra vem passando visivelmente por transformações em vários aspectos. A humanidade, então, mostra-se cada vez mais em busca de explicações. E estas são desenvolvidas em diversos campos do conhecimento humano, os quais sempre permeiam, de formas direta e/ou indireta, a ciência, a filosofia e a religião.
Apesar destes esforços, o homem dificilmente consegue associar de forma harmônica esses três pilares do saber humano. É justo dizer que, a partir do final do século passado, grandes avanços foram alcançados, sobretudo no âmbito científico.
Contudo, em verdade, cientistas, filósofos e religiosos, ainda, apesar de grandes avanços na “relação” entre si, muitas vezes parecem viver em mundos paralelos. E, desta forma, somos levados a observar que a razão pela qual ainda existem certos abismos entre estas três vertentes do conhecimento humano, talvez, seja o fato de que poucos entenderam, ou se quer tentaram analisar, os pensamentos inspirados de missionários como Albert Einstein que nos disse certa feita: “Deus é a Lei e o Legislador do Universo”.
Diante, assim, deste panorama, o Espiritismo se vem mostrando, cada vez mais, a fonte segura para tirar as nossas dúvidas e as nossas incer-tezas em quaisquer campos do conhecimento. Isto porque, sendo a Doutrina Espírita o consolador prometido pelo nosso Mestre Jesus, veio unir o que homem ainda insiste em separar. Em outras palavras, vem mostrar a humanidade que para evoluir das trevas para a luz é preciso integrar ciência, filosofia e religião. E é este o seu tríplice aspecto.
O Espiritismo é religião; não no sentido dogmático da palavra, mas no sentido hermenêutico da mesma. Isto é, no sentido mais profundo, o Espiritismo é, sim, religião, uma vez que esclarece de forma clara e concisa como o homem poderá desenvolver a sua ligação com o Pai Celestial. Este tópico é bastante elucidado em todo O Evangelho segundo o Espiritismo.
O Espiritismo é filosofia. Sobre isto, Allan Kardec chega mesmo a dizer que a força do Espiritismo está “na sua filosofia, no apelo que dirige à razão, ao bom-senso”. (O Livro dos Espíritos, p.484, 76.ed FEB).
E o Espiritismo é ciência. Para muitos, até mesmo alguns de nós espíritas, por mais paradoxal que pareça, esta idéia ainda não é muito clara. Talvez isso se deva ao fato de vivermos ainda num planeta com fortes tendências materialistas. Realmente, é correto afirmar que na maioria dos centros de pesquisas, dos centros acadêmicos, dos meios de comunicação e até mesmo dos meios artísticos existe um forte domínio de uma postura materialista e, por assim ser, somos levados quase todos, de formas direta e/ou indireta, a pensar que religião e ciência não se “misturam”. (Essa discussão, por si só, é um tema para um outro artigo). Isto é, pois, um grande equívoco. E a própria ciência, ironicamente, vem-nos mostrando isto. Por exemplo, através da física quântica, curiosamente, os cientistas vêm estudando a estrutura do átomo para entender o Universo. Estabelece-se, cada vez mais, um elo entre o microcosmo e o macrocosmo, demonstrando, mesmo que sem a vontade deles, a grandeza do Pai e a harmonia da Sua casa, o Universo. É interessante notar que, o instrutor de André Luiz, no livro Libertação, através de Chico Xavier, já falava isso que a ciência vem percebendo: “Existem princípios, forças e leis no universo minúsculo, tanto quanto no universo macrocósmico”. A literatura espírita está repleta de verdadeiras fontes sublimes de conhecimento que es-clarecem os mais variados temas, muitos deles, intrigantes até hoje, que vão desde clonagem até a for-mação do Universo. Uma leitura minuciosa de O Livro dos Espíritos e de A Gênese nos mostra o porquê de o Espiritismo ser ciência.
Se a humanidade tivesse, sempre, aliado a ciência à religião, conseguiríamos lograr progressos inimagináveis. Sendo assim, nós espíritas precisamos sempre nos atentar a relembrar o nosso querido codificador Allan Kardec, quando nos disse em A Gênese: “toda teoria deve ir ao encontro da idéia de Deus, se não caí em erro”.
É, dessa forma, que o Espiritismo apresenta-se, sendo uma ciência com bases filosóficas e conseqüências religiosas e, assim, morais. Unindo o saber, através da junção dos três pilares do conhecimento humano, ao invés de separá-lo, a Doutrina dos Espíritos possibilita uma interpretação racional das palavras de Jesus, que são as verdades de Deus.
O Espiritismo é, portanto, Ciência, Filosofia e Religião.
Jornal de Estudos Psicológicos
Ano I N°1 Novembro - Dezembro 2008
The Spiritist Psychological Society 

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Um Novo Tempo



Evanise M Zwirtes






Cremos que o momento de dificuldades, pelo qual passa o mundo, está se modificando, com isso, trazendo novos conceitos para as relações inter-pessoais, que nos levarão à criação de um novo modelo de sociedade.

Sintamos a necessidade cada vez maior de crermos numa sociedade mais digna, onde a injustiça vigente, nas mais variadas formas de exclusão, dê vez à oportunidade para todos viverem sob o mesmo sol.

Cremos na união dos seres humanos como única forma para estabelecermos um fim na onda de pessimismo que se abateu sobre a humanidade. O momento presente nos instiga a emprestarmos ao mundo o encantamento pela vida que vem de nossas almas. Cremos nessa luz interi-or, que nos ilumina a cada amanhecer. Cremos no bem que reside em nossas almas e que está a aflorar. Cremos no espírito forte que sobrevive em todos nós até hoje, sentimentos determinantes que nos conduzirão ao local que almejamos.

Portanto, será através da tomada de consciência que já podemos antever o clarão de um novo tempo: um mundo sem fronteiras, sem exclusões. Sejamos todos os construtores dessa realidade, abraçados que estamos aos mais nobres ideais.


Jornal de Estudos Psicológicos
Ano I N°1 Novembro - Dezembro 2008
The Spiritist Psychological Society 


UM FATO INSÓLITO (*)


Cezar Carneiro de Souza
Certo domingo, 1.º de abril de 1973, nos encontrávamos junto a Chico Xavier, numa fazenda próxima à cidade de Araguari.
A sede da fazenda, uma casa das mais antigas, construção rústica, sem forro, ficando à mostra um telhado muito velho, o assoalho de madeira e, embaixo, o porão. Tudo muito antigo. Naquela casa penetrava ar em abundância trazendo o perfume das flores do campo. Pelas janelas e portas, entravam os raios de sol, dando ao local luz agradável, simples e muito aconchegante.
O motivo daquele encontro é que ali seria oferecido pelos queridos confrades um almoço fraterno em comemoração à solenidade, que acontecera na noite anterior, de entrega do título de Cidadão Honorário de Araguari a Chico Xavier, outorgado pela Câmara dos Vereadores daquela promissora cidade triangulina.
No entanto o que queremos registrar é o fato que ouvíramos, perplexos, de Chico Xavier em conversa com José Martins Peralva, conhecido escritor espírita, há pouco desencarnado.
— Chico, li o livro do autor oriental que você me recomendou.
Um fato me intrigou bastante, pois um personagem da história morre e outro espírito é ligado ao seu corpo e passa a viver aqui na Terra, enquanto que o espírito do que morreu se desliga e vai para a Espiritualidade.
Isso é uma troca de espíritos que contradiz a Doutrina Espírita. Em “O Livro dos Espíritos” não encontramos tal afirmação. E aí, Chico, como ficamos?
O lúcido médium, calmo e com a segurança de quem sabe o que fala, disse:
— Não, Peralva. O fato não contradiz os ensinamentos da nossa Doutrina. Não há contradição naquele relato contido no livro do autor do Oriente.
— Acho impossível que uma pessoa venha a desencarnar e um outro espírito seja ligado ao corpo morto, a este reanime e passe a viver entre nós. Como pode ser isso? – argumentou o autor do livro “Estudando a Mediunidade” (FEB).
Chico, após ouvi-lo com atenção, enfatizou:
— Olhe, gente, vou dizer a vocês:
existem revelações da Espiritualidade Superior que surgiram no Oriente  e que, por enquanto, não podem ser transmitidas para o Ocidente, nem mesmo por Kardec. Não se assustem, mas é isso mesmo. As coisas, às vezes, parecem ser impossíveis. Por exemplo: eu chego aqui, a esta fazenda, que é bem rústica e antiga, para ver se se pode instalar energia elétrica. Com meus poucos conhecimentos, eu observo e digo que é impossível pôr eletricidade.
Porém vem um engenheiro, faz um estudo e diz: — É possível, sim. Nesta casa pode, pôr eletricidade. E põe!!!
Todos nós ficamos impressionados com o que ouvimos de Chico.
Após aquele diálogo, alguém comentou:
— Chico, se isso é possível, para que haja troca de espíritos e não haja rejeição, é necessário que sejam almas irmãs e se afinem em sintonia quase perfeita, não é?
Chico, num aceno com a cabeça, pareceu concordar e encerrou o assunto.
De retorno a Uberaba, encontrei-me com um amigo e culto escritor espírita. Narrei-lhe o fato e ouvi dele que há muito, Chico lhe falara dessa história, dizendo-lhe, ainda, conhecer uma pessoa numa cidade do interior de Minas Gerais, que era alguém protagonista de tal acontecimento tão insólito.
Encerrando mais um caso com nosso sábio e querido Chico Xavier, lembramo-nos da fala de Allan Kardec, em “O Livro dos Espíritos”, questão n.º 19, que diz: “Quanto mais é dado ao homem penetrar nesses mistérios, mais cresce sua admiração pelo poder e sabedoria do Criador...”
*Caso inédito do autor do livro “Chico Xavier, Lembranças de grandes lições”. (IDE – Instituto de Difusão Espírita – Araras, SP), Cezar Carneiro de Souza
(Extraído de “A Flama Espírita”, Novembro-Dezembro/2008)

JORNAL DA MEDIUNIDADE
LIVRARIA ESPÍRITA EDIÇÕES “PEDRO E PAULO”
UBERABA-MG – INFORMATIVO MAIO/JUNHO – ANO 2009 – N.º 17
Jornalista Responsável: Juvan de Souza Neto
Endereço p/ correspondência:
Av. Elias Cruvinel, 1200 - B. Boa Vista -
38070-100 - Uberaba-MG
DISTRIBUIÇÃO GRATUITA

sábado, 26 de maio de 2012

UM FATO INSÓLITO (*)


Cezar Carneiro de Souza
Certo domingo, 1.º de abril de 1973, nos encontrávamos junto a Chico Xavier, numa fazenda próxima à cidade de Araguari.
A sede da fazenda, uma casa das mais antigas, construção rústica, sem forro, ficando à mostra um telhado muito velho, o assoalho de madeira e, embaixo, o porão. Tudo muito antigo. Naquela casa penetrava ar em abundância trazendo o perfume das flores do campo. Pelas janelas e portas, entravam os raios de sol, dando ao local luz agradável, simples e muito aconchegante.
O motivo daquele encontro é que ali seria oferecido pelos queridos confrades um almoço fraterno em comemoração à solenidade, que acontecera na noite anterior, de entrega do título de Cidadão Honorário de Araguari a Chico Xavier, outorgado pela Câmara dos Vereadores daquela promissora cidade triangulina.
No entanto o que queremos registrar é o fato que ouvíramos, perplexos, de Chico Xavier em conversa com José Martins Peralva, conhecido escritor espírita, há pouco desencarnado.
— Chico, li o livro do autor oriental que você me recomendou.
Um fato me intrigou bastante, pois um personagem da história morre e outro espírito é ligado ao seu corpo e passa a viver aqui na Terra, enquanto que o espírito do que morreu se desliga e vai para a Espiritualidade.
Isso é uma troca de espíritos que contradiz a Doutrina Espírita. Em “O Livro dos Espíritos” não encontramos tal afirmação. E aí, Chico, como ficamos?
O lúcido médium, calmo e com a segurança de quem sabe o que fala, disse:
— Não, Peralva. O fato não contradiz os ensinamentos da nossa Doutrina. Não há contradição naquele relato contido no livro do autor do Oriente.
— Acho impossível que uma pessoa venha a desencarnar e um outro espírito seja ligado ao corpo morto, a este reanime e passe a viver entre nós. Como pode ser isso? – argumentou o autor do livro “Estudando a Mediunidade” (FEB).
Chico, após ouvi-lo com atenção, enfatizou:
— Olhe, gente, vou dizer a vocês:
existem revelações da Espiritualidade Superior que surgiram no Oriente  e que, por enquanto, não podem ser transmitidas para o Ocidente, nem mesmo por Kardec. Não se assustem, mas é isso mesmo. As coisas, às vezes, parecem ser impossíveis. Por exemplo: eu chego aqui, a esta fazenda, que é bem rústica e antiga, para ver se se pode instalar energia elétrica. Com meus poucos conhecimentos, eu observo e digo que é impossível pôr eletricidade.
Porém vem um engenheiro, faz um estudo e diz: — É possível, sim. Nesta casa pode, pôr eletricidade. E põe!!!
Todos nós ficamos impressionados com o que ouvimos de Chico.
Após aquele diálogo, alguém comentou:
— Chico, se isso é possível, para que haja troca de espíritos e não haja rejeição, é necessário que sejam almas irmãs e se afinem em sintonia quase perfeita, não é?
Chico, num aceno com a cabeça, pareceu concordar e encerrou o assunto.
De retorno a Uberaba, encontrei-me com um amigo e culto escritor espírita. Narrei-lhe o fato e ouvi dele que há muito, Chico lhe falara dessa história, dizendo-lhe, ainda, conhecer uma pessoa numa cidade do interior de Minas Gerais, que era alguém protagonista de tal acontecimento tão insólito.
Encerrando mais um caso com nosso sábio e querido Chico Xavier, lembramo-nos da fala de Allan Kardec, em “O Livro dos Espíritos”, questão n.º 19, que diz: “Quanto mais é dado ao homem penetrar nesses mistérios, mais cresce sua admiração pelo poder e sabedoria do Criador...”
*Caso inédito do autor do livro “Chico Xavier, Lembranças de grandes lições”. (IDE – Instituto de Difusão Espírita – Araras, SP), Cezar Carneiro de Souza
(Extraído de “A Flama Espírita”, Novembro-Dezembro/2008)

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UBERABA-MG – INFORMATIVO MAIO/JUNHO – ANO 2009 – N.º 17
Jornalista Responsável: Juvan de Souza Neto
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