sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

DOIS MOMENTOS DE CHICO XAVIER

Carlos A. Baccelli é, sem dúvida, o maior dos biógrafos de Chico Xavier.
Vários são os títulos de sua autoria que traçam um perfil bastante completo
da trajetória desse missionário do Bem.
Colecionou, numa convivência prolongada, centenas de depoimentos que
bem expressam a grandeza de Chico.
Na sequência, dois desses momentos.
I
A mediunidade de Chico Xavier não se restringia à psicografia. Sempre discreto, evitando qualquer forma de promover-se, Chico se limitava a cumprir com o dever, fugindo ao que pudesse evidenciá-lo; a verdade, porém, é que ele era maior médium do que aparentava ser... Em uma das raras ocasiões em que nos falou de si, Chico contou-nos que a sua sensibilidade mediúnica lhe permitia, por vezes, ao olhar as pessoas, saber do que elas haveriam de desencarnar. Então, porque o fato lhe era causa de profunda tristeza, já que não poderia interferir na Lei do Carma, ele pediu a Emmanuel que lhe fosse bloqueada tal possibilidade, ao que o referido Mentor o atendeu de pronto. De outra feita, dialogando com um amigo que lhe indagara se ele dispunha de tempo para ler tantos livros e publicações de confrades que iam ter às suas mãos, para análise, em tom confidencial respondeu: — “Eu não tenho necessidade de ler um livro do começo ao fim; basta tê-lo em minhas mãos e folheá-lo, para que eu saiba do que se trata e tenha acesso ao seu conteúdo...
Há poucas semanas, recebemos,. no Lar Espírita “Pedro e Paulo”, a visita do casal Walter Negrão e Orphila, ele, um dos autores de novela de maior sucesso da TV Globo.
Conhecedor do nosso trabalho biográfico sobre Chico Xavier, fez questão de nos relatar o que presenciou há cerca de 30 anos, quando veio a Uberaba, acompanhando a atriz Araci Balabanian:
— Eu estava acomodado num dos bancos do salão e ninguém me conhecia. O Chico, que atendia a dezenas de pessoas, de repente virou-se para mim e me chamou pelo nome:
Walter, por favor, venha até aqui...” Surpreso, imaginando que pudesse tratar—se de um homônimo, não sai do lugar. Mas ele insistiu:
—“Walter, é você mesmo, o de barba! Por favor, chegue mais perto...” Ora, como é que Chico poderia saber o meu nome, se, embora escritor de novelas, eu nunca aparecia no vídeo e, depois, nenhum de nós, eu ou a Araci, havia sido apresentado a ele?!... Quando me aproximei, ele me falou:
— “Eu sei que você também escreve e, com certeza, gostaria de observar o modo com que os espíritos escrevem por meu intermédio... Pode sentar-se nesta cadeira, ao meu lado” — convidou-me, entrando comigo num quartinho que dava para o salão das reuniões, ainda na antiga sede da Comunhão Espírita-Cristã”.
Prosseguindo com a narrativa, Walter Luís Negrão, que, a partir de então, se tornou espírita convicto, explicou:
— “O Chico dividiu em dois o pacote de folhas em branco que estava sobre a mesa e, caindo em transe, começou a psicografar com as duas mãos do mesmo tempo, recebendo, simultaneamente, uma mensagem de André Luiz e outra de Humberto de Campos!...
Como é que eu poderia continuar tendo alguma dúvida, se o fenômeno acontecia diante dos meus olhos? Aquilo foi demais para mim!...”
Conversando, então, com o amigo, que conhecemos em uma de nossas andanças doutrinárias por São Paulo, comentei:
— É, Walter, o Chico nos dava a impressão de que “escondia” a própria mediunidade...
Talvez ele tivesse sido médium demais para o nosso tempo...
A isto, o amigo, que nos escutava, ajuntou:
— Concordo. A gente sempre tinha curiosidade de saber se o Chico, de alguma maneira seria informado quanto ao momento da sua própria desencarnação e, hoje, pelos acontecimentos da véspera e do dia, eu não tenho mais qualquer dúvida.., O Chico sabia muito mais do que ele ou os espíritos, por seu intermédio, nos revelavam!...
II
Em conversa reservada conosco, em sua casa, Chico, certa vez, nos disse, enquanto íamos anotando resumidamente suas palavras:
— “Eu já sofri, meu filho, o assédio de muitos espíritos que, de todas as maneiras, tentaram comprometer a tarefa do Livro por nosso intermédio; os Bons Espíritos, qual Emmanuel, sempre estiveram comigo, mas nunca me isentaram das lutas que são minhas... Houve época em que o assédio deles, dos espíritos infelizes, durava semanas e até meses; queriam que eu abandonasse tudo!... Ora, deixar tudo, para fazer o quê?!
Colocavam idéias estranhas na minha cabeça; deitava-me e levantava-me com elas...
Só que eu não podia parar. Perguntava a Emmanuel, ao Dr. Bezerra se alguma coisa poderia ser feita, pois eu não estava aguentando. Eram perturbações no espírito e sinais de doença no corpo, doenças fantasmas, evidentemente, dores por todos os lados, um pavor inexplicável da morte!...
Às vezes, para mim, um dia parecia uma eternidade. Então, não me restava alternativa, a não ser continuar trabalhando sob aquela tremenda pressão psicológica. Escutava os espíritos gargalhando aos meus ouvidos, ironizando - e eu já estava na mediunidade havia bastante tempo... Na hora do serviço da psicografia, eles desapareciam, mas, depois, voltavam. Eu não podia viver sempre em transe! Tinha de cuidar da vida! Enfim, apanhei muito dos espíritos inimigos da Doutrina - não de socos ou pontapés, mas de alguma coisa equivalente... Não foi fácil.
Somente à custa de muita oração e trabalho na Caridade é que fui me desligando naturalmente daqueles pensamentos. Não pensem que tudo para mim, na mediunidade, tenha sido um mar de rosas: por vezes, eu me sentia sitiado - de um lado, a Incompreensão dos encarnados e, de outro, o assédio espiritual, que, em verdade, em maior ou menor grau, todo médium experimenta.” E prosseguiu:
- “Já conversei com muitos companheiros de valor na mediunidade que estavam estreitamente vampirizados por espíritos que a eles pareciam colados, como se estivessem sugando suas energias mentais...
Não é brincadeira! Em sua maioria, os espíritos, ao deixarem o corpo, ficam por aqui mesmo. Poucos são os que acham o caminho para as dimensões mais altas.., O médium que não persevera na tarefa e que, doente como esteja, não procura cumprir com seus deveres acaba anulado por seus desafetos invisíveis de outras vidas...
Ernmanuel me perguntava:
- ‘Chico, que é que você tem?’ Eu respondia:
- ‘Estou triste, deprimido...’ - ‘Então, vamos trabalhar’ - dizia - ‘porque,. se você não trabalhar, eu não poderei ficar pajeando você...’ Foi assim que me habituei a trabalhar quase sem descanso. Como é que ia parar?l Certa vez, os espíritos que me assediavam me levaram a ficar de cama; comecei a tremer, a ter febre alta... Só que não era doença. Ainda bem que, de modo geral, a Humanidade caminha alheia às Influências dos espíritos obsessores, oferecendo obstáculos à sintonia com eles, pois, caso contrário, a casa mental das pessoas seria invadida...
Por este motivo, explica Emmanuel, os médiuns necessitam de vigilância dobrada.
Hoje, eu já me sinto um tanto mais calejado: as cicatrizes são tantas, que os perseguidores desencarnados já não encontram lugar para bater...” (Risos.)
E rematou, bem-humorado:
- “Hoje, eu já estou praticamente morto: eles não vão se preocupar com um... cadáver, não é mesmo.

FONTE
A FLAMA ESPÍRITA nº2741 e 2734


INFORMAÇÃO”:
REVISTA ESPÍRITA MENSAL
ANO XXXIII N° 387
DEZEMBRO 2008
Publicada pelo Grupo Espírita “Casa do Caminho” -
Correspondência:

Cx. Postal: 45.307 - Ag. Vl. Mariana/São Paulo (SP)

EDUCAÇÃO PARA SER ÚTIL

GEZIEL ANDRADE


É muito ilustrativa, para efeito didático, a criativa fábula da vaca e do porco, por mostrar-nos a importância de sermos úteis ao próximo, empregando os nossos recursos enquanto ainda estamos na vida material.
Diz a fábula que um porco aproximou-se de uma vaca e desabafou:
— Dona vaca, eu forneço, depois de morto, à semelhança de você, todas as partes do meu corpo para a alimentação e o benefício dos homens.
Entretanto, não desfruto no meio deles do mesmo respeito e prestígio. Você chega a ser considerada no meio de muitos deles uma verdadeira deusa sagrada. Não consigo entender o porquê dessa discriminação injusta!
A vaca, depois de refletir um pouco sobre o assunto, falou calmamente:
— Talvez, meu amigo, o meu prestígio junto aos homens decorra do fato de eu ser útil a eles, enquanto estou viva. Eu forneço-lhe, diariamente, em vida, o meu leite para a alimentação humana. Assim, os meus recursos geram inúmeros benefícios diários e não são doados e utilizados apenas após a minha morte.
Ouvindo isso, o porco fez uma expressão de quem acabara de ouvir uma grande asneira. Então, baixando a cabeça, encerrou o assunto e voltou a cuidar exclusivamente de si mesmo, acumulando recursos valiosos, mas para serem utilizados pelos outros apenas depois da sua morte.
A CONSISTÊNCIA COM AS LIÇÕES ESPÍRITAS
Allan Kardec, no Capítulo XIII de O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO, estimula-nos a sermos úteis e a fazermos o bem ao próximo, construindo um mundo mais fraterno:
“Aquele que deseja sinceramente tornar-se útil para os seus irmãos, encontra mil ocasiões de fazê-lo.
Que as procure e as encontrará.
Se não for de uma maneira, será de outra, pois não há uma só pessoa, no livre gozo de suas faculdades, que não possa prestar algum serviço, dar uma consolação, amenizar um sofrimento físico ou moral, tomar uma providência útil. Na falta de dinheiro, não dispõe cada qual do seu esforço, do seu tempo, do seu repouso, para oferecer um pouco aos outros?”
O Espírito Emmanuel, no Capítulo 82 do livro FONTE VIVA, psicografado por Chico Xavier, mostra-nos os benefícios de sermos úteis aos outros: “A criatura que serve pelo prazer de ser útil progride sempre e encontra mil recursos dentro de si mesma, na solução de todos os problemas.”
O Espírito André Luiz, no Capítulo 7 do livro AGENDA CRISTÃ, psicografado por Chico Xavier, orienta-nos a dedicar a oração inclusive àqueles que cuidam apenas de si mesmos:
“Ajude, com a sua oração, a todos os irmãos que jamais encontram tempo ou recursos para serem úteis a alguém, e que somente cooperam na torre de marfim do personalismo, sem lhe descerem os degraus para colaborar com os outros.”
A EDUCAÇÃO ESPÍRITA VOLTADA AO SER ÚTIL AO PRÓXIMO
A educação espírita prepara-nos, com seus ensinos filosóficos, religiosos e morais, para sermos úteis ao próximo.
Assim, fazemos o bem e colaboramos com o bem-estar alheio, praticando a fraternidade e a solidariedade e expandindo a alegria e a felicidade.
Dessa forma, atendemos ao ensino contido na Questão 643 de O LIVRO DOS ESPÍRITOS: “Fazer o bem não é apenas ser caridoso, mas ser útil na medida do possível, sempre que o auxílio se faça necessário”.
Além disso, a educação espírita nos ensina a seguir os exemplos de Jesus e a tê-lo como guia e modelo.
Adicionalmente, nos leva a praticar as condutas amorosas e fraternas exemplificadas por Bezerra de Menezes, Eurípedes Barsanulfo, Chico Xavier e muitos outros espíritas, estimulando-nos ao exercício do ser útil na família, no trabalho e na vida em sociedade, para a edificação do bem de todos.
Com o desenvolvimento do espírito fraterno e solidário, somos úteis e agimos em benefício dos que nos cercam, sem exigir reconhecimento, gratidão ou retribuição.
Com essa prestação de serviço útil e desinteressado ao próximo, praticamos e vemos ser difundidas as virtudes da fraternidade e da solidariedade, que efetivamente melhoram o relacionamento e a convivência na sociedade.
Além disso, sendo úteis ao próximo, não só acumulamos simpatia, méritos morais e tesouros espirituais, mas principalmente damos o bom exemplo para a edificação de uma forma de vida mais aprimorada e para a melhoria e a transformação moral da sociedade.
Portanto, sejamos úteis aos outros em todos os momentos de nossa convivência e relacionamento, engrandecendo o ambiente em que atuamos.
Com a educação espírita fazendo parte de nossa vida, estamos sempre dispostos a prestar, espontaneamente, auxílio útil, fraterno e generoso aos semelhantes, empregando os recursos que já dispomos neste momento para espalhar o bem-estar, a alegria e a felicidade e para contribuir com a melhoria da qualidade de vida de todos.


FONTE: JORNAL TERRA AZUL, n.º 48.

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A MEDIUNIDADE E A JUSTIÇA DIVINA

O JOVEM E SEUS PROBLEMAS

 A mediunidade poderia contribuir ou auxiliar a Justiça no caso de crimes, cuja autoria é desconhecida? (Cristiano R. Alves – Vera Cruz, SP).
O momento em que respondemos a esta questão, a televisão americana está apresentando uma série policial, chamada “Médium”; aliás, com alto índice de audiência. E o que mostra nessa série é justamente a atuação de uma médium como auxiliar da ordem e da justiça, na descoberta de pistas que levem aos autores de crimes. Mas, sem dúvida, é apenas uma ficção, fruto da imaginação excitada de seus autores. Entretanto, no Brasil, algumas comunicações mediúnicas, notadamente vindas por intermédio de Chico Xavier, já serviram de base para decisões em tribunais, conforme podemos ler numa das edições da revista CIÊNCIA CRIMINAL. Mas o fato não é comum.
Pelo contrário, os casos nesse sentido são raros. Não são regras, são exceções.
Lendo “A GÊNESE” de Allan Kardec, logo no primeiro capítulo, vamos encontrar um tema muito importante: “Caracteres da Revelação Espírita”. Nesse escrito, que foi o último de Kardec em vida, o autor afirma que não é papel dos Espíritos resolver os nossos problemas. Se assim fosse, seria muito fácil desvendar uma porção de mistérios que até hoje desafia a humanidade. Kardec chega a dizer o seguinte: “Os Espíritos não fazem pelo homem aquilo que o homem deve fazer por si mesmo”. É claro que não poderia ser diferente. De outro modo, como poderíamos evoluir.
Todas as descobertas e realizações humanas se devem ao esforço e à dedicação de pessoas que se entregam de corpo e alma às suas metas de trabalho.
O progresso da humanidade se faz pelo trabalho constante. A ajuda espiritual pode existir, sim, mas aliada ao esforço dos encarnados; não como uma revelação miraculosa ou uma graça que cai do céu por encanto. Isso existe em novelas, filmes e romances. Se o homem recebesse dos Espíritos a solução para os seus problemas, acabaria não tendo problema algum, e, em consequência, não aprenderia, não cresceria, não desenvolveria a sua inteligência. Todavia, sabemos que não é assim. E não é assim por dois motivos.
Primeiro, porque os Espíritos são apenas seres humanos desencarnados, tão bem ou tão mal informados como nós, os encarnados. Os Espíritos não sabem tudo, como muita gente pensa. Suas limitações são como as nossas, pois o mundo espiritual é muito parecido com o mundo em que vivemos. Kardec diz: há Espíritos de grandes conhecimentos, como há homens de notável saber; há Espíritos de conhecimento mediano, como a maioria dos homens; e há também Espíritos ignorantes e vaidosos como muita gente por aqui. Aliás, convivemos com os Espíritos que se parecem conosco em idéias e interesses. Em segundo lugar, os Espíritos mais esclarecidos aqueles que detêm verdades mais amplas e mais profundas que as nossas são cautelosos em relação às descobertas, pois eles são os responsáveis pelo progresso da humanidade. Desvendar um crime ou fazer uma descoberta científica são metas que impulsionam o homem ao seu progresso intelectual. A espiritualidade superior assiste a essas realizações com muito interesse, mas não adianta ao homem aquilo que é fundamental para o seu crescimento, do mesmo modo que um professor não vai dar a resposta do problema ao aluno, tirando-lhe a oportunidade de empregar seu próprio esforço, com o qual vai desenvolver a inteligência.

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quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

QUALIDADE DE VIDA NA ERRATICIDADE

Nilza Teresa Rotter Pelá


Qualidade de vida na maturidade, é também bem-estar religioso. Esse bem-estar diz respeito à forma como nos relacionamos com Deus ou com um Ser que consideramos superior e, conseqüentemente, a forma como vivemos a nossa relação com o próximo e conosco mesmo. A Doutrina Espírita nos esclarece que, ao desencarnarmos, levamos para a vida espiritual as mesmas crenças, comportamentos e atitudes: se nossa relação com Deus é saudável, ela assim continuará na vida espiritual, se fomos amantes da paz, assim continuaremos e muitos outros aspectos poderiam ser lembrados e o contrário também é verdadeiro.
No livro O CÉU E O INFERNO, Allan Kardec nos apresenta o Código Penal da Vida Futura, bem como exemplos das condições de vida de vários Espíritos. As situações são tão discrepantes, mostrando uma gama de vivências que são felizes ou infelizes, de acordo com a vida terrena que esses Espíritos mantiveram em sua última encarnação terrena.
Ao descortinar o panorama da vida espiritual em Nosso Lar e nas regiões umbralinas que cercam essa colônia, André Luiz nos apresenta em detalhes bastante claros essa vivência, em uma colônia de transição, onde ao lado de Espíritos desfrutando de vida ativa de trabalho e aprendizado, existem aqueles que se acomodam e vivem à custa do trabalho dos ativos da colônia, mas, entretanto, não têm uma capacidade intercessória. Clareemos com dois exemplos. Dona Laura e uma senhora idosa que André Luiz não identifica.
A primeira, ativa trabalhadora da colônia vive em casa própria que recebeu do marido que a antecedeu no retorno à vida espiritual e que deixará para os filhos, que com ela vivem, quando de seu programado retomo à vida terrena. Tem condição de acolher parentes recém desencarnados em sua casa e de interceder junto a diferentes Ministérios de Nosso Lar e, em favor do próprio André Luiz que também acolheu generosamente em sua casa. É feliz e tem acesso a vários ministérios, realizou cursos e demonstra uma cultura espiritual elevada, teve merecimento de junto ao marido regredir 300 anos de sua existência e programar junto com ele a nova experiência reencarnatória orientados por Espíritos amigos.
A outra senhora idosa compartilha uma entrevista com André Luiz no gabinete de Clarêncio, ela para pedir o concurso do Ministro para ajudar seus filhos ainda encarnados e André Luiz para solicitar serviço na colônia. Ambos não têm suas reivindicações atendidas.
A senhora mantinha uma atitude chorosa preocupada com os filhos, quando é lembrada, que, se não é capaz de equilibrar-se, não tem condição de ajudar. Clarêncio, fraternalmente também a lembra que, em várias oportunidades de atividades, nos diferentes setores de Nosso Lar, às quais ela foi encaminhada para trabalho, não foram por ela mantidos e, agora, se encontrava recolhida deliberadamente, em um Campo de Repouso, onde vivia às expensas dos recursos da colônia. Lembra Clarêncio de um aspecto importantíssimo para a nossa felicidade pessoal: “Para que qualquer de nós alcance a alegria de auxiliar os amados, faz-se necessário a interferência de muitos a quem tenhamos ajudado, por nossa vez”.
André Luiz não é atendido, pois como muito bem esclarece o Ministro, vinha buscar o serviço com vistas à manutenção de seu status de médico e pesquisador que tivera na Terra, e não com o real sentimento de ajuda e fraternidade, não lhe seria conferido o que desejava, mas lhe foi oferecido o cargo de aprendiz, pois na sua ficha havia o mérito de sua mãe, que por ele intercedia e das orações de quinze dos seis mil necessitados, que havia atendido, gratuitamente, como médico encarnado. A seguir, André Luiz inicia sua fase de aprendiz e nos lega o relato de suas experiências, na generosa psicografia de Francisco Cândido Xavier.
Podemos concluir que a nossa qualidade de vida, na Espiritualidade, depende de dois fatores quais sejam: o que construímos em nossa vida de encarnados e do esforço que fizermos de progresso no plano espiritual, mantendo uma vida plena de trabalho e aprendizado, lembrando que a Doutrina Espírita nos ensina que, embora a reencarnação seja necessária ao nosso progresso, podemos e devemos, na qualidade de Espíritos errantes envidar esforços para a nossa melhoria moral e intelectual.

 FONTE: DIRIGENTE ESPÍRITA, n.º 107.



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DEZEMBRO 2008
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MEDIUNIDADE: IMPORTANTES ESCLARECIMENTOS - (Final)

(Final)
Mistificação consciente é fácil de entender, mas como caracterizar, identificar, exemplificar a mistificação inconsciente e como diferenciá-la do animismo?
Alexandre Sech – Parece-nos que já abordamos o assunto na pergunta anterior, restando, para clarificar mais o assunto, darmos um exemplo. Suponhamos uma médium de excelentes recursos psicofônicos, que trabalha no campo da desobsessão alcançando resultados alentadores, mas cuja atuação não lhe dá tanta evidência quanto outra que labora no campo da oratória e que possui um nível de reconhecimento muito maior. Instigada pelos admiradores mais próximos, alentada pelo desejo de ser mais conhecida e respeitada, começa a se aventurar no campo da oratória recebendo o elogio dos circunstantes. Todavia, observadoras mais percucientes, notam que as peças oratórias da médium psicofônica nada mais são do que cópias ou pastiches da oradora original e procuram clarificar a questão aconselhando-a permanecer na sua atividade inicial na qual sempre se houve bem. Ferida em seu orgulho pessoal e espicaçada em sua vaidade narcisista, a médium psicofônica se recusa a permanecer no anonimato, pois deseja alcançar, para atender seus problemas emocionais da origem humilde e dificultosa, uma situação em que seja colocada em evidência e aplaudida pelas multidões.
É feito então um esclarecimento público sobre a questão, valendo como motivo para a médium psicofônica colocar-se na condição de vítima. Lança-se ela então, agora com uma motivação mais forte ainda, no campo da oratória, para apagar a imagem de pastichadora e com um denodo impressionante continua suas atividades no campo da desobsessão e se dedica também às atividades da oratória onde vai ganhando a cada dia um número maior de admiradores, mas nada produzindo de original, nada criando, senão apenas dando outra roupagem para as peças produzidas pela outra, a original.
Em um caso suposto como o que acabamos de apresentar, evidenciamos um mecanismo de natureza anímica preenchendo os “vazios mediúnicos”, e como conseqüência da situação emocionai familiar, como compensação dos complexos de inferioridade, uma necessidade de competir com quem está em plano de sucesso e evidência, principalmente depois de ter sido publicamente acusada de pastichadora das peças oratórias originais Ouve as palestras da outra mais de uma vez, remastiga-as e as reformula dando-lhes outra roupagem, num fenômeno típico de busca de identificação com o seu modelo.
Mecanismos de natureza inconsciente, automáticos, fora do controle da vontade no instante de sua erupção, mas acalentados anteriormente pela necessidade de “provar” sua faculdade mediúnica, caracterizam o animismo, ou a personificação. E quando isto tudo não funciona ainda, há o jeito de introduzir falsificações, inicialmente conscientes, mas que, pela repetição, se tornam automáticas e inconscientes, caracterizando o fenômeno da mistificação.
Como se vê, é preciso conhecer o médium e os mecanismos da mediunidade para se poder diferençar os fenômenos mediúnicos, anímicos, de mistificação e fraude.
Exercícios espirituais orientais, tais como meditação, ajudam o desenvolvimento da mediunidade?
Alexandre Sech – Tudo o que faz o indivíduo desenvolver a tranqüilidade, o equilíbrio, a confiança, ajuda o desenvolvimento da mediunidade.
Atingimos as culminâncias da evolução.
O animismo substituiria o mediunismo?
Alexandre Sech – São dois fenômenos diferentes e um não é menor que outro, portanto não vemos possibilidade de o animismo substituir a mediunidade. Como a evolução é intérmina, sempre teremos alguém que esteja em outro nível e superior ao nosso, servindo a mediunidade como meio de comunicação. Admitindo, porém, que a evolução atinja sua culminância com a identificação, com o Princípio Criador, sem o espírito perder sua individualidade, ao espírito restaria a faculdade de animismo como meio de comunicação.
De um modo geral, mediunidade significa provação ou expiação, logo, dor, sofrimento. Eu perguntaria: animismo, que traduz fenômenos decorrentes de energia própria, seria uma conquista espiritual de quem é capaz de os exercitar?
Alexandre Sech – Não acreditamos que a mediunidade de um modo geral signifique sofrimento e dor. Tanto quanto o animismo, a mediunidade é um mecanismo psíquico que possibilita ao espírito comunicar-se com seres de níveis vibratórios diversos.
Animismo e mediunidade, portanto, são mecanismos que denotam desenvolvimento psíquico.
É aconselhável descartarmo-nos de jóias, relógios e anéis durante os trabalhos mediúnicos? A “qualidade” dos passes decresce quando utilizamos tais objetos?
Alexandre Sech – Há certas práticas que se vão instituindo em nosso meio como frutos da ignorância doutrinária e da necessidade mítica e ritualista que caracterizam os espíritos primários. Os objetos de metal, conquanto tenham em torno de si seus campos vibratórios particulares, não impedem que a mente humana os domine e sobre eles se sobreponha. É mais folclórica do que necessária a atitude teatral de se despojar de tais objetos para a aplicação de passes ou participação em eventos mediúnicos. Se assim não fosse, não poderíamos entender como poderiam participar de atividades práticas companheiros possuidores de obturações dentárias de material nobre e portadores de placas de platina em sua ossatura.
A mente humana tem potenciais ainda desconhecidos e incomensuráveis. Tal história nos faz lembrar a parábola do Evangelho em que a preocupação farisaica é tamanha que se filtra um mosquito e acaba-se engolindo um camelo.
A captação do caráter de uma pessoa sem conhecê-la, é um fenômeno anímico?
Alexandre Sech – Basicamente tal percepção se deve a mecanismos anímicos que todos nós possuímos e nem sempre temos sabido utilizar, ou muitas vezes os confundimos com a mediunidade.
Qual a diferença entre mediunismo e mediunidade? Como podemos distinguir mistificação mediúnica de uma mensagem mediúnica autêntica?
Alexandre Sech – O mediunismo seria a potencialidade e a mediunidade a potência educada. Na segunda parte de “O LIVRO DOS MÉDIUNS” há um capítulo que trata do assunto e, em resumo, dá valor ao estilo, à forma, ao conteúdo, à lógica enfim. A mensagem mediúnica autêntica resume simplicidade, clareza, objetividade, profundidade, beleza e não é apenas a continuação das ideias pretensiosas do médium, nem tampouco revela as suas segundas intenções.
Como devemos entender o perispírito, como um elemento energético, ou seja, o protoplasma nas nossas forças biológicas?
Alexandre Sech – O perispírito é um corpo de natureza energética que serve de modelo estruturador biológico, estando, portanto ligado intimamente às forças vitais que impregnam o protoplasma das células do nosso corpo.
Qual a sua opinião sobre os “mártires”, isto é, os que cultivam o sofrimento e a dor como método único de evolução?
Alexandre Sech – Os que cultivam intencionalmente o sofrimento e a dor como método único de evolução não são mártires e sim masoquistas. Pessoas doentes e portadoras de desvios comportamentais.
É atitude sadia, correspondendo ao instinto de conservação, evitar-se a dor e o sofrimento evitáveis, suportando-os com resignação quando se tornem inevitáveis, mas jamais buscá-los como única forma de evolução.
Gostaria de saber mais a respeito do relacionamento do Espiritismo com o caráter moral. Por favor dê um exemplo.
Alexandre Sech – Para um perfeito esclarecimento da questão recomendamos a leitura do livro de Allan Kardec “O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO”, que se propõe a restaurar a base religiosa na área do conhecimento humano, como fundamental para a evolução da humanidade. Por se fundamentar no Evangelho de Jesus, o Espiritismo objetiva a elevação do homem ao plano superior através do desenvolvimento e exercício de suas virtudes espirituais. Uma pessoa que promova o mal, atingindo seu semelhante de maneira intencional, desencadeia um processo através da lei de causa e efeito em que se torna devedor, necessitando anular os efeitos do mal pela prática do bem, ao mesmo indivíduo ou outro qualquer, nesta ou em uma próxima encarnação.
Na comunicação mediúnica sempre há a interferência do animismo do médium? Mesmo que ele esteja em estado completo de inconsciência?
Alexandre Sech – Mediunidade e animismo são fenômenos distintos, ambos decorrentes do funcionamento de mecanismos mentais. Em toda comunicação mediúnica caracterizada pela ação da mente de um espírito desencarnado sobre o do médium, tendo como resultante a mensagem, seja escrita ou falada, o elemento intermediário que funciona como filtro, a mente do médium, sempre interfere, mesmo que o fenômeno seja de natureza inconsciente, porque a ação ocorre de perispírito para perispírito.
Que é Telecinesia?
Alexandre Sech – É um fenômeno de ação da mente sobre objetos materiais mudando-lhes temporariamente o seu estado de inércia. É a movimentação de objetos materiais pela ação da mente.
 Pelo que entendi o animismo é subjetivo e o mediunismo depende de uma comunicação que o médium recebe dos espíritos, portanto os dois são limítrofes. Pergunto: como podemos distinguir (nesta fronteira) o limite entre o animismo e a mediunidade?
Alexandre Sech – Embora sendo dois fenômenos distintos, sua manifestação é aparentemente idêntica. Em ambos, no transe, há alterações marcadas de natureza neuro-vegetativa, como tremores generalizados finos de extremidade (não confundir com as agitações próprias dos fenômenos histéricos), sudorese, vaso constrição periférica, hipotermia, taquicardia, hiperpnéia, etc. O que diferencia um fenômeno do outro é a sensação que o próprio médium ou sensitivo aprende a identificar, a maneira e forma da mensagem, a linguagem e o estilo, o conteúdo e o objetivo da comunicação, bem como o conhecimento que se tenha, prévio, do médium ou do sensitivo, das suas ideias, dos seus projetos, dos seus sonhos, dos seus ideais, de seus objetivos... E da entidade comunicante. Realmente o trabalho de distinção é bastante sutil e minucioso em certos casos e simples e fácil nos que saltam à vista, bastando ter olhos para ver.
Qual sua orientação para que o Espiritismo não se multiplique por divisões, se os próprios líderes espíritas são os mais intransigentes e intolerantes?
Alexandre Sech – A nossa orientação é a de que vivamos o Espiritismo com mais intensidade e menos interesses secundários. Que as chamadas lideranças sejam alcançadas natural e espontaneamente, mas nunca impostas e preparadas artificialmente. Que os verdadeiros líderes se conscientizem de seu papel útil e transitório, sabendo os limites de seu território e de sua ação, evitando se autopromoverem de maneira patológica, trocando os valores espirituais pelos galardões da terra...
Como e quando o espírito recém-desencarnado perde o perispírito, chegando a se sentir apenas uma consciência pensante e individual?
Alexandre Sech – O espírito recém-desencarnado não perde o perispírito, sentindo-se uma consciência pensante e individual. O espírito se vai desfazendo de seu perispírito à medida que evolui.
Ela se desagrega inteiramente quando o espírito alcança os limites máximos de pureza e de evolução, espiritual, através de multiplicidade das suas reencarnações.
Foi-nos falado sobre o nível de consciência. Gostaria que o senhor nos esclarecesse a respeito do processo de aceleração de tal nível de consciência.
Alexandre Sech – Os vários níveis de consciência se dinamizam e aceleram com medidas como: estudo, conhecimento, meditação, ação no bem, disciplina, tranquilidade, etc.
De acordo com sua palestra, os profetas eram médiuns. Se eram, que tipo de mediunidade possuíam?
Alexandre Sech – Os profetas, de uma maneira geral, possuíam todos os tipos de mediunidade, desde as de efeito inteligente, entre as quais a psicofonia, psicografia, até as de efeito físico, como a materialização.
Como se desvencilhar do animismo e como ele pode nos prejudicar nas sessões práticas?
Alexandre Sech – Não vemos porque devamos nos desvencilhar do animismo, como se ele fosse um fantasma. Devemos é saber que ele é comum, tem características próprias; aceitá-lo como um mecanismo psíquico normal embora inabitual; estudá-lo convenientemente, a fim de que, por falta de preparo e estudo, não seja confundido com mediunidade. Assim feito, não haverá prejuízo em nossas sessões práticas.
O que é sensitivo? É o mesmo que médium?
Alexandre Sech – Usamos o termo sensitivo para os portadores de animismo e o termo médium para os portadores de mediunidade, conquanto muitos usem ambos os termos indistintamente.
Devemos submeter à aprovação dos mentores espirituais pelos “médiuns principais” a eleição de diretorias?
Alexandre Sech – Era só o que faltava acontecer. Tamanho absurdo é impossível de imaginar nos dias atuais, embora tenhamos sido informados que ainda recentemente tal absurdidade tenha acontecido alhures onde um médium “sugeriu” a seus amigos, que estavam pleiteando participar de uma Casa Espírita, lhe fornecerem uma lista tríplice, onde constasse o nome da pessoa já previamente escolhida, para que o mentor do dito médium o confirmasse, o que realmente aconteceu. Diante do ocorrido, com suposta ação do mundo espiritual escolhendo o que já estava combinado, todos se congratularam... Felizmente tais exemplos são exceções, pois na maior parte das nossas Casas Espíritas, os elementos que as compõem são suficientemente conscientes e responsáveis para assumirem a responsabilidade da escolha, não fugindo das consequências de tal escolha por expedientes e subterfúgios infantis quanto o de submeterem ações de nossa alçada para que o mundo espiritual opine. Embora à primeira vista possa parecer uma atitude de respeito para com o mundo espiritual, submeter a ele escolhas que devem ser assumidas por nós, no fundo tal atitude só demonstra o fanatismo e a fascinação que dominam certas mentes.
O senhor acha que no nosso processo evolutivo, nossa percepção irá se aprimorando, até que todos nós seremos capazes de ter desenvolvida a mediunidade? E o nosso organismo irá se tornando mais sutil?
Alexandre Sech – Como não. A mediunidade é também evolutiva e à medida que o espírito se distancia do ponto inicial de sua evolução, sutiliza, perdendo gradativamente seus envoltórios mais densos.
Sabemos que a linguagem dos espíritos, no plano espiritual, é o pensamento.
Existem espíritos desencarnados de diversos países e de outros mundos habitados. Ao desencarnar, lembram-se de várias línguas em razão de terem reencarnado em vários países e podem se comunicar com os encarnados através delas. E os que estão em outros planetas, inferiores e superiores à Terra?
Alexandre Sech – Parece-nos que deva existir um fenômeno de adaptação e de equivalência de sinais significantes das ideias e pensamentos, podendo haver a intermediação de espíritos desencarnados próprios do nosso ambiente da Terra, que serviriam como intérpretes.

FONTE: ENCONTRO COM A CULTURA ESPIRITUAL, O CLARIN

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Série: A HISTÓRIA DE UMA MENSAGEM (25.ª Parte)

“A Certeza definitiva de que a vida continua”
(25.ª Parte)

A história da carta de hoje nos remete a 24 de julho de 1975, em Santo André, São Paulo. Naquele dia o jovem João Gilberto dos Santos, então com 28 anos, concluía sua passagem por nossa dimensão, após sete dias de internação no Hospital Bartira daquela cidade, em conseqüência de um aneurisma cerebral sofrido em 17 de julho.
As repercussões do fato impuseram aos pais uma dor moral sem precedentes até então. Com o desdobrar dos meses a ânsia de encontrar alívio para tanto sofrimento os aproximou de outros pais que passaram pela dura prova de perder os filhos e, embora católicos por convicção, seis meses após estavam no Grupo Espírita da Prece, em Uberaba, confundindo-se com as dezenas de pessoas que lá estavam, na esperança de obterem notícias através de Chico Xavier. E, elas vieram, pois, entre as cartas psicografadas na noite de 26 de março de 1976, encontrava-se a do amado filho, que infundiu certo alívio pela certeza de que o rapaz não morrera, apenas deixara para trás o corpo avariado pelo acidente vascular cerebral.
SUPERAÇÃO.
“Estou aqui pedindo para que me abençoem! Tudo é muito estranho ainda para o meu raciocínio, sei que outra vida me acolhe, e se vim, talvez magnetizado pelas preces e pedidos de mamãe, noto, meu pai, que a bondade de minha avó Laudelina que me tutelou por filho-neto é a força que me guarda. Escrevo sob auxílio, mas penso com rapidez e isso é para mim alguma coisa de inesperado e maravilhoso”.
Já no início de sua carta, João Gilberto nos propõe dois aspectos importantes. O primeiro, que os seis meses transcorridos não tinham sido suficientes para que ele se reabilitasse. E o segundo, que sua comunicação através de Chico Xavier foi possível graças ao auxílio de sua avó, que lhe ajudou a superar os limites da escrita mediúnica.
RECUPARAÇÃO LENTA.
“Desde o dia 17 de julho, a data que me ficou na memória, vou recuperando mecanismos de pensar. Entendo que estive em Bartira, como peça em conserto que não chegou a seu fim, mas isso não foi assinalado por mim com precisão. Amigos daqui, como sejam meu avô Araújo e meu avô João me explicam e me ajudam; não é, porém, muito fácil, readquirir nós mesmos, tais quais éramos, assim de uma vez só.
Creio que outros companheiros terão experimentado processos diferentes”.
Como já enfatizamos em outros programas a recuperação no Plano Espiritual, psicológica e perispiritual, é diferente para cada criatura.
As necessidades espirituais e as dívidas do passado são alguns dos fatores que interferem nesse processo.
LENTAMENTE.
“A verdade é que o meu desequilíbrio orgânico se concentrou na vida intracraniana e somente muito devagar fui reaprendendo a ouvir, falar, agir e pensar corretamente. No princípio, aqui, onde me vejo agora, reconhecia-me quase criança. Minha avó Laudelina, de quem possuía a imagem mas não o conhecimento pessoal me ensinou a reconhecê-la e me retirou do Hospital como quem se responsabiliza por um menino doente”.
Como se percebe no relato do jovem as repercussões do aneurisma experimentado por seu corpo físico, teve profundos reflexos no corpo perispiritual em que ele se via depois da morte em nova dimensão.
Aprender a controlar a nova forma e manifestar-se através dela, ainda por ocasião da mensagem, era uma conquista que João Gilberto alcançava gradual e progressivamente.
DESESPERO.
“Parece, mãezinha, que o sofrimento é mesmo uma força. Uma força propulsora que nos garante os impulsos de normalidade onde marcha para a frente. Enquanto o meu estado era de torpor, tudo era calmo em torno de mim, no entanto, ao melhorar-me, comecei a ouvir suas lágrimas faladas e suas queixas silenciosas nas orações. A luta para soerguer-me e consolar a senhora, a ânsia de dar meu pai a conhecer o que se passava foi muito grande, porque em tudo o que me alcançava, vindo de nossa casa, era o desejo de mamãe querendo encontrar-me ou morrer”.
Neste trecho da mensagem do jovem, observamos o quão difícil é nos reconhecermos impossibilitados de nos comunicar com os que ficam na retaguarda do Plano Físico, carregando a dor da separação. Salienta-se também a realidade das ligações mento-emocionais entre o que parte e os que permanecem em nosso Plano sustentando pensamentos de aflição, angústia e inconformação.
SIMPLES MUDANÇA.
“Bendita as nossas lágrimas, porque seu filho, mamãe, também chorou e chorou muito. Comecei a imitar as suas preces e rogativas, éramos ambos dois corações separados por um agente de energias vivas, assim qual cordão elastecente. De um lado, o seu desespero e do outro o meu terrível conflito, em que a senhora, meu pai, nossa Vanice e os irmãos estavam juntos. E aqui estou para rogar-lhe que viva, para pedir-lhe serenidade e conformação. A Morte não encerra os movimentos da vida”.
A natureza efetivamente não dá saltos. João Gilberto fala das repercussões da atitude mental descontrolada pelo desespero do pai e da mãe. Previne-nos quanto à necessidade daqueles que experimentam a perda de entes queridos, aos quais estejam muito ligados, se resguardarem na fé e confiança em Deus.
A íntegra desta e outras mensagens poderá ser lida na obra “A VIDA TRIUNFA”, publicado pela FE Editora.


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AS SETE RAZÕES PELAS QUAIS UM CIENTISTA ACREDITA EM DEUS

Em memorável palestra na cidade de Londrina (PR), o incansável médium Divaldo Pereira Franco tratou da existência de Deus, da magnífica obra da criação e os diversos momentos da história em que se pretendeu excluir Deus de nossa vida. O ponto alto da palestra, porém, foi a explanação sobre as idéias do cientista A. Cressy Morrison, ex-presidente da Academia de Ciências de Nova York, o qual arrolou, em estudo famoso, sete razões pelas quais um cientista como ele acredita em Deus.
Primeira:Por inabalável e matemática lei, podemos provar que nosso Universo foi concebido e executado por uma grande inteligência. Suponha que você coloque dez moedas de um centavo, marcadas de um a dez, em seu bolso e lhes dê uma boa agitada. Agora tente pegá-las na ordem de um a dez, pegando uma moeda a cada vez que você agita o bolso. Matematicamente sabemos que a chance de pegar a moeda número um é de uma em dez; de pegar a um e a dois em seqüência é de uma em 100; de pegar a um, a dois e a três em seqüência é de uma em 1.000 e assim por diante; por fi m, a chance de pegar todas as moedas, em sequência, seria de uma em dez bilhões.
Pelo mesmo raciocínio, são necessárias as mesmas condições para que a vida na Terra haja acontecido por acaso. Os dados seguintes mostram o porquê: A Terra gira em seu eixo 1.000 milhas por hora no equador; se ela girasse 100 milhas por hora, nossos dias e noites seriam dez vezes mais longos e o Sol provavelmente queimaria nossa vegetação de dia enquanto a noite longa gelaria qualquer broto que sobrevivesse.
O Sol, fonte de nossa vida, tem uma temperatura de superfície de 10.000 graus Fahrenheit e a Terra está distante bastante para que essa vida eterna nos esquente só o suficiente! Se o Sol emitisse somente metade de sua radiação atual, nós ficaríamos congelados, e se emitisse muito mais, nos assaria.
A inclinação da Terra a um ângulo de 23 graus nos dá as diferentes estações; se a Terra não tivesse sido inclinada assim, vapores do oceano mover-se-iam de norte a sul, transformando-nos em continentes de gelo. Se a crosta da Terra fosse só dez pés mais espessa, não haveria oxigênio para a vida. Se o oceano fosse só dez pés mais fundo, o gás carbônico e o oxigênio seriam absorvidos e a vida vegetal não poderia existir. É evidente a partir desses e de uma série de outros exemplos que não existe uma chance em um bilhão de que a vida em nosso planeta seja um acidente.
Segunda: A engenhosidade da vida, que revela em si mesma a manifestação de uma inteligência surpreendente, que dá gosto às frutas e às especiarias, perfume às flores, que transforma a água e o gás carbônico em açúcar e madeira e, ao fazê-lo, libera o oxigênio que permite que os animais vivam.
“Deus é amor”, afirmou João em seu evangelho.
Terceira: A sabedoria instintiva dos animais, que a transmitem aos seus descendentes. O jovem salmão gasta anos no mar, e depois volta para o seu próprio rio, percorrendo a própria margem do rio que corre para o afluente onde nasceu. O que o traz de volta tão precisamente? Se você o transferir para outro afluente ele saberá que está fora do seu curso e irá lutar para chegar com precisão ao seu destino.
Quarta: O poder da razão, presente no homem e que, como todos sabemos, supera o instinto animal.
Quinta: A existência dos genes, que são a chave que nos permite decifrar os seres humanos, os animais, os vegetais e todas as suas características.
Sexta: O equilíbrio ecológico, que faz com que as espécies se nutram umas das outras e, ao cumprir seu papel, mantenham o equilíbrio da vida no planeta.
Sétima: A faculdade da imaginação, que permite que existam os poetas, os músicos, os artistas em geral e que nos dá a capacidade de conceber a idéia de Deus e especular sobre a origem de tudo.
Na parte final da palestra, depois de lembrar o conceito espírita de Deus e tecer considerações sobre as provas de sua existência segundo a Doutrina Espírita, Divaldo lembrou a célebre lição de João:
“Deus é amor”, asseverando que é o amor que assegura a harmonia de nossas vidas, pensamento que ele ilustrou contando a comovente história de Leland Stanford, o menino que, ao desencarnar ainda jovem, transformou a vida de sua mãe e a levou a fundar em 1891 a Universidade de Stanford, em Palo Alto, na Califórnia.

FONTE: O IMORTAL, N.º 650.


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Com que fim Deus castiga a Humanidade com flagelos destruidores

Em “O LIVRO DOS ESPÍRITOS”,


Questão 737.
Com que fim Deus castiga a Humanidade com flagelos destruidores?

— Para fazê-la avançar mais depressa. Não dissemos que a destruição é necessária para a regeneração moral dos Espíritos, que adquirem em cada nova existência um novo grau de perfeição?

É necessário ver o fim para apreciar os resultados. Só julgais essas coisas do vosso ponto de vista pessoal, e as chamais de flagelos por causa dos prejuízos que vos causam; mas esses transtornos são frequentemente necessários para fazerem que as coisas cheguem mais prontamente a uma ordem melhor, realizando-se em alguns anos o que necessitaria de muitos séculos.